Lázaro de Carvalho

168 – Assim caminha a humanidade

In Artigos on 9 de agosto de 2012 at 23:42

Assim caminha a humanidade, ao longo de sua história. Vamos observar neste texto que a civilização e a barbárie (art. 014) sempre andam de mãos dadas e que os períodos de aparente ascensão são na verdade alicerces do declínio. Aquilo que chamamos evolução esconde os escombros de uma cultura decadente e condenada ao fatalismo das convicções, quando em contato com a triste realidade de suas atitudes. Assim acontece porque o imaginário torna-se obeso em demasia, enquanto o corpo de uma cultura sente o colapso em suas veias e artérias. A convulsão torna-se assim apenas uma questão de tempo. Nunca é demais lembrar que o corpo de uma cultura é um organismo vivo como qualquer ser senciente da Terra, pois responde a estímulos mentais e emocionais.

Nossa viagem terá início no Império Egípcio, onde tanto no Antigo, quanto no Médio e Novo Império vamos deparar com os mesmos sintomas (art. 052) de ascensão, decadência e queda. No decorrer de mais de três mil anos o Império Egípcio passou por períodos intensos de grande brilho, mas também de declínio e oscilações políticas. Durante o Antigo Império, os faraós conquistaram enorme poder no campo religioso, militar e administrativo. Observe que o campo religioso exerce domínio sobre o emocional; o militar sob a doutrina do medo comanda o físico, enquanto o administrativo procura manter o mental em equilíbrio. Essa época ficou conhecida como a época das pirâmides. Observe que a sociedade era dividida em funcionários que ajudavam o faraó e uma imensa legião de trabalhadores pobres que se dedicavam à agricultura, às construções, além de arcar com pesados tributos. Aquele mesmo Império de brilho e ascensão foi abalado por uma série de revoltas lideradas pelos administradores de províncias, fazendo da barbárie ascendente um tirano real a depor uma civilização imaginária.

Durante o chamado Médio Império o Egito voltou a recuperar a estabilidade política e com ela o crescimento econômico e o renascimento de suas manifestações artísticas. Mas longe de ser a manifestação de um sistema social evolutivo serviu apenas à proliferação do poder, ampliando suas fronteiras imaginárias, consumadas com a conquista militar da Núbia. Não demorou muito para que a barbárie voltasse à tona, trazendo novamente a ruína e a decadência. Dissolução, angústia, miséria e fome são germens de uma cultura falida, mas sob as cinzas de fênix o pássaro reabre as asas e redescobre o prazer de voar. Fazendo uso de técnicas militares aprendidas dos Hicsos, os faraós do Novo Império organizaram exércitos permanentes, lançando-os a novas conquistas. Assim, invadiram territórios do Oriente Médio, dominando cidades como Jerusalém, Damasco, Assur e Babilônia. Povos inteiros foram dominados e obrigados a pagar tributos em forma de ouro, escravos e alimentos. Mas como a ascensão do imaginário é sempre prenúncio do fim, mais uma vez o Império foi assolado por revoltas populares, entrando novamente em período de decadência, pela insensatez e arrogância de seus líderes. Novamente a maioria absoluta da população era sobrecarregada por impostos e se afundava na pobreza, enquanto uma classe privilegiada, abastada e vaidosa exibia luxo, ostentação e poder.

Diante dos persas de Cambises o Egito sucumbiu na batalha de Pelusa. Os persas ocupavam o planalto localizado entre o mar Cáspio e o atual golfo Pérsico, conhecido como planalto Iraniano. Ali se estabeleceram os chamados povos Indo-europeus. Duas grandes tribos formavam a base daquele povo: os Medos e os Persas. Dois reinos independentes no planalto Iraniano. Mas vamos nos ater aos persas por ser o veículo de nossa reflexão. O seu surgimento como Império foi creditado a Ciro e devido ao aumento expressivo da população criou-se a necessidade de expansão geográfica, que teve início com a dominação da Lídia. Mais uma vez estamos diante das fronteiras imaginárias (art. 022)e suas consequências posteriores. A partir daí a sede insaciável de poder submeteu as colônias gregas próximas, que passaram a fazer parte do Império. O exército de Ciro, ainda não satisfeito partiu para a Índia, onde chegou às margens do rio Indo. Não obstante, anexou ainda a Babilônia. Foi aí que teve fim o lendário cativeiro babilônico dos judeus, pois Ciro permitiu que voltassem à Jerusalém, e ainda os ajudou na reconstrução do Templo. Os sábios da Pérsia eram conhecedores do poder histórico de Jerusalém. As lendas de Gilgamesh já eram conhecidas muitos séculos antes do dilúvio chegar ao livro do Gênesis.

Vamos destacar que a cultura religiosa da Pérsia tinha um legado bastante elevado para a época. Eles davam valor a Terra, ao Sol e às Estrelas, sendo a terra raiz da Tradição Perene, das tradições Sufis e Dervixes. Talvez por isso Ciro não proibisse as crenças nativas dos povos conquistados. Concedia certa regalia às classes abastadas, mas exigia em troca homens para o seu exército, alimentos e metais preciosos. Todo poder é avaro, pelo simples fato de não pertencer ao homem, portanto, tomar posse dele é um fenômeno de usurpação do cosmos. Diante do imaginário e seu pressuposto de conquistas, o Império Persa alcançou o mar Cáspio, o mar Negro, o Cáucaso, os desertos da África e da Arábia, o golfo Pérsico e a Índia. Mas todo poder sucumbe diante de si mesmo, por isso Cambises não conseguiu chegar a Cartago. Uma famigerada luta interna pela manutenção do poder o enfraqueceu e destruiu. Mas como a política interna expansionista do homem nunca tem fim, continuou com Dario e suas satrapias.

Todo poder ascende ao imaginário e a partir daí sua decadência é inevitável. Assim também ocorre com o coração do homem, sua cultura e civilização interior. Sendo assim, o fim do Império Persa foi decretado por Alexandre, após o assassinato de Dario III. Diz-nos a ESCOLA que, quando a caminho da Pérsia, Alexandre cruzou com um Sufi, completamente nu, banhando-se nos primeiros raios de sol do amanhecer. Este o convidou a despir-se e se alimentar da força do deus Sol, mas teve como resposta a promessa de fazer isso ao retornar vitorioso da Pérsia. O sábio Sufi era conhecedor do imenso poder do imaginário no coração do homem, e apenas se curvou e sorriu. Ele sabia que Alexandre nunca mais voltaria por ali, o seu destino era outro.

Outro elemento para reflexão é o legado do Império Grego, sua civilização e cultura. A península grega projeta-se em direção ao Mar Mediterrâneo. Sua parte sul tem uma configuração montanhosa, sendo que algumas montanhas são ilhas e ficam próximas à costa. Devido à grande parte de suas terras serem impróprias para o cultivo os gregos tiveram que desenvolver formas alternativas de sobrevivência, tornando-se assim excelentes comerciantes a percorrer os mares em grandes navios.

A Grécia Antiga nasceu na região sul da Península Balcânica, e como os demais impérios também exerceu domínio sobre as regiões vizinhas, tais como, a Península Itálica, Ásia Menor e algumas ilhas do Mar Egeu. Com o passar do tempo, várias cidades politicamente autônomas apareceram e foram precursoras de diversas práticas, que influenciaram profundamente os nossos costumes ocidentais. A Grécia Antiga era um amplo mosaico de culturas que acabaram se desenvolvendo de forma independente e diversificada.

Todo crescimento a partir de fora gera diferenças e acirramentos. É preciso ter em mente que toda e qualquer forma de poder não admite interferência em seus domínios. O poder tem como base o imaginário, exatamente por este não oferecer nenhuma resistência aos seus interesses. O imaginário será sempre o melhor condutor, e ao mesmo tempo o menos confiável, pois em si mesmo é o alimento menos custoso a todo tipo de persuasão. A acirrada disputa por interesses pessoais na Grécia Antiga cedeu lugar à dominação de outros povos, submetendo sua cultura e civilização.

A herança maior do legado grego à procissão da miséria humana são a identificação e a imaginação. Aos poucos a tradição perdeu contato com a Mitologia, a Alquimia e o Sagrado. O Ocidente viu no legado grego uma oportunidade única para salvaguardar valores, então, a obstinação, a intransigência, a justificativa e o medo renasceram em berço de ouro. Nunca se esqueça da frase de Churchill: “Aqueles que não conseguem aprender com a história estão condenados a repeti-la”.

Como nos exemplos anteriores, o futuro do mundo helênico tornou-se incerto e sombrio. Depois de uma idade de brilhantismo a vida das pessoas simples do povo podia tornar-se uma arena de ameaças da noite para o dia, bastando para isso uma simples decisão de ordem superior. E para manter os seus padrões sustentáveis eles não pensariam duas vezes. As cidades gregas enfraqueceram e muitas delas tinham de ser socorridas financeiramente, para não se dissolver numa bancarrota inadiável. A sobrevivência tornou-se cada vez mais difícil em virtude de tributações elevadas. A queda do Império Grego em nada difere dos anteriores: ganância, orgulho, luxúria e vaidade. Assim caminha a humanidade.

Vamos agora observar o Império Romano, sua herança social, cultural, seus valores morais e éticos. Sem com isso deixar de lado a política de ‘pão e circo’, que até hoje nos é servida. Como a toda decadência antecede a prosperidade, em Roma não poderia ser diferente. A prosperidade romana conseguida com as conquistas modificou profundamente o comportamento de patrícios e homens novos, que desejavam apenas usufruir de seu status, preocupando-se com o próprio prazer. Aos plebeus pobres havia a possibilidade do serviço militar e algumas regalias nas conquistas. Mas à grande massa de necessitados era oferecida a política de ‘pão e circo’, ou seja, a distribuição de certa quantidade de trigo e ainda espetáculos gratuitos de luta entre gladiadores. Será que existe uma grande diferença para o que estamos vendo nos dias atuais do nosso país? Qualquer semelhança talvez seja mera coincidência, não é mesmo? Acredite: De bons mocinhos nossos dirigentes não têm nada. A hipocrisia continua nos credenciando como o país do futuro.

Imensas guarnições militares se fizeram necessárias para proteger as fronteiras imaginárias daquele vasto império, enquanto seus líderes pilhavam e gastavam dinheiro público em orgias e depravações. Meu Deus!!! Acho que já vi esse filme. Para ser breve e antecipar resultados, em 476, Odoacro, rei dos Hérulos, destronou Rômulo Augustulo, último imperador romano. Vamos recordar que entre as principais causas do enfraquecimento do Império estavam: crise econômica, baseada no latifúndio escravista; descontentamento com a cobrança de altos impostos, sendo o dinheiro usado para a sustentação do luxo e corrupção de governantes; desorganização política; disputa pelo poder e corrupção, além das lutas internas.

Restava ainda a resistência do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, que caiu em 1453 pelos turcos otomanos. Sua queda difere muito pouco da anterior, pois após a queda o Império Romano do Ocidente, suas raízes e comportamentos migraram a buscar abrigo no Oriente. Assim caminha a humanidade, desde o princípio foi assim. Compreenda que todo processo de fertilidade, ascensão e queda obedece a Lei de Oitava, portanto, existem dois intervalos a ser ultrapassados antes do fim. É a lei desde o princípio do mundo, não há como fugir a isso.

A partir do Século XIX, o rápido avanço da industrialização no continente europeu marcou um intenso processo de expansão econômica. O crescimento dos parques industriais e o acúmulo de capitais fizeram com que as grandes potências econômicas da Europa buscassem a ampliação de seus mercados e procurassem maiores quantidades de matéria-prima, disponíveis a baixo custo. Foi nesse contexto que essas nações iniciaram a exploração da África, Ásia e Oceania.

É interessante observar que somados aos interesses de ordem político-econômica, a prática imperialista também buscou suas bases de sustentação ideológica. A Teoria do Darwinismo Social colocava a Europa no ápice do desenvolvimento social humano, enquanto a África e a Ásia eram consideradas sociedades primitivas. Tudo isso teve consequências desastrosas, incluindo a Primeira e Segunda Guerra mundial. Além de promover a desestruturação das culturas africanas e asiáticas, muitas das guerras civis contemporâneas e grande parte dos problemas socioeconômicos que afligem os países que integravam os antigos impérios coloniais têm íntima relação com a ação imperialista.

O Neocolonialismo Norte Americano teve início em 1933, com a política da boa vizinhança. Era a nova forma do capitalismo americano, elaborada por Rosevelt na época em que a Alemanha Nazista tentava ganhar simpatia das oligarquias latino-americanas. Com a política da boa vizinhança Rosevelt tinha como objetivo fortalecer o regime ditatorial da América Latina, mantendo guardiões muito bem pagos, em detrimento das organizações operárias e sindicatos. Além disso, a política da boa vizinhança visava também à exploração de minerais e uma relação completa de suas possíveis quantidades e localização.

Mas como ‘tudo e todas as coisas’ responde sempre numa relação de Oitava, em comunhão com a Lei de Três, a América já começa a dar sinais de decadência. Muito antes da decadência financeira, expressa sinais de decadência moral, ética, humana e social. Basta observar o desrespeito aos valores sociais e humanos dos outros povos, o desperdício e insensatez a Gaia: 40% dos alimentos da América vão para o lixo. Esse excedente fétido é a fome da Somália, somada a outras partes do mundo. Lembre-se que a história é cruel com os impérios, quer sejam declarados ou acobertados pela hipocrisia de seus líderes.

A pobreza que assola a África, Ásia e América Latina é fruto desse desejo incontido de domínio e poder do colonialismo e neocolonialismo. A miséria do mundo clama por justiça àqueles que a causaram. Não esqueça que pensamentos e sentimentos são unidades vivas de reverberação. O Centro Instintivo de Gaia armazenou todas as informações e reagirá em cadeia, frente ao desrespeito a todos o s seres sencientes do Planeta. O gigante já deu seus primeiros sinais de fragilidade, enquanto a Europa tropeça por si mesma. O Império dá sinais de decadência, os sintomas são os mesmos e o modo de reação a eles não difere em nada dos anteriores.

Não é necessário ser um Homem de Conhecimento para observar os sinais evidentes de deterioração de todo o sistema. Todo poder é apenas aparente e circunstancial. O poder sempre foi e será o prenúncio do fim. Ninguém pode represar as riquezas de Gaia, sem com isso incorrer em grave erro. O universo é inteligente e equilibrado e tentar alterar esse estado em proveito próprio é a maior ingenuidade do homem civilizado. Observe a Si Mesmo e verá com os seus próprios olhos.

Que assim seja!

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