Lázaro de Carvalho

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167 – Tributo ao Lobo de Riding

In Artigos on 31 de julho de 2012 at 0:04

O Verdadeiro Conhecimento deveria estar todo ele contido nos Textos Sagrados, mas não é assim que acontece. O Criador é sábio o suficiente para antecipar o egoísmo e intransigência do homem, seu orgulho e vaidade quando de posse daqueles manuscritos. Temos então, que levar em conta a Tinta Fogo Branca, ou seja, os intervalos entre letras, frases e parágrafos inteiros. É o contorno, que ao limitar permite a expressão de símbolos em forma de pensamentos. Aquilo que não está escrito é em número muito superior ao que alguém escreveu. Muitos são convidados a expressar a verdade e alguns o fazem em poesia, prosa, filosofia e arte, enquanto outros  utilizam a religião. É preciso não esquecer que o homem Jesus, muito antes de ser uma entidade religiosa é um poeta, filósofo e místico. O meu primeiro alimento à alma de um adolescente inquiridor foi enriquecido pela matemática, física e por dois talentos inigualáveis Schopenhauer e Wilde. A este último venho dedicar esta página, além da sua efígie que trago à cabeceira.

“MAS A BELEZA, A VERDADEIRA BELEZA ACABA ONDE COMEÇA A EXPRESSÃO INTELECTUAL. A INTELECTUALIDADE É EM SI MESMA UM MODO DE EXAGERO E DESTRÓI A HARMONIA DE QUALQUER ROSTO. REPARE NOS HOMENS QUE TRIUNFARAM NAS PROFISSÕES INTELECTUAIS. COMO SÃO, DE FATO, HEDIONDOS! EXCETO, NATURALMENTE, NA IGREJA. MAS, NA IGREJA SIMPLESMENTE NÃO PENSAM.”

Chamou-nos a atenção o fato de o exagero concentrado no Centro Intelectual (art. 102), com certeza na parte baixa desse Centro, ser tão compulsivo a ponto de desfigurar a singular expressão do rosto. Atente para o fato que um bispo repete aos oitenta anos aquilo que lhe foi imposto aos dezoito, portanto é natural que tenha uma tez envelhecida e tristonha. O seu ato repetitivo é uma atitude mecânica, expressão de uma fé cega e serviçal em função dos valores vigentes. Portanto, qualquer fulano que apareça nos círculos dominantes falando a respeito de ‘Uma nova maneira de pensar’, com certeza, não será bem recebido. Este inusitado tocador de trombetas pode romper as muralhas de Jericó e possibilitar o êxodo das ovelhas cativas. Não sei a razão, mas sempre me senti pouco à vontade diante de um redil.

“TODO RETRATO PINTADO COM SENTIMENTO É UM RETRATO DO ARTISTA, NÃO DO MODELO. O MODELO É SIMPLESMENTE O ACIDENTE, A OCASIÃO. NÃO É ELE QUE O PINTOR REVELA; QUEM SE REVELA SOBRE A TELA COLORIDA É O PRÓPRIO PINTOR.”

Meu Deus! Não revelo nunca o meu íntimo a ninguém. Nem os convenço a respeito das coisas e pessoas que amo. Não revelo o meu segredo, pois aprendi a amá-lo. Se o revelasse teria que renunciar a ele. Tudo que escrevo são fragmentos de mim mesmo, mas nunca minha totalidade. Não posso me projetar por inteiro na tela dos seus pensamentos, pois estaria colocando nua a minha própria alma. A forma humana (art. 042) é a expressão da mente que a projetou na tela da vida. É reveladora da mente que a criou e só passa a ter vida própria em comunhão com aquele ser do qual foi gerada. Costumo dizer que Deus é o artista que mais admiro, sua arte é inigualável em qualidade, criatividade e sensibilidade. Dentre os seus quadros aquele que mais aprecio é ‘o mar ao entardecer’.

“UM HOMEM DEVE DAR TODA IMPORTÂNCIA À ESCOLHA DOS SEUS INIMIGOS. ELES ACHAM QUE A EMBRIAGUEZ, A IGNORÂNCIA E A IMORALIDADE DEVEM SER PROPRIEDADE SUA E, SE ALGUM DE NÓS INCORRE NESSES DEFEITOS, É COMO SE INVADISSE OS SEUS DOMÍNIOS”.

Dar importância à escolha dos inimigos! Alguns são destaques especiais dentro dos limites da prioridade: o orgulho e a vaidade. São potenciais e se alimentam da identificação e imaginação, pois trazem em si a embriaguês dos sentidos, a ignorância em relação ao Eterno e a imoralidade de suas próprias convicções. Não há orgulho mais nocivo que o orgulho do devoto e não há vaidade que não seduza e nos leve ao imaginário. Quando o domínio da razão sente em si mesmo a presença do abstrato retrai como se buscasse a segurança de um casulo. A razão é do tamanho de um grão de arroz, enquanto o abstrato é um estômago vazio.

“O VALOR DE UMA IDEIA NADA TEM A VER COM A SINCERIDADE DA PESSOA QUE A EXPRESSA. POR ISSO UM ARTISTA DEVE CRIAR COISAS BELAS, MAS NÃO DEVE BOTAR NELAS NADA DA SUA VIDA, SENÃO PERDEMOS O SENTIDO DO ABSTRATO, DA BELEZA.”

A ideia do abstrato, do conhecimento com o ser é um ponto importante de reflexão. A ideia em si existe e responde por si mesma. Uma ideia está acima dos preconceitos, não interage com eles, nem está a seu serviço; do mesmo modo que pode coadunar ou não com a tradição. Quando uma ideia é a manifestação do belo e está a serviço da arte não pode trazer os escombros e deformações da mente do artista. Apenas o abstrato, sendo este o reflexo do seu Emocional Superior. Nenhum artista pinta intelectualidade na tela do improviso. A mente é ativa na forma, mas o informe nasce a partir do coração.

“A FINALIDADE DA VIDA É O SEU DESENVOLVIMENTO PRÓPRIO. REALIZAR COMPLETAMENTE A PRÓPRIA NATUREZA É O QUE DEVEMOS BUSCAR. INFELIZMENTE, AS PESSOAS TÊM MEDO DE SI MESMAS. ESQUECERAM-SE DO MAIS ELEVADO DE TODOS OS DEVERES: O DEVER PARA CONSIGO MESMAS. PREFEREM ALIMENTAR O FAMINTO E VESTIR O ANDRAJOSO. DEIXAM, CONTUDO, QUE SUAS ALMAS MORRAM DE FOME E ANDEM NUAS.”

Meu pequeno Wilde! Quem me dera abraçá-lo! Poder dizer o quanto o amo e sou grato por ter me conduzido pelas mãos ao mundo dos valores reais. Como podem os preconceitos de uma época levar ao Cárcere de Riding o talento e o abstrato? Assim também é hoje quando entidades adormecidas preferem atitudes externas e ocasionais aos verdadeiros valores de uma vida. Esquecemos a lição de casa: A Lembrança de Si Mesmo. A verdade nos abandonou ou quem sabe nunca a tenhamos realmente conhecido. Trago no coração o inconformismo de um martírio ao ver o mais precioso bem de um homem sob o domínio insano de uma fé cega, preconceituosa e arbitrária, uma gama imensa de falsos valores em nome de Deus. Preferimos alimentar o faminto e vestir o andrajoso a observar a nós mesmos. Este é o artifício que encontramos para manter nossos castelos de ilusões. Ilusões de muitas vidas, enquanto perdemos o milagre do AGORA.

“SOMOS CASTIGADOS POR NOSSAS RENÚNCIAS. CADA IMPULSO QUE TENTAMOS ANIQUILAR GERMINA EM NOSSA MENTE E NOS ENVENENA. PECANDO O CORPO SE LIBERTA DO PECADO, PORQUE A AÇÃO É UM MEIO DE PURIFICAÇÃO”.

Quanta coragem! Quanta audácia! É preciso ser um ente mágico ou insano para fazer proliferar tais ideias na Inglaterra do Século XIX. A era dos preconceitos começou a ruir na arte plena do artista; na alma pura de um sacerdote do acaso; nas mãos de um homem que desafiou todos os ditames da razão. A renúncia de si mesmo é a desgraça do próprio homem, é ausência de si mesmo. Todo aquele que renuncia às paixões em nome de Deus é covarde, mas aquele que é capaz de ver Deus como uma enorme paixão é prudente. A paixão pertence ao AGORA, ninguém vive intensamente uma paixão no passado ou futuro. Quando nos ausentamos de nós mesmos por medo ou omissão o inconsciente guarda slides que serão projetados no futuro. É no pensar ausente e no coração de um homem triste que tem lugar os maiores pecados do mundo. Atitudes libertam, enquanto a resistência preconceituosa deixa a alma doente. Cristo jamais condenou, quem condena é a Igreja que artificialmente foi criada em seu nome.

“NADA PODE CURAR MELHOR A ALMA QUE OS SENTIDOS, E NADA PODE CURAR MELHOR OS SENTIDOS QUE A ALMA.”

O Lobo são os sentidos, Gaia, instinto, alma da Terra. O Cordeiro é a alma do Céu, repleto de estrelas, firmamento, luz. Mantê-los indenes é a maior façanha de um Guerreiro Sonhador. Liberdade é caminharmos lado a lado em direção ao desconhecido. Além daquela curva ninguém pode dizer com certeza o que nos espera, mas vale a pena aventurar-se mesmo que o destino seja a morte.

Que assim seja!

166 – Consequências

In Artigos on 29 de julho de 2012 at 21:59

Consequências apontam para uma reflexão mais objetiva e menos julgadora. A experiência humana é marcada por consequências e pela constante correção das intenções à medida que se concretizam em contato com a realidade. Nossa capacidade em administrar consequências induz a uma tomada objetiva de decisões. Há de convir ser muito mais prático conduzir uma ação, que reagir de forma inusitada e recomeçar. Quando recomeçamos, além do tempo perdido em causas anteriores temos que arcar com todas as consequências de um recomeço. É natural que seja assim, pois nossa configuração energética pode nos induzir aos mesmos erros. Toda consequência interage com a realidade, sendo formadora de cultura tanto moral como ética, pressupõe práticas que possibilitam o auto-reconhecimento do erro, evitando a sua disseminação inter gerações.

Existe uma relação direta entre nós como indivíduos e o mundo à nossa volta. Toda consequência é reveladora de atitudes, pois sem uma reflexão sobre a vida e seu sentido quase sempre criamos transtornos irreconciliáveis. A ESCOLA aponta a identificação como o agente que possibilita o maior número de consequências, afinal sem estar identificados não podemos sequer avaliá-las. É a ignorância que nos induz a dormir e sonhar, sendo assim nossas atitudes despretensiosas acabam criando um arsenal de consequênias imediatas. Outro agente em potencial é a imaginação que implode em consequências, quando em contato com a realidade. Polos aparentemente inofensivos podem ser condutores de consequências, bastando para isso um leve dano emocional, ou alguma discórdia casual. O círculo exotérico, ou círculo da confusão das línguas é um disseminador de consequências.

O poder e as posses oriundas e geradoras do poder demarcam demagogias e ilusões. Somos aquilo que reagimos e reação é consequência. Somos aquilo que acreditamos ser e por extensão a consequência imediata das ações às quais nos entregamos. Reconhecemos, portanto, além da importância da alma, seu caráter e evolução, a própria realidade do corpo, atitudes para com ele e consequências. Sabemos ser difícil lidar com artifícios que desvalorizam o sentido, corroem tempo e valor, criando insatisfação e disseminando dúvidas. Toda dúvida é geradora de consequências, enquanto a insatisfação a nutre nos bastidores. Uma consequência nem sempre é linear, pois responde segundo a Lei de Oitava. Sendo assim, podemos estar vivendo consequências cujas sementes vêm germinando à séculos, ou plantando outras que servirão de farol às gerações futuras. Consequências são atemporais, mas não é fácil ver e compreender isso.

A ESCOLA tem um importante papel ao colocar limites às necessidades artificiais do homem e aos métodos utilizados para satisfazê-las, bem como ao chamá-lo à responsabilidade convidando-o a despertar. Toda consequência impõe necessidades de correção imediata, mas também deixa sequelas. As consequências quando geradas pelo uso indevido da palavra podem atravessar séculos e induzir milhões ao erro. Consequências respondem como tudo mais à Lei das Três Forças e como tais não estão isoladas de um contexto mais amplo. Uma atitude impensada aqui e agora pode comprometer outras pessoas em continentes distantes. Fios ou elos invisíveis fazem com que atitudes pretensamente isoladas deixem de ser.

Preservar tem como significado evitar possíveis consequências geradas pelo uso indevido e continuado de recursos, quer sejam naturais, emocionais ou de cunho intelectual. O pensamento moderno com suas teorias exacerbadas é tão autodestrutivo quanto estados emocionais crônicos. Preservar valores, produzir capital social e responder de forma consciente às necessidades imediatas não é pouca coisa. É preciso estar consciente dos limites à própria riqueza como um referencial à pobreza. Existem limites impostos à utilização e distribuição de energia que quando administrados de forma irregular causam consequências desastrosas. Energia é vista aqui como uma capacidade de realizar trabalho, portanto, uma fonte de riquezas que, quando represada, pode gerar tanto inundações quanto escassez, com consequências desastrosas ao social e humano.

O corpo necessita de instrução e elevação. Vamos traduzir numa linguagem de ESCOLA: O Lobo necessita de instrução e elevação. Mas não pode fazê-lo por si mesmo. Necessita do corpo e suas unidades temporais para que venha a existir como Cordeiro, ou unidade atemporal. Exorcizá-lo, volto a repetir é a maior ignorância da humanidade. Compreenda: a alma não necessita de elevação espiritual uma vez que é pura. É o corpo físico, ou seja o templo do Lobo Cativo que precisa ser purificado. Manter indenes o Lobo e o Cordeiro é o maior ritual de magia já ofertado à humanidade. Não realizá-lo na prática objetiva do dia a dia é uma ofensa à inteligência emocional do cosmos. Chama-se ausência de si mesmo e implica consequências.

Enquanto o ciclo de experiências repetitivas do Lobo e suas consequências ficam saturadas num patamar de respostas subjetivas, desqualificadas e inoperantes, as experiências do Cordeiro sofrem sob o fardo da mentira, identificação e imaginação. Um prenúncio de liberdade exige de cada um abraçar a causa, tanto do bem quanto do mal, que foi aleatoriamente adicionada à nossa vida. À primeira transmutamos ao despertar desse sono letárgico e à segunda asseguramos com consciência e objetividade. Não é necessário ter fé para alcançar esse estado, basta confiança e entrega absoluta. É um processo que não necessita de ismos, é independente de qualquer doutina, seita ou religião.

Tanto o Lobo quanto o Cordeiro fazem estudos objetivos do comportamento humano e suas consequências. O primeiro pelo instinto de preservação de si mesmo, do seu habitat e da sua prole. O segundo o faz  para o despertar da consciência cósmica, inocência e mansidão. Aquele que ainda não aprendeu a lidar com o Lobo não pode sequer antecipar uma relação direta com o Cordeiro, nem ao menos imaginar isso. Vou ampliar um pouco mais o horizonte de nossas afirmações dizendo que o Lobo luta bravamente para cumprir a sua missão dentro dos limites de Gaia, enquanto o Cordeiro arregimenta seus obreiros, pois sabe que há um limite exato de tempo e se um número mínimo deles não estiver apto no momento decisivo todo o nosso Raio de Criação se resumirá novamente no caos da existência. Este tempo existe com a exatidão de um relógio objetivo, nem um segundo a mais, nem a menos. O universo é vivo, inteligente e interativo. Tudo irá se consumar.

O enriquecimento do corpo, ou sede instintiva de Gaia, o próprio Lobo, só encontra limites no enriquecimento da alma, céu ou Cordeiro. Um não pode alcançar a evolução sem o outro, enquanto o outro não pode confirmar o seu propósito sem a presença constante desse um. Por isso dentro dos limites cósmicos da Terra o Pai mata o novilho gordo para o Lobo, pela autenticidade e coragem de sua atitude. Mas ao Cordeiro ainda despreparado, apenas lamenta. Aquele que desceu ao Inferno e retornou triunfante, sem julgar nem condenar nenhum dos seus é tão importante quanto aquele que venceu a morte e subiu aos Céus. É importante dizer que o Lobo é a expressão máxima do agora, portanto, sua riqueza maior não pode ser uma oferenda no futuro. O Lobo não acena com salvação e eternidade. Não é possível a Gaia criar uma abundância futura para uma escassez que ainda não existe. Isso significaria limitar sua realidade a um consenso comum, onde o Lobo, seu habitat e sua prole deixariam de ser um ativo real no agora. Quando tenho fome, como; quando tenho sede, bebo: quando tenho sono, durmo. É simples assim, é real.

A melhor maneira de preservar a si mesmo e aos seus é respeitando a natureza que nos rodeia e acolhe. Significa sustentar a si mesmo e à espécie com carinho e zelo. Quando interagimos no sentido de descongelar mais que o necessário, geramos conseqüências imediatas e futuras. Cuidado com o que faz do lucro de suas ações, pois apesar de ser Senhor do ouro e da prata o Lobo ainda prefere uma Loba no cio. Ele é o poeta que canta odes ao luar. Todo lucro antecipado no agora pode ser um prenúncio de prejuízo amanhã, por isso devemos reavaliar o nosso conceito de riqueza e poder. Diz-nos a ESCOLA que o lucro, sendo um diferencial de classe e poder, representa trabalho desperdiçado. Aquele que vive em função do lucro está identificado com ele, com sua fonte inesgotável de angústia, medo e aflição. Obstinação, vitória e conquista não condiz com o equilíbrio inteligente. A riqueza do Alto está numa relação direta com o uso racional da terra, sua distribuição e utilização não predatória. Dar é a forma mais inteligente de receber. Gera benefícios e não incentiva conseqüências.

Segundo a Tradição rico é aquele que adquire maior qualidade de vida, sem gerar escassez para o outro, nem para o cosmos. Além disso, há conseqüências que quando sugeridas transformam riqueza cósmica em represália a si mesmo, à Terra e ao outro.

Que assim seja!