Lázaro de Carvalho

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164 – O Novo Testamento

In Artigos on 26 de maio de 2012 at 16:17

A ideia de ESCOLA ou Verdadeiro Conhecimento ocupa um lugar muito importante na cultura Cristã, principalmente no Novo Testamento, se o compreendemos corretamente. Tanto os Atos dos Apóstolos quanto as Epístolas possuem um peso específico diferenciado dos Evangelhos. Podemos afirmar que os Evangelhos foram escritos numa linguagem acessível a poucos, pois é necessário possuir um Centro Magnético capaz de assimilá-los.

Por mais inteligente e educado que um aprendiz possa ser, no sentido natural da palavra, ele não os compreenderá sem indicações especiais ou conhecimento de sua origem e tradição. A interpretação primitiva difere em vários pontos da atual devido à falhas na tradução e também por influência direta da cultura onde está inserido. Podemos salientar também que os quatro Evangelhos são a única fonte a partir da qual sabemos de Cristo e de seus ensinamentos, pois é praticamente impossível reconstruir a partir das Epístolas a personalidade de Cristo, o drama ou a essência de seu ensinamento.

As Epístolas dos Apóstolos, principalmente as do Apóstolo Paulo são a base sobre a qual foi edificada a Igreja. Diria que são uma adaptação dos Evangelhos à prática, sua materialização e apicação à vida cristã, não sem antes sublinhar que essa adaptação se contrapõe em vários pontos à ideia original. Diria até que foi a partir das Epístolas, não sem antes chamar a atenção para a inexatidão da tradução do próprio Evangelho, que o Verdadeiro Conhecimento iniciou o seu legado de imprecisão e falso compromisso com a verdade.

Os Atos dos Apóstolos, tanto quanto as Epístolas, tornou possível à Igreja que tem por base as Epístolas estabelecer uma conexão com os Evangelhos. Por outro lado, alguns cristãos não satisfeitos  com o desenrolar de todo aquele processo procuraram refúgio em algumas Irmandades muito antigas, com o compromisso de preservar a essência do ensinamento. Esses grupos de alguma forma não apenas preservaram a autenticidade do ensinamento, mas em contato com sua fonte original o enriqueceu com a verdade oculta em sua origem. A uma dessas Irmandades eu carinhosamente chamo de ESCOLA e a um de seus mestres dei o nome de ‘O Colecionador’.

Historicamente, o papel principal na formação do Cristianismo não foi um legado particular do próprio Cristo, mas uma iniciativa corajosa do Apóstolo Paulo. O Cristianimo da Igreja contradisse o Verdadeiro Conhecimento desde a sua origem. Posteriormente, houve uma dissidência tão grande de valores que pouco restou de sua tradição. Coube no Século XII ao pequeno Francisco, da cidade de Assis, chamar a atenção da Igreja para um retorno às suas raízes, mas tudo não passou de chuva de verão, pois rapidamente foi legado ao esquecimento. Mesmo antes de sua morte a sua obra já estava destinada ao fracasso.

O que vou lhes dizer agora usando a reflexão de P. D. Ouspenski é que se Cristo nascesse nos dias de hoje não só não poderia ser o chefe da Igreja  Cristã, mas provavelmente não seria sequer capaz de pertencer a ela. Nos períodos  mais brilhantes de força e poder da Igreja teria sido, com certeza, declarado hereje e queimado na fogueira da inquisição. O que não difere tanto assim não é mesmo? Entre morte de cruz ou fogueira fica realmente difícil escolher. Digo sem medo de errar que se o Cordeiro em Essência, Verdade e Vida adentrasse os cultos para fazer valer a sua Verdade, seria queimado pela mídia em questão de semanas. Já com o Lobo é diferente ele sutilmente já fez sua morada lá. É na identificação, imaginação e serviço ao ego que o Lobo cria sua base de sustentação ao Cordeiro.

O Novo Testamento, assim como o contexto do ensinamento Cristão não pode ser considerado como um todo. São apenas fragmentos de um conhecimento muito mais amplo e específico. Precisamos ter em mente que os cultos dos dias atuais se divorciaram de uma forma tão incisiva da Tradição que praticamente nada restou do próprio Cristo. Até porque Deus jamais se prestou à condição de uma culto, muito menos de um culto de adoração. Os Cristãos estão adorando o seu eu imaginário para manter o pequeno e intocável mundo de suas posses. Deus é a maior aquisição do Cristianismo, algo assim como uma bengala ou artefato que possibilite a sua locomoção. Outrossim, não é possível de modo algum falar em países cristãos, nação cristã ou cultura cristã, todos esses conceitos têm apenas conotação histórico-geográfica.

O Novo Testamento é um livro muito estranho. A princípio parece ser simples, mas é extremamente complexo. Está escrito para aqueles que já possuem um certo grau de compreensão, ela é a chave para o seu entendimento. Como diria Pitágoras: Ele é um livro cheio de fórmulas, expressões próprias, referências subentendidas somente aos iniciados, alusões a números e procedimentos não acessíveis ao homem ordinário. A sua literalidade é facilmente acessível aos incultos e inconsequentes, mas o seu espírito não aquiesce a mente do vulgo. O Novo Testamento é a ponte para o sempre, mas a travessia é inacessível àqueles que usam a razão como expressão. Só o amor pode cavalgar aquelas páginas arredias.

É evidente ser ele um condutor de conteúdos emocionais, e se o nível de ser de um homem não for compatível com o conhecimento ali enunciado não o compreenderá. Também fica claro que todos temos estados emocionais oscilantes, portanto, podemos compreeneder algo pela manhã e não sabermos mais nada a respeito à noite. É importante lembrar que as atitudes são reveladoras de intenções, assim cada um se manifesta pela maneira que o lê, pelo que compreende dele, pelo que deduz daquilo que leu e pelo que põe em pratica. O Novo Testamento é um diferencial de conduta para os Cristãos. Conhecê-lo tira todo e qualquer direito de posse ao seu conteúdo. E quando a partir da palavra o julga superior à tradição e cultura de outros povos é porque nada aprendeu à cerca daquilo que ensina.

Em cada um dos quatro Evangelhos há conteúdo suficiente para a transformação da mente, corpo e coração do homem. Está corroborado por conhecimentos de uma Mente Superior e ilustrado por uma profunda compreeensão da alma humana. A maneira como o lê, o que consegue extrair dele, por aquilo que deixa de extrair, ou pelo simples fato de não o ler, não se interessar ou até ignorá-lo completamente fica exposto o seu nível de ser, seu conhecimento e compreensão. Ele é um instrumento revelador do quanto estamos presentes, ausentes, vulneráveis, fortes ou aflitos. Suas páginas são repletas de magia, mas é preciso Lembrar-se de Si Mesmo para velejar suas águas.

Que assim seja!

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163 – Arte de mentir

In Artigos on 21 de maio de 2012 at 20:51

Existem duas formas conhecidas da mentira: mentir a si mesmo e mentir aos outros. A primeira é um estado de sono, onde nem sequer a percebemos, enquanto a segunda envolve uma gama imensa de possibilidades, desde manter o ego massageado até a aquisição de alguma coisa que de outro modo não estaria ao nosso alcance. De qualquer forma a mentira será sempre a atenuante de um estado de carência interior de valores.

Em ambos os casos a mentira é sempre auto-destrutiva. Sendo a essência a própria expressão da verdade inerente ao ser, o mentir contrai a essência e expande a falsa personalidade. A essência é a parte divina no homem e sua contração não condiz com o propósito evolutivo para o qual fomos criados. Um mentiroso não pode evoluir além do limitado mundo daquilo que ele mesmo chama de razão. Há sempre uma justificativa imaginária por detrás da sua atitude. A ESCOLA diz que somos uma imensa legião de eus, muitos dos quais nem sequer se conhecem. Diz também que esses eus se agrupam segundo semelhantes, possibilitando assim a formação de personalidades e subpersonalidades, ou seja, certos traços de caráter que possibilitam determinados comportamentos, entre eles o mentir. Portanto, não é tão simples mudar esse estado, pois mentimos inclusive quando temos plena convicção de estar dizendo a verdade.

Os eus que justificam a si mesmos têm uma relação direta com a mentira, portanto, impor justificativas, na maioria das vezes, não é uma atitude conivente com a verdade. O artifício das teorias foi criado como um pilar de sustentação da mentira, enquanto que sua prática se não for verdadeira pode nos levar a situações extremamente desagradáveis. O mentiroso é um ansioso compulsivo ou um deprimido crônico. O primeiro pelo simples motivo de uma mentira sempre exigir outra que a justifique e o segundo pelo constante medo de ver sua máscara jogada ao chão. Também podemos dizer que falar sobre a mentira só é possível se usamos como parâmetro a verdade. Por exemplo, nossa criança interior não mente, pois nada sabe à cerca da verdade, por isso suas reações instintivas são autênticas. Talvez a principal característica do Lobo seja a verdade, pois suas reações são instintivas e determinadas pela mentira inerente ao homem. Vale lembrar que o Lobo é sempre reativo.

A herança do mentir humano teve origem somente a partir das dicotomias. Quando lhe foi imposto um sistema arbitrário de valores entre coisas permitidas e outras proibidas, supostamente o incentivaram a mentir. Toda virtude traz em sua contraparte algum tipo de mentira, da mesma forma que todo pecado tem um fundo de verdade. Dentro de uma ESCOLA o mentir significa mentir a si mesmo, portanto, não se lembrar de si mesmo é o modo que encontramos de fugir da verdade. O homem nunca está em casa por temer a si mesmo e à mentira que fez habitar o seu ser (art. 126). Julgar o outro também é uma forma de mentir a si mesmo, pois nos colocamos num patamar superior imaginário.

O mentir a si mesmo não é uma atitude isolada. Quando mentimos envolvemos no processo pelo menos três centros: motor, emocional e intelectual. Mas existem outras tríades que também pode estar envolvidas, por exemplo: os centros instintivo, sexual e emocional. De qualquer forma o centro sexual está sempre envolvido, quer direta ou indiretamente, pois a sua energia está presente em todos os demais centros. É praticamente impossível mentir a si mesmo sem a conivência de células, tecidos e órgãos. Mentir interage com tudo e todas as coisas, portanto, todo o corpo mente. Por isso a ESCOLA classifica zoologicamente o homem como um animal que mente. Todo propósito mentiroso interage com o cosmo, desde células elementares até galáxias inteiras. Desde tenra idade nos ensinaram pelo exemplo ou de forma compulsiva a adquirir coisas fazendo uso da mentira. Desde expressar uma condição de vítima a estados sofisticados de comportamento psíquico.

O propósito da ESCOLA é nos colocar frente a frente com uma nova maneira de pensar, ou seja, pensar por si mesmo, vendo a si mesmo sem o artifício da mentira. Por isso o seu método pedagógico é conhecido como segunda educação: reeducar a personalidade para que se torne passiva, a fim de que a essência seja ativa. Pensar de uma maneira diferenciada significa não sermos tão facilmente reativos quanto somos hoje. Assim podemos impor certa resistência diante das circunstâncias. Deixamos de ser uma resposta condicionada para ser um princípio agregador de valores. Resumindo: deixamos de ser uma mentira absoluta para ser uma verdade potencial.

A mentira corrói a essência, pois esta só pode crescer a partir dos nutrientes da verdade (art. 111). É preciso deixar de mentir a si mesmo antes de ter o firme propósito de despertar. O fingir é uma das piores formas de mentira, pois celebra um acordo sórdido com a imaginação. Imaginamos possuir poderes que não são condizentes com a realidade; razões que não possuem nenhuma autenticidade; além de pressuposições imaginárias à cerca de si mesmo e dos outros. Sonhar que temos asas e nos expor ao sol num vôo pretensioso pode nos levar à triste realidade de Ícaro. A única parte de nós que pode crescer e nos conduzir à senda da evolução é a essência e este objetivo somente pode ser alcançado às expensas da mentira.

Toda instituição, quer seja religiosa, social ou humanitária tem o seu nível de ser definido como o somatório do nível individual dos seus integrantes. Se estes são entidades mentirosas o que esperar das instituições? Por isso que a salvação do homem tem caráter individual, sendo a sua evolução intrínseca ao próprio ser. A audácia de ser verdadeiro passa obrigatoriamente pela coragem de ser só. Preferimos a segurança dos templos por uma razão bem simples: se a totalidade dos seus membros é conivente com a mentira em suas mais sutis formas de expressão é natural nos sentirmos bem à vontade ali. É natural que cada um represente o seu papel em harmonia com o conjunto, caso contrário, não será benquisto pela congregação. As mentiras individuais são corroboradas por um consenso coletivo. Observe e verá que infelizmente o que estou dizendo é uma expressão da realidade. É impossível ver além dos montes, quando se está confinado a um redil (art. 085).

A falsa personalidade é o templo da mentira do homem. É um tributo à imaginação, onde eu imaginário (art. 091) se vangloria em existir e faz morada. É a imaginação do homem que o leva a louvar o seu deus imaginário conivente com o culto da mentira, e exorcizar o Lobo que não condiz com ela. O verdadeiro Deus habita o templo da verdade e pela sua própria natureza divina é tanto luz quanto escuridão, pois é Senhor de tudo e de todas as coisas. O Lobo e o Cordeiro descansam no Altíssimo, pois são a sua descendência de sangue e flor.

O cristão verdadeiro que se alimenta da luz do Senhor sabe que todo culto é gratidão e deve ser realizado no silêncio do lar, com esposa e filhos. É assim o Louvor do Lobo, em liberdade, nas estepes, no silêncio da noite, apenas ele, a lua e sua prole. Todo cristão verdadeiro é sabedor que já recebeu por herança todos os dons, talentos e possibilidades, cabendo tão somente a si administrá-los com coragem e gratidão. Sabe que a verdade habita a sua casa e não lhe pede nenhuma submissão, antes lhe pede consciência e luz. Todos aqueles que rastejam submissos diante do Deus vivo são os fracos, omissos e mentirosos da Terra. Não me alegra ter que revelar isso, mas infelizmente é assim.

Os devotos por sua própria natureza são aqueles que acreditam ‘poder fazer’. Acreditam possuir vontade própria e não vêem que sua suposta vontade é circunstancial, ou seja, a manifestação pura e simples de um desejo, quando a serviço dos seus interesses pessoais. Devoção não é amor e gratidão, mas sim carência de significado. Somos uma legião de eus, qual deles você acredita está impondo aquilo que você chama de vontade neste exato momento? Criamos em torno de nós algo como ‘uma mentira secreta’ e tudo ao redor gira no sentido de torná-la uma verdade, a nossa verdade. Por isso nos fizeram crer que somos leões de Judá, águias, super-homens, entidades vitoriosas, herdeiros do céu, e assim nunca vemos a nós mesmos. Temos medo de observar a nós mesmos e descobrir que somos uma enorme mentira.

SOMOS ENTIDADES MENTIROSAS QUE CRUCIFICARAM A VERDADE.

Como entidades mentirosas, passamos a cultuar a mentira em nome da verdade. Deus é verdadeiro, mas o culto dos homens é uma grande mentira. Hoje aquela verdade tomou a forma de um Lobo que não é condizente com a mentira, pois não traz no sangue a misericórdia, nem a compaixão. Este mesmo Lobo fareja toda a terra em busca dos submissos, que rendem glória a si mesmos nos templos da razão pura. Mas ainda não conformados em ter crucificado o Cordeiro tentam aniquilar a sua contraparte: O instinto de Gaia, a alma da Terra.

O devoto dorme e não vê que somos autômatos, que nossas respostas são impostas de fora. Não vê que o outro é quem determina quem somos, independente desse outro ser uma cultura, tradição, religião ou outra pessoa. A mentira tomou a forma de uma cultura: é preciso mentir para sobreviver. A mentira impõe papéis, cumpre a cada um de nós representá-los. Temos um para o nosso ambiente de trabalho, outro quando estamos na presença dos amigos, outro na congregação religiosa e ainda outro quando adentramos a porta de nossa casa. Mas em cada um de nós habita a VERDADE. No mais recôndito de nosso ser existe ALGO REAL E ESQUECIDO. Por isso a ESCOLA não se cansa de dizer: OBSERVE A SI MESMO. Observe as formas sutis de mentira que tomaram conta de cada um de nós. Se conseguirmos, nem que seja por um só instante, lançar sobre ela um facho de luz fugirá às pressas e pensará duas vezes antes de retornar. O comportamento da mentira individualmente como entidade em nada difere do comportamento humano; sente-se envergonhada toda vez que se vê exposta.

NOSSO MAIOR PROBLEMA EM DESMASCARÁ-LA É QUE NOSSAS MÁSCARAS CAEM JUNTO COM ELA.

Então, nos sentimos envergonhados como se estivéssemos completamente nus diante de Deus, e corremos a procurar uma folha de parreira para ocultar a verdade.

Que assim seja!  

162 – Tirania do controle

In Artigos on 20 de maio de 2012 at 14:27

PORQUÊ É TÃO DIFÍCIL CONTROLAR ESSA INSENSATEZ OU DESEJO INCONTIDO DE DECIDIR SOBRE AQUILO QUE É MELHOR PARA O OUTRO?

A ESCOLA vê os conselhos como uma insanidade espiritual ou atitude de arrogância pessoal, quando insistimos em antecipar o futuro do próximo tendo como parâmetro aquilo que julgamos ser o nosso melhor agora. Todo julgamento passa obrigatoriamente pelo pressuposto de uma superioridade, quando na verdade é apenas uma fuga. Tentamos acobertar nosso orgulho e vaidade impondo uma falsa imagem de humildade ao outro. O universo dos homens adormecidos projeta sombras. Geramos uma enorme incapacidade de ver além do denso véu das justificativas. São exatamente estas mesmas justificativas que fizeram de nós herdeiros da racionalidade. Em resumo: temos respostas aparentemente objetivas para todas as indagações, sem sentir que basta mudar o foco incidente das circunstâncias para que as respostas projetem o contrário das assertações.

QUANDO IMPOMOS CONTROLE AO OUTRO  ESTAMOS NA VERDADE JUSTIFICANDO LIMITES IMPOSTOS A NÓS MESMOS.

A perfeição não tem limites. É uma busca incessante, além do perfeito e eterno o homem sempre sonhou ser Deus, por isso o alimenta na imaginação. A ESCOLA reconhece o seu melhor, onde e em que situação esteja não importa, ela o vê  e o convida a despertar. O melhor de Saulo era ser um centurião romano, até que na estrada de Damasco despertou e viu além. O melhor do assassino é sua arte de matar. É necessário apenas que altere o propósito, matando o ódio e o desamor que alimenta na alma e no coração. É preciso não esquecer que ostras nascem do lodo antes de gerar pérolas finas. Ir além dos limites da imposição significa deixar de impor ao outro a logística imperfeita das atitudes preconceituosas. Dar asas é poder voar e libertar significa ser livre, mas é preciso antes vencer o medo das alturas e a vastidão do desconhecido.

À MEDIDA QUE IMPOMOS CONTROLE LIMITAMOS POSSIBILIDADES QUE A VIDA NOS OFERTOU AO RESPEITARMOS ESPAÇO, PENSAMENTOS E SENTIMENTOS DO OUTRO.

Exorcizar o Lobo é impor limites à coragem, ousadia, liberdade, sexualidade e poder pessoal. Não é exorcizando o Lobo que iremos alcançar o Cordeiro, mas sim transmutando energia instintiva em inteligência emocional. Se pararmos pra refletir por um instante veremos que toda ação imposta à vida tem uma relação direta com superação. Iremos comprovar a força das águas a partir do momento que lhe impusermos algum tipo de contenção. A fúria nasce da flor, mas o orvalho a transforma e seduz. As sombras da noite são infinitamente mais belas que aquelas projetadas durante o dia.

UM HOMEM PERDE MUITO DO SEU PODER PESSOAL QUANDO SE SENTE PRISONEIRO DO TEMPO E LIMITADO PELO ESPAÇO.

Toda imposição de limites tem como consequência uma perda enorme de tempo, tanto para aquele que limita quanto para o outro sujeito à limitação. Recomeçar não é nada prático, pois traz em si o tempo perdido além da energia dispendida no ato de fazer tudo novamente. Toda perspectiva criada e não conduzida de forma que se concretize e torne real é um limite  de tempo e possibilidades. Pare por um instante e reflita que existimos numa sociedade de tentativa/erro/recomeço. Toda imposição a partir da visão do ‘certo’ tira do outro o seu próprio tempo de correção. O amor é o melhor remédio: não limita, não impõe, divide o que há de melhor e não tem contra indicações. Toda limitação é ausência de amor, portanto, ausência de si mesmo.

COMO SÃO POBRES AS PESSOAS QUE SE OBRIGAM A VIVER DEBAIXO DE UMA TIRANIA AMOROSA, ESPIRITUAL E PROFISSIONAL.

Digo ‘se obrigam’ porque ninguém pode nos obrigar a viver assim. Somente a identificação obriga, submete e condiciona. Lembramos mais uma vez que a imaginação é o algoz que nos conduz algemados à identificação. Imaginamos ser importantes, a seguir imitamos pessoas importantes e sem perceber estamos convencidos da auto-importância. É assim que passamos a impor limites ao outro, como uma forma de alimentar a nós mesmos e a essa auto-importância que faz morada em nós. A procissão da miséria humana não vê o limitado mundo de suas ações. O seu horizonte é tão mesquinho e limitado que aprisiona pássaros para convencer o  ego do poder de suas decisões. Você pode voar, eu não. Agora ambos não podemos, portanto, canta pra mim. Toda religião é um limite; toda doutrina é pobre em valores; todo ismo é circunstancial e limitado. A religiosidade do homem é a sua maior riqueza, pois o natural é belo por origem, enquanto o artificial é limitado e estranho.

E ACIMA DE TUDO POBRE DO TIRANO, POIS É ESCRAVO DE SUA PRÓPRIA TIRANIA.

E assim se dá com a civilização e a barbárie (art. O14). Nos obrigamos a levantar quatro fiadas de tijolos a mais. Há uma trava elétrica e uma câmera instalada no portão. A tirania nasce do medo e se projeta nas pessoas e coisas à nossa volta. Não vemos o quanto limitamos, aprisionamos, desrespeitamos, denegrimos e amputamos o sonho do outro. Mas a tirania também pode ser um aliado se vemos além das aparências, basta fazer dela um poder de superação. Lembre-se que Jesus nunca impôs limites, quem os impõe é a arbitrariedade das interpretações.

… E PASSARÁ TODA A SUA VIDA LUTANDO PARA MANTER DE PÉ O SEU CASTELO DE CARTAS.

Toda posse é o pressuposto de um limite. Todo ter é um castelo de cartas: descartamos as pequenas, enquanto assimilamos trunfos. Mas um bom jogador sabe que a simples ausência de um dois de espadas é suficiente para anular o jogo. Degraus inferiores são bases, a partir deles criamos impulso e apoio. Sem os pés no chão a alma do eleito não pode alçar voo. Contabilizamos perdas, mas continuamos insistindo no saldo. O excedente é um tributo à obesidade, quando basta ao corpo o limite exato de suas calorias. Então foram criadas leis e mais leis, e sistemas, e judiciário, justiça, órgãos, e policiais e celas… e presídios. Todo limite é cria da própria limitação. O erro responde ao incentivo do incorreto, enquanto alardeamos aos quatro cantos um carrossel de virtudes.

A tirania é a resposta de uma alma vazia de significado, enquanto o controle é a única forma que encontrou para burlar suas frustrações. Tirania é uma inveja crônica levada à prática, enquanto controle é impor ao outro o limite de sua miséria existencial. Limitar é uma rédea sem trelas e sem guias, serve apenas para cavalgar um cavalo cego, velho e manco. Toda instituição limita; toda hierarquia condena; todo credo mente, enquanto toda unanimidade é profana. O princípio do respeito e cidadania sobrevoa os verdes campos da sinceridade, lealdade e gratidão. Ser grato é tudo. Gratidão não limita, expande.

Que assim seja!

 

 

161 – A consolidação de uma ideia

In Artigos on 18 de maio de 2012 at 13:26

Após a publicação de cento e sessenta artigos acreditamos ter ampliado o seu campo de reflexão com uma gama variada de conteúdos, muitos dos quais falam à cerca de conhecimentos que não estão facilmente acessíveis nos livros convencionais.

NÃO É NENHUM PRIVILÉGIO COLOCAR-SE DIANTE DO CONHECIMENTO, MAS UMA QUESTÃO DE PODER PESSOAL ASSIMILÁ-LO.

           

O Tratado é uma unidade mágica atemporal, um todo orgânico, pois cada artigo é um universo em si próprio. Acredito que sem uma parcela mesmo que diminuta de grama o solo não teria forças para resistir, portanto, cada pequeno detalhe é importante quando se trata de consolidar uma nova ideia.

PEQUENOS DETALHES SÃO IMPORTANTES QUANDO ESTÁ EM JOGO UM PODER ESSENCIAL À VIDA.

O poder pessoal não é uma conquista pura e simples. Antes precisa ser adquirido e preservado, e isso leva tempo.

ELE É SILENCIOSO, NÃO ALARDEIA A SI MESMO, NEM SE VANGLORIA EM EXISTIR.

           

Diria que o poder pessoal é a alma do artista que com um simples pincel é capaz de materializar sentimentos numa tela. Foi assim que Basílio materializou Dorian Gray, e dentro da noite insana um punhal rasgou a tela, levando consigo o ser que a mantinha enrugada e envelhecida.

SEM ESSE PODER O HOMEM É INCAPAZ DE CONSOLIDAR UMA IDEIA.

Já parou para pensar que no começo cada um de nós era apenas o protótipo de uma ideia. Depois o romper de um sentimento, muitas vezes a avalanche desenfreada de uma paixão, rompendo horizontes antes desconhecidos. Não éramos senão um instinto (art. O93), que se tornou individualizado e assumiu a forma humana.

SEM ESTE PODER, ESSA MAGIA CONTAGIANTE DE DESEJOS E SEDUÇÃO, TALVEZ NÃO TIVÉSSEMOS APORTADO POR AQUI.

Hoje somos os convidados mais que especiais para manifestar um imenso poder existencial no agora: ser você mesmo, sem se deixar perceber.

           

O MAGO PASSA SEMPRE DESPERCEBIDO, MAS  QUANDO ALARDEIA O SEU PODER É PORQUE NÃO PASSA DE UM CHARLATÃO.

Há mais poder no silêncio do que o homem possa imaginar.

Acredito ter chegado o momento de lhe revelar algo importante. O destino o colocou no meu caminho para que me despisse e apresentasse completamente nu diante do espírito. Confesso não tinha um vislumbre do Tratado quando iniciei sua redação. Digo mesmo  que nem sequer um esboço tinha. Foi a sua providencial interação que possibilitou torná-lo uma realidade. Agora preciso de você para consolidar uma ideia.

A IDEIA DE UM DEUS ALÉM DA DOUTRINA E DA FORMA.

A IDEIA DE UM NOME SEM NOME E SEM FORMA.

A IDEIA DE UM TEMPLO SEM PAREDES E SEM TETO.

           

Poder dizer: EU SOU, portanto, ELE EXISTE.

Materializar o imanente é o maior desafio do homem de conhecimento. Ele sabe que a Terra é um chão de estrelas.

A algum tempo tento lhe dizer que é necessária uma mudança drástica, caso almeje seguir o caminho do homem de conhecimento. É drástica e ao mesmo tempo sutil. É um objetivo para o qual devemos canalizar todo nosso poder pessoal disponível, mesmo sabendo que é impossível mudar uma vírgula sequer em alguém.

UMA MUDANÇA REAL NÃO IMPLICA ESTADO DE ESPÍRITO, NEM DE ATITUDE, NEM DE PONTO DE VISTA. É UMA TRANSFORMAÇÃO NATURAL DO SER.

Falando francamente é o poder pessoal quem decide aquele que pode ou não lucrar com uma revelação. Portanto, a consolidação de uma ideia não depende de sua simples aceitação. Por isso a frase tantas vezes recitada nos templos: Você aceita Jesus?  É a mais estúpida de toda a história contemporânea da Igreja.

COMO PODE UM SER FRAGILIZADO E EXPOSTO AO EMOCIONAL TER PODER PESSOAL SUFICIENTE PARA TÃO IMPORTANTE DECISÃO?

           

Peço a gentileza de sua atenção para este ensinamento de Dom juan Matos, o Nagual.

“MINHAS EXPERIÊNCIAS COM MEUS SEMELHANTES ME PROVARAM QUE MUITO POUCOS ENTRE ELES ESTARIAM DISPOSTOS A ESCUTAR; E DENTRE ESSES POUCOS QUE ESCUTAM UM NÚMERO MENOR AINDA ESTARIA DISPOSTO A AGIR SEGUNDO O QUE ESCUTOU; MENOS AINDA TEM SUFICIENTE PODER PESSOAL PARA FAZER DE SEUS ATOS UMA AÇÃO PRÁTICA E OBJETIVA.”

Talvez o poder pessoal necessário à consolidação de uma ideia esteja se esvaindo em nossa rotina diária, na mesmice de uma vida enfadonha e sem sentido. Em um dos artigos publicados aqui no Tratado, a solidão (art. 057), deixamos ver o quanto podemos estar distantes do prazer e alegria de viver, quando nos deixamos vencer pela monotonia de uma existência fugaz. Por incrível que possa parecer o poder pessoal de um homem passa por dois extremos quase totalmente antagônicos: pela coragem de ser só ou pela taça de vinho de uma bela mulher.

Está em nossas mãos a possibilidade de materializar uma paisagem de sonhos; uma imagem de sossego ao cair da tarde, nas montanhas ao norte. Esse cenário previamente escolhido é o local ideal para compreender que cada lugar é uma manifestação de poder. Funciona como um portal, um convite a romper fronteiras imaginárias, quando percebemos sutilmente que algo abriu as cortinas do horizonte e nos convida a entrar. Embora não seja tão fácil visualizar é isso que estamos fazendo ao largo dos cento e sessenta artigos aqui publicados. Mas devemos advertir que a calmaria, inocência e placidez do momento escondem um abismo colossal.

UMA VEZ QUE TENHAMOS A CORAGEM DE DESAFIAR O DESCONHECIDO NÃO HÁ MAIS NENHUMA POSSIBILIDADE DE VOLTA.

           

A consolidação de uma ideia nos coloca em um mundo de inconcebíveis consequências. É preciso coragem para prosseguir. A quebra de continuidade é sempre acompanhada de sofrimento e dor (art. 150).

NÃO TEMOS TEMPO, NENHUM TEMPO, NO ENTANTO, O AGORA ESTÁ ENVOLTO EM ETERNIDADE.

A consolidação de uma ideia não depende da vontade expressa daquele que a originou. É por isso que o aprendiz não deve exigir o reconhecimento do mestre. Nenhum aprendiz pode se dizer merecedor de um ensinamento, só o poder pessoal pode fazer isso em seu nome. Peço de antemão que me perdoe caso venha a se sentir constrangido pelo que vou lhe dizer: o lugar de menor manifestação de poder pessoal que encontrei ao longo de minha vida como cristão foi o banco das igrejas.

MEU DEUS! COMO NÓS OS CRISTÃO SOMOS FRACOS, FRÁGEIS E INDEFESOS.

Não deveria ser assim, mas infelizmente é.

Um viajante solitário do apocalipse (art. 141) deve estar sempre alerta para pegar o seu centímetro cúbico de sorte. Mas é preciso um mínimo necessário de lucidez, destreza e vontade de agarrá-lo. A consolidação de uma ideia é como uma águia que voa sempre em linha reta. Uma águia que além de veloz é impaciente. É preciso estar preparado para se agarrar a ela no momento exato em que tocar o chão. Se perdermos esta oportunidade ninguém pode nos garantir que haverá outra.

Para consolidar uma ideia é preciso estar em completo silêncio. É impossível ouvir o murmúrio da Terra em meio a uma avalanche colossal de pensamentos. Uma ideia é como o mundo que acreditamos ver, a princípio apenas uma visão, uma mera descrição da realidade. O maior desafio que tivemos ao longo de nossos encontros é convencê-lo a contemplar o desconhecido.

CONSOLIDAR UM NOVO PONTO DE VISTA É TÃO DIFÍCIL QUANTO ABRIR MÃO DO ANTIGO.

           

Agimos como se soubéssemos e, no entanto, estamos apenas engatinhando.

O cancelamento dessa visão distorcida do mundo significa:

UMA NOVA MANEIRA DE PENSAR.

E sua consolidação como uma realidade recebe o nome de:

SAI DA TUA TERRA E VAI!

De nada nos adianta abandonar o solo fértil das convicções levando junto todo tipo de subterfúgios necessários à sua continuidade.

Um missionário consciente não é aquele que consolida uma ideia por julgá-la superior, mas sim por haver assimilado o seu poder quando em contato com outras culturas e modos de pensar.

           

MUDAR O OUTRO É UM GESTO ARROGANTE E PRETENSIOSO, MAS PERMITIR QUE MUDE E ACOMPANHÁ-LO NO SEU PROCESSO DE MUDANÇA É UM ATO DE AMOR.

Que assim seja!

           

160 – O cativeiro

In Artigos on 16 de maio de 2012 at 19:21

O cativeiro é uma analogia aos hebreus cativos no Egito, sua saga e libertação. Estamos interagindo com uma nova maneira de pensar, portanto, aquilo que acolhemos nestas páginas são conteúdos passíveis de reflexão. Não somos detentores privilegiados do conhecimento, pois este sempre esteve à disposição do homem em todos os tempos. Aludimos àquilo que nos foi legado por homens notáveis, e a esse conhecimento em seu conjunto chamamos de ESCOLA.

A primeira parte do Tratado recebeu o nome de ‘uma nova maneira de pensar’. Já esta segunda foi caracterizada como ‘Sai da tua terra e vai!’  Trata-se, portanto, de uma alusão a abandonar os limites impostos pelo corpo físico ainda submisso à identificação e imaginação, a fim de lograr um segundo corpo ou corpo de libertação. Todo esse processo é conhecido como perder a forma humana.  Assim, horizontes jamais imaginados tornam-se reais diante dos nossos olhos.

O cativeiro não é uma apologia à literalidade dos textos cristãos inseridos no Antigo Testamento, mas uma reflexão a partir da tinta fogo branca.  Vamos refletir neste artigo o contexto do Êxodo, mas fazendo uso de uma linguagem simbólica. Existe uma gama imensa de simbologia à nossa disposição, mas preferimos a segurança da imposição da palavra. A razão dessa preferência é que na proposição literal não há necessidade de nenhum esforço extra, enquanto na  linguagem simbólica nada pode ser adquirido sem ele.

Vamos analisar de forma bastante sucinta uma das passagens do Antigo Testamento: o segundo livro de Moisés, o Êxodo. Não faremos asserções de conteúdo teológico, até porque não somos detentores de tal refinamento. Na qualidade de observadores vimos uma relação direta ente a saga do povo hebreu e o estado cativo da procissão da miséria humana nos  Chakras inferiores. E por uma feliz coincidência existe uma relação numérica favorável: 400 anos de cativeiro, 40 anos no deserto, 4 Chakras, incluindo o Chakra do Coração, e 4 Centros: instintivo, motor, emocional e intelectual. A visão segundo a qual observamos tem raízes asiáticas, enquanto outras remontam à antiga Pérsia e Oriente Próximo. Digamos que aprendemos à cerca do Cristianismo a partir de fontes cristãs primitivas, enfim, com a afluência de culturas não condescendentes com credos, dogmas e hierarquia de valores temporais.

Minhas críticas à forma atual de conduta da religião não representa uma soberba opinião  sem base ou diretriz, mas antes são lágrimas logradas por um  cristão ao assistir incrédulo à degradação do legado do grande Mestre  Joshua Ben Miriam de Nazaré, que tanto amava o Reino Malkhut  haShamaym ou Reino dos Céus, hoje transformado num enorme balcão de barganhas. O verdadeiro Conhecimento está a serviço da essência, sua origem, escala e propósito, enquanto as religiões atuais servem ao ego, suas conquistas temporais e posses.

A Bíblia sendo o Livro Sagrado da ciência do espírito não pode ser um mero objeto nas mãos do homem ordinário. Suas letras iniciais são símbolos do inconsciente (art. 008), que afloram  somente quando o ser de um cristão é compatível e está preparado para recebê-los. De outro modo, será apenas aquilo que assistimos hoje: uma desvalorização cultural de seus valores e raízes em proveito de interesses pessoais ou de grupos privilegiados.

Na simbologia de ESCOLA o Egito, ou cativeiro, é o corpo físico do homem, onde legiões de eus  vangloriam em senhores, enquanto outros se convertem em servos, escravos subservientes em nome da imaginação.  Este país psicológico possui Faraó e seus exércitos, que criam fronteiras imaginárias (art. 022), delimitando territórios e impondo leis e diretrizes, enfim, fazendo do homem um serviçal sob a batuta da identificação. A isso se dá o nome de mecanização, automatismo da mente, corpo e coração. Estar cativo significa estar adormecido, ou seja, não poder fazer absolutamente nada, além de sonhar a própria liberdade. Diz-nos a ESCOLA que só resta uma alternativa à procissão da miséria humana (art. 004): sonhar o seu sonho de liberdade. Mas para isso precisa se dar conta do estado letárgico de sono em que se encontra (art. 119), pois sem isso sentir-se-á o mais feliz dos homens e tomará a Caverna de Platão como o seu estado legitimado de liberdade.

Quando se der conta do seu estado atual e de todo o horror que representa, pode a partir daí alimentar um forte desejo de fugir. E se este desejo for suficientemente forte em intensidade e força  pode ser que venha a chamar a atençãos daqueles que fugiram antes. São eles que possuem mapas e ferramentas adequadas para a fuga, além de toda a logística necessária. Atenção, pois há uma imposição de natureza inegociável nesse ponto. Para persuadir ao homem de conhecimento  financiar sua fuga deverá abrir mão de todas as justificativas, obstinação  e auto-importância, que foram impostas ao longo dos anos pelos mais diversos fatores. Suas prerrogativas de orgulho e vaidade devem ser deixadas para trás.

A partir de uma visão de ESCOLA o Êxodo é uma réplica exata do caminho do Getsêmani ao Gólgota (art. 125), percorrido por Jesus. Todo o contexto bíblico é um referencial de escala e relatividade (art. 048), portanto, cada cosmo tem vida própria, ou seja, varia de zero ao infinito: 0 a 1; 1 a 10; 1000 a 10000, sendo assim, de 1 a 4 ou 10 a 40. Os 40 anos no deserto são uma referência aos quatro corpos, ou Centros do homem: Instintivo, Motor, Emocional e Intelectual. Sendo que de modo singular dentro do contexto do Êxodo ou fuga, ou libertação, os Centros Instintivo/Motor serão vistos como apenas um, enquanto o quarto Centro será ocupado pelo Centro Sexual. Por isso a questão da circuncisão é tão relevante naquela cultura.

Sendo o Lobo Cativo  prisioneiro no primeiro, segundo e terceiro Chakras uma resposta imediata do comportamento humano, às suas atitudes e intenções, podemos advogar que cada um de nós é um Moisés, conduzindo milhares de eus cativos rumo ao Chakra do Coração. A esses eus eu chamo Legião, ou Lobo. Cada um de nós é uma imagem arquetípica de Moisés, pois o próprio Moisés é uma arquétipo de coragem, propósito e liberdade. Quando alertados para o estado cativo da procissão da miséria humana nos tornamos nosso próprio guia rumo ao desconhecido, ou deserto. Para isso precisamos inverter todo o processo atual, ou seja, exercer vontade sobre o Centro Intelectual para que esse se torne senhor das emoções, fazendo com que estas sejam objetivas, facultando assim ao corpo físico exercer a função para a qual foi criado: ser o templo do espírito e facultar sua ascensão aos mundos superiores.

QUEM PODE SER O SENHOR DO LOBO, SENÃO O PRÓPRIO LOBO.

SÓ A JUSTIÇA, LEALDADE E GRATIDÃO, ALÉM DA CORAGEM E DETERMINAÇÃO, PODE GUIAR UM POVO RUMO AO DESCONHECIDO.

Por isso há referência em textos anteriores ao fato de ser Moisés o próprio Lobo a conduzir o povo pela vastidão do deserto. Mas a recíproca também é verdadeira, pois é a coragem e determinação do povo, o seu forte desejo de liberdade que faz de Moisés um guia resoluto e determinado. A ascensão do Lobo através dos Chakras inferiores é determinada pelo homem, mas é o próprio Lobo ao emergir das limitações  impostas por esses mesmos Chakras que leva o homem à liberdade. Liberdade significa cruzar a linha central que divide o Chakra do coração, mas para isso precisamos chegar à margens desse imenso Mar Vermelho.

Encontramos o caminho de nossas origens, quando atitudes e intenções libertam do cativeiro o Lobo. Somente a sua ascensão, ou a saga pelo imenso deserto interior das fantasias e ilusões pode nos trazer a coragem necessária para romper as amarras da razão. A partir da configuração exata dos quatro corpos, sua ascendência e evolução criamos possibilidades de cruzar o Mar Vermelho, ou limiar (art. 056) entre os mundos. Diz-nos a ESCOLA que o Lobo caminha à frente de seu povo pelo leito seco das águas, mas não consuma a travessia. Retorna às suas origens e recomeça um novo ciclo evolutivo; a isso a ESCOLA chama reencarnação. Para o Lobo o reino dos Céus se chama Gaia, seu templo e eternidade. Ele viverá o tempo exato de consumação do ciclo de Gaia. Mas aqueles que se fizeram eleitos por sua coragem, lealdade e gratidão alcançarão o Cordeiro na outra margem daquele imenso oceano de luz. O Lobo será consumido pelas águas junto aos soldados do exército de Faraó e terá a missão de reconduzi-los à liberdade, como antes fez com o povo eleito. A isso a ESCOLA chama reencarnação. Numa visão holística reencarnação é o reencontro do homem com todas as suas possibilidades latentes. Eleito significa desperto, mas para despertar é necessário observar a si mesmo e ter consciência de estar adormecido, não há outro caminho rumo ao amanhecer que não seja pelos mistérios e magias da noite. A Tríade formada pelo Lobo, Oceano e Tétis marca o início de uma nova vida, ou uma nova oitava.

O HOMEM É UM UNIVERSO EM SI MESMO E TUDO SE REALIZA NO SEU IMENSO MAR INTERIOR.

Estamos cativos num país imaginário chamado Egito. Alguns esqueceram a origem e agem como se estivessem na sua pátria, junto aos seus. Estes pensam somente em si mesmos e cativeiro é sinônimo de liberdade. Compreender isso, ver e agir de acordo é a suprema vontade exercida no homem pelo próprio homem. Nossa carta de alforria está assinada muito antes de aportarmos neste lugar distante chamado Terra. Numa visão do Alto somos seres tricerebrias vivendo num lugar sombrio dentro do Raio de Criação. Mas alguns já estão despertando dos seu sonhos temporais e quem sabe possam em pouco tempo sonhar os sonhos de Deus.

O SIGNIFICADO ESOTÉRICO DA PALAVRA EGITO É CATIVEIRO. A ESCOLA A INTERPRETA COMO ESTADO CATIVO DO HOMEM, UM PRENÚNCIO OU CONVITE À LIBERDADE.

 Que assim seja!

159 – As armas de Jorge

In Artigos on 15 de maio de 2012 at 0:47

Jorge nasceu na Capadócia, região que pertence atualmente à Turquia, e após a morte de seu pai mudou-se para a Palestina em companhia de sua mãe. Foi promovido a capitão do exército romano, recebendo do Imperador Deocleciano o título de Conde. Relata-nos a sua história que o Imperador conspirava nos bastidores um plano que visava matar todos os cristãos. Jorge ao tomar conhecimento dos detalhes daquele plano mostrou-se indignado, afirmando em público que tal conduta era inaceitável, pois os ídolos adorados no templo eram falsos deuses. Sua atitude o tornou um renegado de Roma, sujeitando-o a todo tipo de torturas, sendo degolado em 23 de abril de 303. Sua sepultura encontra-se na Lídia, cidade de São Jorge, perto de Jerusalém, na Palestina.

Seu culto espalhou-se pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente. Tornou-se então um mito, o Guerreiro da Fé, símbolo de vitória nas grandes batalhas. Sua imagem tradicional o traz montando um cavalo branco, tendo a seus pés um poderoso dragão. Tornou-se assim o símbolo maior do bom combate, aquele que não se rende diante das dificuldades aparentes. Foi alardeado como signatário dos feitos corajosos, tornando-se o Cavaleiro da Cruz, aquele que derrota o dragão do mal, da dominação e da exclusão. Sua devoção alcançou a Inglaterra no século VIII, sendo o padroeiro da Inglaterra até os dias atuais.

No sincretismo religioso São Jorge é Ogum, um Orixá cultuado nas religiões da Umbanda e do Candomblé. Logum ou Ologum, o Senhor da Guerra ou Guerreiro, é uma divindade da cultura Iorubá, região onde se localiza hoje a Nigéria. Diz-nos a tradição que nos domínios de Obeocuta seu culto era essencialmente agrário, sendo assim até os dias atuais. Tornou-se a divindade do ferro, aquele que produz as ferramentas necessárias ao cultivo. O seu mito é lembrado como caçador e guerreiro, pois sempre foi o defensor do seu povo e proveu de alimentos a sua tribo. No Brasil o aspecto guerreiro e violento da divindade foi privilegiado, de forma a contemplar os anseios de seu povo diante da lógica da escravidão e dos maus tratos infligidos pelos senhores das terras. Ogum tornou-se então o símbolo maior, o Guerreiro destemido e valente, que os arrebataria do jugo da escravidão, rompendo o elo das correntes com força e valentia.

Como defensor dos desamparados, segundo a lenda Ogum andava pelo mundo colocando-se à disposição da causa dos indefesos e desamparados, agindo sempre com Justiça e benevolência. Ele é o Ferreiro dos Orixás, senhor das armas, dono das estradas e encruzilhadas. Aquele que é justo e valente, e traz contido na espada tudo aquilo que deseja. Ele é a Lei Divina em ação, que pune e ao mesmo tempo premia, mas não se sente nada confortável quando invocado em vão. Diz-se que é muito fácil invocar Ogum, mas muito difícil controlar as suas ações. O dia consagrado a Ogum é o dia de Marte, o Deus da Guerra, terça-feira. Sua prepotência é reconhecida, pois não suporta ter suas ordens desobedecidas. Ogum é a contraparte masculina de Mamãe Lobo (art. 044). Ele é o Papai Lobo, ou seja, o instinto masculino de Gaia. Sendo assim, Ogum é o próprio Lobo.

Segundo a ESCOLA existem dois lados em Ogum. O primeiro deles é o lado simplesmente instintivo e irracional, aquele que não reflete os riscos contidos em cada ação, sendo assim impetuoso e impulsivo. Esse lado de Ogum o leva a considerar apenas o seu ponto de vista, segundo suas próprias determinações, em detrimento de qualquer outra que esteja direta ou indiretamente envolvida. Seria uma atitude semelhante àquela de Moisés ao quebrar as tábuas da Lei Divina, mas também à manifestação de coragem ao se predispor a guiar o povo rumo ao desconhecido. Atitudes de obstinação, arrogância e determinismo são incutidas a esse estágio evolucionário de Ogum. Qualquer forma de limitação não é bem-vinda, portanto, todo critério de imposição, disciplina, virtude e lógica comportamentais estão fora de contexto. Ogum não aceita imposições naquilo que faz. É franco, rude, e prontamente capaz de castigar aqueles que não coadunem com os seus propósitos. Este universo de Ogum corresponde ao homem que está na ‘taberna(art. 119), mas que sente em si mesmo um forte desejo de libertação, corresponde ao estágio de ainda cativo no Egito.

O segundo lado manifesto de Ogum é aquele que vislumbra ‘o despertar da consciência do homem’. Esse lado evolutivo de Ogum é ainda desconhecido da maioria esmagadora dos Cristãos, e da quase totalidade dos Irmãos de Fé. É quando a simbologia de Ogum nos convida à reflexão: AS ARMAS DE JORGE.

A primeira arma de Jorge é a sua ESPADA. Ela não é uma simples haste de metal cortante, ou lâmina afiada, mas uma extensão do seu próprio corpo. Toda espada é um símbolo de poder, do linga, do cosmo, mas a espada de Ogum tem valores diferenciados. Primeiro, por ser Ogum o senhor da arte do ferro e do fogo, ele é a forja, o fogo e a própria espada. Segundo, por ser Ogum o vencedor de si mesmo, lhe è atribuído um poder pessoal de valor elevado. Esse poder pessoal foi conquistado por Ogum ao unificar em si mesmo os dois gumes, ou elos cortantes da espada, o Lobo e o Cordeiro.

Ogum é a harmonia dos contrários, síntese do bem e do mal, por isso é senhor absoluto de suas ações. Ele é o Senhor da Guerra, mas uma batalha silenciosa, que ele mesmo travou consigo mesmo ao se curvar perante o arrependimento, após assumir sua própria culpa diante da matança dos inocentes da aldeia. Ele os havia dizimado num momento de ira incontida, julgando-os prepotentes, sem saber que preservavam valores culturais ao fazer voto de silêncio, não respondendo assim às suas indagações. Envergonhado perante si mesmo jurou proteger os mais fracos, ou seja, Observar a Si Mesmo diante de sua fraqueza e omissão. Portanto, a Espada de Ogum caracteriza o seu dono, pois está estritamente contida nele, como parte de si mesmo, como uma extensão de sua personalidade e poder pessoal.

A Lança de Ogum, o simbolismo de Jorge sobre o Cavalo Branco, é um cajado. Ogum é o Mago do Tarot, ou aquele que une o acima e o em baixo, harmonizando os quatro elementos alquímicos. O seu cajado em forma de lança aponta para o lado direito do homem, prostrado ao chão sob a forma de um dragão. Mas o outro extremo alcança o céu e toca o azul celeste da cura e redenção. Todo cajado é símbolo de autoridade sobre si mesmo, pois a verdade do homem se manifesta na cicatrização de suas feridas internas. Ele a forjou a partir do próprio corpo, e tal como a espada é símbolo de virilidade e poder.

O Capacete de Jorge é um símbolo do Centro Intelectual Superior. Um prêmio a todo aquele que alcança a Consciência Objetiva, um estado onde a comunhão dos opostos torna-se real no agora. Jorge pode ouvir a voz do Amo, seu significado e direção. Os pensamentos seus, outrora confusos e destoantes, uma legião de eus sem sentido e direção, agora obedecem a uma vontade própria. Ele fez jus a essa vontade quando disse não a Deocleciano  e teve coragem o bastante para enfrentar todas as agruras do seu próprio destino. Observe que toda linguagem simbólica traz em si um conteúdo superior de originalidade, assim se faz em virtude do homem haver se tornado um objeto de manuseio nas mãos dos artifícios da modernidade. Nós estamos carentes de símbolos, por isso caminhamos errantes.

A ARMADURA de Jorge é o seu ‘segundo corpo’. O corpo imaginário, ou o corpo físico com todos os seus hábitos, condicionamentos e respostas subjetivas ele o deixou na ‘taberna’. Quando desafiou o poder de Deocleciano, ou o poder de Olodumaré, sendo o único sobrevivente dos ‘duzentos orixás da direita’, ou ‘lado direito do homem’, Jorge assumiu o seu ‘segundo corpo’. Ao forjar o ferro e o aço a partir de sua própria substância interior, ele se tornou senhor da solidez e da inércia. Com isso foi capaz de exercer domínio sobre os desejos, medos e aflições, transformando sua natureza antes frágil e submissa num guerreiro em constante luta com os seus principais inimigos: identificação, imaginação e sofrimento inútil. O segundo corpo de Jorge é o seu ‘corpo sonhador’, portanto, materializa força aos fracos, esperança aos desamparados, rumo aos indecisos, e vontade para prosseguir àqueles que estão a ponto de desistir de seus ideais. A sua armadura ou ‘segundo corpo’ é aquilo que os cristãos chamam de fé, e lhe foi concedida quando não teve a menor dúvida ao desafiar Deocleciano, os poderes de Roma, ou Olodumaré.

O CAVALO BRANCO DE JORGE é o ‘corpo emocional’ domado e submetido à sua vontade. Quando ainda estava na taberna, ou a serviço dos desejos e ilusões, simbolizados aqui como o poder de Deocleciano ou Olodumaré, seu cavalo jazia ao relento, esquecido e maltratado, pois os sonhos de um mísero homem comum estão quase sempre destituídos de valores reais. Agora, ao agir com tenacidade, não se submetendo a nenhum poder temporal e ainda colocando em risco tudo aquilo que era ele mesmo a serviço da vaidade e do orgulho, consequentemente, abrindo mão de todo e qualquer poder, inclusive da própria vida, assume as rédeas e dá um novo rumo ao seu destino. O cavalo representa em muitas tradições esotéricas a força inconsciente do emocional, identificada e submissa ao imaginário. Quando desperto, domado e submisso ao Centro Intelectual nos possibilita ouvir a ‘voz do amo’. A cor branca do cavalo simboliza harmoniza consigo mesmo, ou domínio sobre aquilo que antes o torturava e submetia: obstinação, teimosia, intransigência, paixões, impetuosidade e arrogância. Ao se tornar senhor de sua vontade Jorge recebe a espada, a armadura e o cavalo. Estas são as Três Forças de Jorge.

O DRAGÃO aos seus pés é um grande mito da cristandade. Esse dragão, segundo o Verdadeiro Conhecimento não representa nenhum poder externo, ou Satanás ou Demônio, sendo antes o ‘eu imaginário’, o próprio Jorge, antes cativo na taberna. Quando o homem liberta-se  a si mesmo do jugo imaginário das ilusões, torna-se senhor daquilo que antes o oprimia. O dragão é o auto-reflexo estilhaçado aos seus pés. Tendo a espada e o cavalo sobre si, ou seja, o poder que nasce da união dos opostos e a harmonia entre emoções e sentimentos, a auto-importância cede lugar à simplicidade de alma e espírito. Em muitos contos deparamos com a imagem do herói, que desce às profundezas do inconsciente para resgatar a donzela cativa. Em totalidade deles o herói tem que lutar e vencer o mais terrível inimigo, quase sempre um dragão, antes de tornar real o seu próprio sonho de liberdade. Ao domar o cavalo e subjugar aos seus pés o dragão, Jorge tornou-se Senhor de Si Mesmo, assumindo por direito adquirido o ‘terceiro corpo’, tornando-se assim imortal dentro dos limites planetários.

A voz do Amo só pode ser ouvida por aquele que, após ter tomado consciência do seu estado atual, atrelou os cavalos e subiu à carruagem, tomando às suas mãos as rédeas. Portanto ao se tornar santo, ou beneficiário da santidade, assumindo assim o Corpo Divino, ou ‘quarto corpo’, Jorge tornou-se o interlocutor de seu povo, ou dono dos montes junto com Oxóssi. Representa assim o solitário hostil que vaga pelas estradas. Iansã fugiu com Xangô e Oxum o abandonou para casar-se com Oxóssi, o Orixá das matas, restando a Ogum o principado do inconsciente feminino, a suprema coragem de um guerreiro: ser só. Por isso Ogum é o Senhor dos Caminhos.

O Tratado do Lobo e o Cordeiro não tem pátria, nem religião. Sua meta é o agora e o objetivo maior é o despertar da consciência do homem. Por não estar a serviço de nenhum ‘ismo’ navega por todos eles em comunhão com a verdade. Ogum é um patrimônio cultural da humanidade, como também os demais símbolos de outras culturas e tradições. Talvez Ogum, tanto quanto Mamãe Oxum, seja relevante e ocupe lugar de destaque entre aqueles que melhor harmonizam em si mesmos forças aparentemente tão contraditórias e irreconciliáveis, como o Lobo e o Cordeiro. É preciso não esquecer que qualquer caminho tem duas margens e que tão importante quanto a chegada é aquilo que acolhemos ao longo do percurso.

Que assim seja!

158 – O tesouro

In Artigos on 14 de maio de 2012 at 13:59

Muitas lendas fazem referência à existência de um tesouro escondido. Ao longo dos séculos, caravanas foram montadas em todas as partes do mundo com a finalidade de encontrá-lo. Mapas foram adquiridos sob pagamento de pequenas fortunas, pois traziam sinais reais de sua existência, enquanto outros foram roubados, e até copiados de forma indevida em prol dessa causa relutante no inconsciente do homem. O seu habitat preferido sempre foi a profundeza dos rios e lagos; a solidão das cavernas; as sombras do inconsciente; os mais recônditos confins do coração; a sutileza da alma humana e a amplidão do infinito. Sugeriu-se o Himalaia como a fonte segura de sua espécie, outros bem-aventurados foram ao seu encontro no Ganges, enquanto alguns defendiam a sua localização nos monumentos arqueológicos do Egito Antigo; ainda outros vociferavam em favor do México ou dos Andes. A quem defenda ser possível encontrá-lo perdido nas lendas dos índios americanos, ou no deserto de Gobi, na cultura dos aborígines australianos, e até nas ruínas da antiga Grécia.

…TALVEZ O TESOURO QUE VOCÊ TANTO PROCURA MORE AO LADO, E UM GESTO SIMPLES DE PERDÃO PODE TORNÁ-LO REAL.

Levantou-se a hipótese que o tesouro poderia estar no Reino de Shamballa, mas houve controvérsias: ninguém podia afirmar com certeza se o Reino era um lugar ou um estado de consciência. Outra proposta veio à tona, dessa vez houve quem defendesse que o tesouro seria uma música. Mas que música seria adequada para materializá-lo em notas, timbre e freqüência? Pensou-se então na filosofia para elucidar o problema, mas os filósofos acabaram se deixando levar pelo fascínio da razão e perderam o abstrato. Aí sugeriu-se aos poetas serem o portal de acesso a ele, mas aqueles se perderam no abstrato, relegando a razão. Por fim sugeriu-se a própria razão, mas foram tantas as justificativas impostas que tornou-se praticamente impossível resgatar o seu conteúdo.

…TALVEZ O TESOURO QUE VOCÊ TANTO PROCURA ESTEJA AO ALCANCE DE SUAS MÃOS; BASTE ABRIR OS BRAÇOS E SORRIR.

Alardeou-se que na bacia de Santos existe um grande tesouro; outros admitem estar na biodiversidade da Amazônia. Milhões de dólares são investidos na Sociedade do Conhecimento, pois grande é o número daqueles que defendem ser ela a fonte de riquezas das nações, num futuro próximo. Fala-se muito no avanço da cibernética, onde os faróis de Alexandria possibilitariam ver um palmo além do ilimitado mundo da inteligência humana. Tesouros, como Steve Jobs já se foram, e num breve tempo, tempo este necessário para criar novos mitos na mídia, já não serão lembrados com tamanha frequência. O coração tem memória curta, vive somente o tempo de interlúdio de uma paixão. Basta que algo simbolizando ‘o mais moderno’, ou seja, em comunhão com o interesse imaginário da mente satisfaça as exigências do mercado, para legarmos ao esquecimento aquilo que nos enchia de ânimo e satisfação. Meu Deus! O que fazer com esse sapato velho?

TALVEZ HAJA UM TESOURO BEM À FRENTE DOS SEUS OLHOS, ABRA-OS E VEJA.

Lamentamos perdas do mesmo modo que a obsessão nos arvora ir ao encontro delas. Reclamamos de um ocaso vazio e triste, mas ainda não nos demos conta de que já amanheceu. Há uma jangada no rio e um bônus na ponte aérea, escolha o caminho que melhor lhe convier. Necessárias são as sandálias e os pés, então porque se debater sobre a marca do tênis? Talvez, ao chegar a pé e sorrindo lhe de mais ibope que saltar de um modelo importado, com esse semblante fratricida de natureza plástica.

…PODE SER QUE EXISTA UM TESOURO ESCONDIDO EXATAMENTE ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA.

Por que procurá-lo em Nova Iorque, se pode encontrá-lo num terreno baldio há apenas dois quilômetro de sua casa? Por que não procurá-lo em Nova Iorque se pode fazê-lo? Onde está você agora? O seu habitat é mente e coração, então observe e procure por você mesmo. Com certeza, deve encontrar-se em algum lugar. Dizem os poetas que onde estiver o coração de um homem aí estará o seu tesouro. Mas, responda com absoluta sinceridade: Você sabe onde localizar o seu coração agora? Se chamar por ele, responderá? Por qual nome o chamaria? Se alguém bater à porta de sua casa (art. 126), está presente para atender? Pelo visor ou câmera? Sente medo ao confirmar a presença do outro? Por quê?

HÁ UM TESOURO NO SILÊNCIO, NO MEDO, NA ALEGRIA, NA ANGÚSTIA E AINDA OUTRO NA DOR; COMO ENCONTRÁ-LO E SE RELACIONAR COM ELE É UMA ARTE.

Um Rabi nos seus últimos extertores disse ao discípulo mais próximo que o tesouro é como uma xícara de chá. O seu pronunciamento prosseguiu então de boca em boca até alcançar a parte externa da casa. Foi quando alguém argüiu: “Por que o tesouro é como uma xícara de chá?” E a dúvida retornou de boca em boca até alcançar os ouvidos do Rabi, que em seu último pronunciamento concluiu: “Então, diga a eles que o tesouro não é como uma xícara de chá”. Existem dúvidas que aniquilam todo o processo, da mesma forma que há respostas magníficas no silêncio e na plenitude. A maior ignorância do homem moderno é a busca de respostas que estejam de acordo com suas indagações. Se já as possui, qual o significado em fazê-las?

HÁ UM TESOURO CONTIDO EM CADA PERGUNTA, QUANDO VOCÊ A MENTALIZA EM SI MESMO.

Fins de dezembro, e estou prestes a assistir à mesma cena: alguém correndo para casa para assistir à retrospectiva 2011. Por que não mudar esse cardápio vencido? Não está vendo que o excesso de gordura pode comprometer o seu organismo? Esse excesso de culto pode comprometer a sua alma, da mesma forma que a ausência de si mesmo acabará colocando em risco o seu relacionamento. Mas sua presença em excesso também pode sufocar e coibir. A sensibilidade do ambiente se sente ofendida quando é excessiva a fragrância de perfume no ar. Por que não troca essa marca de sabonete? Talvez um banho de arruda lhe caísse bem.

HÁ UM TESOURO ESCONDIDO NOS PEQUENOS DETALHES DE SUA VIDA. ENTÃO, POR QUE PROCURÁ-LO NAS COISAS GRANDES?

Certo dia resolvi procurar novamente o velho sábio, aquele que responde pelo codinome ‘O COLECIONADOR’ (art. 106). E lá estava ele sentado à velha cadeira, fumando um cigarro de palha. Assim que me viu aproximar falou, esticando os braços e me oferecendo o cigarro: “Dê três baforadas e lhe contarei um segredo”. Insistiu, mesmo após ter lhe confessado que não fumava. Não obstante, fiz o sacrifício das baforadas, pois tinha um enorme interesse que me fosse revelado um segredo, seja ele lá qual fosse. Após as três baforadas, comecei a tossir e quando me aquietei lhe perguntei: Agora me diz, qual o segredo? Então, jogando fora o cigarro, me disse: “O SEGREDO É ESTE: SIMPLESMENTE NÃO FUMO”.

A EXCESSIVA ANSIEDADE QUE NOS DOMINA PODE NOS LEVAR A NÃO VER VERDADEIROS TESOUROS CONTIDOS NO AGORA.

Ainda não convencido da insensatez dos meus atos diante dos portais da sabedoria, lhe perguntei: Como posso de forma prática e objetiva observar a mim mesmo? Após um longo silêncio, como se estivesse dissecando a pergunta, concluiu: “Faça um carrinho de rolimãs da largura exata do seu corpo, e nele apoie um espelho que tenha exatamente a sua altura. Durante uma semana, leve-o com você, empurrando-o, onde quer que vá. E não deixe em hipótese alguma de ver a sua imagem refletida nele”. Que loucura!!! Pensei. Voltei, como me havia pedido, uma semana depois. Então, falou: “Fez o que lhe propus?” Eu respondi: Não, pois não há nada de prático e objetivo na sua proposta. Então, concluiu:

FOI PENSANDO EXATAMENTE NISSO QUE UM DEUS PRÁTICO E OBJETIVO COLOCOU UMA VARIEDADE MUITO GRANDE DE ESPELHOS AO ALCANCE DOS SEUS OLHOS. POR QUE NÃO SE OBSERVA A SI MESMO ATRAVÉS DO JULGAMENTO QUE FAZ DO SEU PRÓXIMO?

Que assim seja.

157 – A Escada de Jacó

In Artigos on 13 de maio de 2012 at 23:28

Toda escada traz em si uma representação alegórica da Lei de Sete e da Lei de Três.

Sendo cada cosmo um universo em si mesmo, suas possibilidades variam de zero ao infinito.

Sabemos que em toda Oitava existem dois intervalos ou semitons e que se não for aplicado um choque específico a esses intervalos essa oitava mudará de direção. Podemos estar dando os mesmos nomes às mesmas coisas de antes sem saber que alteraram completamente o seu propósito e significado inicial. Por isso a ESCOLA diz que o homem não pode fazer. São tantas as alterações inseridas naquilo que propomos originalmente que acabamos alcançando algo completamente diferente, apesar de lhe atribuirmos o mesmo nome e significado.

Todo cosmo só passa a ter existência real quando apreciado segundo a Lei de Três, ou seja, numa relação direta e objetiva àquele que lhe é anterior e àquele imediatamente posterior. Sem essa relação objetiva o cosmo passa a ser imaginário.

Na escala musical, ou oitava, esses intervalos ou semitons encontram-se entre MI e FÁ e entre SI e DÓ. Existem, portanto, dois DÓS, um inferior e outro superior que em nada diferem entre si, quando contemplados numa visão de escala e relatividade. Sábias palavras de Hermes Trismegistos: “Como em cima também embaixo”.

Cada intervalo de uma oitava é cortado por outra oitava, sendo o intervalo desta nova oitava cortado por outra, e depois por outra, ainda outra e mais outra, assim infinitamente. Todas essas infinitas oitavas interagem numa codificação de Três Forças. Portanto, sábias palavras: “Nada no universo existe individualmente, estamos numa relação direta com tudo e todas as coisas”.

Existem oitavas ascendentes e descendentes. A escada de Jacó é por analogia o caminho por onde os anjos de Deus sobem e descem, num incessante fluir entre o Céu e a Terra. É uma analogia entre graus de consciência relativos a oitavas ascendentes e descendentes. Cada anjo é um cosmo em si mesmo, portanto, sábias palavras: “Infinitos são os cosmos e infinitas as interações. Milhões de vidas se fossem dadas ao homem não o levaria a conhecê-los em sua totalidade”.

Há mais mistérios no universo que a mente do homem seja capaz de conceber. A analogia da conclusão do mundo em sete dias é um referencial cósmico de oitava, e não uma interpretação simplesmente literal. O contexto bíblico é todo ele esotérico, e submetê-lo aos ditames da razão é uma atitude mesquinha do homem.

A Escola de Pitágoras, perdida para sempre nos anais da história, continha informações precisas sobre uma riquíssima numerologia cósmica, que mais tarde passou a ser a base matemática do Ocidente. Os resquícios ou fragmentos que nos foram legados têm origem Babilônica ou Sumérica. Pouco ou nada nos restou daquele conhecimento. Alguns segmentos judaicos da Kabbalah ainda guardam importantes informações, mas reservados a um pequeno círculo de estudiosos. Irmandades como a Maçonaria e a Rosa Cruz também possuem resquícios daquele conhecimento. O restante permanece em poder de algumas Irmandades do Oriente e Ásia Menor, entre elas aquela a que chamo de ‘O Colecionador’.

Dito isso, vamos à escada e ao conhecimento inserido em seus degraus mágicos. Sendo uma relação de Três Forças, podemos lançar mão da seguinte analogia: 1º degrau, Força Ativa; 2º degrau. Força Passiva; 3º degrau, Força Neutralizante.

Digamos que o 1º degrau seja o responsável pelo impulso dado ao corpo em sua projeção vertical. Vamos utilizar o pé esquerdo para esse impulso inicial, resultando o pé direito como apoio no 2º degrau. Agora o pé direito apoiado no 2º degrau será o responsável pelo impulso que levará o pé esquerdo, antes servindo de impulso ou 1ª Força,  a alcançar o 3º degrau. Cada degrau pode ser visto como um cosmo ou mundo em si mesmo, portanto, possui um leque de possibilidades que varia de zero ao infinito. Apreciem que o 2º degrau é o lugar onde as forças aparentemente antagônicas, pés direito e esquerdo, unem-se num apoio mútuo, ora como Força Ativa, ora como Força Passiva. O 2º degrau, numa relação de três degraus, é onde os extremos se encontram, e apesar das aparentes diferenças agem em comunhão. Sendo a Força Passiva uma força de resistência fica entendido que toda aparente dificuldade é apenas impulso e age em comunhão com o propósito original.

O pé esquerdo é por analogia uma representação do ‘lado esquerdo do homem’, regido pelo hemisfério direito do cérebro. Já o pé direito representa o ‘lado direito do homem’, regido pelo hemisfério esquerdo. O ‘lado direito do homem’ ou ‘o Tonal’, ou o Lobo, encontra-se com o ‘lado esquerdo do homem’ ou ‘Nagual’, ou o Cordeiro, exatamente no 2º degrau, possibilitando assim alcançar o 3º degrau. Nenhum dos dois isoladamente pode conceber alcançá-lo. Somente a união sistemática entre eles produz um movimento, quer seja ascendente, ou descendente. Há uma relação direta de três cosmos inserida em qualquer ação objetiva. Lázaro, o Lobo e o Cordeiro são Três Forças, se qualquer uma delas se fizer ausente toda ação será apenas potencial, ou subjetiva, realizada apenas na imaginação.

Cada cosmo em si mesmo é uma interação de Três Forças. Se a união do pé esquerdo como impulso e base, e o pé direito como base e impulso não se consumar o movimento deixa de existir. Vemos, então, que é exatamente no 2º degrau, ou degrau central, ou simplesmente centro, que ambas as Forças são tanto impulso quanto base de apoio. Aqui elas se tornam iguais sem abrir mão da individualidade.

Diante dos fatos vamos a mais um tópico de importância relevante dentro do Tratado. Mudemos agora a analogia dos valores centrais do modelo, ou seja, cosmo nº 1, ou 1º degrau; cosmo nº 2, ou 2º degrau; e cosmo nº 3, ou 3º degrau, pelos referenciais de ‘homem, Jesus e Pai’. Aqui a ESCOLA faz ruir uma das maiores arrogâncias imposta a Jesus, Senhor e Mestre.

Quando o Mestre nos diz: “Ninguém vai ao Pai, senão por mim”. Ele nos ensina que sendo ele, Jesus, um cosmo ou individualidade, ou mundo em si mesmo, com possibilidades que variam de zero ao infinito, quando inserido numa interação de Três Forças é a possibilidade de fazer reais dois outros cosmos: um inferior, chamado homem, e um outro superior chamado Pai. A atitude arrogante do Cristianismo ao interpretar de forma errônea o texto bíblico, enaltecendo Jesus em detrimento aos demais Avatares da Terra é uma ilegitimidade que não condiz com o Verdadeiro Conhecimento. Baseado neste argumento o Cristianismo criou, isolou e erigiu muros entre o Ocidente e Oriente, restringindo valores culturais da Ásia, Oriente e Oceania.

Atentem agora para a escada de Jacó. Não há nenhum diferencial de virtudes ou conduta entre os anjos que sobem e aqueles que descem. A escada é uma oitava, portanto é uma ponte, tanto ascendente como descendente. Aqui não existem anjos superiores e inferiores, mas apenas ‘anjos a caminho do Céu e da Terra’. Cada Tríade de anjos é um cosmo da mesma forma que cada um deles, isoladamente, é um cosmo em si mesmo. O homem, Jesus e o Pai formam uma Tríade. O homem é a Força Ativa, ou seja, parte dele a iniciativa originária de ação; Jesus é a força Passiva, ou força de resistência a ser vencida, ou o caminho do Getsêmani ao Gólgota, a cruz; e o Pai é a Força Neutralizante ou Unitária, ou de Integração, que torna possível à Tríade prosseguir como um todo. Isolados são cosmos em si mesmos, mas quando integrados numa relação de Três Forças possibilitam ascender ao reino dos Céus, o Nirvana ou à Iluminação. O Pai sozinho é apenas um cosmo, o Filho outro e ainda o homem mais outro, mas quando integrados formam o Absoluto ou Princípio Original e possibilidade real de tudo e todas as coisas.

Sendo o Filho o 2º degrau, ou Força Passiva, ele é instintivamente o Lobo e espiritualmente o Cordeiro. Tanto base como impulso, tanto resistência como continuidade, caminho, verdade e vida. A Sabedoria do Cosmo nunca esteve ao alcance do vulgo. Portanto, sábias palavras: “A vós foi dado ouvir, ver e compreender, enquanto a eles lhes falo de tal forma que vendo não vejam e ouvindo não ouçam, portanto, não compreendam aquilo que a vós foi dado compreender”.

Que assim seja!

 

            

156 – A Lembrança de Si Mesmo

In Artigos on 11 de maio de 2012 at 20:49

Aquele olhar distante observa as águas do rio, enquanto sua natureza búdica se deixa levar pela sutileza e elegância do incessante fluir. Em algumas situações se avoluma, agita e assola as margens num gesto incontido de prosseguir. Noutras é conduzido pela fluidez das águas e alcança a imensidão do mar, então retorna à fonte, onde silêncio e quietude lhe dão abrigo.

ÁGUAS CRISTALINAS DO SER OBSERVAM OUTRAS, QUE NADA DIFEREM DAQUELA QUE ALIMENTA E NUTRE A VIDA.

SILÊNCIO E GRATIDÃO COMUNGAM UM RIO ETERNO DE HARMONIA E PAZ.

Então, aquele olhar distante perde a individualidade e se torna uno com o rio. Ambos velejam nuvens cor de chumbo, intrusos  que são num céu de quase brigadeiro.

O OBSERVADOR  JÁ NÃO PRESTA NENHUM CULTO A SI MESMO, APENAS UMA VAGA LEMBRANÇA O ACALANTA E CONDUZ.

Não existem mais, nem o olhar, nem o rio. A jangada tantas vezes necessária à travessia agora dorme tranquila recostada às margens. Quando aportamos o Eterno deixamos para trás todas as necessidades, pecados e virtudes.

CELEBRAR O RIO É NAVEGAR POR ÁGUAS NUNCA ANTES TOCADAS, E A ISTO SE CHAMA LEMBRANÇA DE SI MESMO. APENAS UMA SENSAÇÃO, ONDE A MEMÓRIA FÍSICA ESTÁ COMPLETAMENTE AUSENTE.

Há um rio de águas cristalinas fluindo nas veias do meu irmão que chora. Há uma fonte de água viva jorrando como cachoeiras sob um céu enevoado e triste. As mesmas águas são espelhos a refletir luz, quando nos olhos de outro irmão que se alegra e canta. Lágrimas são gotas de um rio de luz. Quando tristes avolumam em pranto a adubar o solo insensato da razão, mas quando doces voam ao sabor dos ventos, refletindo brilho e ternura.

CONTEMPLAR OLHOS É VIAJAR NO REFLEXO DO ESPELHO DA ALMA, SEM REMOS, NEM VELAS.

Lembrar com carinho e gratidão os olhos acolhedores de Gaia, contidos numa pequena gota de orvalho, nos alimenta e conduz. As impressões que recebemos são nosso principal alimento (art. 086).

ALIMENTAR-SE DE IMPRESSÕES, DIGERI-LAS E PODER USUFRUIR DE TODOS OS SEUS NUTRIENTES É UMA FORMA DE LEMBRANÇA DE SI MESMO.

Há chuvas torrenciais na reação incontida de um irmão, quando de forma reativa não se contém e permite ser levado por emoções negativas (art. 107). Para logo em seguida dissipar e nutrir com carinho o solo antes animoso e truculento.

QUANDO DEIXO DE ABRAÇAR O OUTRO E AOS SEU VALORES REAIS ESQUEÇO DE MIM MESMO.

Talvez tivesse sido melhor a Descartes dizer: Posso abraçar o meu irmão, logo, existo. Não há limites, fronteiras, enfim nenhum diferencial entre as águas ao longo do rio, no seu fluir natural. Não podemos dizer esta é rica, bonita e vaidosa, enquanto aquela é pobre e não possui maiores atrativos.

AS ÁGUAS DO RIO NÃO ESCOLHEM AS MARGENS, APENAS ACALANTAM, NUTREM E TORNAM POSSÍVEL A VIDA.

AS ÁGUAS QUANDO ABRAÇAM O FAZEM COM LIQUIDEZ ABSOLUTA, SEM A INTERFERÊNCIA DAS OSCILAÇÕES DO MERCADO.

 Águas que curam, misericordiosas e santas.

 “AQUELE QUE BEBER DE MIM, JAMAIS TERÁ SEDE’.

Beber das águas da vida é senti-la por completo, inundando e restituindo. É uma maneira de Lembrar-se de Si Mesmo.

Existe uma ponte estreita, sem proteção lateral sobre um rio de águas caudalosas. Mergulhar nas suas profundezas é renascer em Espírito, Verdade e Vida. Alcançar a margem oposta, acolhendo com carinho aquilo que nos trouxe até ali é unir os extremos e se chama GRATIDÃO.

ESQUECEMOS FACILMENTE DAS PONTES, DO RIO E DAS MARGENS, POR ISSO A NOSSA TRAVESSIA NUNCA TERMINA.

A ansiedade por chegar nos tira toda e qualquer possibilidade real. Esquecemos a ternura do percurso, não nos lembramos dos pássaros e das flores. Àqueles mantemos cativos e estas presenteamos em ramos para materializar paixões.

JÁ CHEGAMOS! AQUI É O NOSSO LAR. ETERNIDADE É O AGORA. QUALQUER COISA ALÉM DISSO SERVE APENAS PARA NOS DISTANCIAR DE GAIA E DOS SEUS ASPECTOS NATURAIS.

Entenda que o melhor de mim, a minha Eternidade é o seu coração. O Meu porto é o seu corpo.  Minha âncora é tudo que tenho, são mãos estendidas na sua direção.

QUANDO ME ESQUECI DE MIM MESMO TORNEI-ME CEGO E NÃO MAIS PUDE VER O BRILHO DOS SEUS OLHOS. PERDI MEU CHÃO, NUNCA MAIS DISSE AOS MEUS PÉS: EU TE AMO.

Esquecemos de nós mesmos; esquecemos de Gaia, da noite e seus mistérios, quando nos perdemos nas coisas do Alto. Deus é cheiro de terra e barro vermelho, sem isso a crença não tem base, é como casas construidas na areia da praia.

Porquê só nos lembramos do valor de uma árvore após caminharmos durante horas de sol a pino e encontrarmos abrigo à sua sombra?

LEMBRE-SE DE SI MESMO E VERÁ QUE AS ÁRVORES SÃO GRATAS E NUNCA SE ESQUECEM DA FONTE. AMBAS SÃO IRMÃS E CAMINHAM JUNTAS.

Há no amor uma magia além das palavras. Há um orgasmo de luz na escuridão das entranhas. O homem não descobriu o fogo no atrito entre madeiras como nos fizeram crer.  Sempre o tivemos no inconsciente, pois o atrito entre o pênis e os lábios da vagina é gerador do fogo da vida. O atrito entre opostos nutre e alimenta os sonhos. Só a mente adormecida da Procissão da Miséria Humana, interpreta o Lobo e o Cordeiro como entidades em constante contenda no plano espiritual. Eles são uma constante tensão a ser administrada pela mente consciente do homem desperto.

TEMOS À DISPOSIÇÃO UM MAR IMENSO DE CONHECIMENTOS NUNCA ANTES NAVEGADO, BASTA IÇAR VELAS E PROSSEGUIR.

Esquecemos o mar, os monstros marinhos, a noite e as estrelas. Quando o infinito descortina as manhãs raramente vemos, pois escolhemos dormir. Dormir é prático, não é mesmo? É necessário para restituir toda a energia gasta no ‘sofrimento inútil’. Recolhidos aos currais de nossas casas, cativos e alimentados por programas de televisão ou códices virtuais, deixamos o imaginário nos levar. Mas na manhã seguinte a conta nos sugere valores a serem ressarcidos na forma de cansaço e indisposição.

QUANDO NOS ESQUECEMOS DE NÓS MESMOS TORNAMO-NOS AUSENTES (ART. 126), POSSIBILITANDO ASSIM TODA UMA SEQUÊNCIA DE ‘FAZERES ENCOMENDADOS’.

O rio corta a aldeia, enquanto a lavadeira bate roupa nas pedras. Outras enchem a moringa de água boa para beber. O pescador joga a rede, enquanto o jangadeiro une as margens com a força dos remos. Uma nuvem negra se agiganta no céu, quando o vento forte rompe os montes e o gado sobe a colina. Tudo ao nosso redor respira harmonia e vida. Porquê somente nós, os seres humanos, nos esquecemos dos laços mágicos que nos une a tudo e a todos?

Será que investir na segurança pessoal em detrimento da segurança do outro; estar condicionados a modelos pré-concebidos e dar respostas materializadas por pensamentos antigos, cujas respostas já estão determinadas por valores culturais ultrapassados é Lembrar-se de Si Mesmo? Todas as religiões da Terra, sem exessão de nenhuma, apontam o desapego como a raiz nutriente para uma vida mais saudável. Será que existe uma forma mais saudável e receptiva que um abraço acolhedor?

TORNAMO-NOS APENAS UM QUANDO ABRAÇADOS FESTIVAMENTE AO OUTRO.

Não aquele abraço condicionado com tapinha nas costas seguido por um ‘tudo bem?’. Mas sim, aquele com lágrimas festivas pela alegria da chegada.

A LEMBRANÇA DE SI MESMO ESTÁ CONTIDA NAS PEQUENAS COISAS DA VIDA. AGIR COM AMOR, HUMILDADE E DEDICAÇÃO INCONDICIONAL É LEMBRAR-SE DE SI MESMO.

Porquê nos esquecemos do rio? Ele está presente todas as vezes que abrimos as torneiras da casa, seja da pia, do lavatório ou do chuveiro. Ao lavar as mãos seja grato ao rio.

13:00 hs. Hora do almoço num restaurante próximo. Há tal confluência de sons, timbres e tonalidades, que para se fazer ouvir somente gritando. Fala-se exaustivamente sobre a vida dos outros, sobre negócios, piadinhas de ocasião, futebol e as últimas da era virtual. Ninguém se lembra de si mesmo; ninguém se lembra do rio. Mas o rio está presente em cada hortaliça, legumes, carnes, frios e pão. Está presente no sangue, pensamento e vida.

COMO LEMBRAR-SE DO RIO? COMO SER GRATOS, SE NOS ESQUECEMOS DE NÓS MESMOS?

A ausência do rio, a não-gratidão das águas é quase tudo que nos restou.

DOIS AMANTES NUM ORGASMO DE PAIXÃO CELEBRAM O RIO EM PLENITUDE, VERDADE E VIDA.

Gaia é instinto, poder e eternidade. As entranhas da Terra são fecundadas pelos rios, córregos, regatos e igarapés. Então, brotam árvores, frutos e pão. Mas a ausência do homem em si mesmo torna triste toda a paisagem à sua volta.

GRATIDÃO É ESTAR PRESENTE. EU TE AMO. EU ESTOU AQUI, AGORA.

Diga isso a uma azeitona e repare no sorriso acanhado que se abre no cantinho de sua boca. Diga isso à chuva e observe como os pingos brincam e bailam pelo chão. Diga isso aos pássaros que você mantém cativos, no cativeiro que trás enrustido em sua alma e coração ausentes, e observe:

ELES SABEM VOAR, NÓS NÃO SABEMOS. PERMANECEMOS CATIVOS E IDENFICADOS COM O PRÓPRIO LAMENTO. INFELIZMENTE, CHAMAMOS A ISSO ‘CANTAR’.

Cada um de nós é um imenso pomar. Somos sementes geradoras de vida. Somos frutos saborosos que convém a alguém saciar. Este pomar de luz, frutos e pão é circundado e nutrido por Uroboros, o Grande Rio que circunda a Terra. Todos os nutrientes que habitam nosso corpo em magia e vida são uma cortezia de Gaia. Então, porquê exigimos exclusividade? Sejamos apenas gratos ofertando o melhor.

Porquê este molho de chaves preso aos passadores da calça?

QUANTAS PORTAS ALGUÉM PODE ESTAR FECHANDO ÀS SUAS COSTAS COM AS MESMAS CHAVES QUE USA PARA SALVAGUARDAR VALORES?

Seja uma fechadura sem miolo, e a partir daí carregue quantas chaves quiser.

O RIO NÃO TEM TRANCAS, ELE FLUI. SIMPLESMENTE, SEGUE O SEU DESTINO.

E quando barragens são erguidas no seu caminho, diminui a velocidade, mas nunca altera o seu propósito.

O RIO LEMBRA-SE DE SI MESMO. CADA GOTA CUTUCA A OUTRA ININTERRUPTAMENTE E ASSIM  NENHUMA DELAS DORME.

Mas, e o lago? É indiferente? Diria que o lago é um contemplador de estrelas. Portanto, a sua lembrança é poética, diferenciada, e por mais que nos pareça uniforme, renova-se a si mesmo na magia dos lençóis.

Podemos nos lembrar de nós mesmos, trocando as fraudas de um filho; orando em Verdade e Vida, num círculo de orações; no bar e até na rua. E cada vez que nos lembrarmos, seja por apenas alguns breves minutos, três ou quatro, talvez, iremos nos sentir vivos, de uma forma diferenciada, como se ‘tudo e todas as coisas’ à nossa volta estivessem vivas de uma forma jamais imaginada.

ETERNIDADE CHAMA-SE LEMBRANÇA DE SI MESMO. NÃO PODEMOS NOS LEMBRAR ONTEM OU AMANHÃ. ELA É UM INSTANTE DE LEMBRANÇA DO ETERNO, MAS SEM APRECIAÇÃO. APENAS UMA SENSAÇÃO, MAIS NADA.

VER É UMA INTUIÇÃO, MAS AGIR DE FORMA PRÁTICA E OBJETIVA É LEMBRAR-SE DE SI MESMO. E NÃO PODE SER INDIFERENTE AO MOMENTO PRESENTE, À MAGIA DO AGORA.

POSSO VIR A SER OU NÃO, MAS ESTAR AQUI E VER MINHAS NECESSIDADES REAIS, DO MEU PLANETA E DO MEU PRÓXIMO É LEMBRANÇA DE SI MESMO.

AS PROFUNDEZAS DA ALMA, O MAIS RECÔNDITO DE NOSSO SER É UMA PRESSÃO INTENSA DE OPOSTOS, ADMINISTRÁ-LA E TRAZÊ-LA À VIDA DE FORMA CONSCIENTE É LEMBRAR-SE DE SI MESMO.

Ser capaz de prosseguir, quando tantos fraquejaram e desistiram, sem com isso enaltecer o ego é Lembrança de Si Mesmo. É uma meta sem obscessão, é um desapego que em nada condiz com a insensatez daqueles que buscam o melhor para si em detrimento do outro.

DIZ A ESCOLA QUE A LEMBRANÇA DE SI MESMO É UM BEIJO DE OLHOS FECHADOS NA IMENSIDÃO.

Quando nos lembramos de nós mesmos vemos ao outro como um reflexo daquilo que somos.  Não o julgo, pois sou portador das mesmas deficiências, hábitos e respostas. Não o condeno, pois sei que agindo assim  estou assinando um testemunho de auto-condenação. Também não tento modificá-lo ao bel prazer das minhas convicções pessoais. Não conheço a Verdade, portanto não posso impor aos outros a minha verdade. A Lembrança de Si Mesmo não inclui dogmas, credos ou crenças, mas também não os exclui.

ELA NÃO LIMITA, NEM DETERMINA TERRITÓRIOS OCASIONAIS.

Suportar-se a si mesmo e ao outro nosso irmão com amor e gratidão é Lembrar-se de Si Mesmo.

ESSE IMENSO RIO QUE SOMOS PODE REFLETIR ESTRELAS, ALIMENTAR NAÇÕES INTEIRAS, SER UM VEÍCULO DE TRAVESSIA, UM SACIAR E UM FLUIR, DEPENDE DO QUANTO ESTAMOS DESPERTOS.

A LEMBRANÇA DE SI MESMO É COMO OS LÍRIOS DO CAMPO: SENSITIVA E REPLETA DE PAZ. SALOMÃO NO AUGE DE SUA GLÓRIA VESTIU-SE DELA PARA SE TORNAR SÁBIO.

O rio que circunda e abraça a terra é Oceano (art. 075). Nós somos os portadores de sua manifestação masculina e feminina. Somos a imagem arquetípica de Oceano e Tétis. Portanto, abrigo a todas as formas de vida. A inteligência que nos foi dada é de origem emocional, só o determinismo do tempo a fez exclusivamente intelectual, colocando-se a serviço de interesses temporais e de uma falsa segurança consensual.

Lembrar-se de Si Mesmo é um retorno ao tempo, onde cada um de nós vivia em harmonia com a Grande Mãe, progenitora de todos os seres sencientes da Terra, e de um Deus Sol que fecunda o seu útero todas as manhãs, possibilitando a renovação da vida.

SER GRATOS É TUDO. AMAR INCONDICIONALMENTE É MAIS QUE TUDO, É GRATIDÃO ETERNA NO AGORA.

Que assim seja!

           

           

155 – Equilíbrio

In Artigos on 9 de maio de 2012 at 15:54

Equilíbrio numa visão holística é uma interação de Três Forças. Se apenas duas forças interagissem entre si, sendo absolutas e iguais o equilíbrio seria a imobilidade, ou ausência de ação. Toda imobilidade é reativa, pois responde a uma não-ação presente nelas. Diria que inércia num contexto de ESCOLA é a negação do movimento ou a não ação da vida. Credenciar extremos, legitimá-los, e ordená-los em princípios é a não-ação do homem, pois corresponde a uma ação sem apoio de sua contraparte, ou isolada em si mesma.

O HOMEM É UM ENTE MÁGICO E COMO TAL DEVE UTILIZAR A MAGIA DOS EXTREMOS PARA SE FAZER REAL A SI MESMO.

Somente assim será capaz de se compreender e, consequentemente, ao mundo ao seu redor.

O impulso dado à ação determina necessariamente o movimento, ou reação de seu opositor. Os contrários agem assim, segundo sua própria natureza, exercendo sobre si mesmos forças que por correspondência analógica aparentam ser conflitantes apenas aos limitados recursos do homem, pois se complementam e coexistem num universo relativo.

TODA SOMBRA APENAS EM APARÊNCIA É UM LIMITE À LUZ, PORTANTO, É PARTE CONSTITUINTE DESTA MESMA LUZ.

LIMITAR É UM ARTIFÍCIO PARA EXPANDIR, POIS SEM O LIMITE IMPOSTO PELA FORMA O SOPRO DE VIDA NÃO FARIA SENTIDO ALGUM.

Todo vazio é receptor e também plenitude, pois é o princípio passivo que possibilita o ativo criador.

Toda natureza é bissexual em seu instinto criador, sendo assim, o impulso que produz as aparências de vida e morte é um contínuo jogo de cartas marcadas.

TEMER A MORTE É UMA INGRATIDÃO À VIDA, E AMAR A MORTE É UM NÃO-VIVER.

É PRECISO COMPREENDER QUE TODA CONTRADIÇÃO É APARENTE E NECESSÁRIA, POIS SEM A TENSÃO DOS OPOSTOS O MUNDO CAIRIA EM RUÍNAS SOBRE SI MESMO.

O INCONSCIENTE É O SENHORIO DA RAZÃO, E TODA RACIONALIDADE É UMA ABSTRAÇÃO DE SI MESMA.

ALERTAMOS QUE TODO EXCESSO É DISFORME, TODO LOUVOR É NÃO-ADORAÇÃO, POIS ALÉM DA FORMA DESTRÓI O PRINCÍPIO GERADOR DA FORMA.

Deus ama o vazio, por isso se vangloria em habitá-lo; a ciência ama a ignorância que alumia; a força ama a fraqueza, pois esta é o sustentáculo da forma; o bem ama o mal aparente, pois este o glorifica e possibilita a ação; o dia é apaixonado pela noite, a luz pela escuridão, sem esta aquela não seria sequer notada. O amor é sede e plenitude, é um doar-se e uma interrogação. O Lobo e o Cordeiro se alimentam um ao outro: o primeiro alimenta-se da carne do segundo, enquanto o segundo se alimenta do instinto de preservação e vida do primeiro.

O FIM DA TERRA SE CONFUNDE COM O COMEÇO DO CÉU, AMBOS SÃO ENTIDADES POÉTICAS NO UNIVERSO DA RAZÃO PURA.

HÁ UMA TROCA PERPÉTUA ENTRE DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL.

Conhecer as leis que regem essa troca, saber a proporção exata, alternativa e simultânea entre elas é possuir os princípios básicos do Grande Arcano Mágico, ou EQUILÍBRIO, que constitui a divindade humana, ou Verdadeiro Conhecimento.

EXISTEM AFINIDADES E SIMPATIAS ENTRE SUBSTÂNCIAS.

A união do cobre com o zinco na pilha galvânica é um exemplo irrecusável.

OS FÍSICOS A PROCURAM, ENQUANTO OS CABALISTAS E YOGUES A CONHECEM.

O corpo humano, assim como Gaia, atrai e irradia.

ESTAMOS IMANTADOS COM UM MAGNETISMO ANDRÓGENO E REAGIMOS SOBRE AS POTÊNCIAS LOBO E CORDEIRO EM RAZÃO INVERSA, MAS PROPORCIONAL AO GRAU DE CONSCIENTIZAÇÃO INERENTE A CADA UM DELES.

A ARTE DO HOMEM DESPERTO ESTÁ INTEIRAMENTE SUBMETIDA AO CONHECIMENTO PRÁTICO DESSA LEI.

POLARIZAR A AÇÃO DE AMBOS, SEM ANULAR A ORIGEM ANDRÓGENA DE SUAS CONFIGURAÇÕES É DAR AO CONHECIMENTO UM NUTRIENTE REPLETO DE COMPREENSÃO.

Mas é preciso muito tato para não alimentar demasiadamente a um em detrimento do outro. Eles se confundem na forma, mas são forças que se complementam.

PARA SER SENHOR DO LOBO É PRECISO DISTRAÍ-LO E ENGANÁ-LO HABILMENTE, DEIXANDO-LHE SUPOR QUE É ELE QUE NOS ENGANA. A SUA LIBERDADE É A NOSSA ÚNICA POSSIBILIDADE DE LIBERTAÇÃO.

A ‘Recapitulação’ é o alimento preferido do Lobo. Ele se satisfaz plenamente com ela e deixa em paz a consciência. É como se fosse gomos adocicados a lhe apaziguar o apetite voraz, mas só podemos produzi-la por meio da Observação de Si Mesmo. É aconselhável usar deste artifício, pois nos possibilita ver a nós mesmos através do Lobo, sua astúcia e mecanismos naturais de sobrevivência.

O homem pode produzir à vontade dois alentos: um frio e outro quente. Pode projetar escuridão e luz; ser ativo ou ser passivo, mas sem a CONSCIÊNCIA DE SI MESMO torna-se caça em lugar de caçador.

É AÍ QUE O LOBO TORNA-SE SEDUTOR, POIS LHE APRÁS BECOS ESCUROS E RECÔNDITOS DO SER. ENTÃO, UMA EMBRIAGUEZ ESTONTEANTE TOMA CONTA  E PASSAMOS A DUVIDAR DE NOSSA FORÇA E VALORES. MAS O EQUILÍBRIO ESTÁ EM CADA UM DE NÓS COMO INDIVIDUALIDADE E EM TODOS COMO ESPÉCIE. NENHUM FATOR EXTERNO PODE ROMPER ESTE EQUILÍBRIO, NENHUMA ENTIDADE, NENHUM LOBO E NENHUM CORDEIRO. O ARCANO MÁGICO SOMOS NÓS E ESTE PODER QUE NOS FOI CONCEDIDO É A SUPREMA GRAÇA DE DEUS.

Nossas mãos foram criadas para abençoar, são nutrientes do Alto, mas podem tanto afagar como ferir; podem apontar a direção ou negar uma possibilidade.

O UNIVERSO DO EQUILÍBRIO PASSA NECESSARIAMENTE PELA LEMBRANÇA DE SI MESMO.

A toda ação corresponde uma reação. Todo poder de persuasão inerente ao magnetismo pessoal estabelece uma corrente de influência na mesma direção, mas com sentido contrário.

TUDO E QUALQUER COISA QUE PROJETAMOS NO OUTRO, RECAI SOBRE CADA UM DE NÓS COM A MESMA INTENSIDADE E PRECISÃO COM QUE FOI PROJETADA.

O excedente fétido à sua mesa é a fome do seu irmão. A insensatez das atitudes impõe respostas ao nível de sua origem. A negação imputa respostas objetivas da mesma forma que a generosidade nos abre ao amor e à gratidão.  O equilíbrio entre a FORÇA e a FORMA nos faz saudáveis e prazerosos. Estar deprimido, com a alma cansada e o coração amargurado é um sintoma de desequilíbrio no EIXO CENTRAL DA ÁRVORE DA VIDA.

O equilíbrio entre INSTINTO e CORAÇÃO passa necessariamente pela hegemonia do Lobo e o Cordeiro, confiados à nossa guarda.

O ENTE HUMANO É O ARCANO MÁGICO DO EQUILÍBRIO ENTRE O BEM E O MAL.

A FORÇA DA UNIDADE NA DIVERSIDADE NOS INDUZ AO DESPERTAR E TRANSMUTA ENERGIAS, QUE DE OUTRA FORMA NÃO SERIA POSSÍVEL UTILIZAR.

Que assim seja!