Lázaro de Carvalho

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149 – O mundo das imperfeições

In Artigos on 31 de março de 2012 at 20:18

A Criação sai do Mundo Divino e Imutável da Emanação, ou Aziluth, em direção à Expansão e Contração, essência do Mundo Beriático da Criação. Com a Criação tem início o Tempo, por isso a ESCOLA diz que ‘tempo é respiração’. A Kabbalah, como muitas outras Tradições Esotéricas, vê essa mudança do Eterno no Temporal, como um vasto impulso de Movimento Cósmico. Diz-se ter havido, na verdade, diversos Mundos criados e dissolvidos, antes de se chegar ao nosso Universo Específico. Dentro desse Universo Específico, muitas experiências foram feitas até se chegar ao modelo atual da Espécie Humana. Diz a ESCOLA que o automatismo ou imperfeição manifestado nas experiências anteriores levou-as ao extermínio, e o consequente início de outra. Hoje caminhamos para o mesmo fim, como um enorme exército de autômatos dirigido por impulsos externos.

Estejamos atentos ao fato de que Deus observou que um Universo Misericordioso em Demasia seria incapaz de controlar o Mal. Enquanto uma Criação Extremamente Severa seria intolerável para as criaturas destinadas a habitá-la. Contudo, antes que o primeiro Cosmo estável viesse à existência era necessário conduzir ao Equilíbrio Relativo os pilares da Força e da Forma, e também a Face Superior e Inferior de Beriah.

A influência primária sempre vem de Cima, pois à medida que a Emanação vem a existir o seu fluxo exerce um influxo Abaixo. Mas este influxo contém todos os fluxos que dão Força à Forma.

Diz-nos a ESCOLA que tudo vem de Deus. Nada pode emanar de qualquer outra parte. Deus existe e nada mais existe, a menos que Deus traga isso à Existência.

SENDO ASSIM, TANTO O LOBO COMO O CORDEIRO TEM A SUA ORIGEM EM DEUS E SÃO CHAMADOS À EXISTÊNCIA POR RAZÕES ESPECÍFICAS.

Diante disso devemos concluir que se Deus é bom, então, até mesmo o Lobo deve ser uma forma do Bem, por ser expressão da Força Criativa de Deus num Universo Relativo e Misericordioso. Mesmo que o Lobo, diante de nossa cultura ocidental possa aparentar ser Anticristo, não pode ser assim, ou teríamos que admitir a existência de um Mal  Absoluto, cuja Essência sendo o caos não seria capaz de criar e manter um Universo Ordenado. E muito menos de equilibrá-lo e lhe conceder Graça.

O MAL COMEÇA COM A SEPARAÇÃO, ISTO É, TEM ORIGEM COM A CRIAÇÃO. PORTANTO, TODOS NÓS, CRIATURAS DE DEUS, SOMOS EXPRESSÃO VIVA, TANTO DO LOBO QUANTO DO CORDEIRO, E MANTÊ-LOS INDENES É O MAIOR ATO DE LEALDADE E GRATIDÃO DO HOMEM.

À medida que a Existência sai do Estado de Perfeição Azilútica em sua Projeção e Progressão, a partir dos quatro níveis de Aziluth, ou Emanação, assume então o estado criado dos diversos Reinos de Edom.

QUANDO ESSAS MONARQUIAS DESEQUILIBRADAS SE PROVARAM DEMASIADAMENTE SEVERAS OU EXCESSIVAMENTE FROUXAS FORAM EXTINTAS.

Aqui neste ponto, a máxima que nos fala sobre a real necessidade de manter indenes o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda ganha referendo nos Planos Superiores da Criação. O relato nos diz ainda que, após a destruição das Monarquias Desequilibradas, a Força e Forma que as compunha não foram dissolvidas, mas permaneceram presentes na extrema esquerda e extrema direita da Árvore da Criação.

AQUI DESTACAMOS AS EXPRESSÕES ‘LADO ESQUERDO E LADO DIREITO DO HOMEM’, MUITAS VEZES UTILIZADAS NO TRATADO, COMO UM REFERENCIAL AOS PILARES DA FORÇA E DA FORMA.

Neste ponto o Mestre Z’ev Ben Shimon Halevi nos diz que as “Forças e Formas Edônicas estavam sem um Eixo Central da Vontade em suas Árvores”, portanto, eram inconscientes e autômatas, apesar de se comportarem como pretensas sabedoras da Verdade e senhoras dos seus atos. Detinham apenas uma pálida consciência necessária à sua sobrevivência como espécie, ou seja, uma minúscula condição e a isso chamavam ‘fazer’.

Em verdade, as Consciências Impuras, depois batizadas de Demônios, ou seres que servem para atacar constantemente o Plano de Criação somos nós mesmos, por ainda não possuirmos um Eixo Central da Vontade plenamente desenvolvido em nós.

A EVOLUÇÃO DESTE EIXO CENTRAL DA VONTADE, OU ESTADO HARMONIOSO DO HOMEM, PASSA NECESSARIAMENTE PELO LOBO E O CORDEIRO. MANTÊ-LOS INDENES REFLETE O EQUILÍBRIO CÓSMICO DA CRIAÇÃO OU A MANUTENÇÃO DO ‘MALKHUT haSHAMAYIM’, O REINO DOS CÉUS.

Assim um período sob a influência Gevirúdica é austero e inflexível em sua Severidade, enquanto outro, digamos sob Hesed, é repleto de Amor e Misericórdia com todas as criaturas.

A Compreensão destas verdades exige Conhecimento e Ser, pois todas elas se manifestam em Tríades. O Lobo, o Cordeiro e o Eixo Central da Vontade, ou o Despertar da Consciência do Homem, é apenas uma Tríade, neste infinito Universo das Emanações.

Diz-nos ainda Z’ev Ben Shimon Halevi : “Conquanto o intelecto possa pensar e o coração agir, nada pode ser realizado, a menos que as partes inferiores movimentem o ser em uma completa ação e geração de acontecimentos e resultados”. Pensar nas coisas do Alto, refletir Deus, cultuá-lo e exaltá-lo, só passa a ter significado quando nos tornamos conscientes do lado ‘baixo’ do nosso ser. Sem o coração no agora, sentindo todos os seres sencientes à nossa volta, podemos ser levados pelo imaginário sem nos dar conta disso. E em dado momento, podemos passar a ‘ver’ tantas coisas que deixamos de fazer, enquanto outras deveríamos ter feito. Então só nos resta chorar, e sonhar que ainda teremos ao nosso dispor tempo suficiente para renovar todas as coisas.

BASTA OBSERVAR A SI MESMO PARA VER O QUANTO SOMOS PEQUENOS, DIANTE DA IMENSIDÃO DESSE UNIVERSO DE EMANAÇÕES.

Que assim seja!

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148 – A vaidade

In Artigos on 19 de março de 2012 at 23:11

A ESCOLA tem o firme propósito de nos ajudar a compreender melhor a consciência e a necessidade de alcançar níveis mais elevados que o atual. Digamos que cada um de nós tem ao seu dispor um nível mínimo de consciência necessário à sobrevivência e ao convívio com outros de nossa espécie. Diante do fato de estarmos todos nivelados a partir de um mínimo necessário, dizemos que estamos adormecidos. Apenas reagimos em resposta a impulsos externos, por estarmos identificados com as propostas compulsivas do imaginário.

Talvez a vaidade seja o principal tirano a ser deposto no caminho de ascensão a outros níveis de consciência. Ela é um adversário sutil, extremamente elegante e perspicaz, pelo simples fato de possuir duas vertentes: pode se apresentar como um acompanhante autêntico e necessário à vida ou como um inimigo mortal. Lembramos mais uma vez que todos os argumentos estudados aqui são um processo interior, portanto não procuremos razões externas para justificar atitudes. A auto-justificativa não é bem-vinda à ESCOLA, da mesma forma que também não são bem-vindos o pré-julgamento e os julgamentos intempestivos de valor.

O Ensinamento Tolteca nos diz que: “A vaidade é o nosso maior inimigo. Pense sobre isso… O que nos enfraquece é nos sentirmos ofendidos pelos feitos e desfeitos dos nossos semelhantes. A  vaidade faz com que passemos a maior parte de nossas vidas ofendidos por alguém”.

Há um vínculo muito forte entre vaidade e auto-importância. Ambas se completam e caminham lada a lado. A vaidade é o alimento da auto-importância, enquanto esta é o solo propício para a proliferação daquela. Os principais nutrientes da auto-importância, tais como, obsessão, ansiedade, obstinação e orgulho perdem o seu valor quando a vaidade é observada e tem o seu território demarcado pela consciência.

PARECE UM CONTRA-SENSO, MAS QUANDO ESTAMOS CONSCIENTES DA VAIDADE E DO SEU EXTENSO DOMÍNIO TORNAMO-NOS FORTES E COERENTES.

O peso da vaidade é um empecilho terrível ao despertar da consciência. Ela é altamente reativa e teima em nos convencer que sem a sua oportuna presença nos tornamos inferiores em relação aos nossos semelhantes. É uma entidade que se alimenta de extremos. Li no vidro traseiro de um veículo: “A pé você não come ninguém”. Tendo em vista sermos escravos do Centro Sexual e de seus asseclas Instintivo/Motor e Emocional, alimentamos a necessidade de possuir um carro, pois nos fizeram acreditar ser um adereço necessário à vaidade. Interagimos o tempo todo com o imaginário, pois este assumiu o lugar daquilo que é real, oportuno, decente e honesto em nós.

As descobertas são sempre pessoais, por isso a ESCOLA não dá importância maior à salvação da alma do homem, e não utiliza qualquer argumento neste sentido. Isso também tornou-se um artifício da vaidade, ou seja, um diferencial que alguém pode utilizar para se sentir superior aos outros. O orgulho do devoto comprova aquilo que estamos dizendo aqui. Não contemplamos nenhuma religião como detentora da verdade, apenas observamos o quanto de humildade habita cada uma delas. A ESCOLA está a serviço da liberdade de expressão e da contemplação da alma humana; do quanto de nosso coração investimos no voo de um pássaro ou nas águas cristalinas de uma fonte. O poder do agora é tudo aquilo que temos em mãos. Que tal fazer uso consciente dele? Também não investimos no pós morte. Questões além da vida não ocupam nossa mente e coração. Tudo que temos é um instante de vida, e nada mais.

A VAIDADE NÃO PODE SER COMBATIDA COM DELICADEZA, PORTANTO, O SEU COMBATE É UMA QUESTÃO PERTINENTE AO LOBO E NÃO AO CORDEIRO.

Combater a vaidade usando recursos religiosos nem sempre é o melhor caminho, pois é uma questão de espreita e não responde por sentimentos apoiados no amor, bondade, caridade, piedade e compaixão. Somente a água suja da chuva, quando lançada no vestido novo de uma dama pode reconduzi-la à realidade. Combater a vaidade exige recursos que nem sempre são bem-vindos. O Lobo, o guerreiro espreitador, é o mestre desta arte. O Lobo é antes de qualquer outra coisa o fator temido e determinante, aquele que corrói o alicerce dos nossos falsos valores. A vaidade não pode ser vencida com atitudes simples e ingênuas. Ela por um lado é o núcleo de tudo aquilo que é belo em nós e por outro o centro de tudo aquilo de mais detestável que possuímos. Discernir entre as duas é uma questão de consciência e luz. Livrar-se da vaidade nociva de uma forma clara e objetiva requer legitimar o Lobo, pois exige prodígios e estratégias além do nosso conhecimento linear.

ATRAVÉS DOS TEMPOS A ESCOLA RENDEU HOMENAGEM ÀQUELES QUE ASSIM FIZERAM, POIS SEM ISSO SOMENTE A DOR, MISÉRIA E FOME, ALÉM DAS DOENÇAS, OFENSAS E INJÚRIAS É CAPAZ DE DESTRONÁ-LA.

Para seguir a trilha do Verdadeiro Conhecimento, ou Conhecimento do Homem Astuto, é preciso ser autêntico e expressivamente criativo. Nessa trilha nada é tão claro como gostaríamos que fosse.

NÃO HÁ MESTRES PARA NOS MOSTRAR O CERTO E O ERRADO, APENAS ACENAM DIZENDO: “SAI DA TUA TERRA E VAI!”

Nenhum Homem de Conhecimento combate a vaidade por uma questão de princípios, mas sim como uma estratégia para alcançar níveis mais elevados de consciência.

A luta contra a vaidade não pressupõe princípios ou métodos pré-concebidos, antes é uma questão de impecabilidade, ou níveis de energia. Sabemos que a vaidade figura como a atividade que consome a maior quantidade disponível para as nossas atividades diárias. Se canalizássemos este fluxo para o despertar teríamos uma força surpreendente à nossa disposição. A reboque da vaidade vem o orgulho, o ciúme, a inveja, a arrogância, a insensatez, a ansiedade e a depressão. Limitar o seu raio de ação é uma estratégia prioritária no caminho dos ‘buscadores da verdade’.

Todo o acervo cultural e psicológico do Oriente e da Ásia acenam nessa direção. Tanto Jesus quanto Buda foram taxativos nos alertando para o seu falso poder. A partir do momento que passamos a mapear o seu fluxo interativo de ações contínuas, passamos a observar melhor a nós mesmos. Mestres do porte de Lama Anagarika Govinda deixaram o Tibete e as Terras Santas da Índia em direção ao Ocidente, quando alertados para o enorme domínio que a vaidade passara a exercer sobre o homem ocidental.

Para concluir quero acrescentar que a vaidade é o veículo condutor do consumo, portanto é o principal fator de degradação ambiental.

UM ECOLOGISTA QUE FAZ USO DA SINCERIDADE E DETERMINAÇÃO EM TODAS AS SUAS AÇÕES É AQUELE QUE TRAVA UMA BATALHA CONSTANTE CONTRA A VAIDADE. TRABALHA ECOLOGICAMENTE O TEMPLO DE GAIA, OU SEJA, O SEU CORPO FÍSICO E TODOS OS EUS QUE NELE FAZEM MORADA.

Atitudes ecológicas são reflexos de um comportamento interior equilibrado, harmonioso e consciente.

Que assim seja!

147 – Organismos auto-evolutivos

In Artigos on 13 de março de 2012 at 22:16

Ao folhear um velho livro, de repente  me vejo envolvido por alguns textos, renovando antigas analogias que tanto bem me fizeram em outras épocas. Como um observador afortunado, pego papel e caneta e inicio redigir um texto em harmonia com todas aquelas observações relevantes, que antevejo como importantes e oportunas.

As observações que visualizo dizem respeito às figuras de uma dimensão, a linha; de duas dimensões, o plano; e de três dimensões. Os sólidos.

Até este ponto temos uma relação bastante clara da interação de Três Forças, consumada na materialização sobre o plano, ou seja, sólidos ou objetos com os quais mantemos contato diariamente. Nosso sistema cognitivo nos conduz até aqui sem nenhuma dificuldade. Não necessitamos de nenhum esforço objetivo para constatar a aparente solidez de um universo tridimensional. Mas se tentamos prosseguir além desse ponto vamos deparar com um intervalo, ou seja, a mente racional fica impossibilitada de prosseguir. Constatamos um abismo bem abaixo de nossos pés.

NÓS, OS HOMENS Nº 1, 2 E 3, ESTAMOS CATIVOS NUM UNIVERSO DE TRÊS DIMENSÕES.

Existe um significado profundo neste contexto quando somos sabedores que um universo de três dimensões é regido por 48 ordens de leis.

Digamos por analogia que o homem nº 1 tem semelhança com a linha, sendo limitado por dois pontos, ou extremos. Tudo ao seu redor irá girar em torno disso: religião, sistema cognitivo, nível psicológico, enfim, tudo será observado segundo dicotomias. A sua religião terá como extremos, Deus e o Diabo; céu e inferno; luz e trevas; pecado e virtude; bem e mal, e assim por diante. O mais interessante que observamos aqui é que este homem nº 1 pode estar submisso a 96 ordens de leis, ou ainda mais. Segundo os critérios objetivos de ESCOLA ele pode ainda não ter alcançado o nível que classificamos como ‘normal’. A ESCOLA o chama carinhosamente de ‘lunático’, enquanto eu o contemplo como um ‘idiota em ziguezague’. Aqui não há nenhum julgamento pré-concebido. Trata-se apenas de uma classificação como critério de estudos. Voltamos a enfatizar que este homem nº 1 tem o predomínio dos Centros Instintivo/Motor, portanto não alude aos Centros Emocional e Intelectual.

Quando esta linha começa a se mover no espaço numa direção perpendicular a si mesma, deixa um rastro do seu movimento. Quando tiver percorrido uma distância igual ao seu comprimento passará a ter a forma de um quadrado. A isto assemelha o homem nº 2 em sua caminhada evolutiva. Note que a linha perpendicular neste momento em nada difere da horizontal, pois basta alterar a posição do quadrado para perceber que suas linhas são iguais. Este homem nº 2 acrescentou mais uma linha, ou Centro Emocional, mas perdeu contato com sua linha original, ou seja, vê a si mesmo como um quadrado, mas não reconhece as linhas que lhe deram origem. A este a ESCOLA chama carinhosamente de ‘um idiota quadrado’. Vive segundo a linha perpendicular de suas emoções, respondendo quase exclusivamente por extremos de ansiedade e depressão. Está preso à forma e, por mais que tentemos mudar a sua visão superficial, reagirá sempre da mesma maneira. É disciplinado e obediente pelo simples fato de não se ver a si mesmo de forma objetiva e real, ou seja, qualquer que seja o ângulo de sua visão verá a si mesmo como um rígido sistema de linhas paralelas contíguas. A sua reação à luz depende da posição em que se encontrar o quadrado em dado momento, mas ele chama a isso ‘fazer’, e em torno de suas vulneráveis molduras criou todo um universo de ilusões.

Imaginemos agora que este quadrado se mova numa direção perpendicular a dois de seus lados adjacentes, deixando um rastro em seu movimento. Quando tiver percorrido uma distância igual ao comprimento de um dos seus lados seu rastro terá a forma de um cubo. Nossa apreciação sugere que o homem nº 3 vê a partir de um ângulo que permite uma apreciação ampla e diferenciada, pois independente do lado escolhido sua performance permanece inalterada, mas  ele também perdeu contato com suas linhas originais. Diria até que perdeu este contato de uma forma mais relevante que o homem nº 2. Ele as vê de uma forma confusa e como não consegue se lembrar de suas origens principia a criar todo tipo de teorias a fim de justificar a própria existência. O seu sistema cognitivo tem acentuada presença do Centro Intelectual, mas o seu Centro Instintivo/Motor e Emocional está relegado a um segundo plano. Dissemos anteriormente que o sistema de crenças do homem nº 3 é repleto de teorias cósmicas, níveis transcendentais, energização e meditação, pois necessita disso para se autojustificar e sobreviver. A esta categoria a ESCOLA carinhosamente chama pelo nome de ‘idiotas cósmicos’.

A este ‘conglomerado de empresas’ em processo de expansão chamo de ‘Procissão da miséria humana’. Sendo uma empresa participativa que visa lucros imediatos, tem dois caminhos a seguir: ou diminui custos, cortando gastos e restringindo investimentos; ou incentiva novos mecanismos, investindo na produção e assim gerando lucros. Dentro de uma ‘normalidade existencial’ sempre escolhemos o segundo caminho, aumentando assim o consumo e colocando em risco os já escassos recursos naturais.

Permita abusar um pouco mais do seu raciocínio, pois o tema que estamos observando é de importância fundamental dentro do Tratado. Quando se trata de ‘deixar o solo fértil das nossas convicções’, pois a segunda parte do Tratado tem o título ‘Sai da tua terra e vai’, precisamos ser objetivos e colocar uma quantidade extra de esforços em ação. Portanto, tentemos romper antigos vínculos antes de prosseguir.

Quando consideramos o quadrado como o rastro do movimento de uma linha, sabemos que todos os pontos dessa linha se deslocaram no espaço. Atente para o fato de que quando consideramos o cubo como o rastro do movimento de um quadrado, todos os pontos do quadrado se deslocaram. Também é necessário deixar bem claro que a linha se move numa direção perpendicular a si mesma; e o quadrado numa direção perpendicular a duas de suas dimensões.

Dito isto, vamos ampliar um pouco mais o horizonte de nossa interpretação, por enquanto exclusivamente linear. Digamos que uma linha traz em si o Lobo e o Cordeiro latentes, vistos como extremos irreconciliáveis da psique humana. Já o plano os aproxima de uma forma clara e objetiva, enquanto o cubo os torna completamente iguais, pois os extremos se tocam em vários pontos. Mas aquilo que classifico como o mais importante é o fato do movimento ser sempre perpendicular, ou seja, ‘Assim como em cima também embaixo’. Não há nenhuma imposição de valores ou preconceitos: Os pontos se tocam independente das dicotomias.

Quando o processo sofre uma inversão, ou seja, o ponto passa a ser visto como a secção transversal de uma linha; uma linha como uma secção transversal de uma superfície, ou a superfície com a secção transversal de um sólido fica subentendido que tais como somos hoje, apenas em aparência somos um projeto consumado, pois em verdade…

…SOMOS APENAS SECÇÕES TRANSVERSAIS DE UM UNIVERSO DE QUATRO DIMENSÕES.

É importante ressaltar que o movimento quando descendente, aquele iniciado nos níveis superiores, o faz sempre em secções transversais, dentro dos limites de espaço/tempo.

SOMOS ORGANISMOS AUTO-EVOLUTIVOS, MUITO ALÉM DO LIMITADO MUNDO DE NOSSA VISÃO ORDINÁRIA.

Concluímos dizendo que o Lobo e o Cordeiro vistos como Deus e o Diabo, ou extremos da psique humana, só têm existência real no limitado mundo de nossa visão tridimensional. Mantê-los indenes é a senha para acesso a dimensões superiores. E tem como significado a harmonia interior do homem, onde ‘tudo e todas as coisas’ passam a ter importância real na mesma medida que abandonamos todo tipo de preocupação. O homem integral é aquele que evoluiu, mas sem perder o elo com sua verdadeira origem: O Lobo e o Cordeiro.

Nenhum de nós em sã consciência pode abandonar a pátria cativa das convicções pessoais e prosseguir, sem uma visão nova e mais abrangente do universo que nos acolhe e conduz. Ao longo dos textos aqui publicados estamos procurando fornecer subsídios à ‘Uma nova maneira de pensar’, um alimento com nutrientes capaz de promover uma melhor absorção de valores e uma digestão mais conveniente do processo. Afinal somos ‘Viajantes solitários do Apocalipse’ num universo de muitas dimensões.

SAI DA TUA TERRA E VAI!”

Que assim seja!

146 – A religião dos homens

In Artigos on 12 de março de 2012 at 23:26

Segundo a ESCOLA a classificação ‘homem’ não tem valor absoluto, sendo antes uma relação de escala e relatividade (art. 048). Assim sendo, temos homens nº 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7. Portanto, quando dizemos homem, fica no ar a pergunta: Que tipo de homem? Número 1, 2, 3 ou 4? Não vamos fazer citações diretas aos homens 5, 6 e 7 por estarem em um nível muito elevado em relação a nós. Esta divisão em sete tipos tem uma relação direta com a Lei de Sete ou Lei das Oitavas.

A Oitava Cósmica de Criação foi adaptada por Pitágoras à música, mas já era do conhecimento da ESCOLA desde tempos imemoriais. A Escala Musical ou Oitava foi dividida em sete notas mais a repetição da primeira, sendo: DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI e novamente DÓ. Existem em cada Oitava dois intervalos, ou semitons, a serem ultrapassados: O primeiro entre MI e FÁ e o segundo entre SI e DÓ.  Podemos agora observar que o primeiro intervalo está entre o homem nº 3 e 4, enquanto o segundo está entre o homem nº 7 e uma Oitava Superior.

Nada dentro do Tratado é colocado ao acaso. Quando falamos que o homem não pode fazer absolutamente nada, em verdade queríamos dizer que o seu fazer oscila entre DÓ, RÉ, MI durante toda a vida, pois sem um ‘choque consciente’ somos incapazes de ultrapassar o intervalo entre MI e FÁ. DÓ, RÉ MI… DÓ, RÉ MI… DÓ, RÉ, MI… assim é a nossa vida de homens adormecidos. Pensamos que evoluímos, quando na verdade o que realmente mudam são as circunstâncias, nós apenas seguimos o fluxo. Lembrando que um novo conhecimento por si só não é capaz de mudar alguém, pois depende do quanto de esforço cada um está disposto a investir. Este conhecimento que aqui contemplamos é uma dose relativamente forte, um elixir com propriedades mágicas, mas dependente do ‘Ser’ que irá absorvê-lo.

Existe todo um sistema numérico complexo inerente à ESCOLA. Este sistema está inserido num símbolo que se tornou conhecido como ENEAGRAMA. Tendo em vista alguns oportunistas já o estarem usando com vistas a interesses pessoais, pois o homem é mestre em profanar o Sagrado, não faremos no Tratado nenhuma referência mais objetiva a ele. Diremos apenas que ele contém respostas objetivas para todas as questões relativas tanto à Luz, quanto à Escuridão, sendo por si mesmo o sustentáculo de muitas escolas esotéricas. Outra magnífica escola rica em simbologia e significado é a ESCOLA DE TAROT, mas perdemos o contato com o seu Círculo Imediato.

A Lei de Sete ou Lei das Oitavas trabalha em comunhão com a Lei de Três ou Lei das Três Forças (art. 003). Sendo que ambas respondem pela criação, continuidade, expansão e contração do universo.

A simbologia dos homens nº 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 é uma relação direta da Lei de Sete em comunhão com a Lei de Três. Portanto, voltamos a repetir que há um limiar (art. 056), ou ponte, ou intervalo, entre os homens nº 3 e 4. Somente um choque consciente possibilita superar este intervalo. Nós o chamamos de ‘Uma nova maneira de pensar’, ou seja, elementos mínimos necessários à sua superação. Se este ‘novo pensar’ for Ativo, enquanto a antiga maneira de pensar sujeita à imaginação e à identificação tornar-se Passiva, o homem novo tornar-se-á a Força Neutralizante, ou o FÁ, homem nº 4 dessa Oitava Ascendente. Este FÁ consumado como Força Ativa da próxima Tríade seguirá o seu fluxo natural até o próximo DÓ, onde deverá receber um Segundo Choque Consciente, caso tenhamos pretensões de prosseguir. Sendo este segundo intervalo SI e DÓ o limiar que nos separa de uma Oitava Superior, podemos dizer que:

ELE É O INTERVALO QUE SEPARA OS CRISTÃOS DAQUILO QUE CHAMAM PELO NOME DE SALVAÇÃO, CÉU OU ETERNIDADE.

Vamos então fazer uma rápida inserção ao universo dos homens nº 1, 2 e 3, ou seja, à ‘Procissão da miséria humana’ (art. 004).  O homem nº 1 é aquele que possui o seu ‘Centro Magnético’ voltado aos Centros Instintivo/Motor. Portanto, neste tipo de homem tanto o Centro Emocional quanto Intelectual são pouco desenvolvidos. Sua atenção está voltada para fatores temporais. Preocupações relativas à matéria dominam a paisagem dos seus interesses.

Já o Homem nº 2 tem o predomínio do Centro Emocional, portanto os Centros Instintivo/Motor e Intelectual são pouco desenvolvidos. Este tipo de homem oscila entre extremos, tornando-se fraco e submisso. Como o Centro Emocional trabalha numa velocidade de aproximadamente 30.000 vezes mais rápida que o Intelectual, ficamos impossibilitados de pensar, sendo raras as vezes que o fazemos de forma objetiva. O predomínio do Emocional nos torna um joguete entre extremos de ansiedade e depressão, muitas vezes de forma doentia. Esse homem é o que a psicologia classifica como ‘homem bipolar’.

O homem nº 3 desenvolveu o Centro Intelectual de uma forma concisa, mas os Centros Instintivo/Motor e Emocional permanecem estagnados, ou pouco receptivos. Este Centro predomina na atualidade, fazendo do Lado Direito do Homem, o fator determinante da ‘era da modernidade’. Em torno dele o automatismo está se tornando uma realidade cada vez mais objetiva entre nós humanos. A corrida alucinante em busca de um conhecimento que possibilite melhores oportunidades no mercado financeiro está nos tirando o que de mais belo possuímos: A SENSIBILIDADE.

Já o homem nº 4 acena com possibilidades reais de evolução, pois inicia ‘Ver além dos montes’ (art. O85). Não estando tão identificado quanto os anteriores, o seu ‘Imaginário’ (art. 091) já apresenta sinais de superação. Inicia-se aqui um equilíbrio real entre os Centros (harmonia), pois a energia antes dissipada passa a ser direcionada ao CENTRO SEXUAL com o objetivo de preservar a si mesmo e a todos os seres sencientes da Terra. Então, um novo ser irrompe das cinzas do pecado e da omissão. É a Ressurreição de Lázaro, mas só acontece depois de três dias, ou seja, depois que nos superamos como homens nº 1, 2 e 3. Então cada um poderá ouvir a voz do Mestre e deixar o seu próprio túmulo.

Era necessário fazer esta rápida digressão antes de entrar no texto propriamente dito: A religião dos homens.

Dentro de uma visão de ESCOLA, quando alguém pergunta: Qual a sua religião? Paira no ar a seguinte questão: Que tipo de homem é você, 1, 2 ou 3? Esta questão é levantada pela seguinte razão: Independente do fato de ser católico, espírita, evangélico ou umbandista, o comportamento religioso responde por uma classificação de Oitava.

A religião do homem nº 1, ou seja, aquela que responde por quase 80% do contingente religioso do Ocidente, principalmente, América do Norte, Itália, Espanha, Portugal e Brasil é uma convicção religiosa a partir da IMAGINAÇÃO e IDENTIFICAÇÃO. Portanto, o seu cânone é baseado em rituais repetitivos, com forte predomínio do IMAGINÁRIO. Suas propostas ditas objetivas acenam com salvação, eternidade e conquistas pessoais temporais e atemporais. Atenção, pois nunca respondem pelo CRISTO VIVO, apenas como protótipo de poder, posses, vitórias, bem-estar e auto-importância.

A religião do homem nº 2 é repleta de choques emocionais auto-susgestivos e hipnóticos, acompanhados de cânticos e de testemunhos repletos de emoções. É também IMITATIVA e altamente IMAGINÁRIA. Faz uso constante da ‘hipnose de massas’ promovendo encontros ocasionais, onde a juventude é o seu alvo principal. Encontros esses com grandes shows ao vivo, muita luz, e um grande aparato de atrações que eles mesmos sustentam na mídia para esse fim.  Estes shows adormecem o Centro Intelectual, tornando a juventude alvo fácil para as emoções. Depois basta fazer uso da sugestão para que o estado subliminar de cada um esteja sob o seu controle. A seu serviço têm um amplo sistema de divulgação, supostamente apoiado por vultosos recursos financeiros, que também lucram com o sistema. Seus adeptos estão de tal forma adormecidos, que são capazes de dar a própria vida pelo prosseguimento institucionalizado de suas crenças. Aqueles que o sustentam chegam a alcançar o alarmante índice de mais de 94% da cultura religiosa do ocidente, pois além do seu próprio perfil ainda têm sob o seu domínio todo o contingente de homens nº 1.

Já a religião do homem número 3 é bastante polida, de certa forma reflexiva, mas com um alto índice de racionalidade e auto-afirmação. Este seleto grupo que deveria servir de exemplo para os dois primeiros, por possuir o Centro Intelectual desenvolvido, sendo então conhecedores das causas primeiras e de suas reais necessidades, isola-se num círculo constrito ou casta, fazendo do conhecimento uma forma de exaltação ao ego, ou um sistema sutil de submissão e poderio pessoal. A religião do homem nº 3 é baseada no conhecimento, consciência e luz. Mas como tem os Centros Instintivo/Motor e Emocional pouco desenvolvidos a sua prática tanto como suas relações humanas e sociais são pouco ou nada sustentáveis.

Para alcançarmos aquilo que poderíamos chamar de ‘religião do homem nº 4’ temos que superar o intervalo entre MI e FÁ. O homem nº 4 não está identificado com nenhuma das causas anteriores, antes viaja por todas elas colhendo o que há de verdadeiro e abrindo mão do imaginário. O homem nº 4 leva apenas o sorriso festivo da chegada, o calor de um abraço, e o significado real prático das ações. A religião do homem nº 4 é prática e objetiva, diria que é uma ‘não-religião´ ou a ‘religiosidade’  do homem, acompanhada do desenvolvimento harmonioso de todos os Centros.

A RELIGIOSIDADE É O TEMPLO SAGRADO ONDE TEM INÍCIO A VERDADEIRA RELIGIÃO DO HOMEM.

Quanto aos homens nº 5, 6 e 7, caso venham a ter alguma inclinação religiosa, aquela estará tão distante do nosso pensar atual que nem sequer podemos conjecturar a respeito.

Temos algo muito importante a acrescentar:

Jesus é um homem nº 8, ou seja, é o DÓ ou Força Ativa de uma Oitava Superior à nossa, sendo este o significado real de sua RESSURREIÇÃO. A referência ao TERCEIRO DIA (Lei de Três) é um mistério que até pouco tempo atrás permanecia selado ao nosso conhecimento ordinário. A Força Ativa de uma Dimensão Superior jamais pode ser colocada como origem ou pedra fundamental de qualquer religião da Terra, portanto religião é coisa dos homens nº 1, 2 e 3, mas nunca de um Sábio de nome Jesus.

O VERDADEIRO CONHECIMENTO É O PILAR CENTRAL DO CRISTO VIVO, PORTANTO, NÃO PODE SER APOSSADO POR NENHUMA RELIGIÃO DA TERRA. PODE APENAS SERVIR DE FAROL A UMA NOVA MANEIRA DE PENSAR, MAS NUNCA SER CIRCUNSCRITO A QUALQUER TEMPLO.

Que assim seja!

 

145 – Os dois mundos

In Artigos on 7 de março de 2012 at 22:57

Por tradição fomos educados dentro de um sistema que diz que o mundo é externo a nós; que somos apenas partes integrantes desse mundo. A filosofia o chama de mundo dos fenômenos, isto é, um mundo de aparências relativas. A ESCOLA nos diz que o mundo fenomênico é uma manifestação dos sentidos, ou seja, reage segundo o estado interior de cada um de nós. Não é difícil perceber que o mundo manifesto nas formas é uma função direta de nosso estado interior, tanto individual, quanto coletivamente. Tomamos interiormente esse mundo externo e o tornamos real segundo nossos estados de ânimo.

O MUNDO TAL COMO O VEMOS SINTETIZA NOSSA MANEIRA DE TOMÁ-LO.

Em verdade, existem dois mundos que interagem com a mente do homem, numa relação sistemática de Três Forças (art. 003). Por isso um mesmo fenômeno pode induzir tantas reações quantos estados interiores forem possíveis, dentro de um contexto determinado. Digamos que populações inteiras, cidades e até países são projeções exteriores de estados de ânimo interiores. Algo só passa a ter existência real, quando projetado por estados interiores que o tornem assim. Dezenas de crianças podem transitar por uma rua, mas quando deparamos com o nosso filho projetamos uma imagem interior filho, e este comportamento o diferencia dos demais.

Investimos tempo e dinheiro naquilo que chamamos ‘Primeira educação’, visando um futuro promissor, bem-estar e segurança pessoal e familiar, mas nos esquecemos da arte de ‘administrar perdas’. Estas são reflexo de conduta, ou reflexos de estados interiores de ânimo. A Escola se faz necessária para que tenhamos uma ‘Segunda educação’. Educar a personalidade para que se torne Passiva, enquanto a essência se torna Ativa.  A ‘Segunda educação’ é um nutriente mais rarefeito, menos denso, com um número maior de vibrações. Ela nos ensina que somos co-criadores do mundo e de tudo à nossa volta, portanto, responsáveis ‘por tudo e por todas as coisas’.

O MAIS PRÓSPERO NÃO É AQUELE QUE GANHA MAIS, E SIM AQUELE QUE APRENDEU UMA FORMA CONSCIENTE DE ADMINISTRAR PERDAS.

Se prestarmos atenção às casas simples do interior veremos que são habitadas por pessoas que vivem razoavelmente bem com quantias pequenas, quando comparadas aos recursos disponíveis nas grandes metrópoles. Isto ocorre em virtude de estarem mais próximas dos seus ciclos naturais de origem, ou seja, em harmonia com o seu mundo interior. Por isso não sofrem tanta influência da mídia como nos grandes centros. E ainda cultivam o hábito da troca contínua de informações entre as famílias tradicionais o que faz com que muitas necessidades criadas pelos hábitos urbanos não tenham tanta influência. A ‘Segunda educação’ está de um modo sutil sempre presente nos ditos populares. Lembro de mamãe dizendo: “Filho, não faça a broa maior que a porta do forno”, ou cuidado com as palavras pois “Em boca fechada não entra mosquito”. Os laços internos de tradição e amor refletem nas atitudes e são o elemento central de transformação.

QUANTO MAIS PRÓXIMOS DA TERRA E DO SEU CICLO NATURAL, MAIS PROTEGIDOS ESTAREMOS DAS INTEMPÉRIES DO CONSUMO.

Consegue compreender porque se investiu tanto em um Deus Pai distante e Senhor? Nos distanciamos de Gaia, do seu ciclo natural e nos esquecemos de nós mesmos. Tornamo-nos assim submissos a todo tipo de hipnose e sugestão e nos tornamos os frágeis cristãos de hoje. Estava criado o maior mercado consumidor da Terra: infelizmente, o seu nome é Jesus. Mas a grandeza de seu gesto e o mérito de sua vida não estão perdidos para sempre. Foram preservados por uma Irmandade a que chamo ESCOLA.

Por ter sido criado no interior, a nossa casa, por exemplo, só veio a ter luz elétrica quando completei sete anos, pude observar todo tipo de cuidado que a minha mãe tinha com o orçamento doméstico. Ela mantinha certa quantidade de carne cortida na banha para o período exato que antevia a próxima matança, e ainda colhia rotineiramente as verduras dentro dos seus ciclos produtivos, de forma a completar o cardápio. O resultado de todo esse cuidado foi o seguinte: não havia cobradores na porta, nunca se atrasou a conta da farmácia ou padaria, e ao falecer ainda deixou na poupança uma pequena quantia.  É importante salientar que não havia o efeito danoso dos programas de televisão, portanto, não éramos bombardeados diariamente pela avalanche do consumo.

A VAIDADE É UM MONSTRO QUE O HOMEM PERMITIU CRESCER EM SEU INTERIOR, E PARA ALIMENTÁ-LA SE CRIOU TODO TIPO DE FANTASIAS.

Somos cria ou função do mundo externo, ou seja, mundo circunstancial fenomênico, quando nos permitimos dominar por estados de ânimo, os mais diversos. Por isso é tão difícil ‘fazer’.  Evitamos qualquer esforço útil e necessário, mas insistimos em remar contra a maré. O sofrimento inútil continua sendo nosso motivo real de devoção. Lá fora há um fluxo natural e constante, mas nos prendemos ao nosso pequeno mundo  de seres atificiais e perdemos contato com ele. Diante de tamanha insensatez somos tão afortunados que ainda nos resta  uma possibilidade, que não somos incentivados a usar pelo simples fato de não ser interessante aos ‘detentores do poder’. Nós a chamamos de Lembrança de Si Mesmo, ou seja, um novo estado de consciência.

Já parou para refletir que religião também é consumo? E um consumo às vezes doentio e altamente virótico? Não interessam às crenças religiosas que dominam o nosso país que sejamos comedidos em nossos orçamentos. Se pensassem e agissem de forma consensual não incentivariam os seus fiéis à fartura, vitórias, glórias, riquezas e outras bajulações que já estamos cansados de ver.

A COISA QUE MENOS INTERESSA À ORTODOXIA RELIGIOSA CONTEMPORÂNEA É O DESPERTAR DO HOMEM, POIS ISSO REPRESENTA A ASCENSÃO DO ESPÍRITO SANTO E O CONSEQUENTE FIM DE TODAS AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS NA TERRA.

Navegar no mundo interior é tão pouco presumível como navegar oceanos. A cada segundo uma nova onda de emoções varre o mar do inconsciente, sugerindo respostas quase sempre intempestivas. Os ‘altos’ e ‘baixos’ de nossa bolsa de valores internos comandam todo o mercado externo de ‘ações’.

Não existem sociedades pobres na verdadeira ascepção da palavra. O que realmente existe são povos coagidos nos seus valores mais sagrados, durante muitos séculos, o que acabou resultando em miséria e fome.

A ‘COLONIZAÇÃO FINANCEIRA’  DA ÁFRICA E ÁSIA É A PRÓPRIA MISÈRIA DA AMÉRICA. 

Só resta acrescentar que esse mundo externo ou o corpo de Gaia, além do seu instinto natural e vida é regido por uma entidade que a ESCOLA chama de Lobo. Portanto, aquilo que designamos como  Lobo é uma manipulação orquestrada pela mente humana para fugir à responsabilidade interna de sua conduta irregular. Tudo é reflexo, resposta e atitude. Quando nos elevarmos em consciência dentro de um processo natural evolutivo, somado aos esforços pessoais de cada um, esse Lobo tornar-se-á o mais refulgente Cordeiro que a ‘Nova Terra’ há de conhecer.

A ESCOLA CONTEMPLA ESTE ACONTECIMENTO COMO A ‘SEGUNDA VINDA DE CRISTO’. TRATA-SE PORTANTO DE EVOLUÇÃO DENTRO DO PRÓPRIO CORPO DE GAIA E NÃO UM RETORNO SOBRE NUVENS DE ALGODÃO.

Torná-lo o mais breve possível depende de quanto de esforço estamos dispostos a investir na evolução de nossa própria consciência.

Que assim seja!

144 – Interesse e tempo

In Artigos on 1 de março de 2012 at 23:15

Alguém nos convida à reflexão de um texto em tal dia, local e horário, mas involuntariamente respondemos: ‘Vou verificar minha disponibilidade de tempo’. Ao sermos presenteados com o exemplar de um belo livro, dizemos ao colocá-lo na gaveta da escrivaninha: ‘Quando tiver tempo o lerei’. Então, ouvimos o toque do celular e do outro lado um amigo nos acena com alguma coisa do nosso real interesse. Então, abandonamos todos os afazeres e nos prontificamos a atendê-lo.

TEMPO É SINÔNIMO DE INTERESSE. SÓ ESTAMOS DISPONÍVEIS QUANDO HÁ ALGUM INTERESSE EM JOGO.

Novamente o intento nos acena com a perspectiva de um encontro, onde dentre outros assuntos serão tratados diversos temas de interesse ecológico, então respondemos: “Gostaria muito de participar, mas infelizmente, o meu tempo é por demais escasso e já estou comprometido”. Ouvimos novamente o toque do celular, outro amigo acena com possibilidades reais de ganho financeiro, bons negócios numa feira ecológica, então abrimos mão de todos os nossos compromissos imediatos e nos colocamos à disposição. A mesma feira que antes não estava revestida de interesses, agora passou a ser um quesito prioritário.

Três verdades podem ser aferidas aqui:

– Dentro do nosso mundo circunstancial e imaginário, tempo é sinônimo de interesse;

– Não existe esta tal objetividade que concebemos, mas antes uma sequência de interesses que nos induz a responder desta ou daquela maneira;

– podemos ser definidos zoologicamente como ‘animais que mentem’. Nossa mentira pode ser grosseira ou sutil, bastando para isso algum tipo de interesse embutido. Basta surgir ocasião propícia para botarmos em prática todo tipo de artifícios.

INTERESSES DETERMINAM AÇÕES, SENDO O TEMPO A EXPRESSÃO DE UMA REAÇÃO CAUSAL E PRÉ-DETERMINADA.

Pensemos por um instante e, em seguida, cada um responda por si mesmo. Que tipo de interesses prende a nossa atenção como pessoas? Agora vamos substituir ‘pessoas’ por ‘você’. Veja o quanto do seu tempo é consumido nesses mesmos interesses. Já é possível tirar alguma conclusão? Ainda não? Então, vamos aclarar um pouco mais.

– Respondemos quase sempre de forma coletiva, por mais que estejamos convictos de nossas afirmativas. A ESCOLA nos diz que, infelizmente, somos autômatos, máquinas direcionadas por ‘interesses imediatos’;

– Somos entidades preguiçosas. Nossa mente está obstruída pelos artifícios de uma tradição falida. Não pensamos por nós mesmos, outrossim somos tais como marionetes movimentadas por fios invisíveis;

– A verdade não pode fazer morada no coração de uma máquina, pelo simples fato de uma máquina não ter coração.

O INCONSCIENTE COLETIVO É O MAESTRO REGENTE DA ORQUESTRA DA VIDA.

Como os interesses coletivos diferem muito pouco na sua estrutura básica, já que as Influências A (art. 103) definem o seu padrão consensual, nada podemos fazer além de dar respostas condicionadas a questões impostas pela cultura e tradição. A tradição religiosa com seus dogmas, credos e crenças segue o mesmo caminho. Ouvimos de alguém a respeito de Deus, nossos pais e avós nos acenaram positivamente, pois eles mesmos receberam também o aceno, enquanto nós simplesmente seguimos o fluxo. Ouvimos de outros que bastava ter fé e assim permanecemos ignorantes em relação à verdade. A Escola nos diz que fé sem a Lembrança de Si Mesmo é uma fé puramente instintiva, portanto, uma fé cega.

REDUZIMOS ETERNIDADE A UM AMÁLGAMA DE INTERESSES, QUANDO A LIMITAMOS ÀS NOSSAS REFLEXÕES DE ESPAÇO/TEMPO CONVENCIONAL.

Certo dia casualmente, adentrei o espaço de uma ESCOLA. Estava provido de todo tipo de argumentos, visando persuadir os seus integrantes em nome da verdade. Vi-me, então, diante de um sábio que se prontificou a dizer: “Tragam uma caixa de ferramentas e bastante óleo, e chaves para o ajuste. Alguns parafusos necessitam ser aferidos. Acaba de chegar mais uma máquina”. Absorto em justificativas lhe falei sobre minhas crenças, estudos e até sobre psicologia. Ele sinalizou: “O homem tal como é hoje não está preparado pra lhe falarmos a respeito de psicologia. Faz-se necessário um bom livro de física, onde possa estudar um sistema de alavancas, além de um consenso de movimento e força. Anos mais tarde, talvez seja possível lhe falar a respeito de psicologia e das suas reais possibilidades”. Aquela senda foi meu abrigo por quase trinta anos. Ali aprendi as práticas rudimentares de como observar a mim mesmo e o que isso representa no caminho de todo aquele que busca o Conhecimento. Hoje, como humilde peregrino, divido o meu tempo de forma harmoniosa com todos aqueles que sonham beber desta fonte inestimável de sabedoria e luz.

É QUASE IMPOSSÍVEL NO MUNDO MODERNO FALAR DE ESPAÇO/TEMPO SEM VÍNCULOS E INTERESSES IMEDIATOS. HÁ UMA IMENSA REDE DE CONSUMO ARTICULADA AO TEMPO.

Àquela época minha vida estava sob o domínio dos ‘interesses imediatos’, ainda não tinha noção da possibilidade da existência além daquele círculo limitado de espaço/tempo. Acreditava piamente nos conceitos religiosos de salvação, rendendo louvor e glória em nome da eternidade. Ainda não havia despertado para a eternidade no agora.  Hoje rendo louvor e glória a uma simples gota de orvalho ainda adormecida nas pétalas de uma rosa, e isto realmente encanta o coração de Deus.

Aquilo que chamamos ‘interesses imediatos’ e sobre os quais se investe milhões de dólares, direciona nosso tempo e ação. Basta observar como milhões de pessoas são hipnotizadas diante de um aparelho de televisão, durante uma partida de futebol. Esquecemos completamente de nós mesmos, quando somos levados pela força coletiva das massas. Será que me permite lhe dizer algo, sem me julgar de forma tendenciosa? Não há nenhuma diferença entre uma partida de futebol e um culto religioso de adoração. Divide-se o campo entre o Bem e o Mal, investindo em um deles e passando a torcer copiosamente. Nos últimos momentos de sua vida Jesus estava completamente só à beira do campo, enquanto onze apóstolos (infelizmente, Judas Iscariotes se foi) se preparavam para a grande decisão. Do mesmo modo vociferamos por onze jogadores, mais um técnico. O adversário será sempre a simbologia do Diabo, pois o imaginário do homem assim concebeu.

POR QUE PREFERIMOS SER HIPNOTIZADOS PELA FORÇA COLETIVA DAS MASSAS A OBSERVAR A NÓS MESMOS?

A resposta é simples e objetiva: “Porque isso nos dá um sentimento ocasional de segurança”. Lembre-se das palavras do Dr. Jung: “O homem moderno preso ao casuísmo imediato de sua falsa segurança não deve dar sequer um passo fora do caminho determinado pelas massas”. Em outra oportunidade nos falou: “Cuidado para não despertar os cães. Pode ser perigoso dentro de uma noite escura”. O que o Dr. Jung quis nos dizer é que, além de mentirosos ainda somos medrosos e covardes. Despertar os cães dentro de uma noite escura é aquilo que os iogues chamam ‘O despertar de kundalini’. E a ESCOLA chama de ‘O Lobo cativo nos Chakras inferiores’. Mas sem a coragem necessária continuaremos como serviçais do tempo, ou meros objetos manipulados por ‘interesses imediatos’.

Responda sinceramente: Acha mesmo que em sã consciência alguém irá se interessar objetivamente pelos textos que escrevo? Basta colocar ao seu lado uma agenda de ocasião e um celular disponível, para que o texto seja relegado a um segundo plano. Mas aquilo que aqui escrevo pode ser exatamente a chave para todas as suas verdadeiras conquistas. O que é difícil de assimilar é a necessidade de aprender a perder, para somente depois valorizar o que ganhamos. É um aprendizado rude e austero, mas precioso em suas recompensas.

DIZEM QUE TEMPO É DINHEIRO! SENDO O ÚNICO CAPAZ DE TER EM SI TODAS AS RESPOSTAS. MAS TEMPO É NÃO-EGO. TEMPO É MEDITAÇÃO E SILÊNCIO INTERIOR. TEMPO É NÃO-TEMPO, DESTITUÍDO DE TODO E QUALQUER INTERESSE.

Outra preciosa reflexão sobre o tempo nos é dada pela ESCOLA, quando faz ver que aquilo que chamamos ‘tempo linear’, ou seja, a aparente continuidade que se expressa por passado, presente e futuro é apenas uma ilusão dos sentidos, uma forma objetiva que encontramos e que nos possibilita viver como seres inteligentes e racionais. Em verdade, tal linearidade não tem existência real, pois tudo se processa no agora, apenas com um diferencial sutil entre formas materiais, consubstanciais ou inorgânicas. Portanto, nossas atitudes podem tanto aprisionar como libertar nossos antepassados, isto por longas cadeias de gerações. Nossas atitudes têm importância real para todos aqueles a quem amamos, não importando onde possam estar. A única e verdadeira oração que podemos fazer pelos nossos entes queridos é tomar atitudes verdadeiras e com propósito inflexível.

As ‘Influências C’ (art. 103) são um referencial além da dicotomia espaço/tempo, pois toda e qualquer ação, quando consciente na sua origem e também na sua aplicação,  não pertence ao nosso espaço tridimensional. São antes de tudo portais para dimensões mais evoluídas.

Todo interesse dedicado exclusivamente ao tempo linear, ou seja, a serviço de nossa natureza egocêntrica, visando apenas realizações de cunho pessoal é um tempo sem retorno. Ou riquezas consumidas por um nada duvidoso. Em outras palavras, não estamos trabalhando de forma objetiva para o ‘assentamento do mundo’. Portanto, todas as nossas ações, não importando quão bem sucedidas sejam, passam a representar nada ou coisa nenhuma.

O CONCEITO DE ‘ISHUV OLAM’ SONHA UM TEMPO REAL, ONDE A ABUNDÂNCIA SUPERE A ESCASSEZ E A RIQUEZA DO COSMOS FLUA POR TODA A TERRA.

Na simbologia da cruz, o eixo horizontal representa o tempo linear. Já o eixo vertical é símbolo do ‘SER’ e uma vertente de ETERNIDADE. O tempo real quando consumado no eixo horizontal, no agora, reflete ou reverbera, em ETERNIDADE.  Por isso que a ESCOLA diz que ETERNIDADE é toda função de tempo processada no agora. A personalidade de um homem, seus traços de caráter, sua configuração pessoal, é uma função de tempo, mas o seu SER pertence ao Eterno. Quando a personalidade se torna passiva, ou mais desperta, certas características chegam à essência, então o SER evolui. Evolução é função de SER e não um conceito meramente temporal. Toda e qualquer pessoa pode passar uma vida inteira de transformações sem que nada alcance o seu SER, portanto, nenhuma evolução sendo possível a ela.

Outro fator importante a ser lembrado aqui é que funções de tempo, mesmo aquelas necessárias à nossa sobrevivência, são regidas por escala e relatividade. Portanto, o tempo para o Centro Intelectual, não tem a mesma frequência e intensidade que o tempo medido no Centro Emocional. É real o dizer que um homem identificado com as paixões é incapaz de pensar. Se um homem é incapaz de pensar por si mesmo, então não tem vida própria. Portanto, todo aquele que é regido e responde segundo o interesse coletivo das massas, infelizmente, não tem vida própria.

Que assim seja!