Lázaro de Carvalho

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140 – Uma referência como espécie

In Artigos on 26 de janeiro de 2012 at 13:46

O mundo evolutivo da forma, através da mente, somente depois de muitos séculos viu nascer uma cultura, e com ela um processo sistêmico organizado. O princípio manifesto na forma precede o modelo atual e dá consistência a ele. Esse modelo manifesto é ‘uma referência como espécie’, além de determinante dos limites de uma cultura ou tradição.

O REINO ANIMAL E NOSSA RELAÇÃO COM ELE É O ALICERCE SOBRE O QUAL ESTÁ SEDIMENTADA A CULTURA DE UMA CIVILIZAÇÃO.

Do ponto de vista da ESCOLA, os reinos animal e vegetal, o princípio orgânico e vegetativo de Gaia, são o resultado de um intenso trabalho de uma INTELIGÊNCIA SUPERIOR, visando a evolução da Terra como um todo. Toda forma procede de acordo com a MENTE que a criou. E o somatório dessa mente (cultura) lhe dá sentido e direção.

BASTA OLHAR DENTRO DOS OLHOS DE CADA SER VIVO PARA VER O QUE PERDEMOS COMO ENTIDADES HUMANAS EVOLUTIVAS.

A princípio não vemos o intenso trabalho de uma INTELIGÊNCIA SUPERIOR, nem ordem, nem finalidade, pois perdemos uma qualidade, um sentido, uma manifestação interior: A LEMBRANÇA DE SI MESMO. Infelizmente, a ‘Procissão da miséria humana’ (art. 004), passa ao largo de uma visão objetiva. Vê somente o reflexo de sua sordidez e projeta seu lado fraco e incoerente, agindo cruelmente sobre animais dóceis e indefesos.

O MODO COMO NOS RELACIONAMOS COM OS ANIMAIS É O TERMÔMETRO QUE INDICA SE ESTAMOS OU NÃO EVOLUINDO COMO ESPÉCIE.

Mas esse trabalho intenso e contínuo levado à prática por uma INTELIGÊNCIA SUPERIOR, precede o aparecimento do próprio homem. Fomos posteriormente criados com a frieza do Lobo e a docilidade do Cordeiro. Existem situações que induzem reações do Lobo, enquanto outras nos convidam sutilmente a emergir do Cordeiro. Uma grande e variada quantidade de formas foi criada, e a partir delas um referencial do próprio homem.

OS ANIMAIS ESPERAM DE CADA UM DE NÓS ATITUDES OBJETIVAS, E SE ENTRISTECEM AO CONSTATAR INSTINTIVAMENTE QUE POSSIBILITARAM A EXISTÊNCIA DE ALGO TÃO INCONSISTENTE QUANTO A RAÇA HUMANA.

Cada uma das formas tanto no reino mineral, vegetal e humano são a expressão de leis cósmicas fundamentais, e respondem por algum ponto evolutivo do universo, ou Raio de Criação. Portanto, foram criadas e são dirigidas por Inteligências além da forma. Aparentemente, não visualizamos uma evolução proposta para elas, mas foram colocadas aqui para servir de farol à evolução do próprio homem. Não devemos nos esquecer que por detrás das atitudes existem intenções.

A DOCILIDADE DO SEU CÃOZINHO É UMA ALEGORIA AO CORDEIRO, PORTANTO, QUANDO O MALTRATA OU ATÉ O MATA DE FORMA AGRESSIVA E CRUEL, ESTÁ MATANDO A SI MESMO E AO SEU PROCESSO EVOLUTIVO.

Alguns animais, que podem ser mesmos ancestrias nossos, são muitas vezes descendentes. Diz-nos a ESCOLA  que não somos a primeira experiência realizada na Terra, visando um ser auto-evolutivo. Outras experiências foram realizadas, e em tempos longínguos raças inteiras foram extintas, por não ter alcançado um estágio de evolução dentro do tempo pré-determinado. Diz-nos também a ESCOLA que alguns animais que convivem junto a nós são descendentes de raças anteriores à nossa, portanto, são portadores de certas características fundamentais à nossa própria evolução.

IRRACIONALIDADE NÃO É INERENTE AOS ANIMAIS, MAS COEXISTE EM CONFORMIDADE COM NOSSAS ATITUDES E INTENÇÕES (ART. 035).

Portanto, os animais são nossos irmãos; esperam de nós um sentimento de compreensão e amparo, pois não possuem um poder de adaptação tão amplo e variado como o nosso. Detiveram-se em alguma característica, que se observarmos com a devida atenção reflete algo que de alguma forma perdemos. Se as condições de seu habitat forem modificadas bruscamente eles sentem de uma forma muito forte, e podem até definhar e morrer. Amenizar sua dor e ampliar suas possibilidades de sobrevivência é um atributo da civilização.

OS ANIMAIS PODEM NOS DAR DETERMINADAS LIÇÕES QUE NENHUMA UNIVERSDIDADE É CAPAZ. ENTÃO, POR QUE NÃO APRENDER?

Todo o reino animal é uma contínua caricatura da raça humana. Há muita coisa em nós que precisa ser expurgada antes que possamos nos tornar em instinto, lealdade e gratidão tão verdadeiros quanto ele. Diz-nos a ESCOLA que tememos ser livres, pois não sabemos como agir e sobreviver fora do limitado mundo de nossas artificialidades.

OS ANIMAIS SÃO VERDADEIROS E COMPLETOS DENTRO DO CONTEXTO DE SUA EXISTÊNCIA. NÃO NECESSITAM MENTIR, NEM SIMULAR AFEIÇÃO.

Diz-nos a ESCOLA que a separação do instinto de preservação da espécie teve origem quando nos colocamos num patamar superior ao próprio reino do qual somos parte. Julgamos ser sabedores daquilo que é bom, ou daquilo que é mau. Desde o momento que passamos a acreditar sermos senhores do nosso próprio destino relegamos todo o reino animal ao convés de uma cultura decadente. Somos fracos, pois não sabemos lidar com consequências. Grande parte de nossa força está perdida no reino que amputamos de nós mesmos.

PREFERIMOS SER SUBMISSOS A UM CORDEIRO IMAGINÁRIO, QUE NOS ABRIRMOS À FORÇA INSTINTIVA DE UM LOBO. AO PRIMEIRO PRESENTEAMOS COM MORTE DE CRUZ, E AO SEGUNDO EXORCIZAMOS.

Grupos humanos isolados, não importa qual seja a sua amplitude, jamais podem ser análogos ao homem tomado individualmente, e menos ainda superiores a ele. Por isso o Mestre Jesus jamais criou alguma religião, e no momento de sua prisão e morte estava completamente só. Mas como entidades humanas fragilizadas preferimos respostas massificadas à solidão das atitudes autênticas. Preferimos a segurança dos templos à complexidade, possibilidade e autenticidade do homem tomado individualmente.

RESPONDEMOS COMO ESPÉCIE, MAS UMA ESPÉCIE SEM RAÍZES NO REINO ANIMAL, PORTANTO, DESTITUÍDA DE VALORES REAIS.

Uma raça ou nação considerada como organismo, quando articulada ao reino do qual se originou é muito superior aos artifícios da razão pura. A dignidade, lealdade e amizade de um cão é muito superior ao poder de qualquer oligarquia.

A FRIEZA DO LOBO NÃO SE COMPRA COM PROPINAS. NÃO HÁ DÍZIMO NA TERRA QUE POSSA CONVENCÊ-LO A SER SUBSERVIENTE E OMISSO.

Enquanto estamos preocupados com a tranca do portão, uma pomba nos observa do telhado. As baratas e os ratos darão continuidade a esta civilização, e talvez tenham algo para ensinar à próxima. Os sobreviventes do Apocalipse, com certeza, terão a tatuagem de algum animal no coração.

TODA CULTURA É ANIMAL POR ORIGEM; LUPINA POR CONSEQUÊNCIA E, POSTERIORMENTE, ANIQUILADA POR ENTORPECIMENTO DE VALORES, RESTANDO APENAS UMA VASTA EXPERIÊNCIA A SER VIVIDA PELA PRÓXIMA.

Não devemos nos esquecer de Noé e o Dilúvio, quando o reino animal foi preservado na ARCA DE UMA NOVA CIVILIZAÇÃO.

Que assim seja!

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139 – Imagens de barro

In Artigos on 3 de janeiro de 2012 at 22:00

De certa forma, somos todos imagens de barro, pois respondemos por um inconsciente coletivo, além de sermos motivados por fatores circunstanciais. Somos, portanto, um alvo relativamente fácil a todo tipo de emanações.

Nas culturas primitivas o barro era o arquétipo promissor da forma, enquanto o sopro traduzia a vida. A partir do barro, mãos humanas criaram a essência da arte e da escrita. O fascínio do barro inspirou a Canção da Terra. Recipientes como o caldeirão de barro e as vazilhas coletoras d’água eram símbolos sagrados da Grande Mãe (art. O97), unidades onde a vida transbordava em abundância. A cuia e o cuité são utilizados ainda hoje no interior dos estados, como coletores de água e alimentos.

A SIMBOLOGIA DO INCONSCIENTE TRADUZ EM IMAGENS O REFLEXO DO NOSSO EU INTERIOR.

Hoje, pela primeira vez em nosso Tratado, vamos fazer referência à Primeira e Segunda Atenção. Aquilo que vamos chamar de Primeira Atenção é um referencial à forma e ao modo como tornamos real o mundo à nossa volta. É ela que imprime realidade ao conceito mesa, cadeira, montanha e pássaro. Sendo assim é determinante de propósitos e e ações ocasionais. Quando nos identificamos com o elemento pássaro, ele passa a dominar a nossa atenção, enquanto uma infinidade de outros elementos passa despecebida. A Primeira Atenção está diretamente relacionada às Influências A (art. 103) e, apesar de, às vezes, exigir um grau mais apurado de focalização, não induz a nenhum comportamento objetivo, sendo antes subjetiva e artificial.

Todo o contingente de informações usuais, aquelas que utilizamos no dia a dia, é determinado pela Primeira Atenção. As qualidades de vestígios e formas ( art. 042), que  utilizamos rotineiramente para a nossa sobrevivência são inerentes à Primeira Atenção. Portanto, ela é o tipo de atenção que usamos ao caminhar, escrever, pensar ou dirigir um automóvel. Ratificamos que a Primeira Atenção é motora e condicionada às partes mais baixas dos Centros Instintivo, Motor, Emocional e Intelectual. Sublinhamos também que o fato dela pertencer ao Tonal (art. 050), ou seja, ao teor prático e objetivo daquilo que classificamos como ‘necessário à sobrevivência do homem civilizado’, toda a cultura herdada dos nossos antepassados está alicerçada sobre a Primeira Atenção.

NOSSA CULTURA, LIVROS E PARÂMETROS EDUCACIONAIS SEGUEM RIGIDAMENTE O SEU MODELO CASUÍSTICO, QUE VISA APENAS SOBREVIVÊNCIA E BEM-ESTAR.

Enfim, a Primeira Atenção é aquilo que nós como pessoas normais desenvolvemos a fim de lidar com o mundo do dia a dia, pois além de determinante de nossas ações rotineiras ela abraça todo o conhecimento do corpo físico e suas necessidades naturais de sobrevivência. Mas, além dela, existem uma Segunda e uma Terceira Atenção. Sendo que a nossa reflexão de hoje é sobre a Segunda Atenção, e suas possibilidades reais de contração ou expansão da consciência.

A nossa verdadeira batalha como seres sencientes e dotados de inteligência e evolução está nas complexidades da Segunda Atenção.

DIRIA QUE A SEGUNDA ATENÇÃO É O NOSSO CAMPO INTERINO DE BATALHA, RUMO A GRAUS MAIS ELEVADOS DE CONSCIÊNCIA.

Diz-nos  o Conhecimento Tolteca que não há nada mais perigoso no mundo civilizado que a fixação do mal da Segunda Atenção. Ela é um estado difícil de ser alcançado, mas muito gratificante uma vez atingido. Quando homens adormecidos aprendem de alguma forma ocasional, por hábito ou tradição, a focalizar o lado fraco da Segunda Atenção, nada é empecilho para eles. Tornam-se assim verdadeiros caçadores de poder e posses, vampiros inconscientes de si mesmos.

O LADO FRACO DA SEGUNDA ATENÇAO CHAMA-SE OBSTINAÇÃO. UM HOMEM OBSTINADO NÃO SE LEMBRA DE SI MESMO.

Agora eu lhe peço um grau bastante sutil de atenção diferenciada. O que vou lhe revelar não é uma opinião incisivamente pessoal, mas antes corroborada por uma cultura muito superior à nossa. Antes de bater o martelo me condenando, reflita com sensibilidade e honradez as palavras inseridas aqui.

O LADO FRACO DA SEGUNDA ATENÇÃO ESTÁ SENDO AMPLAMENTE UTILIZADO NOS TEMPLOS, PREGAÇÕES E CULTOS, OFERTANDO AOS SEUS FIÉIS PRERROGATIVAS DE MELHORIAS FINANCEIRAS, NA FAMÍLIA, TRABALHO, SAÚDE E BEM-ESTAR PESSOAL E COLETIVO. TUDO ISSO EM NOME DA FÉ E BOA VONTADE ALHEIA.

O lado fraco da segunda atenção pode ser utilizado por hipnose e auto-sugestão (art. 028), possibilitando sua aplicação a grupos, induzindo assim respostas consensuais em nome de Deus e do Evangelho. São notórios os jargões bíblicos de conteúdo emocional, utilizados de tal forma que a resposta obtida esteja de acordo com os padrões vigentes. Este modelo vem se aperfeiçoando desde o século XVIII e agora achou um sócio de peso: a mídia televisiva.

A fixação da Segunda Atenção tem duas faces. A primeira é a face do mal, muitas vezes revestida de dogmas, credos e crenças em nome de Deus e do bem-estar do homem. Manifesta-se quando determinadas pessoas, embutidas de autoridade que elas mesmas outorgaram a si, usam as prerrogativas de seus sonhos pessoais e a persuasão das palavras, para focalizar a Segunda Atenção sobre os itens do mundo, tais como, poder, dinheiro, bem-estar e realizações de ordem pessoal, em detrimento do Real e Eterno.

CONSTROEM CATEDRAIS IMAGINÁRIAS EM NOME DA FALSA PERSONALIDADE, ONDE RENDEM CULTOS À AUTO-IMPORTÂNCIA, PERDENDO ASSIM OS RESULTADOS REAIS DE SUA CONDUTA E AÇÃO.

A segunda, que deveria ser a base de toda a religiosidade do homem, é quando os Guerreiros Sonhadores focalizam a sua Segunda Atenção nos itens que não são deste mundo, tais como, a coragem necessária para superar os limites de sua própria ignorância, e adentrar o desconhecido. Um cristão, ou Guerreiro Sonhador, para alcançar esse limiar precisa de uma impecabilidade total e absoluta. Lembrando que impecabilidade na Tradição Tolteca não tem relação alguma com conceitos de virtude e pecado, sendo antes um nível de energia que possibilita ir além dos ditames convencionais da razão.

Dito isto, vamos enfatizar que as imagens de barro expostas nos templos, como toda e qualquer ruina arqueológica, podem ser prejudicial ao homem moderno, pois são expressões estranhas de pensamento e ação. Todos os itens e desenhos concernentes a elas são um esforço previamente calculado de projetar aspectos da Segunda Atenção completamente estranhos a nós. As imagens expostas nos templos contém um elemento perigoso, ou seja, uma preocupação obscessiva que nos torna identificados, levando-nos facilmente ao ‘eu imaginário’. No decorrer de muitos anos as emanações do pensamento humano foram depositadas naquelas esculturas, pois pensamentos, sentimentos e a palavra falada são imanentes na matéria. Portanto, tais imagens possuem um poder inimaginável de persuasão dos sentidos, podendo induzir os seus adoradores de inúmeras formas, desprovidas de lastro ou elemento consensual

Ninguém em sã consciência pode afirmar que espécie de fixação essas imagens podem ter recebido. Pessoas desesperadas podem ter depositado aspectos de sua Segunda Atenção nelas. E além disso toda e qualquer pessoa que tenha passado por ali e se ajoelhado, ou orado diante delas, com certeza, deixou emanações da sua Segunda Atenção.

Agora fica bem mais facil compreender porque todos os grandes Avatares chamaram de modo enfático a nossa atenção para não nos identificarmos com as posses materiais. Somos de uma forma ou de outra todos sonhadores. Eles sabiam do perigo de enfatizar nosso Corpo Sonhador, ou Segunda Atenção no lado fraco de uma personalidade inconstante e frágil. Por isso o Verdadeiro Conhecimento nos convida ao abstrato, no intuito de levar o nosso Corpo Sonhador à sua verdadeira origem.

QUANTO MAIS FORTES NOS TORNAMOS, SEGUNDO UM REFERENCIAL DE POSSE E PODER, MAIS PERIGOSA TORNA-SE A SEGUNDA ATENÇÃO POR NÃO SABERMOS UTILIZÁ-LA DE FORMA MODERADA.

Por isso o cuidado dos mestres para que não nos identifiquemos com as posses e bens materiais. É preciso focalizar nossa Segunda Atenção no Espírito, ou seja, no verdadeiro voo ao desconhecido, e não em coisas triviais.

Quando inicio o texto dizendo que todos somos imagens de barro, procuro alertar para o fato de sermos um alvo relativamente fácil para os poderes da Segunda Atenção. Projetar o bem ou o mal está além do nosso controle no agora. Às vezes projetamos, outras não. Somos seres reativos. Infelizmente, ainda somos um campo de manobras para emanações nem sempre condizentes com o apelo espiritual das Forças do Alto.

Mas ainda existe uma Terceira atenção. E naquela o Lobo e o Cordeiro deixam de ser os extremos da psique humana, para ser um todo completo e interativo. Mas essa terceira face, ou conhecimento, na sua prática ainda está um pouco distante de nós.

É PRECISO CONTINUAR CAMINHANDO, SEM NUNCA PERDER A TERNURA DA CHEGADA.

Que assim seja!