Lázaro de Carvalho

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170 – O homem e a sua real condição

In Artigos on 17 de agosto de 2012 at 14:52

Diz-nos a ESCOLA que se o Tratado for apenas mais um nutriente da curiosidade humana, ou seja, um artifício para a memória, não produzirá nenhum efeito objetivo. É necessário pensar por si mesmo se acreditamos ser possível colher os frutos desse vasto pomar de novas ideias.

A memória física responde apenas pelo plano físico, mas no início de nossa empreitada rumo ao desconhecido ela tem uma importância muito grande. Ao iniciarmos qualquer aprendizagem usamos a princípio apenas as partes baixas do Centro Intelectual. Pensar de uma maneira diferente significa que o nosso interior passa a refletir à cerca daquilo que a memória física acolheu como aprendizado. Digamos que o espírito interior, hoje dividido em milhares de legiões de eus, muitos dos quais nem sequer se conhecem, começa a se unir de uma forma mais harmoniosa, possibilitando assim conectar-se com as ideias do Tratado. No início da apresentação do Tratado confesso ter ficado bastante decepcionado quando vi que pessoas que necessitavam dele para uma compreensão melhor de si mesmas, simplesmente o ignoravam. Foi então que descobri que a escolha era feita a partir do próprio Tratado. Era o espírito que escolhia o aprendiz e não o contrário. E ele o fazia a partir de uma configuração de forças chamada de Centro Magnético. O Dr Nicoll, um dos mais importantes discípulos de Gurdjieff, nos diz que: “É necessário refletir sobre as novas ideias e fazer com que sejam nossas ideias, se possível em nosso pensar interior”.

O Tratado é um elo esotérico do Cristianismo, perdido há muitos séculos. Nos seus primórdios o ensinamento Cristão era passado diretamente pelos CENTROS SUPERIORES ao homem. Lembrem-se das palavras do Mestre: “Hoje ainda não lhes é possível compreender aquilo que falo, mas descerá sobre cada um de vocês o Espírito Santo, e a partir daí seus olhos, mente e coração irão se abrir e compreenderão”. Mas aquele elo se perdeu com o automatismo da mente humana, por isso o Cristianismo passou a ser ensinado a partir dos sentidos. Cada sentido, ou Centro, ou Cérebro, tornou-se um país aparentemente independente, com legislação específica e poderes próprios. Foi apenas uma questão de tempo para que a mídia alimentasse cada um deles individualmente e outorgasse poderes imaginários. Por isso o Tratado traz novas ideias, ou seja, ideias mais próximas do elo perdido, que possam permitir melhor reflexão e reencontro com o espírito interior. Diz-nos mais uma vez o Dr Nicoll: “Uma das coisas mais importantes a fazer hoje é pensar internamente, com a maior profundidade possível à cerca dos ensinamentos e suas ideias”.

O Tratado é parte de algo imensamente maior que nos diz que somos parte da Vida Orgânica. A Vida Orgânica se assemelha a uma fina película de intensa sensibilidade. É uma substância viva que cobre a Terra, cuja missão é formar um elo entre o intervalo FA e MI, em nosso pequeno Raio de Criação. Infinitos são os Raios, como infinito é o Poder que os criou. Toda a inteligência do homem somada, não é capaz de alcançar a bilionésima parte da inteligência do universo como um todo. Não há inteligência emocional que se compare ao poder criativo e redentor do AMOR. Por isso, quando amamos incondicionalmente a Terra, os seus filhos e frutos, nos elevamos além dos limites do corpo físico. É a Vida Orgânica que permite a transferência entre FA, ou seja, o mundo planetário como um todo e MI, a Terra como planeta. É a Vida Orgânica o elo de conexão entre a parte superior e inferior da Oitava Descendente da Criação. Embora a compreensão disso seja bastante difícil hoje, podemos dizer que a Vida Orgânica é a Força Neutralizante entre as partes superior e inferior da Oitava. É possível dizer que um homem com possibilidades reais para despertar está ao nível de MI, mas para que tal processo venha a se tornar uma realidade é necessária uma inversão interior, ou seja, é preciso que morra para poder renascer. Pensar de uma nova maneira significa matar em si mesmo o homem velho, ou seja, a velha maneira de pensar. É preciso abrir espaço interiormente para que a renoção possa se efetivar.

O homem não aparece como individualidade humana no Raio de Criação como um todo. Somente naquela que chamamos de Oitava Lateral, que se inicia com DO ao nível do Sol e faz SI ao nível dos Planetas é que surge o homem como um ser evolutivo, uma promessa de redenção, uma possibilidade além dos limites da Terra. O seu surgimento acontece com LA, SOL e FA ao nível da Terra, ou seja, como parte integrante da Vida Orgânica. Sendo o homem uma criação dessa magnífica Oitava Lateral é responsável por todos os seres sencientes, seu destino e evolução. Este poder Coronário chamado Sol, ou Chakra Superior, criou o homem como um ser evolutivo para permitir sua ascensão e retono à origem. Gaia, nosso Planeta Mãe é o Chakra do Coração nessa Oitava Lateral. Portanto, a origem do homem é divina por criação e o seu habitat deveria ser divino por descendência cósmica, mas a identificação e a imaginação o fez cativo nos limites inferiores de Gaia. Então, o Cordeiro por origem se fez Lobo pelos limites e fragilidade do próprio homem.

Quando o Céu nos acena com a possibilidade de retorno à casa do Pai é uma tentativa de nos despertar para a nossa procedência divina e missão redentora. Quando aportamos nesse ponto distante no Raio de Criação, a Luz Redentora nos proveu de todas as condições para retornar, bastando retirar o véu que cobre os olhos e ver além dos montes. Mas o Poder do Alto não fez isso pelo simples ato de fazer. A ESCOLA diz que há um limite exato de tempo cronológico para que dentre nós um número exato, nem mais, nem menos retorne. E se esse número não for alcançado o Raio de Criação se dissolverá novamente no nada. Por vermos a necessidade premente do despertar, e também por sermos sabedores que os veículos atuais estão trabalhando no sentido de tornar o homem ainda mais adormecido, aceitamos escrever o Tratado do Lobo e o Cordeiro (432 artigos) para alertar-nos de todo o pavor que isso significa.

A Bíblia diz em Paulo aos Romanos VIII, 19: “A ardente expectativa da Criação aguarda o despertar dos filhos de Deus”. E em Romanos VIII, 22, está escrito: “Porque sabemos que toda a Criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. Esta é a certeza de que não estamos sós em nossa caminhada, o Poder que nos criou espera por nós. Por isso o Círculo Consciente da Humanidade, ou Irmandade Sarmung, semeou o Verdadeiro Conhecimento por toda a Terra. Legou-nos a possibilidade de ir além dos limites do corpo, mas nos alerta para a extrema necessidade de manter indenes o Lobo e o Cordeiro, confiados à nossa guarda.

O Dr Nicoll nos diz que: “O homem não necessita sofrer inutilmente se aprender a sofrer conscientemente. Seguindo, sempre que o seu coração assim determinar, as ideias objetivas em sua compreensão interior e não meramente externa”. Agora vamos destacar um ponto importante do Tratado: Ninguém pode receber este ensinamento a menos que lhe pertença por merecimento, esforço e disciplina. Poderá ler o seu conteúdo durante muitos anos, sem nada retirar daquilo que foi dito. Amigos e Irmãos! É a intenção que se coloca no caminho do homem e somente um desejo muito forte de libertação pode nos fazer sentir sua presença, portanto tenha cuidado com os homens bem intencionados. E quando ela se coloca no caminho do homem, ergue edifícios e o convida a entrar é preciso ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. Caso contrário, a intenção será como um pássaro que voa sempre em linha reta, e se não estivermos atentos podemos perder o nosso centímetro cúbico de sorte, e ficarmos ao largo de um voo sereno ao desconhecido.

Que assim seja!

 

169 – O tempo de um guerreiro

In Artigos on 17 de agosto de 2012 at 0:31

Um guerreiro sabe que o seu tempo está sempre se extinguindo, por isso usa todos os recursos à sua volta com parcimônia. Sabe que cada atitude representa a última batalha na Terra, portanto, faz de cada uma delas um alvará de soltura, com passaporte a outras dimensões. A qualquer momento as fronteiras da Primeira Atenção irão se dissolver naquilo que sempre foram e a agonia novamente tomar conta de todo o ser. A isso ele chama quebra da continuidade, com consequências pouco presumíveis. Acredito que poucas são as pessoas que estão preparadas para enfrentar com naturalidade um choque dessa natureza. É preciso usar com sabedoria todos os recursos disponíveis, na tentativa de amenizar ao máximo o confronto inadiável entre o imaginário e o real. É inevitável que tal confronto venha a ocorrer, mesmo que para isso tenhamos de viver trezentas mil vidas.

A ESCOLA diz que todos nós, mais cedo ou mais tarde temos que passar pela mesma agonia. Podemos adiar ao máximo o conflito, mas não podemos evitar. Entenda que a consciência é um espaço infinito de exploração e possibilidades. Diria que mergulhar no desconhecido não depende de escolha pessoal, sendo mais um impulso, um empurrão do acaso, do que qualquer atitude consciente e previamente pensada. A diferença é que o guerreiro, por ter perdido a forma humana e não estar mais sob a doutrina do eu, coloca-se à disposição. O guerreiro aceita todos os riscos, não se esquiva, nem foge ao desconhecido. Ele sabe que o despertar da consciência é o bem maior na vida de todo ser humano.

O Tratado do Lobo e o Cordeiro é uma viagem, que usa a consciência como elemento fundamental para se transportar além da prisão do cotidiano. Diria que no dia a dia tudo tende a fixar seus limites a um pequeno raio de ação chamado rotina. Não podemos ir além do seu raio de ação, pois não temos os veículos necessários a isso. Estamos limitados pela cultura, tradição, religião, sistemas filosóficos, doutrinas e ismos. Atente para o que vamos lhe dizer: “Por meio da consciência, batedores de todo o universo vêm até nós. E por meio da consciência um Homem de Conhecimento vai aos confins do universo”. Para a ESCOLA a consciência é um elemento energético que  permite viajar através dele. A nossa limitação só permite perceber os elementos físicos, porque fomos condicionados a isso por meio da identificação. Mas o físico é imaginário, o corpo é imaginário e limitado, mas o corpo energético é real e ilimitado.

Como dissemos, o Tratado do Lobo e o Cordeiro é uma viagem. Mas existem formas diferenciadas de se colocar à disposição. Na primeira o Tratado o pega e leva para onde assim determinar, mas para isso você tem que ter um Centro Magnético compatível com ele. Na segunda você o leva pelas mãos e o direciona segundo sua própria vontade, mas precisa embarcar com consciência total de si mesmo e isso exige disciplina e esforço. Quando lidamos com questões que dizem respeito ao corpo energético precisamos estar atentos, pois se trata de uma travessia vital e perigosa. O universo não lhe dá nenhum poder sem uma cobrança paralela. É como uma promissória assinada em branco, mas com um diferencial: O credor é justo e responde pelo nome de Lobo.

Muita atenção a isso. Sozinho você não tem energia suficiente para romper as fronteiras do desconhecido. Parece um paradoxo, pois a ESCOLA diz que só a coragem de ser só permite ir além. Não obstante, a própria Igreja diz que toda salvação é individual. Mas quando assim fala está se referindo às formas sutis de identificação e à necessidade de superá-las. Por isso o valor da família é inquestionável no universo Cristão. Pai, mãe e filhos são Três Forças. Um homem sozinho não vai a lugar algum. Mas um homem, mais o Lobo e o Cordeiro pode ir aos confins do universo. Família é a união do pai, mãe (Lobo) e filho (Cordeiro). Por isso o papel da mulher é relevante dentro da ESCOLA, ela é o aspecto feminino de Gaia, seu instinto, sangue e vida. Manter indenes o Lobo e o Cordeiro tem o significado de amar e respeitar a sua esposa e filhos, tanto quanto a esposa e filhos do seu próximo. Todo filho por analogia é o próprio Cordeiro, por isso a máxima de Jesus: “Tudo aquilo que fizeres ao menor destes pequeninos é a mim que o faz”.

Todo o Tratado é um convite a romper as linhas paralelas entre os mundos e ir além. Mas aqui fazemos uso da consciência tanto orgânica, quanto inorgânica, e o processo ocorre no agora. Um instante de tempo é tudo que temos, mas tempo é um referencial de espaço/tempo, ou seja, Lobo e Cordeiro.  Um instante de consciência nos transporta além do espaço tridimensional, sendo assim o tempo deixa de existir, tornando-se assim eternidade. Todo poder que o mundo cotidiano exerce sobre nós deve-se ao fato de estarmos imobilizados, identificados, com nossos afazeres habituais. Entenda que você pode afrouxar um parafuso, usando apenas o Centro motor, ou pode fazê-lo usando além do Centro Motor, o Intelectual e o Emocional.  Nossa percepção do mundo tornou-se tão caótica, que preferimos os círculos fechados, onde nos sentimos seguros, a qualquer possibilidade de ir além. Se quisermos ir além, precisamos afastar o medo, ou seja, a identidade oportunista do eu.

Outro fator importante no tempo de um guerreiro é que ele sabe que ao tempo normal deve somar, em forma de energia, o tempo dos seres inorgânicos. Deve colocá-los ao seu serviço, sem com isso utilizar nenhum tipo de persuasão. A ideia é retirar deles energia complementar, sem ceder a nenhum comando ou exercer qualquer tipo de domínio, além daquele que lhe foi concebido pelo despertar da consciência. Lembrando mais uma vez que consciência é energia, que por si mesma pode atrair outro tipo de energia e a integrar à vontade. Nossa energia pode ser usada para entrar no campo energético da matéria inanimada, ou de outros seres vivos. Se estivermos em estrita comunhão com o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda tudo se torna possível.

Outro ponto fundamental é saber que a energia necessária para mover a consciência do ponto fixo em que se encontra vem do mundo dos seres inorgânicos. É um milagre ver que nossas atitudes refletem muito além do tempo cronológico e reverberam em respostas emocionais vindas daquele mundo. São as respostas de nossos antepassados às atitudes que tomamos hoje que libertam tanto a nós quanto a eles.  Uma atitude consciente pode romper elos em cadeias distantes. Este é um conhecimento muito além dos referenciais atuais de salvação, céu e inferno.

O tempo de um guerreiro não é movido por interesses circunstanciais. Ele sabe que o despertar da consciência é o bem maior de um homem em busca do milagroso. Tempo real é feito de atitudes precisas, no tempo certo, no lugar certo, com liquidez absoluta de valores reais. O tempo de um guerreiro não deixa marcas, simplesmente por não existir num universo de três dimensões, por isso um guerreiro passa sempre despercebido. O tempo de um guerreiro não retarda nenhum processo, não condiciona, não identifica, nem cria falsas perspectivas. É um eterno fluir, um rio caudaloso, livre, silencioso a caminho do mar. O guerreiro é aquele que harmonizou em si o Lobo e o Cordeiro, por isso caminha livre dos extremos. Nada tem a provar a si mesmo, nem a ninguém, enquanto o seu ser é livre para viajar estrelas. Não é reativo, não julga, não interfere por saber que todo processo é natural. O guerreiro é um ente mágico, pois viaja por diversos mundos sem nunca perder o contato com o agora. Tanto faz se a consciência é orgânica ou inorgânica, ele a traduz em benefícios para si mesmo e para o outro. Com isso possui aliados em diversas esferas dos mais diversos mundos.

Consciência é luz. Tempo é luz, respiração, eternidade. Existe um tempo para o batimento cardíaco da Terra e este tempo está em harmonia com todo o cosmo. Respirar em uníssono com ele é despertar para um novo estado de consciência.

Que assim seja!

168 – Assim caminha a humanidade

In Artigos on 9 de agosto de 2012 at 23:42

Assim caminha a humanidade, ao longo de sua história. Vamos observar neste texto que a civilização e a barbárie (art. 014) sempre andam de mãos dadas e que os períodos de aparente ascensão são na verdade alicerces do declínio. Aquilo que chamamos evolução esconde os escombros de uma cultura decadente e condenada ao fatalismo das convicções, quando em contato com a triste realidade de suas atitudes. Assim acontece porque o imaginário torna-se obeso em demasia, enquanto o corpo de uma cultura sente o colapso em suas veias e artérias. A convulsão torna-se assim apenas uma questão de tempo. Nunca é demais lembrar que o corpo de uma cultura é um organismo vivo como qualquer ser senciente da Terra, pois responde a estímulos mentais e emocionais.

Nossa viagem terá início no Império Egípcio, onde tanto no Antigo, quanto no Médio e Novo Império vamos deparar com os mesmos sintomas (art. 052) de ascensão, decadência e queda. No decorrer de mais de três mil anos o Império Egípcio passou por períodos intensos de grande brilho, mas também de declínio e oscilações políticas. Durante o Antigo Império, os faraós conquistaram enorme poder no campo religioso, militar e administrativo. Observe que o campo religioso exerce domínio sobre o emocional; o militar sob a doutrina do medo comanda o físico, enquanto o administrativo procura manter o mental em equilíbrio. Essa época ficou conhecida como a época das pirâmides. Observe que a sociedade era dividida em funcionários que ajudavam o faraó e uma imensa legião de trabalhadores pobres que se dedicavam à agricultura, às construções, além de arcar com pesados tributos. Aquele mesmo Império de brilho e ascensão foi abalado por uma série de revoltas lideradas pelos administradores de províncias, fazendo da barbárie ascendente um tirano real a depor uma civilização imaginária.

Durante o chamado Médio Império o Egito voltou a recuperar a estabilidade política e com ela o crescimento econômico e o renascimento de suas manifestações artísticas. Mas longe de ser a manifestação de um sistema social evolutivo serviu apenas à proliferação do poder, ampliando suas fronteiras imaginárias, consumadas com a conquista militar da Núbia. Não demorou muito para que a barbárie voltasse à tona, trazendo novamente a ruína e a decadência. Dissolução, angústia, miséria e fome são germens de uma cultura falida, mas sob as cinzas de fênix o pássaro reabre as asas e redescobre o prazer de voar. Fazendo uso de técnicas militares aprendidas dos Hicsos, os faraós do Novo Império organizaram exércitos permanentes, lançando-os a novas conquistas. Assim, invadiram territórios do Oriente Médio, dominando cidades como Jerusalém, Damasco, Assur e Babilônia. Povos inteiros foram dominados e obrigados a pagar tributos em forma de ouro, escravos e alimentos. Mas como a ascensão do imaginário é sempre prenúncio do fim, mais uma vez o Império foi assolado por revoltas populares, entrando novamente em período de decadência, pela insensatez e arrogância de seus líderes. Novamente a maioria absoluta da população era sobrecarregada por impostos e se afundava na pobreza, enquanto uma classe privilegiada, abastada e vaidosa exibia luxo, ostentação e poder.

Diante dos persas de Cambises o Egito sucumbiu na batalha de Pelusa. Os persas ocupavam o planalto localizado entre o mar Cáspio e o atual golfo Pérsico, conhecido como planalto Iraniano. Ali se estabeleceram os chamados povos Indo-europeus. Duas grandes tribos formavam a base daquele povo: os Medos e os Persas. Dois reinos independentes no planalto Iraniano. Mas vamos nos ater aos persas por ser o veículo de nossa reflexão. O seu surgimento como Império foi creditado a Ciro e devido ao aumento expressivo da população criou-se a necessidade de expansão geográfica, que teve início com a dominação da Lídia. Mais uma vez estamos diante das fronteiras imaginárias (art. 022)e suas consequências posteriores. A partir daí a sede insaciável de poder submeteu as colônias gregas próximas, que passaram a fazer parte do Império. O exército de Ciro, ainda não satisfeito partiu para a Índia, onde chegou às margens do rio Indo. Não obstante, anexou ainda a Babilônia. Foi aí que teve fim o lendário cativeiro babilônico dos judeus, pois Ciro permitiu que voltassem à Jerusalém, e ainda os ajudou na reconstrução do Templo. Os sábios da Pérsia eram conhecedores do poder histórico de Jerusalém. As lendas de Gilgamesh já eram conhecidas muitos séculos antes do dilúvio chegar ao livro do Gênesis.

Vamos destacar que a cultura religiosa da Pérsia tinha um legado bastante elevado para a época. Eles davam valor a Terra, ao Sol e às Estrelas, sendo a terra raiz da Tradição Perene, das tradições Sufis e Dervixes. Talvez por isso Ciro não proibisse as crenças nativas dos povos conquistados. Concedia certa regalia às classes abastadas, mas exigia em troca homens para o seu exército, alimentos e metais preciosos. Todo poder é avaro, pelo simples fato de não pertencer ao homem, portanto, tomar posse dele é um fenômeno de usurpação do cosmos. Diante do imaginário e seu pressuposto de conquistas, o Império Persa alcançou o mar Cáspio, o mar Negro, o Cáucaso, os desertos da África e da Arábia, o golfo Pérsico e a Índia. Mas todo poder sucumbe diante de si mesmo, por isso Cambises não conseguiu chegar a Cartago. Uma famigerada luta interna pela manutenção do poder o enfraqueceu e destruiu. Mas como a política interna expansionista do homem nunca tem fim, continuou com Dario e suas satrapias.

Todo poder ascende ao imaginário e a partir daí sua decadência é inevitável. Assim também ocorre com o coração do homem, sua cultura e civilização interior. Sendo assim, o fim do Império Persa foi decretado por Alexandre, após o assassinato de Dario III. Diz-nos a ESCOLA que, quando a caminho da Pérsia, Alexandre cruzou com um Sufi, completamente nu, banhando-se nos primeiros raios de sol do amanhecer. Este o convidou a despir-se e se alimentar da força do deus Sol, mas teve como resposta a promessa de fazer isso ao retornar vitorioso da Pérsia. O sábio Sufi era conhecedor do imenso poder do imaginário no coração do homem, e apenas se curvou e sorriu. Ele sabia que Alexandre nunca mais voltaria por ali, o seu destino era outro.

Outro elemento para reflexão é o legado do Império Grego, sua civilização e cultura. A península grega projeta-se em direção ao Mar Mediterrâneo. Sua parte sul tem uma configuração montanhosa, sendo que algumas montanhas são ilhas e ficam próximas à costa. Devido à grande parte de suas terras serem impróprias para o cultivo os gregos tiveram que desenvolver formas alternativas de sobrevivência, tornando-se assim excelentes comerciantes a percorrer os mares em grandes navios.

A Grécia Antiga nasceu na região sul da Península Balcânica, e como os demais impérios também exerceu domínio sobre as regiões vizinhas, tais como, a Península Itálica, Ásia Menor e algumas ilhas do Mar Egeu. Com o passar do tempo, várias cidades politicamente autônomas apareceram e foram precursoras de diversas práticas, que influenciaram profundamente os nossos costumes ocidentais. A Grécia Antiga era um amplo mosaico de culturas que acabaram se desenvolvendo de forma independente e diversificada.

Todo crescimento a partir de fora gera diferenças e acirramentos. É preciso ter em mente que toda e qualquer forma de poder não admite interferência em seus domínios. O poder tem como base o imaginário, exatamente por este não oferecer nenhuma resistência aos seus interesses. O imaginário será sempre o melhor condutor, e ao mesmo tempo o menos confiável, pois em si mesmo é o alimento menos custoso a todo tipo de persuasão. A acirrada disputa por interesses pessoais na Grécia Antiga cedeu lugar à dominação de outros povos, submetendo sua cultura e civilização.

A herança maior do legado grego à procissão da miséria humana são a identificação e a imaginação. Aos poucos a tradição perdeu contato com a Mitologia, a Alquimia e o Sagrado. O Ocidente viu no legado grego uma oportunidade única para salvaguardar valores, então, a obstinação, a intransigência, a justificativa e o medo renasceram em berço de ouro. Nunca se esqueça da frase de Churchill: “Aqueles que não conseguem aprender com a história estão condenados a repeti-la”.

Como nos exemplos anteriores, o futuro do mundo helênico tornou-se incerto e sombrio. Depois de uma idade de brilhantismo a vida das pessoas simples do povo podia tornar-se uma arena de ameaças da noite para o dia, bastando para isso uma simples decisão de ordem superior. E para manter os seus padrões sustentáveis eles não pensariam duas vezes. As cidades gregas enfraqueceram e muitas delas tinham de ser socorridas financeiramente, para não se dissolver numa bancarrota inadiável. A sobrevivência tornou-se cada vez mais difícil em virtude de tributações elevadas. A queda do Império Grego em nada difere dos anteriores: ganância, orgulho, luxúria e vaidade. Assim caminha a humanidade.

Vamos agora observar o Império Romano, sua herança social, cultural, seus valores morais e éticos. Sem com isso deixar de lado a política de ‘pão e circo’, que até hoje nos é servida. Como a toda decadência antecede a prosperidade, em Roma não poderia ser diferente. A prosperidade romana conseguida com as conquistas modificou profundamente o comportamento de patrícios e homens novos, que desejavam apenas usufruir de seu status, preocupando-se com o próprio prazer. Aos plebeus pobres havia a possibilidade do serviço militar e algumas regalias nas conquistas. Mas à grande massa de necessitados era oferecida a política de ‘pão e circo’, ou seja, a distribuição de certa quantidade de trigo e ainda espetáculos gratuitos de luta entre gladiadores. Será que existe uma grande diferença para o que estamos vendo nos dias atuais do nosso país? Qualquer semelhança talvez seja mera coincidência, não é mesmo? Acredite: De bons mocinhos nossos dirigentes não têm nada. A hipocrisia continua nos credenciando como o país do futuro.

Imensas guarnições militares se fizeram necessárias para proteger as fronteiras imaginárias daquele vasto império, enquanto seus líderes pilhavam e gastavam dinheiro público em orgias e depravações. Meu Deus!!! Acho que já vi esse filme. Para ser breve e antecipar resultados, em 476, Odoacro, rei dos Hérulos, destronou Rômulo Augustulo, último imperador romano. Vamos recordar que entre as principais causas do enfraquecimento do Império estavam: crise econômica, baseada no latifúndio escravista; descontentamento com a cobrança de altos impostos, sendo o dinheiro usado para a sustentação do luxo e corrupção de governantes; desorganização política; disputa pelo poder e corrupção, além das lutas internas.

Restava ainda a resistência do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, que caiu em 1453 pelos turcos otomanos. Sua queda difere muito pouco da anterior, pois após a queda o Império Romano do Ocidente, suas raízes e comportamentos migraram a buscar abrigo no Oriente. Assim caminha a humanidade, desde o princípio foi assim. Compreenda que todo processo de fertilidade, ascensão e queda obedece a Lei de Oitava, portanto, existem dois intervalos a ser ultrapassados antes do fim. É a lei desde o princípio do mundo, não há como fugir a isso.

A partir do Século XIX, o rápido avanço da industrialização no continente europeu marcou um intenso processo de expansão econômica. O crescimento dos parques industriais e o acúmulo de capitais fizeram com que as grandes potências econômicas da Europa buscassem a ampliação de seus mercados e procurassem maiores quantidades de matéria-prima, disponíveis a baixo custo. Foi nesse contexto que essas nações iniciaram a exploração da África, Ásia e Oceania.

É interessante observar que somados aos interesses de ordem político-econômica, a prática imperialista também buscou suas bases de sustentação ideológica. A Teoria do Darwinismo Social colocava a Europa no ápice do desenvolvimento social humano, enquanto a África e a Ásia eram consideradas sociedades primitivas. Tudo isso teve consequências desastrosas, incluindo a Primeira e Segunda Guerra mundial. Além de promover a desestruturação das culturas africanas e asiáticas, muitas das guerras civis contemporâneas e grande parte dos problemas socioeconômicos que afligem os países que integravam os antigos impérios coloniais têm íntima relação com a ação imperialista.

O Neocolonialismo Norte Americano teve início em 1933, com a política da boa vizinhança. Era a nova forma do capitalismo americano, elaborada por Rosevelt na época em que a Alemanha Nazista tentava ganhar simpatia das oligarquias latino-americanas. Com a política da boa vizinhança Rosevelt tinha como objetivo fortalecer o regime ditatorial da América Latina, mantendo guardiões muito bem pagos, em detrimento das organizações operárias e sindicatos. Além disso, a política da boa vizinhança visava também à exploração de minerais e uma relação completa de suas possíveis quantidades e localização.

Mas como ‘tudo e todas as coisas’ responde sempre numa relação de Oitava, em comunhão com a Lei de Três, a América já começa a dar sinais de decadência. Muito antes da decadência financeira, expressa sinais de decadência moral, ética, humana e social. Basta observar o desrespeito aos valores sociais e humanos dos outros povos, o desperdício e insensatez a Gaia: 40% dos alimentos da América vão para o lixo. Esse excedente fétido é a fome da Somália, somada a outras partes do mundo. Lembre-se que a história é cruel com os impérios, quer sejam declarados ou acobertados pela hipocrisia de seus líderes.

A pobreza que assola a África, Ásia e América Latina é fruto desse desejo incontido de domínio e poder do colonialismo e neocolonialismo. A miséria do mundo clama por justiça àqueles que a causaram. Não esqueça que pensamentos e sentimentos são unidades vivas de reverberação. O Centro Instintivo de Gaia armazenou todas as informações e reagirá em cadeia, frente ao desrespeito a todos o s seres sencientes do Planeta. O gigante já deu seus primeiros sinais de fragilidade, enquanto a Europa tropeça por si mesma. O Império dá sinais de decadência, os sintomas são os mesmos e o modo de reação a eles não difere em nada dos anteriores.

Não é necessário ser um Homem de Conhecimento para observar os sinais evidentes de deterioração de todo o sistema. Todo poder é apenas aparente e circunstancial. O poder sempre foi e será o prenúncio do fim. Ninguém pode represar as riquezas de Gaia, sem com isso incorrer em grave erro. O universo é inteligente e equilibrado e tentar alterar esse estado em proveito próprio é a maior ingenuidade do homem civilizado. Observe a Si Mesmo e verá com os seus próprios olhos.

Que assim seja!

167 – Tributo ao Lobo de Riding

In Artigos on 31 de julho de 2012 at 0:04

O Verdadeiro Conhecimento deveria estar todo ele contido nos Textos Sagrados, mas não é assim que acontece. O Criador é sábio o suficiente para antecipar o egoísmo e intransigência do homem, seu orgulho e vaidade quando de posse daqueles manuscritos. Temos então, que levar em conta a Tinta Fogo Branca, ou seja, os intervalos entre letras, frases e parágrafos inteiros. É o contorno, que ao limitar permite a expressão de símbolos em forma de pensamentos. Aquilo que não está escrito é em número muito superior ao que alguém escreveu. Muitos são convidados a expressar a verdade e alguns o fazem em poesia, prosa, filosofia e arte, enquanto outros  utilizam a religião. É preciso não esquecer que o homem Jesus, muito antes de ser uma entidade religiosa é um poeta, filósofo e místico. O meu primeiro alimento à alma de um adolescente inquiridor foi enriquecido pela matemática, física e por dois talentos inigualáveis Schopenhauer e Wilde. A este último venho dedicar esta página, além da sua efígie que trago à cabeceira.

“MAS A BELEZA, A VERDADEIRA BELEZA ACABA ONDE COMEÇA A EXPRESSÃO INTELECTUAL. A INTELECTUALIDADE É EM SI MESMA UM MODO DE EXAGERO E DESTRÓI A HARMONIA DE QUALQUER ROSTO. REPARE NOS HOMENS QUE TRIUNFARAM NAS PROFISSÕES INTELECTUAIS. COMO SÃO, DE FATO, HEDIONDOS! EXCETO, NATURALMENTE, NA IGREJA. MAS, NA IGREJA SIMPLESMENTE NÃO PENSAM.”

Chamou-nos a atenção o fato de o exagero concentrado no Centro Intelectual (art. 102), com certeza na parte baixa desse Centro, ser tão compulsivo a ponto de desfigurar a singular expressão do rosto. Atente para o fato que um bispo repete aos oitenta anos aquilo que lhe foi imposto aos dezoito, portanto é natural que tenha uma tez envelhecida e tristonha. O seu ato repetitivo é uma atitude mecânica, expressão de uma fé cega e serviçal em função dos valores vigentes. Portanto, qualquer fulano que apareça nos círculos dominantes falando a respeito de ‘Uma nova maneira de pensar’, com certeza, não será bem recebido. Este inusitado tocador de trombetas pode romper as muralhas de Jericó e possibilitar o êxodo das ovelhas cativas. Não sei a razão, mas sempre me senti pouco à vontade diante de um redil.

“TODO RETRATO PINTADO COM SENTIMENTO É UM RETRATO DO ARTISTA, NÃO DO MODELO. O MODELO É SIMPLESMENTE O ACIDENTE, A OCASIÃO. NÃO É ELE QUE O PINTOR REVELA; QUEM SE REVELA SOBRE A TELA COLORIDA É O PRÓPRIO PINTOR.”

Meu Deus! Não revelo nunca o meu íntimo a ninguém. Nem os convenço a respeito das coisas e pessoas que amo. Não revelo o meu segredo, pois aprendi a amá-lo. Se o revelasse teria que renunciar a ele. Tudo que escrevo são fragmentos de mim mesmo, mas nunca minha totalidade. Não posso me projetar por inteiro na tela dos seus pensamentos, pois estaria colocando nua a minha própria alma. A forma humana (art. 042) é a expressão da mente que a projetou na tela da vida. É reveladora da mente que a criou e só passa a ter vida própria em comunhão com aquele ser do qual foi gerada. Costumo dizer que Deus é o artista que mais admiro, sua arte é inigualável em qualidade, criatividade e sensibilidade. Dentre os seus quadros aquele que mais aprecio é ‘o mar ao entardecer’.

“UM HOMEM DEVE DAR TODA IMPORTÂNCIA À ESCOLHA DOS SEUS INIMIGOS. ELES ACHAM QUE A EMBRIAGUEZ, A IGNORÂNCIA E A IMORALIDADE DEVEM SER PROPRIEDADE SUA E, SE ALGUM DE NÓS INCORRE NESSES DEFEITOS, É COMO SE INVADISSE OS SEUS DOMÍNIOS”.

Dar importância à escolha dos inimigos! Alguns são destaques especiais dentro dos limites da prioridade: o orgulho e a vaidade. São potenciais e se alimentam da identificação e imaginação, pois trazem em si a embriaguês dos sentidos, a ignorância em relação ao Eterno e a imoralidade de suas próprias convicções. Não há orgulho mais nocivo que o orgulho do devoto e não há vaidade que não seduza e nos leve ao imaginário. Quando o domínio da razão sente em si mesmo a presença do abstrato retrai como se buscasse a segurança de um casulo. A razão é do tamanho de um grão de arroz, enquanto o abstrato é um estômago vazio.

“O VALOR DE UMA IDEIA NADA TEM A VER COM A SINCERIDADE DA PESSOA QUE A EXPRESSA. POR ISSO UM ARTISTA DEVE CRIAR COISAS BELAS, MAS NÃO DEVE BOTAR NELAS NADA DA SUA VIDA, SENÃO PERDEMOS O SENTIDO DO ABSTRATO, DA BELEZA.”

A ideia do abstrato, do conhecimento com o ser é um ponto importante de reflexão. A ideia em si existe e responde por si mesma. Uma ideia está acima dos preconceitos, não interage com eles, nem está a seu serviço; do mesmo modo que pode coadunar ou não com a tradição. Quando uma ideia é a manifestação do belo e está a serviço da arte não pode trazer os escombros e deformações da mente do artista. Apenas o abstrato, sendo este o reflexo do seu Emocional Superior. Nenhum artista pinta intelectualidade na tela do improviso. A mente é ativa na forma, mas o informe nasce a partir do coração.

“A FINALIDADE DA VIDA É O SEU DESENVOLVIMENTO PRÓPRIO. REALIZAR COMPLETAMENTE A PRÓPRIA NATUREZA É O QUE DEVEMOS BUSCAR. INFELIZMENTE, AS PESSOAS TÊM MEDO DE SI MESMAS. ESQUECERAM-SE DO MAIS ELEVADO DE TODOS OS DEVERES: O DEVER PARA CONSIGO MESMAS. PREFEREM ALIMENTAR O FAMINTO E VESTIR O ANDRAJOSO. DEIXAM, CONTUDO, QUE SUAS ALMAS MORRAM DE FOME E ANDEM NUAS.”

Meu pequeno Wilde! Quem me dera abraçá-lo! Poder dizer o quanto o amo e sou grato por ter me conduzido pelas mãos ao mundo dos valores reais. Como podem os preconceitos de uma época levar ao Cárcere de Riding o talento e o abstrato? Assim também é hoje quando entidades adormecidas preferem atitudes externas e ocasionais aos verdadeiros valores de uma vida. Esquecemos a lição de casa: A Lembrança de Si Mesmo. A verdade nos abandonou ou quem sabe nunca a tenhamos realmente conhecido. Trago no coração o inconformismo de um martírio ao ver o mais precioso bem de um homem sob o domínio insano de uma fé cega, preconceituosa e arbitrária, uma gama imensa de falsos valores em nome de Deus. Preferimos alimentar o faminto e vestir o andrajoso a observar a nós mesmos. Este é o artifício que encontramos para manter nossos castelos de ilusões. Ilusões de muitas vidas, enquanto perdemos o milagre do AGORA.

“SOMOS CASTIGADOS POR NOSSAS RENÚNCIAS. CADA IMPULSO QUE TENTAMOS ANIQUILAR GERMINA EM NOSSA MENTE E NOS ENVENENA. PECANDO O CORPO SE LIBERTA DO PECADO, PORQUE A AÇÃO É UM MEIO DE PURIFICAÇÃO”.

Quanta coragem! Quanta audácia! É preciso ser um ente mágico ou insano para fazer proliferar tais ideias na Inglaterra do Século XIX. A era dos preconceitos começou a ruir na arte plena do artista; na alma pura de um sacerdote do acaso; nas mãos de um homem que desafiou todos os ditames da razão. A renúncia de si mesmo é a desgraça do próprio homem, é ausência de si mesmo. Todo aquele que renuncia às paixões em nome de Deus é covarde, mas aquele que é capaz de ver Deus como uma enorme paixão é prudente. A paixão pertence ao AGORA, ninguém vive intensamente uma paixão no passado ou futuro. Quando nos ausentamos de nós mesmos por medo ou omissão o inconsciente guarda slides que serão projetados no futuro. É no pensar ausente e no coração de um homem triste que tem lugar os maiores pecados do mundo. Atitudes libertam, enquanto a resistência preconceituosa deixa a alma doente. Cristo jamais condenou, quem condena é a Igreja que artificialmente foi criada em seu nome.

“NADA PODE CURAR MELHOR A ALMA QUE OS SENTIDOS, E NADA PODE CURAR MELHOR OS SENTIDOS QUE A ALMA.”

O Lobo são os sentidos, Gaia, instinto, alma da Terra. O Cordeiro é a alma do Céu, repleto de estrelas, firmamento, luz. Mantê-los indenes é a maior façanha de um Guerreiro Sonhador. Liberdade é caminharmos lado a lado em direção ao desconhecido. Além daquela curva ninguém pode dizer com certeza o que nos espera, mas vale a pena aventurar-se mesmo que o destino seja a morte.

Que assim seja!

166 – Consequências

In Artigos on 29 de julho de 2012 at 21:59

Consequências apontam para uma reflexão mais objetiva e menos julgadora. A experiência humana é marcada por consequências e pela constante correção das intenções à medida que se concretizam em contato com a realidade. Nossa capacidade em administrar consequências induz a uma tomada objetiva de decisões. Há de convir ser muito mais prático conduzir uma ação, que reagir de forma inusitada e recomeçar. Quando recomeçamos, além do tempo perdido em causas anteriores temos que arcar com todas as consequências de um recomeço. É natural que seja assim, pois nossa configuração energética pode nos induzir aos mesmos erros. Toda consequência interage com a realidade, sendo formadora de cultura tanto moral como ética, pressupõe práticas que possibilitam o auto-reconhecimento do erro, evitando a sua disseminação inter gerações.

Existe uma relação direta entre nós como indivíduos e o mundo à nossa volta. Toda consequência é reveladora de atitudes, pois sem uma reflexão sobre a vida e seu sentido quase sempre criamos transtornos irreconciliáveis. A ESCOLA aponta a identificação como o agente que possibilita o maior número de consequências, afinal sem estar identificados não podemos sequer avaliá-las. É a ignorância que nos induz a dormir e sonhar, sendo assim nossas atitudes despretensiosas acabam criando um arsenal de consequênias imediatas. Outro agente em potencial é a imaginação que implode em consequências, quando em contato com a realidade. Polos aparentemente inofensivos podem ser condutores de consequências, bastando para isso um leve dano emocional, ou alguma discórdia casual. O círculo exotérico, ou círculo da confusão das línguas é um disseminador de consequências.

O poder e as posses oriundas e geradoras do poder demarcam demagogias e ilusões. Somos aquilo que reagimos e reação é consequência. Somos aquilo que acreditamos ser e por extensão a consequência imediata das ações às quais nos entregamos. Reconhecemos, portanto, além da importância da alma, seu caráter e evolução, a própria realidade do corpo, atitudes para com ele e consequências. Sabemos ser difícil lidar com artifícios que desvalorizam o sentido, corroem tempo e valor, criando insatisfação e disseminando dúvidas. Toda dúvida é geradora de consequências, enquanto a insatisfação a nutre nos bastidores. Uma consequência nem sempre é linear, pois responde segundo a Lei de Oitava. Sendo assim, podemos estar vivendo consequências cujas sementes vêm germinando à séculos, ou plantando outras que servirão de farol às gerações futuras. Consequências são atemporais, mas não é fácil ver e compreender isso.

A ESCOLA tem um importante papel ao colocar limites às necessidades artificiais do homem e aos métodos utilizados para satisfazê-las, bem como ao chamá-lo à responsabilidade convidando-o a despertar. Toda consequência impõe necessidades de correção imediata, mas também deixa sequelas. As consequências quando geradas pelo uso indevido da palavra podem atravessar séculos e induzir milhões ao erro. Consequências respondem como tudo mais à Lei das Três Forças e como tais não estão isoladas de um contexto mais amplo. Uma atitude impensada aqui e agora pode comprometer outras pessoas em continentes distantes. Fios ou elos invisíveis fazem com que atitudes pretensamente isoladas deixem de ser.

Preservar tem como significado evitar possíveis consequências geradas pelo uso indevido e continuado de recursos, quer sejam naturais, emocionais ou de cunho intelectual. O pensamento moderno com suas teorias exacerbadas é tão autodestrutivo quanto estados emocionais crônicos. Preservar valores, produzir capital social e responder de forma consciente às necessidades imediatas não é pouca coisa. É preciso estar consciente dos limites à própria riqueza como um referencial à pobreza. Existem limites impostos à utilização e distribuição de energia que quando administrados de forma irregular causam consequências desastrosas. Energia é vista aqui como uma capacidade de realizar trabalho, portanto, uma fonte de riquezas que, quando represada, pode gerar tanto inundações quanto escassez, com consequências desastrosas ao social e humano.

O corpo necessita de instrução e elevação. Vamos traduzir numa linguagem de ESCOLA: O Lobo necessita de instrução e elevação. Mas não pode fazê-lo por si mesmo. Necessita do corpo e suas unidades temporais para que venha a existir como Cordeiro, ou unidade atemporal. Exorcizá-lo, volto a repetir é a maior ignorância da humanidade. Compreenda: a alma não necessita de elevação espiritual uma vez que é pura. É o corpo físico, ou seja o templo do Lobo Cativo que precisa ser purificado. Manter indenes o Lobo e o Cordeiro é o maior ritual de magia já ofertado à humanidade. Não realizá-lo na prática objetiva do dia a dia é uma ofensa à inteligência emocional do cosmos. Chama-se ausência de si mesmo e implica consequências.

Enquanto o ciclo de experiências repetitivas do Lobo e suas consequências ficam saturadas num patamar de respostas subjetivas, desqualificadas e inoperantes, as experiências do Cordeiro sofrem sob o fardo da mentira, identificação e imaginação. Um prenúncio de liberdade exige de cada um abraçar a causa, tanto do bem quanto do mal, que foi aleatoriamente adicionada à nossa vida. À primeira transmutamos ao despertar desse sono letárgico e à segunda asseguramos com consciência e objetividade. Não é necessário ter fé para alcançar esse estado, basta confiança e entrega absoluta. É um processo que não necessita de ismos, é independente de qualquer doutina, seita ou religião.

Tanto o Lobo quanto o Cordeiro fazem estudos objetivos do comportamento humano e suas consequências. O primeiro pelo instinto de preservação de si mesmo, do seu habitat e da sua prole. O segundo o faz  para o despertar da consciência cósmica, inocência e mansidão. Aquele que ainda não aprendeu a lidar com o Lobo não pode sequer antecipar uma relação direta com o Cordeiro, nem ao menos imaginar isso. Vou ampliar um pouco mais o horizonte de nossas afirmações dizendo que o Lobo luta bravamente para cumprir a sua missão dentro dos limites de Gaia, enquanto o Cordeiro arregimenta seus obreiros, pois sabe que há um limite exato de tempo e se um número mínimo deles não estiver apto no momento decisivo todo o nosso Raio de Criação se resumirá novamente no caos da existência. Este tempo existe com a exatidão de um relógio objetivo, nem um segundo a mais, nem a menos. O universo é vivo, inteligente e interativo. Tudo irá se consumar.

O enriquecimento do corpo, ou sede instintiva de Gaia, o próprio Lobo, só encontra limites no enriquecimento da alma, céu ou Cordeiro. Um não pode alcançar a evolução sem o outro, enquanto o outro não pode confirmar o seu propósito sem a presença constante desse um. Por isso dentro dos limites cósmicos da Terra o Pai mata o novilho gordo para o Lobo, pela autenticidade e coragem de sua atitude. Mas ao Cordeiro ainda despreparado, apenas lamenta. Aquele que desceu ao Inferno e retornou triunfante, sem julgar nem condenar nenhum dos seus é tão importante quanto aquele que venceu a morte e subiu aos Céus. É importante dizer que o Lobo é a expressão máxima do agora, portanto, sua riqueza maior não pode ser uma oferenda no futuro. O Lobo não acena com salvação e eternidade. Não é possível a Gaia criar uma abundância futura para uma escassez que ainda não existe. Isso significaria limitar sua realidade a um consenso comum, onde o Lobo, seu habitat e sua prole deixariam de ser um ativo real no agora. Quando tenho fome, como; quando tenho sede, bebo: quando tenho sono, durmo. É simples assim, é real.

A melhor maneira de preservar a si mesmo e aos seus é respeitando a natureza que nos rodeia e acolhe. Significa sustentar a si mesmo e à espécie com carinho e zelo. Quando interagimos no sentido de descongelar mais que o necessário, geramos conseqüências imediatas e futuras. Cuidado com o que faz do lucro de suas ações, pois apesar de ser Senhor do ouro e da prata o Lobo ainda prefere uma Loba no cio. Ele é o poeta que canta odes ao luar. Todo lucro antecipado no agora pode ser um prenúncio de prejuízo amanhã, por isso devemos reavaliar o nosso conceito de riqueza e poder. Diz-nos a ESCOLA que o lucro, sendo um diferencial de classe e poder, representa trabalho desperdiçado. Aquele que vive em função do lucro está identificado com ele, com sua fonte inesgotável de angústia, medo e aflição. Obstinação, vitória e conquista não condiz com o equilíbrio inteligente. A riqueza do Alto está numa relação direta com o uso racional da terra, sua distribuição e utilização não predatória. Dar é a forma mais inteligente de receber. Gera benefícios e não incentiva conseqüências.

Segundo a Tradição rico é aquele que adquire maior qualidade de vida, sem gerar escassez para o outro, nem para o cosmos. Além disso, há conseqüências que quando sugeridas transformam riqueza cósmica em represália a si mesmo, à Terra e ao outro.

Que assim seja!

165 – O poeta e o mendigo

In Artigos on 10 de junho de 2012 at 20:16

Semi-nua a lua deslizava sonolenta naquele céu entrelaçado de cordéis, enquanto um imenso harém de estrelas vadias, ainda sedentas de amor, piscavam aos transeuntes à espera de um beijo. Reflexos reluzentes e afoitos acolhiam a alma da noite nos confins daquele convés adormecido: velas ao vento, rumo desconhecido, cortinas aveludadas de um negro azul, rompidas pela nau dos sonhos. O cenário perfeito para o enlace profano de uma alma errante.

… COM SEUS CESTOS DE PÃES E OLHAR TRISTONHO ELES VAGAVAM À PROCURA DE UM CORPO FAMINTO.

Ao longe, próximo ao regato ouviu-se o pio de uma coruja, acompanhado de outro, com suave flagrância de enxofre no ar. Passos de lagarto, paradas bruscas, sorrateiras, olhou ao redor e pode ver apenas dois olhos ocultos na escuridão. Navegar estrelas no mar revolto do ocaso é como adormecer no divã de um psicanalista. Sonhar eternidade, sem ter os pés no agora.

A DOR, A MISÉRIA E A FOME SÃO CRIAS DE UMA MENTE INSANA, QUE NECESSITA DELAS PARA SACIAR-SE A SI MESMA.

Com sua flauta de ossos humanos um vulto coberto de cetim confundia-se com o tecido amarelo daqueles negros sorridentes, fazendo ressoar tambores de cobre. Outros levavam ao ombro jarros de barro e os depositavam sobre esteiras vermelhas. Ainda outros, esquálidos, usando turbantes, sopravam um som monótono em sua flautas de junco.

ENQUANTO ELES RECURVADOS SOBRE A MESA ELEVAVAM PRECES AO SEU DEUS, CLAMANDO PELO MORIBUNDO.

Alheio a tudo isso o poeta nu desfilava sua miséria num rosário de conchas à beira do rio. Contemplava o reflexo das estrelas e as acariciava com os olhos. Seu único alento eram cabaças pintadas, repletas de desilusões, dor e martírio, que quando sacudidas emitiam um som latente e contínuo. Sentinelas empoleirados nos galhos de um ipê amarelo testemunhavam seu divâ ingrato e ao mesmo tempo poético.

…ENQUANTO ELES ABRAÇAVAM O CÍRCULO CATIVO DE SUAS DOUTRINAS, NUM APELO DRAMÁTICO DE SALVAÇÃO.

Arrumava, desarrumava e remexia em seu estojo de madeira as pedras preciosas da razão. Observou o crisoberico verde-oliva, o cimofânio de faixas prateadas e os topázios cor-de-rosa e de vinho amarelo. Tinha o suficiente para viver a devassidão durante um século, mas escolheu se ver nos peixes que sonhavam a madrugada. A sensatez do poeta, sua forma plena e simples era um contraste à peocupação revelada nos olhos aflitos daquele círculo de aprendizes.

RECOLHEM O EXCEDENTE FÉTIDO DE SUA MESAS PARA APLACAR A MISÉRIA DE UMA PROCISSÃO AFLITA, ENQUANTO MANTÊM EM LUGAR SEGURO O NECESSÁRIO PARA QUE NADA LHES FALTE.

Os súditos galopavam em seus cavalos de crista marron-acinzentado, o rei acariciava seu colar de rubis. Era noite de coroação num reinado distante, numa primavera frondosa. Convidado o poeta se absteve, pois já havia se comprometido com as borboletas e rouxinóis. Foi lhe oferecida uma casula cor de âmbar, realçada com fios de prata e contas de vidro coloridas, mas preferiu se vestir  de estrelas, com fios azuis de um celeste negro.

ABRAÇADOS AOS SEUS CESTOS CONTINUAVAM CAMINHANDO ANSIOSOS POR AVISTAR ALGUM PEDINTE.

Ao lado daquele retrato poético da noite estava o baton que comungava lábios finos de uma elegância nua vestida de preto. Viu-se por um momento diante de sedentos lábios cor de vinho, o que o fez revestir-se de paixão. A noite lhe sorria com seu vestido solto de bacante. Folhas de parreira eram jogadas ao lançar seus cabelos ao vento. Quanto prazer no ocaso! Quanta paixão incontida no divâ do poeta. Mas por um instante o colorido antes frondoso esmaeceu, restando apenas um sorriso pálido de bromélias cálidas.

AO LONGE, LÁ ESTAVA ELE: O MENDIGO. GRAÇAS A DEUS! DISSERAM.

O poeta teve sua efígie queimada em Roma por ser inimigo de Deus e dos homens, mas o seu espírito navega luas douradas na mansidão do martírio.  Suas veias escarlates são o salvo conduto de um vinho vermelho, repleto de ternura e paz. Preces lhe acenam do mundo inteiro, mas ele apenas as traduz em gratidão, poesia e flor. A verdadeira prece vem da Terra, seus frutos, sementes e pão. A tez magenta do poeta ainda reflete espinhos de uma coroa insana, enquanto suas mãos perfuradas apontam a imensidão dos rios, lagos, fontes e igarapés.

FINALMENTE, EIS AÍ O LEGADO DE SEU PROPÓSITO: O MENDIGO. EI-LO DIANTE DOS CESTOS A OBSERVÁ-LOS. TOCOU-OS LEVEMENTE, COMO O ORVALHO OSCULA A FLOR. E PERGUNTOU: PARA QUE SERVEM?  AO QUE ELES RESPONDERAM: PARA APLACAR A FOME DO MORIBUNDO. ENTÃO, PEGOU UM DOS PÃES, LEVOU-O ATÉ À BOCA, MAS SE LIMITOU A TOCÁ-LO LEVEMENTE COM OS LÁBIOS.

O poeta maltrapilho levantou-se e os convidou a caminhar. Os pães foram jogados à margem do caminho e o cesto deixado ao relento. A partir dali, longe da identificação e do imaginário seriam pescadores de estrelas.

A TERRA ENCHERIA OS CESTOS QUANTAS VEZES FOSSE NECESSÁRIO, BASTANDO AO HOMEM APRENDER A REPARTIR.

Então, o fascínio da noite os envolveu e isentos de preocupação descobriram em si mesmos a concepção de sua própria beleza interior.

Que assim seja!

164 – O Novo Testamento

In Artigos on 26 de maio de 2012 at 16:17

A ideia de ESCOLA ou Verdadeiro Conhecimento ocupa um lugar muito importante na cultura Cristã, principalmente no Novo Testamento, se o compreendemos corretamente. Tanto os Atos dos Apóstolos quanto as Epístolas possuem um peso específico diferenciado dos Evangelhos. Podemos afirmar que os Evangelhos foram escritos numa linguagem acessível a poucos, pois é necessário possuir um Centro Magnético capaz de assimilá-los.

Por mais inteligente e educado que um aprendiz possa ser, no sentido natural da palavra, ele não os compreenderá sem indicações especiais ou conhecimento de sua origem e tradição. A interpretação primitiva difere em vários pontos da atual devido à falhas na tradução e também por influência direta da cultura onde está inserido. Podemos salientar também que os quatro Evangelhos são a única fonte a partir da qual sabemos de Cristo e de seus ensinamentos, pois é praticamente impossível reconstruir a partir das Epístolas a personalidade de Cristo, o drama ou a essência de seu ensinamento.

As Epístolas dos Apóstolos, principalmente as do Apóstolo Paulo são a base sobre a qual foi edificada a Igreja. Diria que são uma adaptação dos Evangelhos à prática, sua materialização e apicação à vida cristã, não sem antes sublinhar que essa adaptação se contrapõe em vários pontos à ideia original. Diria até que foi a partir das Epístolas, não sem antes chamar a atenção para a inexatidão da tradução do próprio Evangelho, que o Verdadeiro Conhecimento iniciou o seu legado de imprecisão e falso compromisso com a verdade.

Os Atos dos Apóstolos, tanto quanto as Epístolas, tornou possível à Igreja que tem por base as Epístolas estabelecer uma conexão com os Evangelhos. Por outro lado, alguns cristãos não satisfeitos  com o desenrolar de todo aquele processo procuraram refúgio em algumas Irmandades muito antigas, com o compromisso de preservar a essência do ensinamento. Esses grupos de alguma forma não apenas preservaram a autenticidade do ensinamento, mas em contato com sua fonte original o enriqueceu com a verdade oculta em sua origem. A uma dessas Irmandades eu carinhosamente chamo de ESCOLA e a um de seus mestres dei o nome de ‘O Colecionador’.

Historicamente, o papel principal na formação do Cristianismo não foi um legado particular do próprio Cristo, mas uma iniciativa corajosa do Apóstolo Paulo. O Cristianimo da Igreja contradisse o Verdadeiro Conhecimento desde a sua origem. Posteriormente, houve uma dissidência tão grande de valores que pouco restou de sua tradição. Coube no Século XII ao pequeno Francisco, da cidade de Assis, chamar a atenção da Igreja para um retorno às suas raízes, mas tudo não passou de chuva de verão, pois rapidamente foi legado ao esquecimento. Mesmo antes de sua morte a sua obra já estava destinada ao fracasso.

O que vou lhes dizer agora usando a reflexão de P. D. Ouspenski é que se Cristo nascesse nos dias de hoje não só não poderia ser o chefe da Igreja  Cristã, mas provavelmente não seria sequer capaz de pertencer a ela. Nos períodos  mais brilhantes de força e poder da Igreja teria sido, com certeza, declarado hereje e queimado na fogueira da inquisição. O que não difere tanto assim não é mesmo? Entre morte de cruz ou fogueira fica realmente difícil escolher. Digo sem medo de errar que se o Cordeiro em Essência, Verdade e Vida adentrasse os cultos para fazer valer a sua Verdade, seria queimado pela mídia em questão de semanas. Já com o Lobo é diferente ele sutilmente já fez sua morada lá. É na identificação, imaginação e serviço ao ego que o Lobo cria sua base de sustentação ao Cordeiro.

O Novo Testamento, assim como o contexto do ensinamento Cristão não pode ser considerado como um todo. São apenas fragmentos de um conhecimento muito mais amplo e específico. Precisamos ter em mente que os cultos dos dias atuais se divorciaram de uma forma tão incisiva da Tradição que praticamente nada restou do próprio Cristo. Até porque Deus jamais se prestou à condição de uma culto, muito menos de um culto de adoração. Os Cristãos estão adorando o seu eu imaginário para manter o pequeno e intocável mundo de suas posses. Deus é a maior aquisição do Cristianismo, algo assim como uma bengala ou artefato que possibilite a sua locomoção. Outrossim, não é possível de modo algum falar em países cristãos, nação cristã ou cultura cristã, todos esses conceitos têm apenas conotação histórico-geográfica.

O Novo Testamento é um livro muito estranho. A princípio parece ser simples, mas é extremamente complexo. Está escrito para aqueles que já possuem um certo grau de compreensão, ela é a chave para o seu entendimento. Como diria Pitágoras: Ele é um livro cheio de fórmulas, expressões próprias, referências subentendidas somente aos iniciados, alusões a números e procedimentos não acessíveis ao homem ordinário. A sua literalidade é facilmente acessível aos incultos e inconsequentes, mas o seu espírito não aquiesce a mente do vulgo. O Novo Testamento é a ponte para o sempre, mas a travessia é inacessível àqueles que usam a razão como expressão. Só o amor pode cavalgar aquelas páginas arredias.

É evidente ser ele um condutor de conteúdos emocionais, e se o nível de ser de um homem não for compatível com o conhecimento ali enunciado não o compreenderá. Também fica claro que todos temos estados emocionais oscilantes, portanto, podemos compreeneder algo pela manhã e não sabermos mais nada a respeito à noite. É importante lembrar que as atitudes são reveladoras de intenções, assim cada um se manifesta pela maneira que o lê, pelo que compreende dele, pelo que deduz daquilo que leu e pelo que põe em pratica. O Novo Testamento é um diferencial de conduta para os Cristãos. Conhecê-lo tira todo e qualquer direito de posse ao seu conteúdo. E quando a partir da palavra o julga superior à tradição e cultura de outros povos é porque nada aprendeu à cerca daquilo que ensina.

Em cada um dos quatro Evangelhos há conteúdo suficiente para a transformação da mente, corpo e coração do homem. Está corroborado por conhecimentos de uma Mente Superior e ilustrado por uma profunda compreeensão da alma humana. A maneira como o lê, o que consegue extrair dele, por aquilo que deixa de extrair, ou pelo simples fato de não o ler, não se interessar ou até ignorá-lo completamente fica exposto o seu nível de ser, seu conhecimento e compreensão. Ele é um instrumento revelador do quanto estamos presentes, ausentes, vulneráveis, fortes ou aflitos. Suas páginas são repletas de magia, mas é preciso Lembrar-se de Si Mesmo para velejar suas águas.

Que assim seja!

163 – Arte de mentir

In Artigos on 21 de maio de 2012 at 20:51

Existem duas formas conhecidas da mentira: mentir a si mesmo e mentir aos outros. A primeira é um estado de sono, onde nem sequer a percebemos, enquanto a segunda envolve uma gama imensa de possibilidades, desde manter o ego massageado até a aquisição de alguma coisa que de outro modo não estaria ao nosso alcance. De qualquer forma a mentira será sempre a atenuante de um estado de carência interior de valores.

Em ambos os casos a mentira é sempre auto-destrutiva. Sendo a essência a própria expressão da verdade inerente ao ser, o mentir contrai a essência e expande a falsa personalidade. A essência é a parte divina no homem e sua contração não condiz com o propósito evolutivo para o qual fomos criados. Um mentiroso não pode evoluir além do limitado mundo daquilo que ele mesmo chama de razão. Há sempre uma justificativa imaginária por detrás da sua atitude. A ESCOLA diz que somos uma imensa legião de eus, muitos dos quais nem sequer se conhecem. Diz também que esses eus se agrupam segundo semelhantes, possibilitando assim a formação de personalidades e subpersonalidades, ou seja, certos traços de caráter que possibilitam determinados comportamentos, entre eles o mentir. Portanto, não é tão simples mudar esse estado, pois mentimos inclusive quando temos plena convicção de estar dizendo a verdade.

Os eus que justificam a si mesmos têm uma relação direta com a mentira, portanto, impor justificativas, na maioria das vezes, não é uma atitude conivente com a verdade. O artifício das teorias foi criado como um pilar de sustentação da mentira, enquanto que sua prática se não for verdadeira pode nos levar a situações extremamente desagradáveis. O mentiroso é um ansioso compulsivo ou um deprimido crônico. O primeiro pelo simples motivo de uma mentira sempre exigir outra que a justifique e o segundo pelo constante medo de ver sua máscara jogada ao chão. Também podemos dizer que falar sobre a mentira só é possível se usamos como parâmetro a verdade. Por exemplo, nossa criança interior não mente, pois nada sabe à cerca da verdade, por isso suas reações instintivas são autênticas. Talvez a principal característica do Lobo seja a verdade, pois suas reações são instintivas e determinadas pela mentira inerente ao homem. Vale lembrar que o Lobo é sempre reativo.

A herança do mentir humano teve origem somente a partir das dicotomias. Quando lhe foi imposto um sistema arbitrário de valores entre coisas permitidas e outras proibidas, supostamente o incentivaram a mentir. Toda virtude traz em sua contraparte algum tipo de mentira, da mesma forma que todo pecado tem um fundo de verdade. Dentro de uma ESCOLA o mentir significa mentir a si mesmo, portanto, não se lembrar de si mesmo é o modo que encontramos de fugir da verdade. O homem nunca está em casa por temer a si mesmo e à mentira que fez habitar o seu ser (art. 126). Julgar o outro também é uma forma de mentir a si mesmo, pois nos colocamos num patamar superior imaginário.

O mentir a si mesmo não é uma atitude isolada. Quando mentimos envolvemos no processo pelo menos três centros: motor, emocional e intelectual. Mas existem outras tríades que também pode estar envolvidas, por exemplo: os centros instintivo, sexual e emocional. De qualquer forma o centro sexual está sempre envolvido, quer direta ou indiretamente, pois a sua energia está presente em todos os demais centros. É praticamente impossível mentir a si mesmo sem a conivência de células, tecidos e órgãos. Mentir interage com tudo e todas as coisas, portanto, todo o corpo mente. Por isso a ESCOLA classifica zoologicamente o homem como um animal que mente. Todo propósito mentiroso interage com o cosmo, desde células elementares até galáxias inteiras. Desde tenra idade nos ensinaram pelo exemplo ou de forma compulsiva a adquirir coisas fazendo uso da mentira. Desde expressar uma condição de vítima a estados sofisticados de comportamento psíquico.

O propósito da ESCOLA é nos colocar frente a frente com uma nova maneira de pensar, ou seja, pensar por si mesmo, vendo a si mesmo sem o artifício da mentira. Por isso o seu método pedagógico é conhecido como segunda educação: reeducar a personalidade para que se torne passiva, a fim de que a essência seja ativa. Pensar de uma maneira diferenciada significa não sermos tão facilmente reativos quanto somos hoje. Assim podemos impor certa resistência diante das circunstâncias. Deixamos de ser uma resposta condicionada para ser um princípio agregador de valores. Resumindo: deixamos de ser uma mentira absoluta para ser uma verdade potencial.

A mentira corrói a essência, pois esta só pode crescer a partir dos nutrientes da verdade (art. 111). É preciso deixar de mentir a si mesmo antes de ter o firme propósito de despertar. O fingir é uma das piores formas de mentira, pois celebra um acordo sórdido com a imaginação. Imaginamos possuir poderes que não são condizentes com a realidade; razões que não possuem nenhuma autenticidade; além de pressuposições imaginárias à cerca de si mesmo e dos outros. Sonhar que temos asas e nos expor ao sol num vôo pretensioso pode nos levar à triste realidade de Ícaro. A única parte de nós que pode crescer e nos conduzir à senda da evolução é a essência e este objetivo somente pode ser alcançado às expensas da mentira.

Toda instituição, quer seja religiosa, social ou humanitária tem o seu nível de ser definido como o somatório do nível individual dos seus integrantes. Se estes são entidades mentirosas o que esperar das instituições? Por isso que a salvação do homem tem caráter individual, sendo a sua evolução intrínseca ao próprio ser. A audácia de ser verdadeiro passa obrigatoriamente pela coragem de ser só. Preferimos a segurança dos templos por uma razão bem simples: se a totalidade dos seus membros é conivente com a mentira em suas mais sutis formas de expressão é natural nos sentirmos bem à vontade ali. É natural que cada um represente o seu papel em harmonia com o conjunto, caso contrário, não será benquisto pela congregação. As mentiras individuais são corroboradas por um consenso coletivo. Observe e verá que infelizmente o que estou dizendo é uma expressão da realidade. É impossível ver além dos montes, quando se está confinado a um redil (art. 085).

A falsa personalidade é o templo da mentira do homem. É um tributo à imaginação, onde eu imaginário (art. 091) se vangloria em existir e faz morada. É a imaginação do homem que o leva a louvar o seu deus imaginário conivente com o culto da mentira, e exorcizar o Lobo que não condiz com ela. O verdadeiro Deus habita o templo da verdade e pela sua própria natureza divina é tanto luz quanto escuridão, pois é Senhor de tudo e de todas as coisas. O Lobo e o Cordeiro descansam no Altíssimo, pois são a sua descendência de sangue e flor.

O cristão verdadeiro que se alimenta da luz do Senhor sabe que todo culto é gratidão e deve ser realizado no silêncio do lar, com esposa e filhos. É assim o Louvor do Lobo, em liberdade, nas estepes, no silêncio da noite, apenas ele, a lua e sua prole. Todo cristão verdadeiro é sabedor que já recebeu por herança todos os dons, talentos e possibilidades, cabendo tão somente a si administrá-los com coragem e gratidão. Sabe que a verdade habita a sua casa e não lhe pede nenhuma submissão, antes lhe pede consciência e luz. Todos aqueles que rastejam submissos diante do Deus vivo são os fracos, omissos e mentirosos da Terra. Não me alegra ter que revelar isso, mas infelizmente é assim.

Os devotos por sua própria natureza são aqueles que acreditam ‘poder fazer’. Acreditam possuir vontade própria e não vêem que sua suposta vontade é circunstancial, ou seja, a manifestação pura e simples de um desejo, quando a serviço dos seus interesses pessoais. Devoção não é amor e gratidão, mas sim carência de significado. Somos uma legião de eus, qual deles você acredita está impondo aquilo que você chama de vontade neste exato momento? Criamos em torno de nós algo como ‘uma mentira secreta’ e tudo ao redor gira no sentido de torná-la uma verdade, a nossa verdade. Por isso nos fizeram crer que somos leões de Judá, águias, super-homens, entidades vitoriosas, herdeiros do céu, e assim nunca vemos a nós mesmos. Temos medo de observar a nós mesmos e descobrir que somos uma enorme mentira.

SOMOS ENTIDADES MENTIROSAS QUE CRUCIFICARAM A VERDADE.

Como entidades mentirosas, passamos a cultuar a mentira em nome da verdade. Deus é verdadeiro, mas o culto dos homens é uma grande mentira. Hoje aquela verdade tomou a forma de um Lobo que não é condizente com a mentira, pois não traz no sangue a misericórdia, nem a compaixão. Este mesmo Lobo fareja toda a terra em busca dos submissos, que rendem glória a si mesmos nos templos da razão pura. Mas ainda não conformados em ter crucificado o Cordeiro tentam aniquilar a sua contraparte: O instinto de Gaia, a alma da Terra.

O devoto dorme e não vê que somos autômatos, que nossas respostas são impostas de fora. Não vê que o outro é quem determina quem somos, independente desse outro ser uma cultura, tradição, religião ou outra pessoa. A mentira tomou a forma de uma cultura: é preciso mentir para sobreviver. A mentira impõe papéis, cumpre a cada um de nós representá-los. Temos um para o nosso ambiente de trabalho, outro quando estamos na presença dos amigos, outro na congregação religiosa e ainda outro quando adentramos a porta de nossa casa. Mas em cada um de nós habita a VERDADE. No mais recôndito de nosso ser existe ALGO REAL E ESQUECIDO. Por isso a ESCOLA não se cansa de dizer: OBSERVE A SI MESMO. Observe as formas sutis de mentira que tomaram conta de cada um de nós. Se conseguirmos, nem que seja por um só instante, lançar sobre ela um facho de luz fugirá às pressas e pensará duas vezes antes de retornar. O comportamento da mentira individualmente como entidade em nada difere do comportamento humano; sente-se envergonhada toda vez que se vê exposta.

NOSSO MAIOR PROBLEMA EM DESMASCARÁ-LA É QUE NOSSAS MÁSCARAS CAEM JUNTO COM ELA.

Então, nos sentimos envergonhados como se estivéssemos completamente nus diante de Deus, e corremos a procurar uma folha de parreira para ocultar a verdade.

Que assim seja!  

162 – Tirania do controle

In Artigos on 20 de maio de 2012 at 14:27

PORQUÊ É TÃO DIFÍCIL CONTROLAR ESSA INSENSATEZ OU DESEJO INCONTIDO DE DECIDIR SOBRE AQUILO QUE É MELHOR PARA O OUTRO?

A ESCOLA vê os conselhos como uma insanidade espiritual ou atitude de arrogância pessoal, quando insistimos em antecipar o futuro do próximo tendo como parâmetro aquilo que julgamos ser o nosso melhor agora. Todo julgamento passa obrigatoriamente pelo pressuposto de uma superioridade, quando na verdade é apenas uma fuga. Tentamos acobertar nosso orgulho e vaidade impondo uma falsa imagem de humildade ao outro. O universo dos homens adormecidos projeta sombras. Geramos uma enorme incapacidade de ver além do denso véu das justificativas. São exatamente estas mesmas justificativas que fizeram de nós herdeiros da racionalidade. Em resumo: temos respostas aparentemente objetivas para todas as indagações, sem sentir que basta mudar o foco incidente das circunstâncias para que as respostas projetem o contrário das assertações.

QUANDO IMPOMOS CONTROLE AO OUTRO  ESTAMOS NA VERDADE JUSTIFICANDO LIMITES IMPOSTOS A NÓS MESMOS.

A perfeição não tem limites. É uma busca incessante, além do perfeito e eterno o homem sempre sonhou ser Deus, por isso o alimenta na imaginação. A ESCOLA reconhece o seu melhor, onde e em que situação esteja não importa, ela o vê  e o convida a despertar. O melhor de Saulo era ser um centurião romano, até que na estrada de Damasco despertou e viu além. O melhor do assassino é sua arte de matar. É necessário apenas que altere o propósito, matando o ódio e o desamor que alimenta na alma e no coração. É preciso não esquecer que ostras nascem do lodo antes de gerar pérolas finas. Ir além dos limites da imposição significa deixar de impor ao outro a logística imperfeita das atitudes preconceituosas. Dar asas é poder voar e libertar significa ser livre, mas é preciso antes vencer o medo das alturas e a vastidão do desconhecido.

À MEDIDA QUE IMPOMOS CONTROLE LIMITAMOS POSSIBILIDADES QUE A VIDA NOS OFERTOU AO RESPEITARMOS ESPAÇO, PENSAMENTOS E SENTIMENTOS DO OUTRO.

Exorcizar o Lobo é impor limites à coragem, ousadia, liberdade, sexualidade e poder pessoal. Não é exorcizando o Lobo que iremos alcançar o Cordeiro, mas sim transmutando energia instintiva em inteligência emocional. Se pararmos pra refletir por um instante veremos que toda ação imposta à vida tem uma relação direta com superação. Iremos comprovar a força das águas a partir do momento que lhe impusermos algum tipo de contenção. A fúria nasce da flor, mas o orvalho a transforma e seduz. As sombras da noite são infinitamente mais belas que aquelas projetadas durante o dia.

UM HOMEM PERDE MUITO DO SEU PODER PESSOAL QUANDO SE SENTE PRISONEIRO DO TEMPO E LIMITADO PELO ESPAÇO.

Toda imposição de limites tem como consequência uma perda enorme de tempo, tanto para aquele que limita quanto para o outro sujeito à limitação. Recomeçar não é nada prático, pois traz em si o tempo perdido além da energia dispendida no ato de fazer tudo novamente. Toda perspectiva criada e não conduzida de forma que se concretize e torne real é um limite  de tempo e possibilidades. Pare por um instante e reflita que existimos numa sociedade de tentativa/erro/recomeço. Toda imposição a partir da visão do ‘certo’ tira do outro o seu próprio tempo de correção. O amor é o melhor remédio: não limita, não impõe, divide o que há de melhor e não tem contra indicações. Toda limitação é ausência de amor, portanto, ausência de si mesmo.

COMO SÃO POBRES AS PESSOAS QUE SE OBRIGAM A VIVER DEBAIXO DE UMA TIRANIA AMOROSA, ESPIRITUAL E PROFISSIONAL.

Digo ‘se obrigam’ porque ninguém pode nos obrigar a viver assim. Somente a identificação obriga, submete e condiciona. Lembramos mais uma vez que a imaginação é o algoz que nos conduz algemados à identificação. Imaginamos ser importantes, a seguir imitamos pessoas importantes e sem perceber estamos convencidos da auto-importância. É assim que passamos a impor limites ao outro, como uma forma de alimentar a nós mesmos e a essa auto-importância que faz morada em nós. A procissão da miséria humana não vê o limitado mundo de suas ações. O seu horizonte é tão mesquinho e limitado que aprisiona pássaros para convencer o  ego do poder de suas decisões. Você pode voar, eu não. Agora ambos não podemos, portanto, canta pra mim. Toda religião é um limite; toda doutrina é pobre em valores; todo ismo é circunstancial e limitado. A religiosidade do homem é a sua maior riqueza, pois o natural é belo por origem, enquanto o artificial é limitado e estranho.

E ACIMA DE TUDO POBRE DO TIRANO, POIS É ESCRAVO DE SUA PRÓPRIA TIRANIA.

E assim se dá com a civilização e a barbárie (art. O14). Nos obrigamos a levantar quatro fiadas de tijolos a mais. Há uma trava elétrica e uma câmera instalada no portão. A tirania nasce do medo e se projeta nas pessoas e coisas à nossa volta. Não vemos o quanto limitamos, aprisionamos, desrespeitamos, denegrimos e amputamos o sonho do outro. Mas a tirania também pode ser um aliado se vemos além das aparências, basta fazer dela um poder de superação. Lembre-se que Jesus nunca impôs limites, quem os impõe é a arbitrariedade das interpretações.

… E PASSARÁ TODA A SUA VIDA LUTANDO PARA MANTER DE PÉ O SEU CASTELO DE CARTAS.

Toda posse é o pressuposto de um limite. Todo ter é um castelo de cartas: descartamos as pequenas, enquanto assimilamos trunfos. Mas um bom jogador sabe que a simples ausência de um dois de espadas é suficiente para anular o jogo. Degraus inferiores são bases, a partir deles criamos impulso e apoio. Sem os pés no chão a alma do eleito não pode alçar voo. Contabilizamos perdas, mas continuamos insistindo no saldo. O excedente é um tributo à obesidade, quando basta ao corpo o limite exato de suas calorias. Então foram criadas leis e mais leis, e sistemas, e judiciário, justiça, órgãos, e policiais e celas… e presídios. Todo limite é cria da própria limitação. O erro responde ao incentivo do incorreto, enquanto alardeamos aos quatro cantos um carrossel de virtudes.

A tirania é a resposta de uma alma vazia de significado, enquanto o controle é a única forma que encontrou para burlar suas frustrações. Tirania é uma inveja crônica levada à prática, enquanto controle é impor ao outro o limite de sua miséria existencial. Limitar é uma rédea sem trelas e sem guias, serve apenas para cavalgar um cavalo cego, velho e manco. Toda instituição limita; toda hierarquia condena; todo credo mente, enquanto toda unanimidade é profana. O princípio do respeito e cidadania sobrevoa os verdes campos da sinceridade, lealdade e gratidão. Ser grato é tudo. Gratidão não limita, expande.

Que assim seja!

 

 

161 – A consolidação de uma ideia

In Artigos on 18 de maio de 2012 at 13:26

Após a publicação de cento e sessenta artigos acreditamos ter ampliado o seu campo de reflexão com uma gama variada de conteúdos, muitos dos quais falam à cerca de conhecimentos que não estão facilmente acessíveis nos livros convencionais.

NÃO É NENHUM PRIVILÉGIO COLOCAR-SE DIANTE DO CONHECIMENTO, MAS UMA QUESTÃO DE PODER PESSOAL ASSIMILÁ-LO.

           

O Tratado é uma unidade mágica atemporal, um todo orgânico, pois cada artigo é um universo em si próprio. Acredito que sem uma parcela mesmo que diminuta de grama o solo não teria forças para resistir, portanto, cada pequeno detalhe é importante quando se trata de consolidar uma nova ideia.

PEQUENOS DETALHES SÃO IMPORTANTES QUANDO ESTÁ EM JOGO UM PODER ESSENCIAL À VIDA.

O poder pessoal não é uma conquista pura e simples. Antes precisa ser adquirido e preservado, e isso leva tempo.

ELE É SILENCIOSO, NÃO ALARDEIA A SI MESMO, NEM SE VANGLORIA EM EXISTIR.

           

Diria que o poder pessoal é a alma do artista que com um simples pincel é capaz de materializar sentimentos numa tela. Foi assim que Basílio materializou Dorian Gray, e dentro da noite insana um punhal rasgou a tela, levando consigo o ser que a mantinha enrugada e envelhecida.

SEM ESSE PODER O HOMEM É INCAPAZ DE CONSOLIDAR UMA IDEIA.

Já parou para pensar que no começo cada um de nós era apenas o protótipo de uma ideia. Depois o romper de um sentimento, muitas vezes a avalanche desenfreada de uma paixão, rompendo horizontes antes desconhecidos. Não éramos senão um instinto (art. O93), que se tornou individualizado e assumiu a forma humana.

SEM ESTE PODER, ESSA MAGIA CONTAGIANTE DE DESEJOS E SEDUÇÃO, TALVEZ NÃO TIVÉSSEMOS APORTADO POR AQUI.

Hoje somos os convidados mais que especiais para manifestar um imenso poder existencial no agora: ser você mesmo, sem se deixar perceber.

           

O MAGO PASSA SEMPRE DESPERCEBIDO, MAS  QUANDO ALARDEIA O SEU PODER É PORQUE NÃO PASSA DE UM CHARLATÃO.

Há mais poder no silêncio do que o homem possa imaginar.

Acredito ter chegado o momento de lhe revelar algo importante. O destino o colocou no meu caminho para que me despisse e apresentasse completamente nu diante do espírito. Confesso não tinha um vislumbre do Tratado quando iniciei sua redação. Digo mesmo  que nem sequer um esboço tinha. Foi a sua providencial interação que possibilitou torná-lo uma realidade. Agora preciso de você para consolidar uma ideia.

A IDEIA DE UM DEUS ALÉM DA DOUTRINA E DA FORMA.

A IDEIA DE UM NOME SEM NOME E SEM FORMA.

A IDEIA DE UM TEMPLO SEM PAREDES E SEM TETO.

           

Poder dizer: EU SOU, portanto, ELE EXISTE.

Materializar o imanente é o maior desafio do homem de conhecimento. Ele sabe que a Terra é um chão de estrelas.

A algum tempo tento lhe dizer que é necessária uma mudança drástica, caso almeje seguir o caminho do homem de conhecimento. É drástica e ao mesmo tempo sutil. É um objetivo para o qual devemos canalizar todo nosso poder pessoal disponível, mesmo sabendo que é impossível mudar uma vírgula sequer em alguém.

UMA MUDANÇA REAL NÃO IMPLICA ESTADO DE ESPÍRITO, NEM DE ATITUDE, NEM DE PONTO DE VISTA. É UMA TRANSFORMAÇÃO NATURAL DO SER.

Falando francamente é o poder pessoal quem decide aquele que pode ou não lucrar com uma revelação. Portanto, a consolidação de uma ideia não depende de sua simples aceitação. Por isso a frase tantas vezes recitada nos templos: Você aceita Jesus?  É a mais estúpida de toda a história contemporânea da Igreja.

COMO PODE UM SER FRAGILIZADO E EXPOSTO AO EMOCIONAL TER PODER PESSOAL SUFICIENTE PARA TÃO IMPORTANTE DECISÃO?

           

Peço a gentileza de sua atenção para este ensinamento de Dom juan Matos, o Nagual.

“MINHAS EXPERIÊNCIAS COM MEUS SEMELHANTES ME PROVARAM QUE MUITO POUCOS ENTRE ELES ESTARIAM DISPOSTOS A ESCUTAR; E DENTRE ESSES POUCOS QUE ESCUTAM UM NÚMERO MENOR AINDA ESTARIA DISPOSTO A AGIR SEGUNDO O QUE ESCUTOU; MENOS AINDA TEM SUFICIENTE PODER PESSOAL PARA FAZER DE SEUS ATOS UMA AÇÃO PRÁTICA E OBJETIVA.”

Talvez o poder pessoal necessário à consolidação de uma ideia esteja se esvaindo em nossa rotina diária, na mesmice de uma vida enfadonha e sem sentido. Em um dos artigos publicados aqui no Tratado, a solidão (art. 057), deixamos ver o quanto podemos estar distantes do prazer e alegria de viver, quando nos deixamos vencer pela monotonia de uma existência fugaz. Por incrível que possa parecer o poder pessoal de um homem passa por dois extremos quase totalmente antagônicos: pela coragem de ser só ou pela taça de vinho de uma bela mulher.

Está em nossas mãos a possibilidade de materializar uma paisagem de sonhos; uma imagem de sossego ao cair da tarde, nas montanhas ao norte. Esse cenário previamente escolhido é o local ideal para compreender que cada lugar é uma manifestação de poder. Funciona como um portal, um convite a romper fronteiras imaginárias, quando percebemos sutilmente que algo abriu as cortinas do horizonte e nos convida a entrar. Embora não seja tão fácil visualizar é isso que estamos fazendo ao largo dos cento e sessenta artigos aqui publicados. Mas devemos advertir que a calmaria, inocência e placidez do momento escondem um abismo colossal.

UMA VEZ QUE TENHAMOS A CORAGEM DE DESAFIAR O DESCONHECIDO NÃO HÁ MAIS NENHUMA POSSIBILIDADE DE VOLTA.

           

A consolidação de uma ideia nos coloca em um mundo de inconcebíveis consequências. É preciso coragem para prosseguir. A quebra de continuidade é sempre acompanhada de sofrimento e dor (art. 150).

NÃO TEMOS TEMPO, NENHUM TEMPO, NO ENTANTO, O AGORA ESTÁ ENVOLTO EM ETERNIDADE.

A consolidação de uma ideia não depende da vontade expressa daquele que a originou. É por isso que o aprendiz não deve exigir o reconhecimento do mestre. Nenhum aprendiz pode se dizer merecedor de um ensinamento, só o poder pessoal pode fazer isso em seu nome. Peço de antemão que me perdoe caso venha a se sentir constrangido pelo que vou lhe dizer: o lugar de menor manifestação de poder pessoal que encontrei ao longo de minha vida como cristão foi o banco das igrejas.

MEU DEUS! COMO NÓS OS CRISTÃO SOMOS FRACOS, FRÁGEIS E INDEFESOS.

Não deveria ser assim, mas infelizmente é.

Um viajante solitário do apocalipse (art. 141) deve estar sempre alerta para pegar o seu centímetro cúbico de sorte. Mas é preciso um mínimo necessário de lucidez, destreza e vontade de agarrá-lo. A consolidação de uma ideia é como uma águia que voa sempre em linha reta. Uma águia que além de veloz é impaciente. É preciso estar preparado para se agarrar a ela no momento exato em que tocar o chão. Se perdermos esta oportunidade ninguém pode nos garantir que haverá outra.

Para consolidar uma ideia é preciso estar em completo silêncio. É impossível ouvir o murmúrio da Terra em meio a uma avalanche colossal de pensamentos. Uma ideia é como o mundo que acreditamos ver, a princípio apenas uma visão, uma mera descrição da realidade. O maior desafio que tivemos ao longo de nossos encontros é convencê-lo a contemplar o desconhecido.

CONSOLIDAR UM NOVO PONTO DE VISTA É TÃO DIFÍCIL QUANTO ABRIR MÃO DO ANTIGO.

           

Agimos como se soubéssemos e, no entanto, estamos apenas engatinhando.

O cancelamento dessa visão distorcida do mundo significa:

UMA NOVA MANEIRA DE PENSAR.

E sua consolidação como uma realidade recebe o nome de:

SAI DA TUA TERRA E VAI!

De nada nos adianta abandonar o solo fértil das convicções levando junto todo tipo de subterfúgios necessários à sua continuidade.

Um missionário consciente não é aquele que consolida uma ideia por julgá-la superior, mas sim por haver assimilado o seu poder quando em contato com outras culturas e modos de pensar.

           

MUDAR O OUTRO É UM GESTO ARROGANTE E PRETENSIOSO, MAS PERMITIR QUE MUDE E ACOMPANHÁ-LO NO SEU PROCESSO DE MUDANÇA É UM ATO DE AMOR.

Que assim seja!