Lázaro de Carvalho

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111 – Essência e personalidade

In Artigos on 30 de agosto de 2011 at 23:00

A ESSÊNCIA NASCE CONOSCO E A PERSONALIDADE É AQUILO QUE ADQUIRIMOS.

É importante destacar que a essência é a parte real nós mesmos, portanto, o Lobo e o Cordeiro pertencem à essência e não à personalidade. Podemos dizer que a personalidade é tudo aquilo que adquirimos durante a nossa vida, por meio do contato, principalmente, com as Influências A (art. 103). Idéias, opiniões, palavras, pertencem à personalidade, mas certas características, tais como, inclinações espirituais, tendências a certo tipo de comportamento inato, predisposições e características físicas, pertencem à essência.

OUTRA CARACTERÍSTICA MARCANTE É QUE A PERSONALIDADE É MUTÁVEL, ESTÁ SEMPRE OSCILANDO ENTRE OS EXTREMOS, ENQUANTO A ESSÊNCIA PERMANECE A MESMA.

Quando nos predispomos à Observação de Si Mesmo é possível separar alguns traços que pertencem à essência de outros que são formadores da personalidade, mas de início é mais fácil notá-los nas outras pessoas.

Toda forma de educação aplicada no ciclo comum de formação das nossas crianças, jovens e adolescentes, visa desenvolver na personalidade certas características básicas, tais como: obstinação, determinação, dinamismo e espírito empreendedor, dentre outras. Todos os recursos aplicados no que chamamos ‘primeira educação’ são necessários ao desenvolvimento da personalidade, ou seja, criar e desenvolver uma estrutura nos mais diversos campos do conhecimento científico e nas áreas social e humana, que nos permita viver em sociedade. Desenvolvemos então, com o passar dos anos, utilizando os mais diversos recursos, personalidades fortes e competitivas. Aprimoramos recursos e ao mesmo tempo criamos certos escudos de proteção a que chamamos papéis (art.098), cada um com suas palavras, opiniões, idéias e teorias. Esses escudos com o passar do tempo criam uma espessa camada sobre a essência, fazendo-nos esquecer nossa verdadeira origem e propósito.

A personalidade por ser mais compacta envolve a essência como se fosse uma casca, de tal modo que nada possa alcançá-la diretamente, sem antes passar por essa poderosa alfândega chamada personalidade.

Uma nova maneira de pensar (art. 002) significa reeducar a personalidade, através de novas idéias, criando assim novos pensamentos, para que a personalidade aos poucos vá se tornando passiva, e a essência recupere a sua força e possa se desenvolver em nós.

A personalidade em si mesma é necessária para o desenvolvimento de uma cultura e civilização, e no caráter pessoal como formadora de opinião, possibilitando-nos sobreviver em um ambiente hostil e inóspito. É a personalidade com seus escudos de proteção que nos mantém afastados de certos tipos de influências, que de outro modo teriam maior poder sobre nós, causando descontrole nas funções, tanto físicas, quanto psicológicas. Se quebrarmos de forma inconsequente esses escudos de proteção, ficaremos expostos a todo tipo de influências, tais como: influências atmosféricas, mudanças de estações, dentre outras.

Personalidade é uma base de proteção contra vários aspectos planetários e cósmicos. Quando a personalidade é educada segundo os conhecimentos de ESCOLA, torna-se menos forte, menos compacta, e muitas qualidades passam a ser incorporadas pela essência, tornando-se assim permanentes.

NA PERSONALIDADE AS COISAS SURGEM E DESAPARECEM, ENQUANTO QUE NA ESSÊNCIA SÃO PERMANENTES.

Portanto, todas as qualidades de caráter permanente dependem diretamente da essência. Uma nova maneira de pensar tem como objetivo desenvolver certos traços permanentes, tornando assim a personalidade passiva, para que possam chegar à essência.

Todo o trabalho de ESCOLA é realizado sobre a personalidade, reeducando-a de certa maneira, para agir de acordo com certos princípios e trabalhar em determinada direção. Hoje, fatores como: a mentira, o auto-engano, a imaginação (art. 089) e as emoções negativas (art. 107) são inerentes à personalidade.

TODO TRABALHO SOBRE SI MESMO É TRABALHAR SOBRE A PERSONALIDADE, PARA QUE SE TORNE MENOS COMPACTA, MENOS DENSA.

Temos que trabalhar sobre a personalidade, através da personalidade. Ou trabalhamos sobre a personalidade ou ela continuará sendo controlada por milhares de diferentes ‘eus’, cada um dos quais com as suas próprias idéias, desejos e opiniões.

UNIFICAR A PERSONALIDADE É O MAIOR EMPREENDIMENTO DIGNO DE REFERÊNCIA QUE UM HOMEM PODE TER.

É uma missão por toda a vida. E o ‘despertar’ da unidade do homem depende disso. Quando nossa personalidade tiver sido adequadamente educada, para que venha a se tornar passiva, ou seja, mais obediente e menos impulsiva, colocando-se a serviço de um verdadeiro propósito (art. 041) e servindo-o, então tornar-se-á útil e boa em todos os seus aspectos.

A NOSSA PARTE QUE REALMENTE DESEJA ESTUDAR E MUDAR É A PERSONALIDADE. O PROBLEMA É QUE DESENVOLVEMOS CERTOS ESCUDOS DESNECESSÁRIOS, QUE ESTÃO OBSTRUINDO A SUA EVOLUÇÃO.

Já prestou atenção aos telejornais e revistas? À forma como comemoram os índices de crescimento econômico? Sucesso para eles significa bater novos recordes de desenvolvimento. Então passam a utilizar propagandas subliminares cada vez mais agressivas, visando bater novos recordes.

TUDO ISSO SIGNIFICA ‘MAIS CONSUMO’, OU SEJA, DEGRADAÇÃO DAS RESERVAS NATURAIS. EM OUTRAS PALAVRAS, ESTAMOS COMEMORANDO O FIM PRECOCE DE NOSSA ESPÉCIE, CULTURA E CIVILIZAÇÃO.

Muitas coisas estão erradas e precisam ser mudadas, mas para isso é preciso vê-las e estudá-las, antes de eliminá-las.

O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE TORNA-SE POSSÍVEL PELO RECONHECIMENTO E ELIMINAÇÃO DAS FUNÇÕES INÚTEIS.

Não se assuste com aquilo que vamos lhe dizer: mais de 90% das funções atuais da personalidade são inúteis. O grande problema não são sete bilhões de pessoas na Terra.

O MAIOR PROBLEMA SÃO SETE BILHÕES DE PESSOAS INCONSCIENTES NA TERRA, TODOS MOVIDOS PELA IMAGINAÇÃO E IMITAÇÃO.

Por isso o caos está tomando conta de tudo, e colocando em risco nossa sobrevivência como espécie. Já dizia o grande Mestre: “só acreditamos que está pegando fogo, quando ele chega ao quintal de nossa casa”. E ainda aquela máxima da sabedoria popular que diz: ‘eu e o meu cavalo comendo, o resto foda-se’. Resta saber, até quando vamos suportar tudo isso. Não precisa ser nenhum vidente para ver que ‘a vaca está indo pro brejo’.

O LOBO ESTÁ APRISIONADO NA SUA FORMA MAIS PRIMITIVA, SOB A FORTE CROSTA DE ALGO QUE CHAMAMOS PERSONALIDADE, E O CORDEIRO NÃO NOS ALCANÇA PELO MESMO MOTIVO.

Se não educarmos a personalidade o encontro (art. 084) não acontecerá no Chakra do Coração. Ser livres, alcançar o reino dos Céus, ou o Nirvana, só se tornará possível quando essas duas forças aparentemente antagônicas se encontrarem e fundirem-se no Chakra do Coração, determinando assim a Unidade Interior do Homem.

SIGNIFICA O PONTO DE ENCONTRO ENTRE A PERSONALIDADE PASSIVA E A ESSÊNCIA ATIVA.

Isso se chama o despertar, a iluminação do homem.

O LOBO PRECISA SE TORNAR PASSIVO, MAS ELE SÓ O FARÁ DIANTE DE UMA FORMA DE VIDA JUSTA, LEAL E NOBRE. NÃO O FARÁ DIANTE DE UMA FALSA RESIGNAÇÃO. O LOBO É A FORÇA INTUITIVA DA GRANDE MÃE (ART. 097) E GERADOR DA FORMA HUMANA (ART. 042), PORTANTO, CONHECE ALÉM DAS APARÊNCIAS.

Por mais que louvemos ao Senhor, se o nosso louvor estiver a serviço da proteção que sugere os escudos da personalidade, nossa oração não terá nenhuma ressonância nas camadas superiores da existência. Entenda que a personalidade é densa, compacta demais. É como se gritássemos numa sala à prova de som, portanto, o Cordeiro não houve os nossos clamores. Somente quando rompemos os nossos falsos escudos de proteção, e Jesus nos ensinou exatamente como rompê-los, é que podemos nos fazer ouvir.

MAS PARA ISSO NÃO PRECISAMOS SEQUER DE PALAVRAS, BASTA ENTRAR NO SILÊNCIO INTERIOR PARA SE FAZER OUVIR.

As possibilidades de mudança não são tão fáceis como muitos imaginam. Deve haver uma certa qualidade na essência, certas características, certas aquisições da personalidade, e ainda um certo tipo de circunstâncias favoráveis.

O desenvolvimento da essência não pode ser dado por herança, não é hereditário, portanto, o Reino dos Céus não pode ser dado por herança, antes é uma conquista individual de cada ser humano. Perdoa-me, se por acaso firo os seus princípios mais profundos ao trazê-lo de volta à realidade, mas acredite, o parto da verdade é extremamente doloroso.

Jesus ao descer ao Chacra do Coração (art. 083) tornou-se humano, e para regressar à casa do Pai teve que ultrapassar e vencer obstáculos terríveis de suportar. É necessário um grande esforço para retornar.

NEM ELE TEVE ESTE REINO POR HERANÇA, MAS ANTES O CONQUISTOU, COM TODO O SEU CORAÇÃO E TODO O SEU ESPÍRITO.

Sem que a personalidade se torne passiva, não nos é possível reencontrar o caminho de volta.

A DESVIOS DA PERSONALIDADE SÃO COMO O LABIRINTO DE CRETA.

Repleto de corredores quase sempre vazios, não nos levando a lugar algum.

A ESSÊNCIA É A META, PARA ALCANÇÁ-LA A PERSONALIDADE TEM QUE SE TORNAR PASSIVA.

“O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS, SÓ PODEMOS VER COM O CORAÇÃO”

Que assim seja!

110 – O ato de dar

In Artigos on 25 de agosto de 2011 at 14:55

Nossa reflexão de hoje está sedimentada na ‘Consideração Externa’ e nos preceitos Budistas.

Numa linguagem de ESCOLA, quando a Identificação se refere a pessoas passa a ser chamada de Consideração, e pode ser dividida em dois tipos: Consideração Interna e Externa.

A Consideração Interna mantém uma relação direta com ‘estar adormecido’. Trata-se de uma forma egoística de perceber as coisas. Ocorre quando nos colocamos como o centro de todas as atenções, de tal forma que somos prioridade em tudo. Portanto, tudo à nossa volta passa a estar a nosso serviço. Neste tipo de atenção DEUS é um serviçal do homem, sempre à disposição para solucionar eventuais problemas sociais, econômicos e familiares. A auto-importância (art. 053) é o seu traço principal. Tudo gira em torno dela. Nós somos mais importantes, portanto, Deus deve nos privilegiar e se colocar do nosso lado. Este é o traço de caráter que define a auto-importância.

NA CONSIDERAÇÃO INTERNA SOMOS SEMPRE VÍTIMAS OU MERECEDORES DE ALGUMA COISA.

Já a Consideração Externa é uma forma de Lembrança de Si Mesmo. Na Consideração Externa passamos a ver, além de nós, o outro (art. 061), e nele nossas próprias limitações e temores. Portanto, começamos a abandonar todas as formas pré-concebidas de julgamentos, pois passamos a ver em nós as mesmas qualidades negativas que repreendemos no outro.

A CONSIDERAÇÃO EXTERNA É UMA FORMA DE VER-SE A SI MESMO ATRAVÉS DO OUTRO.

A Consideração Externa é a base para um novo estado de consciência. É simplesmente impossível falar em evolução da consciência sem a Consideração externa.

QUEM VÊ A SI MESMO ATRAVÉS DO OUTRO NÃO MANTÉM PÁSSAROS EM CATIVEIRO, NEM AGRIDE O MEIO AMBIENTE.

A Consideração Externa nos torna mais humanos, despertando um grau apurado de sensibilidade. Lembrando que ‘despertar’ significa: o despertar da sensibilidade do homem.

Todos aqueles que nos acompanham através das páginas do Site são sabedores que não abraçamos individualmente nenhuma seita ou religião, antes, amamos todas na sua Essência, Verdade e Luz. Quando lançamos severas críticas a algum comportamento religioso não o fazemos de forma coercitiva e pessoal, mas antes com o intuito de despertar a ‘mente religiosa’ para o Verdadeiro Conhecimento. Também não apresentamos nenhuma alternativa religiosa, pedimos apenas reflexão dentro das comunidades já existentes atualmente.

O ato de dar é um Conhecimento Budista e vamos compartilhá-lo com você, segundo os seus preceitos.

De acordo com os Ensinamentos Budistas nós podemos dar três tipos de coisas: Bens materiais, conhecimento e destemor.

O DAR BENS MATERIAIS É UMA ATITUDE RELEVANTE, QUANDO REALIZADA SOB OS OLHOS DA CONSIDERAÇÃO EXTERNA.

Significa agradar o outro simplesmente pelo outro. Algo mais ou menos assim: Já não está aqui aquele que deu. Visa o despertar da consciência, a realização do outro enquanto pessoa humana. É um ato não contaminado por recompensas. É muito importante salientar que…

QUALQUER OBJETO DADO LEVA EM SI MESMO AS EMANAÇÕES DAQUELE QUE O DEU. PORTANTO, PODE SER AGREGADOR DE ENERGIAS OU DESARTICULADOR, DEPENDENDO DAS QUALIDADES INERENTES AO ATO DE DAR.

Os Monges Budistas da Ásia Oriental não participam de tarefas produtivas, portanto, não podem dar bens materiais. Em vez disso, concentram-se em dar destemor e ensinamentos. De acordo com Buda, há quatro tipos de destemor:

1 – Aquele que se origina do sofrimento;

2 – O que se origina da perfeição do caráter;

3 – O que se origina da superação dos opostos;

4 – E aquele que nasce com o fim do sofrimento.

Buda ensina que a vida se caracteriza pelo sofrimento. O sofrimento delineia o verdadeiro quadro da existência humana. Viver é sofrimento. Ser é sofrimento. O sofrimento humano existe pelo fato de não podermos ‘fazer’. A ânsia do ‘fazer’ gera sofrimento. O ‘fazer’ trás em si o ter, o possuir. Todas as ilusões das possibilidades humanas nascem a partir daí: ‘Eu tenho, portanto, eu posso’.

A ÂNSIA DO FAZER É QUE TORNA IMPOSSÍVEL AO HOMEM SONHAR OS SONHOS DE DEUS

A ÂNSIA DO FAZER É A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA DE UMA CULTURA ADORMECIDA.

Precisamos nos libertar dos extremos, dos dualismos, das dicotomias. Embora estejamos bem no meio, é preciso integrá-los. E SOMENTE NÓS PODEMOS FAZER ISSO. Mas você dirá: “Estamos diante de um paradoxo, pois você acabou de dizer que não podemos fazer absolutamente nada. Então, como PODEMOS FAZER ISSO?” Eu lhe digo que a mágica do ‘fazer’ começa pelo ‘não-fazer’. Quando não permitimos a desarticulação, integramos; quando deixamos de odiar, amamos; quando deixamos de mentir, vivenciamos a verdade. Portanto, quando nos libertamos das dicotomias, dualismos e extremos, integramos. ISSO É FAZER.

É O NÃO-FAZER DO HOMEM QUE PERMITE O FAZER DE DEUS.

Quando tiver um tempinho, leia o nosso artigo ‘O não-fazer de escolher’ (art. 010). Ele diz muito a respeito do que estamos citando aqui.

Temos que ter consciência daquilo que ‘fazemos’ e do quanto nossas atitudes conspiram a favor ou contra nossas verdadeiras intenções.

PRECISAMOS ESTAR LIVRES DOS EXTREMOS PARA COMPREENDER O SOFRIMENTO E A SUA ORIGEM.

Só assim poderemos ver a quantidade imensa de ‘Sofrimento Inútil’ que levamos às costas. Precisamos não apenas manter indenes, mas integrar o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda.

O caráter deve ser belo e cristalino, permitindo que através dele sejamos generosos, tolerantes, compassivos, amáveis e fortes. São traços de caráter em busca da perfeição que possibilitam a libertação de todo o sofrimento humano. É preciso que estejamos presentes e que a nossa energia se faça vibrar em uníssono com tudo à nossa volta. Lembrando que a estabilidade emocional é determinante para um caráter equilibrado. Quando exaltamos a Deus com gritos de louvor, estamos internamente desequilibrados, portanto, ausentes de nós mesmos. Esse caráter parece até um contra senso, mas não é divino, nem real.

SÃO NOSSAS ATITUDES QUE FUNCIONAM COMO FORÇA NEUTRALIZANTE (ART. 038), DIANTE DO DESESPERO DE UMA CULTURA FALIDA.

Traços conscientes de caráter permitem abraçar a beleza da existência, mesmo quando choramos, lutamos e nos desesperamos, diante das angústias e sofrimentos.

Precisamos simplesmente dar, sem contar com nenhum tipo de recompensa. E isso é muito difícil. A prática da Consideração Externa é muito difícil. Fomos criados dentro de uma cultura que nos ensinou a exigir sempre algo em troca. Estamos inseridos na cultura do ‘você vale o quanto tem na carteira’. Não importa quem você realmente é, mas quanto você possui. Mas, ninguém em sã consciência pode prever quando se dará nossa ‘última batalha na Terra’ (art. 019), portanto, é melhor estar atento.

TIRE O TAPETE SOB OS PÉS DO HOMEM QUE APENAS TEM, E ELE IRÁ SE AGARRAR AO RABO DO PRIMEIRO LOBO QUE CRUZAR O SEU CAMINHO, PENSANDO SER UMA CORDA QUE DEUS LHE JOGOU DO CÉU.

É esse artifício que as religiões estão utilizando para angariar pobres desgraçados para as sua fileiras. Oferecem incensos da Índia, óleos milagrosos do Oriente e pedras de Israel, para homens adormecidos que só vêem através das ilusões e dos sonhos.

Mas o ‘homem que é’ apenas pegará o que lhe cabe por direito de herança, e seguirá o caminho do seu coração.

A principal característica do ‘homem que tem’ é a ganância de ter mais. Essa ganância exclui todos os valores reais e objetivos à sua volta. Com a ganância vem a cobiça, e essa tem raízes ainda mais profundas.

QUANDO COBIÇAMOS ALGUMA COISA TUDO FAZEMOS PARA AGRADAR.

Nossas atitudes perdem o verdadeiro significado e nos inserimos no tipo de: ‘intenções que se escondem por detrás das atitudes’. Significa que estamos ‘adormecidos’. Portanto não estamos trabalhando para o ‘assentamento do mundo’, mas de comum acordo com a ‘Consideração Interna’. Ponha em prática apenas o ‘ato de dar’ e nada mais. É como se ofertássemos um imenso jardim repleto de rosas a alguém que nunca vimos, e jamais voltássemos para recolher ganhos ou recompensas. É tão simples, mas extremamente difícil. O verdadeiro dar significa: ‘eu estou aqui, agora’. Hoje é agora. Amanhã, talvez. (art. 020). Podemos ser naturalmente gratos, por nossa vida e presença, aqui e agora. Essa é a prática do dar.

A todo instante somos envolvidos por diferentes situações, as mais diversas. Portanto, não podemos praticar a Observação de Si Mesmo por um único ângulo. Quando estiver triste ou angustiado, observe o seu estado interior de tristeza, mas contemple os pássaros a cantar, mães alegres a amamentar os filhos, o fluir das águas do riacho, a Terra e as estrelas a viajar pelo espaço.

PORQUÊ ESTOU TRISTE, SE A PRÓPRIA NATUREZA NÃO CONDIZ COM A MINHA TRISTEZA?

Observe e verá que a tristeza é um ‘Sofrimento Inútil’. Ela talvez seja o único artifício que lhe restou para completar o vazio de sua existência, e a única prova convincente de que ainda continua vivo.

A IMAGINAÇÃO NASCE NO TERRENO FÉRTIL DA IDENTIFICAÇÃO. É MUITO FÁCIL IMAGINAR-SE TRISTE, DÁ UM SENTIDO EXISTENCIAL PALPÁVEL.

Parece inacreditável, mas é seguro sentir-se triste. Urge praticar a Observação de Si Mesmo. É preciso ir além do ‘aparente do aparente’. Aparências enganam, não se esqueça disso.

Essa página é uma porta que se abre á sua frente, mas será que está disposto a ir além dos seus limites? Estamos dispostos a dividir tudo aquilo que nos foi ensinado, mas será que o solo já está preparado para receber? Uma semente, mesmo sendo de rara qualidade, se for lançada ao solo fora de época, com certeza, não dará bons frutos.

O ATO DE DAR E A ARTE DE RECEBER (ART. 059) É UMA TROCA CONGÊNITA DE ENERGIA.

Entenda que até mesmo uma minúscula folha de grama é importante. Sem ela o solo não pode resistir. Se retirarmos apenas uma gota d’água do mar ele estará incompleto.

ENTÃO, BUSCARÁ POR ELA ATÉ OS CONFINS DAS NUVENS MAIS DISTANTES. E ENQUANTO NÃO A TIVER DE VOLTA, O SEU LEITO NÃO DESCANSARÁ.

Pode ser que todo o nosso esforço seja inútil, mas vamos continuar tentando.

“DIANTE DO IMPOSSÍVEL, TENTAREMOS”.

Que assim seja!

109 – O segredo

In Artigos on 23 de agosto de 2011 at 23:09

O SEGREDO DO SEU FUTURO ESTÁ OCULTO NA SUA ROTINA DIÁRIA.

É a rotina da caça que faz dela uma presa relativamente fácil para qualquer caçador. Nosso erro como seres sencientes é estarmos disponível demais. Perdemos então, a destreza do caçador e nos colocamos no lugar da caça. Passamos a ser um alvo fácil para outros caçadores. Estar disponível significa: estar inconsciente, adormecido, paralisado, subserviente às suas traiçoeiras armadilhas. O que chamamos futuro é um caçador implacável, frio e astuto em suas ações.

‘TORNAR-TE INACESSÍVEL’ É O PROPÓSITO MAIOR DA ESCOLA.

Tal como somos hoje, autômatos  e adormecidos, estamos completamente envolvidos por suas artimanhas, sem termos nenhuma consciência disso.

SOMOS ALIMENTOS PARA OUTRAS FORMAS DE VIDA.

Regularmente ‘eles’ avaliam o ‘cativeiro’, observando se há número suficiente para a engorda e o abate. A engorda é feita a partir das emoções negativas (art. 107) e suas subsidiárias: Imaginação e Identificação. A hora do abate se aproxima e somente aqueles que estiverem despertos terão chances de sobreviver. Sobrevivência aqui não tem como referência a força física, nem o poder intelectual, mas sim um conceito de impecabilidade, ou seja, armazenar energia suficiente que nos permita ir além do limiar (art. 056).

…E UMA VEZ TRANSPOSTAS AS LINHAS PARALELAS ENTRE OS DOIS MUNDOS, ESTAREMOS LIVRES PARA PROSSEGUIR.

Lembrando mais uma vez que ‘A travessia do Mar Vermelho (art. 037) simboliza ir além das Linhas Paralelas, portanto, é um limiar entre dois mundos. Mas para alcançá-las são necessários ‘quarenta anos de sacrifícios e privações’ e o firme propósito de prosseguir.

O principal artifício usado pelos caçadores para condicionar nossas ações chama-se: Interesses. ‘Eles’ sabem quanto da nossa atenção colocamos em alguma coisa chamada tempo. Estamos lidando com seres extremamente inteligentes e criativos, por isso criaram relógios e inseriram em cada um deles algum tipo de interesse.

TEMPO TORNOU-SE SINÔNIMO DE INTERESSE; ESTE SE TORNOU REFERÊNCIA DE SOBREVIVÊNCIA; E ESTA, SEM QUE SAIBAMOS, TORNOU-SE SINÔNIMO DE RIGIDEZ E MORTE.

UM EXÉRCITO DE AUTÔMATOS, INFELIZMENTE, NÃO POSSUI VIDA PRÓPRIA.

Outros artifícios foram desenvolvidos ao longo do percurso, por exemplo, as irmãs inseparáveis: Ansiedade (art. 023) e Depressão. Ambas filhas do casal: Interesses e Tempo.

A PRIMEIRA CORRE O TEMPO TODO EM BUSCA DE REALIZAÇÕES, ENQUANTO A SEGUNDA FICA TORCENDO PARA QUE TUDO DÊ ERRADO, POIS A SUA SOBREVIVÊNCIA DEPENDE DISSO.

Estas meninas têm figurino ao estilo, jeito próprio de andar, semblante definido, fluxo de respiração peculiar, tom de voz condizente com a ocasião, e brilho do olhar revelador de espírito e caráter. Há mais habitantes no nosso país psicológico, que habitantes na Terra.

O INCONSCIENTE É O PAI DO HOMEM; DESPERTE E VERÁ POR SI MESMO.

Será que já se tornou possível, depois de mais de 100 artigos publicados aqui, compreender que quem realmente faz são os nossos ‘estados de ânimo’ e não nós? E que esses ‘estados de ânimo’ variam a todo instante, pois ainda não existimos como ‘individualidades conscientes e reais’?

É MUITO IMPORTANTE COMPREENDER ISSO, POIS É O COMEÇO DA OBSERVAÇÃO DE SI MESMO; O PRIMEIRO PASSO PARA O ‘DESPERTAR’.

Estamos sendo mantidos em cativeiro a serviço de algum propósito. Lembre-se que estamos contidos em um universo inteligente, portanto, tudo tem um propósito (art. 041), mas se despertamos podemos servir a outro propósito.

O RETORNO À NOSSA CONDIÇÃO INICIAL DE LIBERDADE EXISTENCIAL DEPENDE DISSO.

Na verdade aquilo que colocamos aqui é um resumo do conteúdo de algo maior chamado ESCOLA. Muitos conhecimentos não puderam ser inseridos, pois não alcançariam o verdadeiro propósito por não terem sido passados de forma direta. Mas hoje, de uma maneira especial, vamos interagir como se estivéssemos em contato direto com o Verdadeiro Conhecimento. Portanto, peço permissão para lhe apresentar duas proposições, e espero não ser inoportuno. Se achar desnecessário realizá-las, não há problema algum. Mas caso o faça, aja de forma descontraída, sem qualquer tipo de racionalização. Digamos que algo é assim, e basta. Só isso, nada mais.

1 – Durante os próximos dias, apenas por um breve momento, observe os pedintes de seu bairro ou cidade. Observe-os: suas mãos, suas vestes, o modo como procedem,  seu olhar, enfim toda a gama de detalhes que lhe for possível ver. Mas não permita à sua mente nenhum tipo de análise ou pré-julgamento. Apenas olhe. Depois de algum tempo dedicado à observação, crie na sua mente a imagem de uma criança, um bebê recém-nascido, puro em Essência e Luz, esperança de Redenção para todos nós. Projete essa imagem nos pedintes, pois um dia eles foram assim, bebês iguais a qualquer outro bebê. Nasceram puros, livres e sem mácula. Responda então para si mesmo:

O QUE PODE TER ACONTECIDO PARA UM BEBÊ…

SE TRANSFORMAR EM UM MENDIGO?

2 – Agora observe o lixo jogado nas ruas da sua cidade, bem como todo desperdício: papéis de bala, copos plásticos, restos orgânicos, enfim, todo tipo de resíduos. Preste bastante atenção a um detalhe: geralmente as pessoas que sujam as ruas não são as mais humildes, são as mais deprimidas e ansiosas. Portanto, não se trata de uma simples questão de educação. Observe atentamente. Agora Observe a Si Mesmo como realmente é: O Planeta Terra como um todo. O nosso corpo físico é formado por todos os elementos geradores de Gaia, a alma da Terra. E quando chegar a noite, após o banho, ao se deitar, sinta na pele pontas de cigarro sendo jogadas sobre você, além de restos de cerveja e lixo orgânico. Enfim, todo tipo de resíduos sendo atirados sobre o seu corpo. Sei que isso pode lhe causar um tremendo mal-estar, pois foi assim que me senti quando o fiz. E nosso Planeta Terra? Será que é indiferente à ingratidão, desrespeito e desprezo que lhe damos? Sinta e observe atentamente o seu ‘sentir’.

Companheiros e companheiras de jornada! Este é o segredo do seu futuro, do meu e do nosso Planeta. Ele está simplesmente oculto nas rotinas diárias, por isso não o vemos. O despertar de uma nova consciência, que tem como origem ‘uma nova maneira de pensar’, é a chave para a solução de todos os males. Sempre que for possível, fuja da rotina. Observe mais a si mesmo. Não precisamos de cartomante. Estamos adormecidos por negligenciar o agora.

A NOSSA POSSIBILIDADE REAL É O AGORA, CASO CONTRÁRIO, O FUTURO PODE SE TORNAR UM MERO ACASO.

Que assim seja!

108 – O peso específico da alma

In Artigos on 22 de agosto de 2011 at 22:13

PESAMOS QUANTO PESA A MENTE SOMADA À MASSA DO NOSSO CORPO.

Temos inúmeros obesos deveras magros, e outros tantos magros obesos. Todo pensamento, sentimento e emoção é matéria.

QUANDO NOS IDENTIFICAMOS, AGREGAMOS AO CORPO FÍSICO A MASSA DO OBJETO DE NOSSA IDENTIFICAÇÃO.

Imaginação e devaneio também é matéria, tanto quanto alma e espírito, sendo que estes últimos possuem densidade e vibração especifica, além de outro nível de materialidade. Um átomo do Planeta Terra não possui o mesmo grau de materialização se comparado a um átomo da Lua ou do Sol. Existe uma relação de escala e relatividade entre eles.

Podemos estar muito magros e ao mesmo tempo mais densos, se tivermos um peso específico Lunar, ou estarmos obesos e menos densos, se estivermos sob a influência do Sol. Há uma relação de 98 para 12 entre os átomos da Lua e do Sol.

TODA EMOÇÃO NEGATIVA POSSUI PESO E DENSIDADE E VARIA CONFORME O SEU GRAU DE EXPRESSÃO.

A inveja, por exemplo, rouba energia do Centro Emocional, alimenta-se dela e passa a ocupar o seu lugar com uma energia mais densa e com menor intensidade de vibrações. Todo esse conglomerado de emoções, sentimentos, pensamentos e excitações são qualificados na ESCOLA como ‘eus’, e são entidades reais com necessidades de subsistência como qualquer outra do nosso mundo físico. São determinantes do nosso ‘fazer’, segundo suas próprias necessidades.

NOSSO CORPO FÍSICO É APENAS UM REPOSITÓRIO DE EMANAÇÕES; NA VERDADE NÃO SABEMOS QUEM SOMOS E A QUE SERVIMOS.

A razão nos ensinou a contemplar-nos como unidades dotadas de individualidade e possibilidades evolutivas. Podemos afirmar que essa verdade só se aplica a certo peso específico, quando somados mente e corpo. Caso contrário nossas raízes serão profundas e consistentes, dificultando sobremaneira a locomoção. Mesmos que sejamos ceifados a partir do tronco, nossas raízes permanecerão no solo e reiniciarão um novo ciclo que chamamos reencarnação.

SOMOS COMO SEMENTES LANÇADAS AO SOLO: GERMINAMOS, GERAMOS FRUTOS, MORREMOS E RENASCEMOS.

O pensamento teosófico dividiu os corpos sutis do homem, segundo cinco graus de materialidade: Terra, Água, Ar, Fogo e Éter. Cada um com densidade e vibração específicas, relacionadas com determinado Nível de Ser (art. 072). Nosso nível de existência como seres normais deveria ter uma relação direta com o elemento Terra, mas nem isso alcança. O estado de identificação é tão grande que muitas vezes nos tornamos inertes e frios, como o Ser de uma rocha.

A continuidade é mantida pela razão, e recebe nutrientes a partir das raízes profundas que possuímos. São elas que reconduzem ao nosso corpo a energia da Terra, normalmente cativa no 1º, 2º e 3º Chakras. Mas existe ainda outra qualidade de energia, presente no ar que respiramos. Aqui nos colocamos diante de mais uma revelação:

TODOS ASPIRAMOS O MESMO AR, COM PEQUENAS DIFERENÇAS RELACIONADAS AO AMBIENTE; MAS QUANDO ESPIRAMOS, A QUALIDADE É DIFERENCIADA.

Cada grau de materialidade possui determinado nível de absorção, e o ar que respiramos possui hidrogênios, oriundos de vários níveis do universo. Podemos, de acordo com a magnetização do nosso corpo, reter ou não os hidrogênios menos densos e voláteis presentes na composição do ar, dependendo do grau de assimilação, ou Nível de Ser, no qual nos encontramos.

Outra propriedade nos diz que o sangue que percorre nossas veias e artérias é diferenciado, por exemplo, quando circula no cérebro, ou nos rins ou ainda na câmara cardíaca. Os hidrogênios absorvidos a partir do ar, da água e dos alimentos, quando destilados, não são os mesmos para diferentes graus de corporeidade.

Depois da prática de muitos anos, podemos sentir o grau de rigidez e inércia na expressão facial de outra pessoa, ou o seu grau de densidade pela aproximação e toque físico. Este fenômeno não caracteriza nenhum poder pessoal, sendo antes uma conquista daqueles que, durante uma vida inteira de dedicação e sacrifícios, venceram em si mesmos o desejo ardente de julgar, e se despojaram dos vestígios da auto-importância.

 

Se adentramos determinado espaço dominado pela angústia e pelas emoções negativas, temos por hábito dizer que ‘a barra está pesada’, e tendemos a nos proteger e afastar. Isso acontece porque materializamos emoções, sentimentos e pensamentos. Somos seres mágicos e, de quando em vez, retiramos um coelho da cartola. Mas cuidado com as surpresas, pois, de repente, no lugar do coelho podemos tirar um Lobo.

Conhecimento é matéria. Quando nos habituamos a nutrir de modo unilateral o Centro Intelectual (art. 102), sem que haja qualquer tipo de drenagem, podemos nos tornar tão pesados a ponto de não podermos mais nos levantar da mesa de estudos, ou sair da frente de um computador. Absorvemos um grau tão grande de materialidade intelectual; um grau tão absurdo de obesidade racional, que nada mais vemos, além dos nossos conceitos e interpretações.

ASSIM, TODAS AS NOSSAS ATITUDES TERÃO POR OBJETIVO JUSTIFICAR E RACIONALIZAR PENSAMENTOS.

O grau mais denso de materialidade que possuímos está no Centro Sexual. Ele é o nosso maior consumidor de energia, pois além de gastar desordenadamente ainda rouba energia dos outros Centros. Se tivéssemos conhecimento prático do extenso caminho percorrido por um Hidrogênio 784 até alcançar Si 12, pensaríamos muito antes de desperdiçá-los. Mas como tudo tem seu preço, o Lobo cativo no subsolo pode a qualquer momento nos apresentar a ‘conta’, cobrando a divida à vista e em espécie’. É quando corremos para os templos a buscar ajuda de Deus, sem saber que a verdadeira ‘amarração’ somos nós mesmos. O Centro Sexual é como um fio terra que possibilita escoar excessos. Mas quando o processo sofre inversão, além de não escoar, ainda absorve outras. A ESCOLA nos diz que somos vitimados por várias doenças devido ao mau funcionamento desse processo natural.

Enfim, se despertamos e corremos, somos comidos pelo Sol; se permanecemos parados e adormecidos, alimentamos a Lua. É uma lei, não temos alternativa. E se a segunda hipótese se confirmar, então haverá choro e ranger de dentes.

Que assim seja!

107 – As emoções negativas

In Artigos on 20 de agosto de 2011 at 13:08

Eis um tema de fundamental importância para todo aquele que almeja ingressar em um novo estado de consciência. Hoje somos peneiras a colher águas da chuva, toda a energia necessária ao nosso processo evolutivo escoa por pequenos dutos espalhados pelo corpo. Esses dutos funcionam como um sistema contínuo de drenagem, que impossibilita ultrapassar o que chamamos de intervalos. Por isso impecabilidade é uma palavra chave, pois consiste em reter no interior do casulo (art. 015) toda a energia possível e necessária ao processo evolutivo.

PORTANTO, UM GUERREIRO IMPECÁVEL É AQUELE QUE NÃO JOGA SUA ENERGIA NOS BINGOS E CASSINOS DA VIDA.

Só podemos ativar o firme propósito de despertar se tivermos reservas suficientes para isso, mas hoje não as temos em virtude de sua má utilização. Diria até que o sistema interno de produção é mais do que suficiente, o que realmente devemos exorcizar é o gasto excessivo e desnecessário.

AS EMOÇÕES NEGATIVAS SÃO SEMPRE UM SINAL DE FRAQUEZA.

Diria que as emoções negativas produzem o elixir que nos mantém adormecidos. Ser fraco emocionalmente significa não levar uma vida impecável, ou seja, permitir vazamentos por onde escoam energias vitais ao processo de revitalização do espírito. Diria até que as emoções negativas formam um conglomerado de empresas de abastecimento, que mantêm em atividade o ‘Sofrimento Inútil’. A identificação é um estado tão implacável da mente que praticamente deixaríamos de existir, se cortássemos todas as nossas emoções negativas de uma só vez. A ESCOLA diz que nada podemos  ‘fazer’, pois não dispomos de energia suficiente e de boa qualidade para ‘O fazer’ (art. 033).

É necessário praticar a Observação de Si Mesmo, pois assim nos tornamos conscientes do imenso poder que exercem sobre nós. Não há uma só emoção negativa que possa ser considerada útil. São ladras oportunas, que roubam energia de todos os Centros e a desperdiçam em reações tolas e ocasionais. É muito importante ressaltar que as emoções negativas não possuem nenhum Centro de produção natural, portanto, são artificiais. Foram desenvolvidas ao longo dos anos, desde o período intra-uterino e passaram a ganhar força e notoriedade a partir da vida adulta.

LEMBRE-SE QUE AS EMOÇÕES NEGATIVAS SÃO ARTIFICIAIS E DESNECESSÁRIAS.

Elas representam atitudes mentais incorretas, não servem a nenhum propósito útil e viciam tanto quanto um narcótico.

AMAMOS E IDOLATRAMOS O SOFRIMENTO INÚTIL PELO SIMPLES PRAZER DE TÊ-LO, EM RESUMO, TRATA-SE DE UM VÍCIO, COMO QUALQUER OUTRO.

Para iniciarmos uma luta em cadeia contra as emoções negativas, em primeiro lugar temos que observá-las, pois cada uma tem um sabor peculiar e reage de determinada maneira. Em seguida, é necessário atenção à importância das nossas atitudes (art. 007), pois trata-se de um fator essencial para nos anteciparmos às suas reações.

QUANDO ESTAMOS ENVOLVIDOS PELO SEU FASCÍNIO NÃO TEMOS COMO FREÁ-LA, POIS A SUA VELOCIDADE DE AÇÃO É MUITO GRANDE. POR ISSO O PROCESSO DEVE SER PREVENTIVO, E COMEÇA PELA OBSERVAÇÃO DE SI MESMO.

Se observarmos a nós mesmos, veremos que nossa vida é um culto diário às emoções negativas. Recordo-me de uma frase pronunciada na Escola Gurdjieff de São Paulo: “… vos peço que odieis menos uns aos outros”. Essa magnífica colocação é corroborada pelo Nagual Julian, que ao jogar Dom Juan nas águas turbulentas do rio, pronunciou: “Pelo amor de Deus! Não odeie o rio”. Tal é o poder das emoções negativas, a ponto de dominar todas as nossas ações, sem exceção de nenhuma.

É IMPOSSÍVEL MANTER INDENES O LOBO E O CORDEIRO CONFIADOS À NOSSA GUARDA, SE NÃO ACOLHEMOS O LOBO E O CORDEIRO QUE FORAM CONFIADOS À GUARDA DO NOSSO PRÓXIMO.

E as emoções negativas têm sempre o propósito de ferir, tanto a nós quanto aos outros.

O SEU RAIO DE AÇÃO É TÃO VASTO QUE PODE ATRAVESSAR SÉCULOS E SOBREVIVER.

As emoções negativas originam-se no Centro Instintivo (art. 058) e ganham força no Centro Emocional, mas a sua causa maior tem ligação direta com a identificação e a imaginação. Elas, simplesmente, não existem sem identificação e imaginação. Sendo assim, podemos concluir que:

QUANDO SOB O DOMÍNIO DAS EMOÇÕES NEGATIVAS, COM CERTEZA, ESTAMOS IDENTIFICADOS, E SUBMISSOS À IMAGINAÇÃO.

Se perdêssemos apenas um pouquinho da auto-importância (art. 053), muitas dessas emoções deixariam de nos fascinar e exercer o seu domínio. Nos imaginamos importantes e qualquer atitude que contrarie isso pode desencadear uma reação em cadeia, do tipo: “Você, por acaso, sabe com quem está falando?” ou Quem você pensa que é para me tratar assim?”

AS EMOÇÕES NEGATIVAS NÃO SÃO PRODUZIDAS PELAS CIRCUNSTÂNCIAS.

Portanto, não diga coisas do tipo: “Reagi deste modo porque fulano me insultou” ou “Caso fulano não tivesse feito aquilo, tudo seria diferente”.

NENHUMA EMOÇÃO NEGATIVA PODE SER PRODUZIDA POR CAUSAS EXTERIORES SE EU NÃO QUISER; SÓ A MINHA FRAQUEZA PODE PRODUZI-LA.

Ser impecável significa ser forte o suficiente para não permitir drenagem, através das emoções negativas.

A principal razão de as cultuarmos é a devoção ao ‘Sofrimento Inútil’, mas quem a mantém com zelo e cuidados especiais são nossos hábitos (art. 090). Inicialmente, é muito difícil deflagrar uma luta contra elas. É preferível observar e tentar não expressá-las. Compreenda que não podemos estudá-las convenientemente se sempre as expressamos.

A VERDADEIRA LUTA CONTRA AS EMOÇÕES NEGATIVAS SIGNIFICA LUTAR BRAVAMENTE CONTRA A IDENTIFICAÇÃO.

Quando deixarmos de nos identificar da forma como o fazemos hoje, o seu poder não será tão grande quanto agora. O solo preferido para a sua proliferação é a identificação. Precisamos criar alguma resistência à sua manifestação. Precisamos dizer: “Até hoje fui um simples joguete nas suas mãos, mas a partir de agora a história será outra”. Lembre-se que o simples fato de observá-las já quebra o seu encanto.

A EXPRESSÃO DAS EMOÇÕES NEGATIVAS É SEMPRE MECÂNICA, MAS OPOR RESISTÊNCIA A ELA É UM ATO CONSCIENTE; É O PRINCÍPIO DO DESPERTAR.

Está escrito no Oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. Mas será que nos conhecemos? As possibilidades reais do conhecer estão no Centro Emocional. Mas, se o Centro Emocional está sob o jugo das emoções negativas, como podemos conhecer a nós mesmos?

PODEMOS COMEÇAR PELA OBSERVAÇÃO DAS NOSSAS EMOÇÕES NEGATIVAS. ELAS SÃO REPETITIVAS E, DIANTE DE DETERMINADAS CIRCUNSTÂNCIAS, SEMPRE SE APRESENTAM DA MESMA FORMA.

Elas determinam o grau de reação e depois vão embora, escoando energias e, quase sempre, nos deixando em situação difícil. Precisamos não expressá-las, achar razões para não expressá-las. Elas se baseiam sempre em pensamentos norteados por atitudes incorretas. Se passarmos a dedicar mais atenção à importância das nossas atitudes, poderemos depois de algum tempo, mudar esse quadro.

PENSAMENTOS PODEM SER MAIS PERMANENTES QUE SENTIMENTOS, PORTANTO, UMA FORMA PRIMITIVA DE FAZER CONSISTE EM OBSERVAR E MUDAR ATITUDES. ISSO, COM CERTEZA, IRÁ INFLUENCIAR OS SENTIMENTOS.

As emoções negativas têm a sua origem no Centro Instintivo e, como são nutridas pela imaginação e identificação, não encontram a resistência oposta pela Segunda Força, tornando-se assim um câncer a se espalhar rapidamente pelos demais Centros. Repare que quando manifestar emoções negativas do tipo: “Fulano não vale absolutamente nada” ou “ciclano vá para a ponte que caiu”, ou ainda outras reações desta estirpe, irá se sentir cansado, com um vermelhidão no rosto, além de alterações na pulsação e temperatura do corpo. Significa que os dutos foram rompidos e a energia está se esvaindo.

Mas existem formas menos grosseiras de dissipação, tais como: ciúme, inveja e angústia.

QUANDO LÁGRIMAS ROLAM NO SEU ROSTO É ENERGIA VITAL QUE ESTÁ SE ESVAINDO COM ELA.

QUANDO FICAMOS ANSIOSOS POR ALGUMA COISA OU DEPRIMIDOS EM FUNÇÃO DE OUTRAS, ESTAMOS DRENANDO ENERGIAS NECESSÁRIAS AO DESPERTAR.

Portanto, estar identificado é um estado de alguém fraco e submisso, que ainda não despertou. Ser impecável é a suprema arte de um guerreiro Tolteca, mas esse processo pode levar uma vida inteira de sacrifícios e privações.

Lembre-se que não basta interromper a manifestação externa, precisamos vasculhar as suas raízes internas, por isso a Observação de Si Mesmo é fundamental. Podemos praticar uma atitude e termos a intenção sincera de eu estou aqui. é um excelente começo para não expressarmos tais emoções. A intenção que se esconde por detrás da emoção é uma coisa e a sua expressão é outra. Precisamos interromper a causa. Mas qual é a causa? A identificação é a causa. Ela é a causa geral de todas as emoções negativas. Mas, sem a imaginação o processo não tem continuidade.

É mais ou menos assim: nos identificamos com alguma coisa ou alguém, a partir daí, o eixo dominante deixa de ser nós e passa a ser alguma coisa ou alguém. É como se assinássemos uma procuração a alguma coisa ou alguém, permitindo exercer domínio sobre o nosso Centro Emocional e determinar nossas ações. Então, deixamos de ser ativos e passamos a ser reativos.

NÃO AGIMOS; NÃO TEMOS UMA ATITUDE CORRETA, DETERMINANTE, APENAS REAGIMOS.

Há de convir que se trata de uma situação no mínimo caótica, mas é assim que nos comportamos.

Quando digo a alguém: ‘Olha aí, meu camarada! Não vá deixar o cachimbo cair’. Já me olha com ar de importante, como a dizer: Vá cuidar da sua vida! Mas, sem o saber, acaba de dar a si mesmo uma prova contundente do seu dormir. Quem está dormindo, simplesmente não vê.

Vamos concluir, reafirmando que…

NINGUÉM É CULPADO POR NOSSAS AÇÕES A NÃO SER NÓS MESMOS, PORTANTO, SOMOS A CAUSA MAIOR DE TUDO QUE NOS ACONTECE.

Pensamos de forma errada e agimos segundo nossos pensamentos, e não compreendemos que um dos meios mais elementares do fazer é…

FAZER-NOS PENSAR A NÓS MESMOS DE UMA MANEIRA DIFERENTE.

Precisamos reconhecer o enorme poder do pensamento. É notável o ensinamento do nagual:

“CESSAR O FLUXO ININTERRUPTO DOS PENSAMENTOS SIGNIFICA PARAR O MUNDO”.

O mundo que materializamos, ou seja, este mundo no qual vivemos, origina-se do pensamento. Se praticarmos ‘Uma nova maneira de pensar’ seremos co-fundadores de Um Novo Modelo do Universo.

Que assim seja!

Esta página é um tributo a P. D. Ouspenski, e um sincero agradecimento ao seu trabalho e dedicação. Aos leitores dessa página indico o livro de sua autoria Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido

106 – O Colecionador

In Artigos on 19 de agosto de 2011 at 9:50

O lugarejo era bastante proposital, parecia pintado a pincel por um artista da renascença. O cenário perfeito para uma irmandade um tanto exótica, chamada: O Colecionador.

A sua origem data de tempos imemoriais e a tradição de seus ensinamentos foi passada de mãe para filha ao longo de muitos séculos, mas sempre fiel aos princípios. Gerações e gerações de simpatizantes foram se agrupando em torno da irmandade e ampliando cada vez mais os laços de influência a outras gerações. A sua origem não tem uma data precisa, mas pode ser que alcance algo em torno de 15.000 anos antes da era cristã. O que não deixa dúvida é a eficácia dos seus métodos. Além de manter sempre viva a Tradição, tomaram o cuidado de não permitir que o conteúdo esotérico dos seus ensinamentos caísse em mãos evasivas e inoportunas. Nada foi escrito dos seus ensinamentos, apenas a Tradição oral se impôs por toda a sua existência.

No final do século passado, recebemos ordens de traduzir de forma escrita fragmentos dos ensinamentos guardados há tanto tempo. Homens Notáveis visitaram a Europa, América do Norte, Central e América do Sul, trazendo os primeiros resquícios do Verdadeiro Conhecimento. Mas para nos colocarmos no seu caminho precisamos de alguma coisa chamada: Centro Magnético, ou seja, algumas características pessoais de referência que possibilitem a sua aproximação. Muita atenção a um pequeno detalhe: é o Verdadeiro Conhecimento que nos escolhe e não o contrário.

A princípio o método aplicado pela Irmandade era o contato puramente pessoal. Por não haver ainda uma linguagem específica (não nos esqueçamos que a escrita ainda não tinha evoluído), sua mensagem era passada originalmente de mãe para filha. O conteúdo dos seus ensinamentos criou então algo que chamamos de Álbum de Fatos Memoráveis.

A vida difícil que levavam na luta pela sobrevivência e o modo coletivo de viver em grupo fizeram da Irmandade um modelo de austeridade e zelo. No seu Álbum de Fatos Memoráveis estão registradas lutas bravias em nome da sobrevivência de sua estirpe e defesas magníficas de sua prole contra inimigos naturais, mas sem nunca ferir a sensatez e o brio de um adversário. Não havia excedentes fétidos na Irmandade.

Dois personagens importantes são citados na Irmandade. Um tal de Lobo que simbolizava o espírito caçador, sua sensibilidade e faro, além da frieza diante da caça, e um tal de Cordeiro que representava o Fogo Sagrado, a própria caça e a vida. O Cordeiro era comparado à Grande Mãe (art. 097), progenitora e protetora dos seus filhos amados. Sua carne sempre renovada nutria gerações, era consumido e renascia do útero de Gaia, para ser novamente consumido, num ciclo sem fim.

A MULHER DÁ A SI MESMA NA GERAÇÃO DE UM FILHO; DOA METADE DO SEU CORPO, PARA POSSIBILITAR A EXISTÊNCIA.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. O Cordeiro é o próprio útero de Gaia, mas é o Lobo que comanda todo o seu Centro Instintivo (art. 058) e possibilita nossa sobrevivência como espécie. Entender isso é o princípio mágico da sabedoria universal, e levar isso à prática é o bem maior no caminho da evolução de um homem.

Era a mulher que mantinha aceso o Fogo Sagrado, a chama mística de união com a vida, e determinava tudo que devia ser feito dentro da Irmandade.

A MULHER ERA A MÃE ESPIRITUAL E TERRENA E, AO LONGO DE MUITOS SÉCULOS, FOI CULTUADA COMO O CORDEIRO, SÍMBOLO DA VIDA E DO RENASCIMENTO.

O Verdadeiro Conhecimento fez morada naquela casa humilde, onde os que nela habitam são vistos como tolos e antiquados por contentarem com tão pouco, e pelo seu modo natural e simples de viver. Foi ali que encontrei O Colecionador. Um homem com dez mil anos, barba branca e um doce sorriso de criança.

Como reza a tradição, pediu que entrasse e me serviu um bom café. Permaneceu em completo silêncio por duas horas, convidando-me com o olhar a reparar na casa. Móveis antigos envelhecidos, cadeiras rústicas e paredes de bambu. Um velho fogão à lenha com panelas de barro.

Depois, com modos simples do interior, perguntou o que me levava à sua casa. Perguntei a respeito da Irmandade, onde estavam todos? Disse que restaram poucos e que naquela casa habitavam apenas ele, sua esposa e sua filha mais nova, que abstivera do casamento para permanecer junto deles. Era a filha que daria prosseguimento à Irmandade depois de sua morte. E os demais onde estão? Perguntei. Foram simplesmente embora, disse ele. Só restamos eu, minha esposa e minha filha. Muitos outros, ainda se dizem filhos da Irmandade, mas deturparam os Ensinamentos Sagrados em proveito próprio. Foram vitimados pelo progresso das idéias e criaram outros hábitos. Não habitam mais esta casa. Em seguida falou.

“Quando a Irmandade se originou, nós, os seus membros fiéis, colecionávamos fatos memoráveis no álbum de nossas vidas. Hoje colecionamos todo tipo de porcaria, objetos sem valor, que nos aprisionam tanto quanto um cachorro de estimação. Éramos então guerreiros memoráveis, cultuávamos o corpo e a clava; nossos filhos eram símbolos sagrados para nós. Nosso álbum revela a personalidade de um guerreiro, é o testemunho das circunstâncias adversas de uma vida. Digo memoráveis porque têm um significado especial para mim”.

“Todas as crianças, mesmo os filhos dos inimigos abatidos na batalha, recebiam alimento, abrigo e proteção. A Irmandade nunca soube o que é um mendigo, e cuidou dos mais velhos, como protetores espirituais e mães do Verdadeiro Conhecimento. Nossa fiel protetora era a Grande Mãe, por isso meu culto é minha esposa e minha filha. É a elas que rendo graças no Altar Sagrado do nosso lar”.

MINHA ESPOSA É UMA GUERREIRA ESPREITADORA E MINHA FILHA É UMA GUERREIRA SONHADORA. SOMOS TUDO QUE RESTOU DE NOSSO POVO.

Em seguida, me perguntou sobre o Álbum da Procissão da Miséria Humana. Se eu poderia, dentro do contexto da modernidade, usando os meus conhecimentos, lhe mostrar os fatos memoráveis daquilo que chamamos civilização.

EMUDECI. MEUS PENSAMENTOS VIAJARAM O MUNDO EM APENAS ALGUNS SEGUNDOS, ENQUANTO O SEU OLHAR CRIANÇA INFANTILMENTE ESPERAVA RESPOSTAS.

Não sabia o que lhe dizer. Estava envergonhado. Olhei para mim mesmo e, pela primeira vez, me vi completamente nu diante de um Homem de Conhecimento. Vasculhei o mais recôndito do meu ser e não encontrei nada que pudesse lhe dizer, então, cobri o rosto com as mãos e comecei a chorar.

Diante dos meus olhos descortinou-se um filme de cenas hediondas.

Bebês jogados na lixeira, enquanto policiais mal-pagos trocam tiros com traficantes, diante dos olhos incrédulos de vítimas inocentes; mendigos bebendo água de chuva, numa poça d’água em plena Central do Brasil; mulheres grávidas dando entrada nos hospitais, depois de serem espancadas pelos maridos; pais estuprando filhas menores e as matando sem nenhum remorso; dinheiro público desperdiçado em obras fantasmas ou super faturadas e roubo nos ativos do estado, enquanto moribundos contorcidos em dores vagueiam pelos corredores dos hospitais em busca de atendimento médico; tanques e aviões de guerra matando inocentes em nome do poder do estado; pássaros aos milhares em cativeiro e outros milhares de presos em condições sub humanas; restaurantes de luxo lotados, com pratos acima de duzentos reais, enquanto um assalariado tem ao seu dispor menos que isso para alimentar a sua família; sem falar em quatorze bilhões de dólares jogados por ano no mercado da pornografia e prostituição.

O que poderia eu dizer a ele? Eu, o filho ingrato, o esposo ingrato, o irmão ingrato. Aquele que nunca fez nada de realmente útil durante toda uma vida. Eu, um ser impuro, arrogante, pretensioso. Perguntei-lhe o que me levava à sua presença se eu mesmo sou parte dos desertores de sua Irmandade? Ele me respondeu:

“NA VERDADE GOSTO DO SEU ESPÍRITO DE COLECIONADOR, FOI ELE QUE O TROUXE AQUI. APENAS NÃO GOSTO DAS SUAS COLEÇÕES. É TUDO.”

Continuou dizendo:

“O ÁLBUM DE SUA VIDA É UM EXERCÍCIO EM DISCIPLINA E IMPARCIALIDADE. VOCÊ TEM DUAS MENTES: UMA É UMA VOZ QUE LHE TRAZ ORDEM, INTEGRIDADE E PROPÓSITO, ENQUANTO A OUTRA LHE TRAZ CONFLITO, AUTO-AFIRMAÇÃO, DÚVIDAS E ILUSÕES”.

“VOCÊ PRECISA MANTER INDENES AS DUA MENTES QUE HABITAM O SEU CORPO. QUER ACEITE OU NÃO, VOCÊ TEM UM LOBO E UM CORDEIRO CONFIADOS À SUA GUARDA.”

Foi então que dois fatos fizeram ruir as últimas colunas que sustentavam meu velho eu. Notei que em momento algum vi a esposa e a filha daquele sábio, mas ele afirmou que ambas se encontravam na casa. Aquele homem havia unificado as Três Forças em si mesmo. Logo em seguida, uma pomba (art. 063) pousou na janela, fitou-me com aquele terrível olho esquerdo, e voou.

Já estava deixando a sua casa quando acrescentou: “O que lhe proponho é que faça o seu próprio álbum, incluindo nele um relato completo dos eventos que tenham tido um significado profundo para você”.

E completou:

“RESOLVER O CONFLITO APARENTE ENTRE AS DUAS MENTES É UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA PARA TODO AQUELE QUE BUSCA O VERDADEIRO CONHECIMENTO”.

Depois de sair dali, andei sem direção pelas ruas. Tinha a nítida impressão de nada mais ter nenhuma importância para mim. Tinha vivido como um cadáver até aquele dia, com poder de andar e falar, mas não de sentir.

Que assim seja!

105 – O bem e o mal

In Artigos on 17 de agosto de 2011 at 23:45

Sem um sentimento de liberdade interior e sem a visão de um ‘eu real e desperto’, não há nenhuma possibilidade de evolução. O significado prático de evolução é ‘evolução da consciência’. Sem a Consciência de Si Mesmo não podemos falar em ética, nem significado. O senso de responsabilidade econômica, moral e social tem um vínculo direto com o despertar da consciência do homem moderno.

A unificação dos poderes do Lado Direito e do Lado Esquerdo do Homem é o objetivo maior da ESCOLA. Não objetivamos o Homem Perfeito, mas o Homem Completo, ou seja, aquele que integrou em si mesmo Luz e Escuridão. Todo esse processo irrompe obrigatoriamente da humildade e gratidão.

Ao nascermos nos é dado como presente do Altíssimo um Lobo e um Cordeiro. Entenda que é uma insensatez travar uma batalha insana contra esse Lobo Interior. Somos frágeis demais para tomarmos tal decisão, enquanto ele é parte real da nossa psique, é o Soberano Rei do inconsciente. Tal como somos agora, o inconsciente representa a totalidade de nosso Ser. Portanto, quando falamos em elevar o Lobo ao Chakra do Coração, estamos tentando dizer: nos tornarmos um homem nº 4, ou seja, um homem Consciente de Si Mesmo. Aqueles que permanecem cativos no 1º,  2º e 3º Chakras, ou seja, homens nº 1, 2 e 3, são os chamados Homens Adormecidos.

O Lobo (art. 009) jamais poderá ser vencido, apenas contido e observado. Quando nos tornamos conscientes da sua existência real e da sua força avassaladora, assumimos a responsabilidade por mantê-lo indene, fazendo com que esse poder descomunal se torne nosso aliado nas lutas e na superação dos obstáculos.

TRANSMUTAR ESCURIDÃO EM LUZ É O PORTAL ABERTO À ELEVAÇÃO ESPIRITUAL DO HOMEM.

Consciência é Luz, mas só a adquirimos a partir da Escuridão. Conservá-la e usá-la conscientemente é o objetivo maior da ESCOLA. Despertar significa transmutar escuridão em forma de Luz. Antes de abrir os próprios olhos e elevar a cabeça, o homem adormecido não poderá contemplar a vastidão do céu. Curvar a cabeça e se ajoelhar diante de Deus só é real para homens conscientes de si mesmos. Deus é Senhor na medida exata da sua inteligência e capacidade criadora. Está além da dicotomia Dominação X Submissão. A dualidade é inerente à mediocridade humana e não procede dos Planos Superiores da Existência.

QUANTO MAIS NOS TORNAMOS CONSCIENTES DE NÓS MESMOS, MAIOR POSSIBILIDADE TEMOS PARA ANALISAR A SUTILEZA DOS MOVIMENTOS DO LOBO NO INTERIOR DA NOSSA PSIQUE.

Ou seja, passamos a ver a nós mesmos e compreender melhor todas a nossas atitudes e intenções. Quando compreendermos que não existe nenhum Diabo na Terra, além de nós mesmos; quando passarmos a ver nossas atitudes e reações controversas e insanas, passaremos a entender melhor as reações do instinto, como causa natural e até saudável.

SÓ INICIAMOS O DESPERTAR QUANDO NOS TORNAMOS CONSCIENTES DAS FORMAS (ART. 042) QUE HABITAM NOSSO SER.

No entanto, todas essas formas individualizadas são integrantes da nossa totalidade. Não é fácil exorcizar uma forma. Uma simples imposição de mãos não resolve.

O LOBO É O HABITANTE DAS SOMBRAS, REPRESENTA TUDO AQUILO QUE NÃO PODE OU NÃO QUER SE ADAPTAR AOS COSTUMES E CONVENÇÕES.

A sua silhueta simboliza a repulsa, a negação e a desobediência, a vontade recalcitrante e a revolta contra todo o cânone cultural. Todas as tradições religiosas e sociais, quando abstraídas do seu verdadeiro conteúdo são renegadas pelo Lobo. Tudo aquilo que fede a hipocrisia e perdeu contato com o real e verdadeiro toma parte no seu jantar.

AS SOMBRAS NEM SEMPRE SÃO DESTRUTIVAS E A VERDADE NEM SEMPRE ESTÁ DO LADO DAS PRESCRIÇÕES GERAIS.

Diante da hipocrisia dos homens, o Lobo apenas diz: “Aqui estou, não posso fazer outra coisa, além disso; ajude-me, portanto, Senhor”. Talvez você não saiba, mas estas palavras são as mesmas que Lutero pronunciou em sua defesa na Dieta de Worms (1521). Hoje as pronunciamos até com certa reverência, mas naquela época Lutero era o próprio Lobo. Representava o mal maior para toda a cristandade.

NADA PODE AMPLIAR MAIS A CONSCIÊNCIA QUE A CONFRONTAÇÃO DOS ANTAGONISMOS INTERNOS.

A consciência e a ética não se definem perante o cumprimento lógico dos preceitos, mas no modo como nos comportamos e decidimos ao nos defrontar com os conflitos e imposição do dever.

Da mesma forma que em Lutero a corte é transferida para o universo interior, o veredicto do Lobo é pronunciado a portas fechadas, basta caneta e papel na mão.

Podemos nos elevar aos mais altos cumes ou mergulhar no mais profundo dos abismos, que nunca estaremos além do bem e do mal. Toda injustiça ao Lobo, bem como a ingratidão ao Cordeiro, não passarão impunes. É tão simples ver isso. Basta Observar a Si Mesmo para ver o reflexo nas nossas atitudes e intenções.

PORQUÊ SERÁ QUE TEMOS TANTO MEDO DE VER QUE NÓS MESMOS SOMOS O LOBO E O CORDEIRO?

O bem e o mal não são absolutos. Simplesmente, não podem ser. Como falar em bem e mal absolutos num universo relativo?

TANTO O LOBO QUANTO O CORDEIRO SÃO PARTES DO JULGAMENTO HUMANO, DEPENDENTES DA CULTURA, DA RELIGIÃO E DOS VALORES, SOB OS QUAIS ESTÃO SUBMERSOS.

Quando despertamos, perdemos a ingênua segurança que nos sustentava até então. Todas as armaduras produzidas pelos juízos de valor correntes caem ao chão.

Tente reconhecer que na mente identificada do homem comum não há nenhum bem que não possa ser injustamente interpretado como mal, como o exemplo de Lutero, citado anteriormente, e não há nenhum mal que não possa ser transmutado no bem, como o caso do Lobo, injustamente exorcizado nos templos.

Por isso a grande sabedoria escondida por trás dessa máxima Sufi:

EXISTEM CASOS EM QUE O LOBO PODERÁ TE LEVAR PARA O CÉU, E OUTROS EM QUE O CORDEIRO, COM CERTEZA, IRÁ LEVÁ-LO PARA O INFERNO.

Discernir o significado contido nesta máxima é unir os opostos. Mas isso só se torna possível se não houver a primazia de nenhum deles. A totalidade passa obrigatoriamente pela integração do Lobo e o Cordeiro. Eles representam a nossa capacidade de gerenciar conflitos, através de uma decisão ou aceitação, desde que a integridade seja mantida.

Tal como somos hoje, uma legião de eus inconseqüentes e contraditórios, só conseguimos visualizar o mundo pela ótica da dualidade, através dos opostos.

SOMOS INCONSCIENTES, PORTANTO, A UNIDADE APARECE DE FORMA SEPARADA PARA NÓS.

Deus exige de nós obediência e desobediência. Urge o despertar. Para desobedecer conscientemente é necessário estar desperto.

A REBELDIA DE ABRÃO E JACÓ É SÍMBOLO DA DESOBEDIÊNCIA CONSCIENTE, E SOMENTE POR EXERCÊ-LA FORAM AGRACIADOS POR DEUS.

O despertar da consciência do homem é tarefa extremamente difícil, pois exige a compreensão da unidade dentro da diversidade. Compreender a unidade do Lobo e o Cordeiro é tarefa para muitos anos de dedicação e prática.

A VONTADE E A CONTRA-VONTADE DE DEUS SÃO PARTES INTEGRANTES DA SUA PRÓPRIA VONTADE.

O mandamento “Amarás o teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma…” é interpretado pelo Misnah como: “com ambos os teus impulsos”. Em Isaías 45:7 está escrito: “Eu formo a Luz e crio a Escuridão; faço o bem e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas as coisas”. No Judaísmo, quando referenciado pelo misticismo da Kaballah, nos diz que: “O bem e o mal estão contidos no próprio Deus, sua severidade caminha ao lado do seu amor”.

A vida só tem existência real, tanto em Deus quanto no homem, quando o mal mantém uma relação pacífica com o bem. Sabemos o quanto é difícil vivenciar isso, mas vale a pena tentar. Juntos o Lobo e o Cordeiro pertencem ao Homem Integral, à sua totalidade, e são símbolos redentores da vida.

Que assim seja!

 

            

104 – O habitat dos meus sonhos

In Artigos on 16 de agosto de 2011 at 23:50

Todo fim de tarde, à hora do crepúsculo, quando os raios de sol cedem lugar às sombras fugazes do anoitecer, lembro com nostalgia do velho banco da casa de Silvio Manoel. Sentávamos ali para ouvir magníficas histórias, fatos memoráveis da vida de um guerreiro.

Uma delas foi contada por Genaro e, não sei se ao acaso ou de forma proposital, tornou-se então uma lenda viva dentro da minha própria história. Ela dizia mais ou menos o seguinte:

Por alguma razão inexplicável em determinado momento da vida, sentimos abater sobre nós a força imperativa do espírito. E, quando temos a felicidade de tal fato nos acontecer, perdemos o vínculo das certezas; a direção do vento muda bruscamente e, a partir daí, não sabemos mais com tanta exatidão quem realmente somos.

Assim aconteceu comigo. Quando menos esperava o punho forte do destino abateu-se sobre mim e, de repente me vi numa situação completamente inusitada. Houve uma quebra na minha continuidade, como se fosse o momento triste de uma despedida (art. 049).  Perdi então a noção de quem era e para onde ir. Rodopiei no ar como levado por um imenso redemoinho até cair em lugar ermo e desconhecido.

No auge do desespero nossa primeira atitude visa restituir as perdas, e com os despojos reconstruir nosso pequeno mundo, dentro do mesmo modelo daquele que nos foi tirado. Mas existem casos em que a restituição torna-se absurda e quase impossível. Por mais que tenhamos esse propósito, a resistência oferecida é grande demais e toda e qualquer tentativa torna-se infrutífera. Este é o meu caso e de modo bastante pessoal também o caso de Genaro.

Quando o embate iniciou-se rodopiei no ar durante horas numa luta desumana. Perdi completamente a noção do tempo, e embora continuasse bem ali onde sempre estive, já não tinha mais a noção segura de quem era, nem onde estava. Então, procurei desesperadamente por mim mesmo até compreender que me encontrava num lugar completamente desconhecido a muitas milhas do habitat dos meus sonhos. Tive a nítida sensação de estar muito distante, mas por alguma razão desconhecida sabia ficar exatamente ali à oeste de onde me encontrava. Ainda era cedo e o sol despontava no horizonte, então comecei a caminhar.

Todos os carros e ônibus que trafegavam por ali não paravam em hipótese alguma. Também não era possível ler o seu letreiro de destino. Além disso, não tinham nenhuma descrição além de uma coloração azul esverdeada. Percebi então um pequeno grupo de homens e mulheres vindo na minha direção. As suas feições me eram familiares. Perguntaram se eu estava perdido. Respondi que estava à procura do habitat dos meus sonhos. Disseram-me então que havia tomado o caminho errado, deveria seguir à leste. Ofereceram-me comida e água e me convidaram a acompanhá-los, dizendo: “Venha conosco, nós também estamos indo para lá”. Mas não os acompanhei.

HAVIA ALGO NELES QUE NÃO ERA REAL. OS SEUS OLHOS PARECIAM TENSOS E ADORMECIDOS.

Agradeci pela comida e água e segui meu próprio caminho. Eles gritaram pedindo que voltasse, mas preferi seguir adiante.

Depois de caminhar um pouco, voltei a ganhar confiança. Tinha certeza que o habitat dos meus sonhos ficava exatamente naquela direção. Então avistei um ônibus que trafegava lentamente. Percebi sua aproximação e aventei a possibilidade de viajar até um lugarejo próximo, onde pudesse obter informações mais precisas que permitissem me localizar melhor. Para minha surpresa aquele ônibus parou, e o motorista sorriu de forma cortês e educada. Perguntei se havia alguma possibilidade de me dar uma carona até o primeiro povoado, no que ele assentiu afirmativamente. Logo em seguida, perguntei se conhecia o itinerário do habitat dos meus sonhos. Disse que sim e me apontou um assento vago. Sentei-me então ao lado de um senhor que lia comodamente o seu jornal. Havia diversas reportagens, todas aparentemente iguais. Só divergiam os enunciados, mas o conteúdo era o mesmo. Perguntei-lhe então se conhecia o habitat dos meus sonhos, ao que respondeu que sim, e acrescentou que aquele ônibus pertencia a uma congregação, e estavam a caminho de lá. Teve a gentileza de tirar do bolso uma carteirinha e me mostrar, onde pude ler:

CONGREGAÇÃO DA PROCISSÃO DA MISÉRIA HUMANA.

Senti calafrios. Ele perguntou se estava me sentindo bem, pois era médico e podia prestar-me alguns cuidados caso estivesse necessitando. Além do mais, os que viajavam naquele ônibus eram funcionários de uma grande companhia de extração de petróleo e não iriam se esquivar de me dar algum apoio, caso estivesse desprovido de recursos e não tivesse como me manter. Agradeci e saltei na primeira parada.

AQUELAS PESSOAS NÃO ERAM REAIS, NÃO PODIAM ME LEVAR AO HABITAT DOS MEUS SONHOS.

A sua cultura, seus modos e aparente tranqüilidade não conheciam o caminho que levava até lá. Disseram, enquanto saltava, que a estrada era perigosa e solitária, insistindo que permanecesse com eles. Mas não eram reais. Não conheciam o caminho do habitat dos meus sonhos.

Já anoitecia quando alcancei um posto de gasolina. Fui agraciado por vários caminhoneiros que disseram: “Boa noite! Seja bem-vindo. Sente-se e coma alguma coisa com a gente”. Gostei da presença deles. Eram simpáticos e sorridentes. Vários me disseram que, se pernoitasse naquele lugar e aguardasse até o amanhecer, me levariam com eles. Mas estes também não eram reais. Pertenciam a uma empresa transportadora chamada:

UNIÃO TRANSPORTADORA DA MISÉRIA HUMANA LTDA.

Caminhei durante os próximos três dias, dormindo ao relento e bebendo água dos riachos. Alimentando-me de frutas e mel, e ainda alguns pães, broa de milho e café, que algumas pessoas providenciais me ofereciam às margens do caminho.

Até que uma senhora gentil e educada, parando o seu carro para pedir informações, ofereceu-se para levar-me a uma casa próxima chamada Lun House, onde um senhor de nome Google poderia mostrar-me o caminho correto ao habitat dos meus sonhos. Foi solícito e extremamente gentil, mas também não era real.

SEUS OLHOS TINHAM O BRILHO DOS INTELECTUAIS, QUE SABEM TUDO A RESPEITO DE TUDO E DE TODAS AS COISAS.

E neles eu também não podia confiar.

Durante muitos anos andei pelos mais diversos lugares, sem nunca encontrar o caminho de volta.

NUNCA VOLTAREI AO HABITAT DOS MEUS SONHOS, NO ENTANTO, EM MEUS SENTIMENTOS, ÀS VEZES, ACHO QUE ESTOU A UM PASSO DE ALCANÇÁ-LO.

Mas nunca o alcançarei. Na minha viagem já nem encontro mais os antigos conhecidos marcos que costumava achar. Nada é igual. Em minha viagem ao habitat dos meus sonhos só encontro viajantes fantasmas e nada mais.

Depois de alguns anos caminhando, encontrei dois amigos pela estrada. Eles me perguntaram se eu conhecia o caminho para o habitat de um Verdadeiro Sonho e, antes que respondesse, passaram a caminhar ao meu lado. Falam pouco, só o necessário, mas são reais.

HOJE CAMINHAMOS EU, UM LOBO E UM CORDEIRO.

Tudo que deixamos no habitat dos nossos sonhos está perdido para sempre. Tudo que amamos, ou detestamos ou desejamos, ficou para trás.

NO ENTANTO, OS NOSSOS SENTIMENTOS NÃO MORREM E NÃO MUDAM.

Iniciamos a nossa viagem de volta sabendo que nunca mais voltaremos. Nenhum poder do mundo pode nos levar de volta ao lugar, às coisas e às pessoas que amamos.

A VELHA MANEIRA DE PENSAR É TUDO QUE TEMOS NESSE MUNDO DE CERTEZAS ABSOLUTAS.

E quando isso se torna poeira da estrada, nada mais resta de nós. Quando isso muda, tudo muda. Nada resta de nós, senão incertezas e chão.

Para trilharmos o caminho da Luz temos que ser apaixonados. Um homem apaixonado tem bens terrenos e coisas queridas… se nada mais, o simples caminho que anda.

É essa a história de Genaro, que por uma feliz coincidência também é a minha. A nossa paixão ficou no habitat dos nossos sonhos. Nosso lar, nossa gente, todas as coisas que amamos ficaram lá.

E AGORA VAGAMOS SÓS EM NOSSOS SENTIMENTOS.

Agora resta-nos somente a lembrança dos versos de um poema que recitamos, quando pela última vez naquele banco da casa de Silvio Manoel.

“…e eu partirei. Mas os pássaros ficarão cantando. E meu jardim ficará com sua árvore verdejante, com seu poço d’água. Em muitas tardes os céus serão azuis e plácidos, e os sinos da torre repicarão, como repicam esta tarde. Aqueles que me amaram passarão, e a cidade explodirá de novo a cada ano. Mas meu espírito sempre vagará nostálgico no mesmo recanto escondido do meu jardim florido.”

Que assim seja!

Agradecimentos eternos e de todo o meu coração a Carlos Castañeda e ao grupo do Nagual, pois sem eles está página não teria sido publicada. Viagem a Ixtlan é a obra que indico a todos os meus leitores. Muito obrigado e um grande beijo no coração de todos vocês.

103 – As influências A, B e C

In Artigos on 15 de agosto de 2011 at 21:32

Navegamos num imenso mar de influências. Somos bombardeados a cada minuto por uma infinidade delas. São as influências que dão colorido especial às circunstâncias, delineiam seus aspectos mais sutis e determinam todas as formas possíveis de comportamento.

A ESCOLA relaciona as influências em três categorias: Influências A, B e C. Cada categoria com origem e significação diversa. Tais como somos agora, respondemos de forma direta e condicionada às influências impostas por cada situação. Diria que somos o próprio mar, e a qualidade de vida que geramos é dependente das influências que absorvemos.

Afinal, o que vem a ser influências A? São aquelas com as quais dividimos o espaço no dia a dia. Tudo praticamente que nos rodeia e exerce determinada ação sobre nós chamamos de influências A. Por exemplo, as impressões que chegam até nós por meio dos jornais e revistas; os programas de rádio e televisão; nossas preocupações habituais com trabalho, escola e afazeres domésticos; relacionamentos sociais; o bate-papo do café sobre política, futebol, carnaval, e outros; as vitrines das lojas; música, cinema, teatro, enfim, todas as formas usadas para mantermos contato com o nosso mundo civilizado. O que precisamos destacar aqui é que:

AS INFLUÊNCIAS A SÃO INCONSCIENTES NA SUA ORIGEM E NA SUA APLICAÇÃO.

São as influências A que norteiam o campo de atividade da Procissão da Miséria Humana. Não se faz necessário nenhum esforço, tanto para a sua aquisição, quanto para a sua aplicação. Elas foram criadas e são mantidas por nós, pois servem aos nossos interesses imediatos. O fazer do homem está diretamente relacionado às influências A, significando que ninguém faz nada que não seja condizente com o seu raio de ação. Portanto, nenhum de nós faz absolutamente nada, tudo simplesmente acontece.

O NOSSO FAZER É CONDICIONADO PELO FAZER DO OUTRO.

Perdemos uma grande quantidade de energia disponível nos submetendo a todo tipo de influências. Os hábitos (art. 090) e a velha maneira de pensar estão condicionados por ela.

COMO PENSAR E AGIR DE FORMA DIFERENCIADA, NUM MUNDO ONDE TODOS PENSAM E AGEM DA MESMA FORMA?

Pensar e agir da mesma forma, apenas com pequenas variações de estilo, cultura e época, significa não pensar. O que dizer de um navegador que se deixa levar pela direção do vento? Observe a Si Mesmo e verá que somos assim. Basta uma depressão na bolsa de Nova York para o mundo inteiro entrar em pânico. Estamos mais interligados do que podemos imaginar. Somos filhos virtuais do Google e netos da geração Coca-Cola.

AS INFLUÊNCIAS B SE DESTACAM POR SEREM CONSCIENTES NA SUA ORIGEM, MAS SÃO INCONSCIENTES NA SUA APLICAÇÃO.

Podemos citar como exemplo de influências B, os Textos Sagrados (art. 005), a filosofia, determinada qualidade daquilo que chamamos ‘arte’ e também certas composições musicais, dentre outras. O que caracteriza as influências B é o fato de serem originárias de uma mente consciente, mas devido a fatores diversos terem se tornado inconscientes na sua aplicação.

É o que está acontecendo hoje com as religiões do mundo inteiro. A interpretação literal de um Texto Sagrado, sem o conhecimento implícito na Tinta Fogo Branca está traduzindo sabedoria na forma de ‘letras mortas’, e assim perdendo contato com o seu verdadeiro conteúdo e significado. Talvez por isso, tenhamos hoje um contingente enorme de religiosos jamais visto em nenhuma época, enquanto o resultado prático obtido sinaliza com o pior quadro já evidenciado em toda a história. É preciso que os homens de fé reflitam profundamente. Não basta número, tem que ter qualidade, aliás, quantidade é o que menos importa. Para se ter quantidade temos que ter certos atrativos, e convenhamos que nem sempre são os mais adequados.

Conforme citamos, as influências B são conscientes na sua origem, mas vão perdendo conteúdo e significado ao longo dos anos, e acabam se tornando influências A. Isso significa que os rituais passam a ser apenas atos repetitivos e inconscientes; que os cultos e pregações passam a visar objetivos imediatos e concretos e, infelizmente, acabam se transformando num mercado (art. 068), onde sobrevive e faz sucesso aquele que for mais astucioso e tiver ‘o dom da palavra e da profecia’.

Restaram as influências C.

ESSAS SÃO CONSCIENTES NA SUA ORIGEM E EXIGEM QUE SEJAMOS CONSCIENTES NA SUA APLICAÇÃO.

Porém, ocorre que as influências C não podem nos alcançar a todos na sua forma original. Por isso elas sempre foram passadas de mestre a aprendiz, ou através de irmandades circunscritas a um pequeno número de pessoas, previamente preparadas para recebê-las. Digamos, por analogia, que sejamos comparados a uma lâmpada produzida para emitir luz, quando devidamente alimentada por uma corrente elétrica. Se a intensidade da corrente for muito maior que a capacidade da lâmpada, os seus filamentos ficarão superaquecidos e se romperão.

Assim somos nós.

CONSCIÊNCIA É LUZ E NÓS TEMOS UM LIMITE SUPORTÁVEL DE ASSIMILAÇÃO.

Se uma determinada influência C caísse na sua forma original direto sobre os nossos Centros, enlouqueceríamos.

É necessário um esforço considerável para se colocar no caminho das influências C e conseguir vê-las. Diz-nos a tradição que ‘Os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos’. Portanto, posso afirmar com a experiência assimilada ao longo dos anos, que o primeiro passo para se colocar no caminho das influências C é ‘Uma nova maneira de pensar’, onde o propósito (art. 041) e a meta nada têm a ver com projetos e planos anteriores.

Nunca se esqueça de um detalhe: O Lobo e o Cordeiro são os Devas Lunar e Solar que guardam as colunas Jakim e Boaz do Templo Sagrado de Salomão, que nada mais é que a Origem Sagrada e Santa das Influências C. O Templo responde pelo Reino de Shamballa e pela Irmandade Sarmung (art. 025). Somente Três Forças indenes, íntegras e imaculadas possuem o conhecimento do mantra de acesso ao Templo.

…e os antigos já diziam que

UMA ANDORINHA SOZINHA NÃO FAZ VERÃO.

Que assim seja!

102 – O Centro Intelectual

In Artigos on 13 de agosto de 2011 at 19:41

O Centro Intelectual é a sede do conhecimento. Toda atividade do pensar ativo, o aprendizado através da leitura, o processo de armazenar dados e conhecer, enfim, tudo que se relaciona com a aprendizagem e o saber tem como base o Centro Intelectual.

O homem, desde os primórdios da sua existência, vem acumulando conhecimentos e experiências, e desenvolvendo este Centro. A proliferação das idéias e todo o conjunto criativo humano foram originados a partir dele. A evolução do pensamento ocorreu no contexto do seu desenvolvimento.

Uma nova maneira de pensar só se torna possível a partir de novas idéias, que possibilitem refletir a respeito de velhos conteúdos, sob uma nova ótica visionária. Precisamos de um alimento mais nutritivo, pois estamos saturados de venenos virtuais e pouco enriquecidos. Quando o alimento torna-se monitorado pelo aspecto puramente financeiro, seus ingredientes básicos sofrem perda real de qualidade. Estamos usando agrotóxicos mentais em demasia, e esse excesso está contaminando nossas reações de uma maneira jamais vista.

O primeiro contato com a ESCOLA nós o fazemos por meio do Centro Intelectual. Toda e qualquer possibilidade, a partir de um Centro Magnético, se processa no Centro Intelectual. É o que estamos fazendo hoje, alimentando os  pensamentos com novas idéias, observando por um novo ângulo aquilo que antes víamos com olhar fixo e distante. Precisamos deixar de ser indiferentes. Um homem adormecido age sempre com indiferença, enfim nunca está em casa quando mais precisa de si mesmo.

Reafirmamos nas páginas anteriores que conhecimento é matéria. Portanto, o Centro intelectual funciona como uma grande fábrica, projetando e produzindo os mais diversos produtos, materializando sonhos e muitas vezes submergindo à bancarrota e decretando sua própria falência.

SOMOS EMPREENDEDORES E CONSTRUTORES, POR ISSO A VIDA SÓ É REAL QUANDO NOSSO PROJETO DE VIDA É REAL.

Pensamentos e  idéias podem atravessar séculos de existência e sobreviver. Uma palavra pode criar, enquanto outra destrói e mata. A mesma mão que afaga é a mesma que apedreja. Sim e não podem trocar de lugar na dança dos fatos.

O CENTRO INTELECTUAL É A ALMA PENSANTE DO HOMEM.

O pensamento de um Homem de Conhecimento é sempre relativo. Ele nunca busca valores absolutos, pois sabe que as circunstâncias podem se modificar em questão de segundos. Quando conhecemos os pensamentos e o seu poder de persuasão não nos prendemos a nenhum deles. Da mesma forma que um discípulo que aprendeu a pensar por si mesmo não necessita de nenhum mestre, um mestre autêntico também não possui discípulos.

O aprendiz é diferente do discípulo. O aprendiz sorri e brinca com o conhecimento. Todo reencontro é festivo, tudo se renova. O discípulo é triste, contemplativo, distante. É como se carregasse nos ombros o fardo do conhecimento.

SE UM DETERMINADO CONHECIMENTO LHE CAUSA FADIGA, JOGUE-O FORA E VÁ TOMAR UM BANHO DE MAR. PODE HAVER OUTRO MAIS SAUDÁVEL LHE ESPERANDO NUMA CONCHA ESQUECIDA NA AREIA.

Dizem que o conhecimento liberta. Concordo. Mas, por ter sua origem no Centro Intelectual, é preciso tomar cuidado para não se identificar com ele. Particularmente, considero a inteligência emocional mais confiável e segura, mas não podemos começar por aí.

É importante destacar que possuímos SETE CÉREBROS ou CENTROS, e que o Centro Intelectual é apenas um deles. Por isso insistimos em repetir que ‘não podemos fazer absolutamente nada’. O princípio do fazer interage pelo menos três Centros. Não se esqueça que qualquer manifestação é uma condicionante de Três Forças.

PARA INICIAR O FAZER PRECISAMOS UTILIZAR A PARTE SUPERIOR DO CENTRO INTELECTUAL.

Toda e qualquer forma de pensamento utilizada comumente no dia a dia, sem a exigência de nenhum raciocínio mais sofisticado, utiliza a parte motora deste Centro. Já a parte emocional do Centro Intelectual envolve outros requisitos e valores como, por exemplo, os recursos usados enquanto escrevo esta página. Além do raciocínio normalmente utilizado, ainda há necessidade de uma energia emocional para que possa assimilar conteúdo e propósito. Digamos que é um trabalho mais requintado que exige, além do conhecimento, a exatidão do pensamento e uma certa disciplina na ação.

Estamos enfrentando diversos problemas em virtude da utilização indevida das partes dos Centros. Queremos, por exemplo, usar a parte motora do Centro Intelectual, na resolução de problemas de maior envergadura, tais como nas questões envolvendo educação e sustentabilidade. Mas se o fazemos, simplesmente usando a parte motora deste Centro, tais idéias serão tomadas em proveito próprio, do tipo: ‘É proibido pescar lagostas nesta época do ano, mas deixa-me pescar só hoje, pois tenho uma fatura para pagar amanhã’. É assim que funciona, em resumo: não funciona.

Quando começamos a desenvolver, mesmo que de um modo muito rudimentar, a parte emocional do Centro Intelectual, tem início um processo que chamamos DESPERTAR.

Está conseguindo assimilar aquilo que pretendemos ressaltar ao dizer que estamos todos adormecidos, e somos integramos da procissão da miséria humana? É porque usamos sempre as partes mais baixas dos centros. Por exemplo, quando só a parte mais baixa do Centro Sexual é utilizada, o resultado é uma superpopulação de mais de sete bilhões de habitantes.

A parte motora do Centro Intelectual é maravilhosa quando está propensa a cumprir a tarefa que lhe cabe, mas ao se intrometer em atividades que não são da sua alçada o resultado nem sempre é o que prevíamos.

Existe um ditado que diz: ‘Quando a cabeça não pensa, o corpo padece’.

PENSAR CORRETO SIGNIFICA: USAR AS PARTES ESPECÍFICAS DO CENTRO INTELECTUAL PARA AÇÕES ESPECÍFICAS.

Temos ainda que conviver com outro problema que não deixa nada a desejar em relação aos anteriores: o desperdício e o roubo de energia que ocorre entre os Centros. Pensamos quando deveríamos sentir, e sentimos quando deveríamos pensar. Confundimos pensamentos e sentimentos a toda hora, e reagimos de forma circunstancial e imatura. Ações infundadas levadas pela emoção consomem grandes quantidades de energia. O pensar desnecessário, quando deveríamos agir, também. Muitos equívocos são cometidos pela utilização incorreta dos Centros.

Quando abordamos o tema IDENTIFICAÇÃO e destacamos o enorme poder que ostenta sobre nós, o fizemos porque está presente em todos os Centros, ou seja, estamos identificados nos Centros Intelectual, Emocional, Instintivo, Motor e sexual. Portanto, o homem nada pode fazer, na sua vida tudo simplesmente acontece.

Cada Centro é como se fosse um país com suas próprias leis, cultura e hábitos.

UMA NOVA MANEIRA DE PENSAR SIGNIFICA REEDUCAR PAÍSES INTEIROS, COM SUAS CULTURAS, HÁBITOS E TRADIÇÕES.

Mas temos como aliado o Centro Instintivo (art. 058), que possui um contingente poderoso com salvo conduto em todos os países. Se não fossem nossos fiéis amigos Leucócitos, já teríamos implodido há muito tempo. E acredite: Eles realizam tudo isso pelo simples prazer de viver por apenas dois dias.

O CENTRO INTELECTUAL É UM CO-CRIADOR. IDÉIAS E PENSAMENTOS SÃO ENTIDADES REAIS QUE HABITAM NOSSO MUNDO.

A verdadeira comunhão só pode acontecer entre as partes superiores dos Centros. Ela é o prenúncio da Eternidade aqui e agora. Deus vive e habita em nós. Basta despertar e ver.

Que assim seja!