Lázaro de Carvalho

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069 – A Criança Interior

In Artigos on 30 de junho de 2011 at 23:15
A criança interior

A criança interior

Uma criança tristonha e abandonada de súbito desperta, olhos arregalados, distantes e errantes, temerosos por todas as coisas à sua volta, e vê somente que não pode ver os olhos acolhedores do amor. Coração apertado num pulsar aflito procura a voz, a sombra, os trejeitos de quem a ame. Anseia por carinho e não compreende os acordes dissonantes da solidão.

É assim que o coração de um homem maduro sobrevoa os regatos sombrios de sua alma errante. Veleja por mares bravios da sorte ingrata, osculando a face ainda úmida de uma rosa em botão. Além do templo vadio do espírito de um Lobo solitário está aquilo que ele contempla: Escuridão e Luz. O som do silêncio recolhido a um canto de seu peito grita sem se fazer ouvir. É o ocaso da alma que no prelúdio do anoitecer, morre sem beber do crepúsculo radiante de um novo dia.

Naquela manhã, acordei bem cedinho, enquanto  ela já perambulava pelo quarto. Seu prato preferido eram os livros. Remexia em todos que encontrava pela frente, mas quando a ameaçava severamente  com uma Varinha de Flocos de Algodão apenas esboçava um lindo sorriso de dois dentinhos. Então, repleta de inocência e ternura estendia as mãozinhas, como se os estivesse presenteando.

Todos os dias de manhã bem cedinho dava seus primeiros passos ainda indecisos pela biblioteca, e depois de uma suculenta mamadeira, deitava no tapete e voltava a adormecer.

Mamadeiras à parte, o seu paraíso eram os livros empilhados nos cantos por toda a casa. Derrubava os apenas para sorrir como se dissesse: Fui eu. Em pouco tempo a minha Varinha de Flocos de Algodão já não fez mais efeito, então passei a ameaçá-la severamente com um Chinelo de Espumas Ornamentado de Bolinhas e Pássaros. Também durou pouco, na manhã seguinte havia Bolinhas, Espuma e Pássaros espalhados por todo o quarto.

Aprendi com ela fazer mamadeira e trocar fraldas. Usava um artifício infalível na hora de trocá-la: botava em suas mãos um livro de Nietzsche e enquanto ela olhava curiosa, passava o talquinho e prendia o colchete. Não entendo porque as fraudas de pano eram as suas preferidas, talvez por ser  mais fácil fazer xixi em alguns livros. Curiosamente, no Pequeno Príncipe ela nunca fez, mas quando se tratava de livros de teologia era praticamente impossível reaproveitá-los.

Ah! Agora chegou a minha vez! Fiz um Boneco de Lobo Mau com Olho Esbugalhado. Botei lá, bem na parte de baixo da estante onde estão todos os meus livros de Contos de Fadas. Ah! Não acredito! Primeiro ela olhou um tanto desconfiada, depois aproximou e deu lhe uma cutucadinha de leve, e agora está rolando com ele pelo chão. Desisto… ela conhece todos os caminhos… sabe infinitamente mais do que eu.

Nossa convivência era assim: simples, única e maravilhosa!

           

LIA OS MAIS DIVERSOS LIVROS, E O SORRISO DELA OS INTERPRETAVA PARA MIM. PASSEI A SONHAR O MUNDO ATRAVÉS DOS SEUS OLHOS.

Até que… houve uma enorme explosão lá fora. Um grito se fez ouvir: “São eles. O inevitável se aproxima. Suas bandeiras, jargões, doutrinas, credos e crenças estão dominando tudo. Falam de um mundo onde a inocência foi subjugada e só o poder impera. Racionalizam tudo, dizendo que uma nova era chegou, e a chamam de virtual. Obstinação é a sua bandeira. Não haverá mais lugar para a poesia, os lírios e as estrelas.

Um cheiro forte de poeira e fumaça invadiu a casa.  Ferido e algemado fui levado e confinado à prisão dos meus sonhos, enquanto a levavam para uma enfermaria, além dos jardins, de um hospital nas proximidades.

Por uma dessas bem-aventuranças pelas quais é impossível sequer esboçar um agradecimento, havia uma janelinha lateral na minha cela de onde podia vê-la, e acompanhar todos os seus movimentos.

A princípio o seu movimento de protesto era evidente. Ela parecia intensamente aflita e os seus olhos procuravam por mim, tentando me encontrar usando todas as possibilidades dos seus limitados recursos. Às vezes, chorava ansiosa e qualquer vulto ou som que lhe trouxesse a minha imagem era o bastante para aquietá-la por alguns minutos. Aos poucos, passou a rejeitar todos aqueles que se aproximavam dela, até aqueles que lhe traziam livros, inclusive, Nietzsche. Nem o Pequeno Príncipe ela aceitou.

Da solidão de minha cela fria, inerte e triste eu a via dormindo um sono angustiado e sobressaltado por pesadelos e monstros. O guarda ao  se aproximar, perguntei: Qual o motivo de estar confinado àquele lugar?  Existe algum objetivo por detrás de tudo isso?

Absorto em seus pensamentos, jogou somente um molho de chaves aos meus pés. Tentei durante várias dias abrir aquela porta, dividindo minha atenção entre a fechadura e a enfermaria, mas nenhuma das chaves podia abri-la. Então desisti e direcionei minha atenção somente à  enfermaria.

A sua fase de protesto havia acabado, mas em seu lugar entrou uma fase de intenso desespero. Ela demonstrava uma crescente desesperança. Os seus movimentos físicos ativos diminuíram ou cessaram. Nem sombra havia mais daquele ser alegre e contagiante que rolava pelo chão com o Lobo Mau de Olho Esbugalhado. Ela choramingava monotonamente, de forma intermitente. Mostrava-se retraída e inativa, parecia ter mergulhado num estado de profundo luto.

Dias e noites se passavam e o meu único alento era olhar através das grades da janelinha. A enfermaria era o resumo de tudo que restara, era o símbolo da minha libertação. Esperei vários dias até que o vento mudasse de direção, então fiz uma pipa de papel de seda e junto ao cabresto botei a minha Varinha de Flocos de Algodão. Pedi ao guarda que a levasse até uma certa distância e então puxei fortemente a linha, enquanto um olhar de esperança a via se elevar no ar. A minha intenção era fazer com que caísse nas proximidades da enfermaria. Quem sabe com um pouquinho de sorte ela pudesse ver a varinha e saber que eu continuava ali. Mas não deu certo. O vento foi forte demais e a pipa se perdeu. Agora nem a Varinha de Flocos de Algodão eu tenho mais.

Certo dia pela manhã, aceitou das mãos de uma enfermeira o “Pequeno Príncipe”, mas o seu gesto estava longe de transparecer a alegria de outros tempos. Era como se tudo a tornasse indiferente. Agora em vez de dois dentinhos já se podiam contar oito. Mas o sorriso maroto de quem me dava livros com um gesto ingênuo de censura premeditada sumiu de seu rosto.

ELA AGIA COMO SE O CONTATO COM OS SERES HUMANOS SEUS SEMELHANTES NÃO TIVESSE MAIS NENHUM SIGNIFICADO.

Agora eu a observava de cima de um banquinho que o guarda gentilmente me havia cedido, pois o velho caixote tinha se quebrado. Todas as vezes que lhe perguntava a razão de estar preso ali ele me atirava um novo molho de chaves, mas nenhuma delas abria aquela porta.

À medida que o tempo passava ela já não se apegava a ninguém mais. Tratava a todos de modo superficial e aceitava os seus presentes, interessada apenas nos presentes e nada mais. Ela deixou de se mostrar perturbada; já não deixa transparecer mágoa alguma.

TORNOU-SE EGOCÊNTRICA. A SUA ÚNICA PREOCUPAÇÃO AGORA SÃO DOCES, BRINQUEDOS E PRESENTES. NÃO SE APEGA A MAIS NINGUÉM.

Certo dia o guarda aproximou-se da minha cela como fazia regularmente, e junto com a tigela de comida me passou às mãos Um Grosso Volume De Capa Preta. Perguntei onde o conseguira e ele apontou em direção à enfermaria.

Um ímpeto de fúria louca invadiu-me e decidi romper aquelas grades a qualquer preço, pois  já não tinha mais nenhum poder sobre mim. Eu a reduziria a pó, arrancaria os seus ferrolhos com os dentes se preciso fosse. Então deparei com a maior surpresa de toda a minha vida: AQUELA PORTA SIMPLESMENTE NUNCA EXISTIU. Eu mesmo a construíra em minha mente e coração.

Saí correndo como um desvairado em direção à enfermaria, mas ela não estava mais lá. Andei pelas ruas, dias e noites sem cessar, procurando por ela. Tudo em vão. Encontrei viajantes pelo caminho, presos à solidão de seu próprio destino, que apesar de solícitos não possuíam informações objetivas. Encontrei outros que diziam saber como encontrá-la, mas pude ver em seus olhos que eram apenas oportunistas de ocasião. Ainda outros me ofereceram comida e água me pedindo que ficasse, mas não o fiz. Comi e bebi agradecido, mas fui adiante. Eles não tinham aquilo que eu realmente buscava. O que me ofereciam não era real para mim.

Passaram-se os anos, muitos anos. Certo dia, resolvi visitar aquela antiga cela e, quem sabe, reencontrar o velho guarda. Não mais o encontrei, mas o Grosso Volume De Capa Preta ainda continuava lá, bastante empoeirado pelo tempo. Eram 1176 páginas rabiscadas num código como aqueles que as crianças fazem ao brincar com canetinhas coloridas. Pude então, mais uma vez, ver os seus bracinhos estendidos e compreender a sua última mensagem:

                           LEMBRA-TE DE TI MESMO E ME ENCONTRARÁS.

 Que assim seja!

068 – O terceiro homem

In Artigos on 29 de junho de 2011 at 22:19

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O primeiro homem é o buscador da verdade, astuto e sagaz. É o estudioso por natureza íntima. Nobre e capaz. Uma tez serena o acompanha em suas viagens ao desconhecido. Dedicado e resoluto em seu propósito segue em busca de realizações pessoais e coletivas. Inicialmente obstinado e impulsivo, cede aos poucos espaço à ponderação. É reflexivo, mas insistente na busca de respostas às questões interiores. Há uma noção de ordem em sua vida. É otimista, leve, suave e persistente. Capaz de abrir mão de quase tudo em relação aos seus ideais, mas incapaz de usar artifícios de deslealdade para atingir os objetivos. Possui um Centro Emocional bastante desenvolvido que o credencia na busca de novos valores. O seu intelecto caminha lado a lado com as emoções. Aqui toda descoberta tem o poder de legitimar a busca.

amurabi 1

O segundo homem é aquele que determina a ação. Possui um grau de volatilidade desenvolvido, portanto, se encaixa perfeitamente às mais diversas situações. É generoso consigo mesmo e ousado em suas atitudes. Pensa pouco e age por impulso, e também por rebeldia. É sensato, mas um tanto imprudente. É volúvel e engraçado, mas sério, quando o momento o credencia para isso. Sua segurança está no ter e sua ação o compele a possuir sempre mais. Questões espirituais não direcionam a sua vida, mas está aberto ao conhecimento e a novas descobertas. Inteligente e rigoroso educa a si mesmo na exaltação de valores éticos, desde que estejam de acordo com o seu ponto de vista. Aqui o intelecto está a serviço das emoções. As credenciais do ter são determinantes das emoções e as direcionam.

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O terceiro homem é uma sombra. Permite de si apenas uma vaga imagem enevoada. Taciturno cavalga a noite e seus mistérios. É um ser distante e sombrio. Às primeiras horas do anoitecer sua efígie se assemelha a uma película dançante de cor negra, coberta por um véu de negrume. Dele nada se sabe além da nódoa que mancha sua roupagem. Habita os bastidores, mas avesso aos porões de poder e arredio ao casulo dos idealistas não assume compromisso de nenhuma espécie com nada, além da verdade e seus temores. O inquietante vento do norte lhe apraz, com força e engenhosidade. Sua resposta é rude, tenaz e direta. É codificado por sentimentos, mas avesso às emoções casuais. Sobrevivente ao martírio dos incautos respira sobriedade e astúcia. É o prelúdio dos sonhos, organizando e catalogando-os segundo os ditames da razão pura. Também organiza, dirige e assiste aos eventos do cotidiano, onde o homem é o arauto das promessas divinas. Vê a si mesmo no espelho dos pensamentos incrédulos, redefinindo e distribuindo alimento e roupas àqueles que perderam o rumo e as provisões da alma e do espírito.

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O terceiro homem não deixa marcas no caminho. Tão sutis são que raros são aqueles que conseguem ver. Praticamente nada pode ser dito sobre ele, pois não permite que nada lhe escape. Esteve ali, durante todo o tempo, mas não se permitiu ver. Uma explosão interior de poder bloqueia a atenção dos observadores. Perdidos em detalhes não o vemos, por isso tecemos julgamentos a seu respeito. Defendemos teses e argumentamos pelo simples fato de o seu comportamento estar além da normalidade. Sua habilidade e desenvoltura confunde a lentidão do intelecto. Respostas não condizente com argumentos lógicos são credenciais ao seu serviço. O terceiro homem está imerso no poder que rege o seu destino. Por ter perdido a forma humana é senhor de si. Seu intelecto, emoções e desejos obedecem à vontade. Nada necessita, pois tudo lhe é dado. Além do necessário, o mundo se assemelha a desperdício. Através das ações do desconhecido, ele sabe o valor de ser e estar ali.

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Por não saber o seu nome eu o chamo de ‘O Colecionador’. Foi ele quem me ensinou que o desconhecido reserva um presente a cada ser vivo: o poder de transgredir os apelos da morte e ir além dos limites do tempo linear. Disse que uma abertura nos conduz à liberdade e que precisamos usar todos os meios disponíveis para alcançá-la. Não codificou esses meios como virtuosos ou pecaminosos. Também não os dividiu como louváveis ou deploráveis, simplesmente ponderou que usasse todos que estivessem ao meu alcance. Destacava que a abertura está diante de cada um de nós e atravessá-la é tudo. Disse que o poder concede outro presente a quem alcança aquela abertura e a atravessa: a sobrevivência da consciência. Essa consciência poderá assumir outro corpo, posteriormente, e, se assim quiser, poderá também se lembrar de todo o seu retrospecto anterior, em diversos mundos. Alertou por várias vezes que o primeiro passo que deve ser dado para tornar um homem consciente é a Observação de Si Mesmo. Através de disciplina austera e um propósito inflexível o homem torna-se senhor do seu destino. Mas ressaltou que à procissão da miséria humana não foi concedido este privilégio. Após a morte sua consciência é simplesmente devorada e o corpo retorna ao que sempre foi: pó e nada mais. Chamou-me a atenção o fato de ele destacar a procissão da miséria humana como um corpo coletivo, um aglomerado único de emoções. Fiquei em pânico, diante de tal afirmação. Destacou também que muitos dentre nós poderiam recordar a história milenar de suas vidas, mas não o fazem pelo simples fato de estarem dormindo. Chamou a atenção para o poder imenso desse sono letárgico e todo o horror que isso representa. Destacou o fato de o Imaginário ter destronado o real e se tornado o Deus dos cristãos. Disse que quando nos identificamos com a palavra, sem se dar ao trabalho de refletir acerca dos ensinamentos a transformamos numa entidade morta, e com ela perecem também os valores reais da tradição.

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Disse que cada um de nós recebeu a ordem irrefutável de esquecer-se de si mesmo ao romper as barreiras do mundo tridimensional. Quando pequeninos, ainda mantemos intactas as influências de nosso lugar de origem, mas à medida que intensificamos o contato com os hábitos e tradições do mundo adormecido, perdemos contato com os anjos despertos e o seu referencial de vida. Mergulhamos, então, na escuridão e o mundo das sombras passou a ser o mundo em que vivemos hoje. Disse que a fonte original do ser, aquela que nos deu abrigo durante milhões de anos possui seis dimensões. Portanto, em nós permanecem adormecidas três dimensões. Sabemos que somente os sentidos físicos têm poder de acesso às informações limitadas do mundo onde vivemos, mas temos três dimensões adormecidas e podemos acessá-las. Disse também que quando de nosso descenso a Terra somos acompanhados de dois guerreiros de incalculável poder: O Lobo e o Cordeiro. O primeiro protagoniza o Centro Intelectual Superior, enquanto o Segundo representa o Centro Emocional Superior. O Cordeiro ao adentrar os limites do plano físico alimenta o aspecto feminino de Gaia, alma da Terra, enquanto o Lobo assume o Centro Instintivo de Gaia, suas emoções, reações e poder instintivo. Por isso o Centro Intelectual do planeta, o seu pensar ativo é instintivo e emocional. Ambos, apesar de ocupar extremos aparentemente opostos, são iguais e se completam. A ordem de se esquecer de si mesmo foi tão grande que esquecemos completamente dos valores originais do Lobo e o Cordeiro e os transformamos em gladiadores, numa verdadeira contenda do espírito.

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Mas uma tarefa hercúlea foi dada ao homem pelos poderes que regem o seu destino: Lembrar-se de Si Mesmo, seu propósito e origem. O poder sabe que somente através da Lembrança de Si Mesmo o homem será capaz de reencontrar a totalidade e assim ter força o suficiente para enfrentar a viagem definitiva. A totalidade do homem está além da forma humana e para alcançá-la cumpre superar-se a si mesmo. Por exemplo: a minha totalidade chama-se Lázaro, o Lobo e o Cordeiro. O eu individual chamado Lázaro é ausente de substancialidade, pois uma Força isolada seja Ativa, Passiva ou Neutralizadora não conduz a lugar nenhum. Somente a interação de Três Forças pode conduzir a algum resultado. O terceiro homem é a síntese da Terceira Força. É uma possibilidade real de liberdade. Suas palavras são jargões a serviço da transformação interior do ser, seu propósito e direção. O primeiro homem busca incessantemente o conhecimento, enquanto o segundo mantém em lugar seguro sua segurança e poder. Mas o terceiro se abre às influências e segue o destino, sem se preocupar com mais nada. Apenas observa e se permite conduzir. Ele sabe que, quando o condutor percebe que está sendo observado, toma o caminho correto, sem remoer sentimentos ou alimentar ilusões.

Que assim seja!

067 – A Mesa Posta

In Artigos on 28 de junho de 2011 at 22:23

                BEM À FRENTE DE CADA UM DE NÓS ESTÁ A MESA POSTA.  

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Poderia, por gentileza, nos reservar Quatro Lugares? Há espaço suficiente para para toda a humanidade à mesa, mas por precaução preferimos efetivar a reserva. Diz o ditado que em tempos difíceis ‘farinha pouca, meu pirão primeiro’. A insensatez de estômagos arvorados e ansiosos pode acabar por revelar que os cálculos iniciais de espaço, qualidade e quantidade estão errados por estimativa. Alguns podem além de sua cadeira ocupar a do outro, para o aconchego dos próprios pés. Argumentos não faltarão que justifiquem a necessidade, afinal somos seres repletos de justificativas.

O coração se alegra! Festivo canta e dança ao ritmo do chocalho de Shiva e Shakti! Afinal, somos os convidados para um banquete ao Rei. As portas do Palácio de Gaia se abrem em regozijo para a todos receber. Trombetas soam, enquanto falanges evoluem em harmonia com o cosmos. De tudo e de todas as coisas há por sobre a Mesa Posta. Basta a nós o fartar-se, sem se esquecer dos atributos inerentes à gratidão. Fontes inundam de luz o pomar, pássaros sobrevoam a Mesa Posta. Há de tudo para todos. Nada nos há de faltar. À sombra dos manguezais sejamos gratos por tudo e por todas as coisas.

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Perdoa-nos! Se por acaso ferirmos a ética do momento, por nãos termos sido dignamente preparados. Tempo há de sobra, mas sua má utilização é uma realidade. Gastamos além das possibilidades e assim contraímos dívidas com a Eternidade. A ESCOLA diz que tempo real é tempo de estudo. Se o desperdiçamos em outra forma de investimento, devemos arcar com as consequências. Há uma ética singular que precisa ser observada à mesa: os movimentos do antebraço. Tanto nos é facultado levar a comida à própria boca como à boca do nosso próximo. Saciar-se significa usar com parcimônia os recursos da Terra, para que não falte à mesa do outro.

             É ASSIM QUE DEUS SE PERMITE REVELAR AOS HOMENS

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Como se comportar diante da Mesa Posta faz parte de uma ética que consideramos imprescindível. Seja a extensão de toda a vida ou uma simples refeição que esteja diante de nós, não nos martirizemos se nosso comportamento não for condizente com o momento. Essa tarefa aparentemente simples é ao mesmo tempo complexa. É de vital importância recordar um ditado antigo que diz: O peixe morre pela boca. Portanto, precisamos agir com extremo cuidado diante da Mesa Posta. Há três princípios que regem o comportar-se à mesa: uma relação objetiva como o bolso, o copo e a ira. O bolso diz repeito a quanto de nós investimos para ter o bom e o melhor; o copo revela o quanto necessitamos para que o corpo esteja saudável e saciado: e a ira é reveladora do estado de voracidade com que avançamos por sobre a mesa.

Como é bom estar diante de uma Mesa na qual nada nos falta, não é mesmo? Como se bastasse um estalar de dedos para que todo sonho de consumo estivesse bem ali à disposição. Diz-nos a Tradição que a Mesa Posta foi colocada diante de nós para nos servirmos do bom e do melhor, mas que a perdemos pelo apetite voraz das necessidades artificiais. Os hábitos consumiram toda a riqueza, apenas restos ficaram sobre a mesa. O uso desregrado de recursos naturais compromete nossa sobrevivência como espécie. Até quando a Mesa Posta será conivente com a voracidade humana? 

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A Mesa Posta  é a realidade na sua forma mais cruel e ao mesmo tempo mais concreta. Diante dela só nos resta viver o momento presente e assumir responsabilidade total por nossas atitudes. Ao redor da Mesa Posta estão todos os pensamentos, sentimentos, ações e omissões, bem como o instantâneo que congela o momento exato em que ocorrem. Intenções são precedentes cruéis, quando se trata de atitudes inconsequentes. Sustentabilidade sem um referencial de sensatez à Mesa e seus critérios de distribuição e equilíbrio cheira à hipocrisia em nome do sistema. A arte de receber com gratidão nos ensina a dar com desenvoltura e prazer. Respeitar o outro nada tem a ver com ética ou moralidade, basta observar e respeitar a si mesmo.

É muito importante despertar e manter a calma, não se deixando levar pelo ímpeto voraz de avançar e devorar tudo que nos é ofertado. A lei que rege a Mesa Posta admite fartar-se, mas não admite o supérfluo. Fartar-se não significa consumir em excesso. Lembre-se que nos  foi permitido ter um máximo, mas sob as seguintes condições: ‘não causar nenhum mínimo ao teu irmão, nem à Natureza, que serve de abrigo a ti e aos teus’.  Resumindo: ‘Foi dado a ti e aos teus todo o necessário para sobreviver com dignidade’. Toda obesidade ecológica acena para o uso indevido de valores. O excesso de gordura num planeta saturado aponta para o mau uso da Mesa Posta.

LEMBRE-SE QUE O EXCEDENTE FÉTIDO À SUA MESA É A FOME DO SEU IRMÃO.

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Há sobre a Mesa Posta um cardápio tradicional, como em qualquer restaurante que se preze. Afinal, estamos falando a respeito de como nos alimentar com dignidade. Nenhum garçom à vista. Sem problemas, a necessidade de sua presença nesse caso é relativa. Tudo que possamos imaginar está ali, bem diante de nossos olhos. Mas, já que temos um cardápio à disposição vamos abrir e ver o que nos oferece. Estranho! Nenhuma oferta, apenas um alerta:

VOCÊ AINDA NÃO PODE SEGUIR ADIANTE, MAS NÃO SE ATREVA A VOLTAR ATRÁS. VOCÊ PERDEU SUA TRILHA.

Da atitude diante da Mesa Posta dependerá nossa salvação como espécie. A vaca por exemplo não faz uso de carne animal em sua alimentação e nos presenteia com o leite para saciar e alimentar nossos filhos. Por que insistimos em devorar sua carne? Quanto mais gordura a alimentação contiver, menos sensibilidade tem aquele que faz uso dela. Observe a Si Mesmo e pode ser que venha a encontrar uma fossa alarmante de detritos vários. Não se esqueça que o corpo é um canal de irrigação. Se o obstruímos com afunilamentos desnecessários perdemos qualidade de vida. A forma como vamos nos comportar diante da Mesa Posta  pode representar a nossa última batalha na Terra. E é essa que realmente definirá o circuito a ser percorrido na próxima.

AQUILO QUE INGERIMOS DURANTE A CEIA SERÁ COBRADO NA PROPORÇÃO EXATA QUE NOS SACIE E PERMITA AO PRÓXIMO SACIAR-SE.

EU SOU A MESA POSTA, PORTANTO, “TOMAI E COMEI TODOS VÓS, ESTE É O MEU CORPO QUE É DADO POR VÓS

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Não é um ato simplesmente simbólico, é real mesmo. Não está além, não ficou no tempo. Está acontecendo aqui e agora. Somos nós os convidados a saciar-nos. Nada pode nos faltar. É Segula, é tesouro, é garantido pelo cosmos. Se não o temos é porque alguém indevidamente nos tirou, ou porque indevidamente tiramos de alguém. Temos que assumir responsabilidades por isso. Há riqueza e espaço na Terra para uma população muitas vezes maior que a nossa, basta agir com respeito e saber dividir. O excedente fétido está contaminando as veias viscerais do planeta e corroendo valores essenciais à existência. A Mesa Posta é um bem sem igual, mas quando uma criança chora a falta do pão, Gaia chora com ela. Toda a Terra se contrai e se envergonha de si mesma. 

Lázaro devorou Lázaro por mais de cinqüenta anos, por isso tornou-se fraco e obeso. Lázaro tem fome de Lázaro. São milhares de Lázaros imaginários a serem alimentados por Lázaro. Por isso a fome assola o planeta. Precisamos trazer a responsabilidade à nossa mesa. Refletir à cerca da Mesa Posta e o seu legado de valores naturais é ver-se a si mesmo refletido na dura realidade do outro que não tem. Mas Lázaro não é um ente isolado, é assim com você também. Ambos tomamos parte na procissão da miséria humana, por isso nos jogamos como esfomeados por sobre a Mesa Posta. Quando somos esclarecidos a respeito de que o alimento físico, o ar e a água somam apenas 40% das necessidades reais de subsistência nos sentimos envergonhados. Os outros 60% vêm das impressões que recebemos. Somos fatalidades carentes de impressões, nosso corpo perdeu em sensibilidade e ganhou em arrogância, vaidade e orgulho.

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BEBEI E COMEI DE MIM! SACIAI-VOS. Jesus, assim como Buda também é alimento. São impressões que uma vez digeridas alimentam, nutrem e são geradoras de vida. O banquete é nosso, está servido. Nossas atitudes perante ele é que estão erradas. Lembre-se: por detrás das atitudes existem intenções. Uma intenção errada contamina todo o processo. VÓS SOIS O SAL DA TERRA! Somos alimento em abundância. Temperamos na medida errada e com isso perdemos riquezas e sabor. Mas podemos mudar a direção do processo. Podemos nos observar melhor e ver onde e quando investir no assentamento do cosmos. É possível enriquecer o processo através de uma fermentação natural. 

Todos os dias alimentamos pensamentos, perspectivas, sentimentos, obstinação, ações e omissões. Somos co-criadores do cosmos. Podemos e devemos dividir responsabilidades. A Mesa Posta é um convide à abundância, mas também um limite à insensatez. O uso indevido de riquezas, bem como sua má distribuição é um arsenal bélico voltado na direção da omissão e do descrédito. Como falar de amor diante de uma mesa isolada e triste? Fronteiras imaginárias entre a mão estendida e o pão ofertado. Sem justiça o amor enfraquece e sem amor a justiça é fria e evasiva. Uma mesa sem compartilhamento é tão pobre quanto aquele que não compartilhou.

A CEIA FICOU, MAS O AMOR SE FOI. NO SEU LUGAR UMA CADEIRA VAZIA À ESPERA DAQUELE QUE TENHA CORAGEM DE SENTAR-SE ALI.

Que assim seja!

066 – A vida

In Artigos on 26 de junho de 2011 at 20:08

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A vida é um processo contínuo e incessante.  Nascemos pela manhã e morremos ao pôr do sol, para renascer na manhã seguinte. Trata-se de uma morte aparentemente simbólica, mas real. É uma linha divisória entre dois mundos, uma tênue camada do abstrato separando o desconhecido do incognoscível. O viver é transitório e oscila entre extremos de prazer e dor. Ocupar o centro isentos de apelos periféricos é uma dádiva do homem desperto. Quando o compasso deixa o centro e toca a periferia o seu arco todo abrangente passa obrigatoriamente por esse mesmo centro. A visão saudável de uma vida desperta vê o círculo além dos seus limites. Viver intensamente é isso. Fugir do primeiro anel de poder, sem a necessidade de abandonar os seus limites.

Digamos que seja uma pausa (semitons de uma Oitava), um intervalo entre DÓ e SI numa Oitava Linear, que possibilita um intercâmbio providencial e necessário com nossos Mentores Espirituais. Durante este breve período (pausa, intervalo ou semitom) somos alertados sobre possibilidades, erros e acertos, e convidados à reflexão. São os mentores espirituais (anjos e guias) que direcionam o melhor caminho, que nos possibilite enfrentar desafios e direcionar intenções. O silêncio interior é um convite, um gesto de gratidão ao Céu. Como se as comportas de uma enorme represa se abrissem para irrigar os campos próximos. Somos canteiros, nem sempre abertos ao semear do Alto, mesmo assim a vida insiste em nos tornar um campo imenso de Luz.

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A vida é um ciclo ininterrupto entre viver e morrer, por isso cada dia é um campo infinito de possibilidades. A eternidade é o agora, pena que poucos possam compreender o alcance mágico das palavras de Jesus. Não importa se viverei 20, 30, 50 ou 100 anos, isso como tudo mais é também relativo. Os Linfócitos B já cumpriram sua missão e se foram há pouco mais de 24 hs. Então, por que me prender a esse universo casuístico de dias, meses e anos? O movimento rotacional da Terra dá uma volta completa sobre o seu próprio eixo, enquanto lamentamos considerações evasivas, cansativas e monótonas. Sabemos que nossos pés jamais tocarão novamente o mesmo chão, as mesmas águas, e que os olhos têm a visão única das estrelas. Tudo está em constante mutação, por que condicionar a mente a fragmentos ilusórios de posse, segurança e poder? A vida é pura magia. Viver está além de nossa simples presença física por aqui.

Um dia Buda perguntou ao rio o que era a eternidade e ele simplesmente respondeu: Observa-me. Somos iguais às águas do rio: estamos sempre por aqui, mas nunca somos os mesmos. Jamais ao nadarmos no rio tocaremos as mesmas águas, no entanto elas estão simplesmente ali. É um fluxo que nos lembra Eternidade. Qual a diferença entre a grandeza do mar e a simplicidade de uma gota de orvalho despertando no leito de uma folha umedecida? Será que o fato de ser grande, rico e poderoso nos faz superior às pequeninas gotas do sertão? São elas que observam o gado morrer de fome e sede, sem nada poder ofertar além do silêncio de uma alma que não julga. Na panela apenas caldo ralo e para amanhã meio quilo de outro saco. Seis crianças pequenas esperam pela chuva, mas insistimos em procurar vida no saldo bancário ou no modelo novo da Hyundai.

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Muitas são as dúvidas a respeito de Deus, mas esquecemos de perguntar a nós mesmos a respeito de quem somos, qual a nossa origem, propósito e significado? Ao despirmos a fantasia de cristãos o que iremos encontrar? Observe a Si Mesmo. É só isso que a vida nos pede. Essa é a verdadeira oferta que podemos dar aos Céus. Observe a Si Mesmo. Pode ser que nos imaginemos uma coisa e ao nos observar mais e melhor descubramos outra, talvez o oposto do que tínhamos em merecimento. Mas as águas do rio refletem a grandeza do ser. Nunca são as mesmas, mas seguem unidas, cada pequena gota abraçada à outra, cantando e dançando a caminho do mar. Há um dízimo de gratidão no rio de águas turbulentas, do mesmo modo a oferta do lago é reflexo de luz. Ambos são celeiros a gotas indecisas a vagar, talvez jangadas abertas a reconduzir pequenos náufragos ao mar da vida. A vida é um enorme balneário, onde mente e coração se encontram e celebram.

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A última batalha na Terra é uma exaltação à vida, por isso dá tanta ênfase às atitudes e intenções. É impossível uma reflexão sincera sobre a vida sem a presença fiel e amiga da morte. É ela que nos acena em cada sopro de vida, está sempre à espreita, acompanha nossos passos. Apesar de soar como um paradoxo a morte é um escudo que nos protege e convida a viver. Certa vez, ouvi de um grande sábio: “A morte é sua fiel companheira de jornada, a sua conselheira, aquela que nunca irá mentir pra você”. Leva muito tempo para assimilar isso. É um conhecimento além da forma tradicional do pensar moderno. De outra feita, ele me disse: “Se você teme a morte é porque não sabe reverenciar a vida. Preste atenção, pois não está vivendo a sua vida com a intensidade que ela merece”. E completou dizendo: “A cultura dos seus é marcada pela ingratidão, só teme a morte aquele que não ama a vida. Levei mais de 20 anos para iniciar a prática de seus ensinamentos. E completou: “Vocês estão tentando pular sobre os próprios joelhos, hoje é agora. Amanhã, talvez”.

O sentido primordial da vida é uma relação harmônica com a morte, apenas uma dança suave e contínua. Quando compreendemos o verdadeiro valor da vida e a completa impossibilidade de evitar a morte, passamos a nos apoiar na simplicidade das decisões. Este conhecimento orienta e nos torna desprendidos e naturais.

VIDA 5

SÓ O PODER DE NOSSAS DECISÕES PERMITE ESCOLHER VIVER SEM REMORSOS.

Aprendi na prática de muitos anos, que a ESCOLA quando faz referência a Homens Conscientes nos fala a respeito de ‘Homens Conscientes da inevitabilidade da morte’. Seguindo esta linha de pensamento a Lembrança de Si Mesmo seria ‘a lembrança sempre presente de sua morte inevitável’, ou seja, ‘um despertar para a vida’. Homens Conscientes são desprendidos e naturais. A ideia real de uma morte iminente em vez de tornar-se uma obsessão torna-se apenas uma indiferença. Deixamos assim de ser vítimas precoces da ansiedade, ao fomentar um valor calado pela vida e por tudo aquilo que a rodeia.

Entremos então na máxima do Senhor Jesus: Eu sou a Vida. Jesus é a plenitude da vida porque venceu a morte. Mas qual o verdadeiro significado de vencer a morte? Durante toda a vida a morte foi sua fiel companheira de jornada. Observe que Jesus passava longos períodos em silêncio e meditação. É quando nossa continuidade é rompida pelos mais diversos fatores que vivenciamos em vida uma experiência de morte. Estado de solidão e silêncio é terreno fecundo para esse tipo de manifestação, por isso os tememos tanto. A morte sempre foi a fiel companheira de Jesus, ele a conhecia muito bem. Sabia exatamente dia e hora que dançariam juntos no Gólgota, alheios a toda a mediocridade humana.

vida 6

JESUS ESTAVA APOIADO NA DECISÃO DO PAI. ERA GRATO, DESPRENDIDO E NATURAL. NÃO TINHA REMORSOS.

Jesus era completamente indiferente àquele cenário covarde e triste. Tinha dentro de si o Eu Real (Pai), exsudava propósito, é Senhor Absoluto de Suas Decisões.

No último momento de seu martírio, ouviu-se um lamento: PAI, PERDOA-LHES, PORQUE ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM.

Num sentido simbólico, numa linguagem de ESCOLA esta frase não foi pronunciada por Jesus. Quem a pronunciou foi a morte, sua fiel companheira e protagonista maior de sua ressurreição.

A morte é a essência da vida. É a seiva que a alimenta e nutre. Jesus sabia muito bem disso.  Ele foi educado na grande ESCOLA DOS MAGOS DO ORIENTE, onde passou vários anos de sua vida, entre os 13 e os 30 anos. Os homens detentores do Poder de Roma estão conscientes disso. Só não compreendo porque guardam a sete chaves todo o desenrolar da vida do Mestre, durante aquele período. Os bastidores do poder guardam mais segredos do que possamos imaginar.

Jesus é a plenitude da vida, mas também o cálice da Morte. Por isso ele diz: Não pensem que eu vim trazer paz ao mundo. Não vim trazer a paz, mas a espada. Sempre teve a morte como fiel conselheira, sabia ser aquele o seu fim último e trágico. O conhecia de antemão. Tinha convicção e propósito. Sabia que a morte o esperaria no Gólgota e para esse encontro se preparou da melhor forma possível.

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JESUS É O CORDEIRO DE DEUS, FILHO DO DEUS ALTÍSSIMO, A PLENITUDE DA VIDA; E O LOBO FOI O SEU FIEL ESCUDEIRO, DURANTE TODO O MARTÍRIO. O LOBO É A PRÓPRIA MORTE. O LOBO E O CORDEIRO DANÇARAM JUNTOS NO GÓLGOTA.

A Ressurreição de Jesus não é um ato isolado no contexto espaço/tempo. Mesmo porque a linearidade do tempo só existe para os nossos limitados sentidos físicos. A ressurreição de Jesus está acontecendo agora em várias partes do mundo. Quando um homem adormecido desperta para o Verdadeiro Conhecimento, Jesus ressuscita e caminha pela Terra. ELE ESTÁ ENTRE NÓS.

A luta sobre humana pela vida não tem a dimensão de importância que damos a ela. O necessário, aquilo que é essencial é um tesouro (segula) e nos foi dada ao nascer. Nossa luta não é pela sobrevivência, mas sim para manter hábitos e costumes que criamos a fim de satisfazer necessidades artificiais.

A VERDADEIRA BATALHA DO HOMEM É COM A MORTE, QUANDO NÃO RECONHECE A GRANDEZA DO SEU GESTO E SE TORNA AUTO-SUFICIENTE DIANTE DA VIDA.

Que assim seja!

065 – A verdade

In Artigos on 25 de junho de 2011 at 17:44

O QUE É A VERDADE? EIS UMA QUESTÃO QUE ASSOLA A MENTE HUMANA, DESDE OS PRIMÓRDIOS DA EXISTÊNCIA.

verdade 1

Estamos de acordo que não temos elementos suficientes para uma resposta objetiva? Mas sabemos através da prática do dia a dia o que é mentir, portanto, podemos dizer, sem margem de erro, que a verdade é o oposto da mentira.

Durante séculos essa questão atormenta a mente dos Buscadores da Verdade! Civilizações inteiras lançaram-se à sua procura e o máximo que conseguiram são fragmentos dela.

A PRÓPRIA BÍBLIA POR SER UM RESUMO HISTÓRICO ESCRITO POR TERCEIROS É APENAS UM FRAGMENTO DA VERDADE.

Manuscritos foram adquiridos a preço de ouro com o propósito irresoluto de encontrá-la. Inúmeras foram as caravanas que partiram em direção ao Oriente, pois diziam ser possível encontrá-la por lá. Até hoje as terras santas da Índia recebem grande número de peregrinos ansiosos por uma resposta que os convença a respeito de sua existência. Os Alquimistas ainda estão a caminho da fórmula mágica, uma energia superior que possibilite transmutar elementos inferiores na Luz Astral. Mas são sabedores que toda transmutação objetiva só se processa perante a verdade.

verdade 9

A ESCOLA define zoologicamente o homem como ‘um animal que mente’ e classifica a psicologia como ‘a ciência que estuda a mentira e suas ramificações’. Certo dia, ao visitar um grande mestre encontrei-o absorto em seus pensamentos, numa velha cabana perdida no ermo. Ajeitei-me comodamente ao seu divã, uma esteira de palha estendida no chão, e envolvido pelo silêncio observei  uma garrafa com alguma substância escura sobre a mesa feita de caixotes. Então, ele me disse: “Pegue a garrafa, examine-a! Isso é óleo diesel. É disso que vocês precisam. Uma máquina submissa e identificada precisa de óleo diesel para lubrificar engrenagens. E vocês nada mais são do que máquinas programadas para responder sempre da mesma forma. Antes de falar em psicologia é necessário lhes ensinar à cerca da física, pois é disso que as máquinas precisam, por seu completo estado de submissão mecânica”.

Um animal que mente é completamente diferente de um simples mentiroso. Significa que a mentira é inerente à sua espécie e quando mente o faz, em quase totalidade das vezes de um modo completamente inconsciente. Mentimos, inclusive, quando temos absoluta certeza de estar dizendo a verdade, pois a verdade não foi dada a conhecer ao homem ordinário. Homens nº 1, 2 e 3 não conhecem a verdade. Os homens nº 6 e 7 talvez possam conhecê-la, mas será que existe entre nós pelo menos um deles? Diz-nos a Tradição que são em número de 10, mas onde estão? Como encontrar 10 homens evoluídos num universo de mais de 7 bilhões de pessoas?

verdade 2

A COMPREENSÃO DA VERDADE COMEÇA PELA  OBSERVAÇÃO DE SI MESMO.                                                                                 

Observe a Si Mesmo todas as vezes que estiver mentindo e depois de algum tempo reconhecerá algumas formas sutis da verdade. Observe atentamente o modo extremamente natural que os outros usam ao mentir, mas sem impor nenhum critério de julgamento. Apenas observe. Agora Observe a Si Mesmo e verá que usa os mesmos artifícios de ocasião. Mentimos igualzinho aos outros, talvez com um toque mais refinado e sutil, mas mentimos.

Jesus nos diz em seus ensinamentos: Conhecereis a verdade e ela vos libertará. Mas, espere um momento! Conhecer a verdade só é possível através da Lembrança de Si Mesmo! Conhecer a verdade não é mera questão de memória, pois seu reconhecimento não implica necessariamente o uso do Centro Intelectual.

–  Masudheva encontrou a verdade ouvindo a voz do rio, não havia nenhum manuscrito na sua cabana;

–  Jó não era um homem letrado e a encontrou através dos infortúnio e perdas;

–  Abraão a encontrou quando ouviu a voz de Deus e rompeu os laços da identificação, levando seu filho Isaac para o sacrifício.

QUANDO LEMBRARES DE TI MESMO, A VERDADE VOS LIBERTARÁ.

verdade 6

Novamente, nos diz Jesus: Eu sou a verdade. Mas, o que significa isto? Será que cada um de nós tomado individualmente à imagem e semelhança de Deus é o elo de conexão com essa verdade interior?  Sendo assim porque somos classificados como um animal que mente? É o sono letárgico que tomou o lugar da consciência desperta que nos conduz cativos aos braços da mentira. Somos convidados a mentir, pois assim criamos armaduras individualizadas e nos protegemos dos infortúnio da vida. Numa cultura onde todos mentem, a mentira ganha rótulo de verdade. E quando esses rótulos são caracterizados como absolutos a verdade relativa perde força e vira artifícios de ocasião. Mas temos que conviver com outras conjunturas oportunas. Uma delas que presenciamos  é nos ater à literalidade do texto. Credenciamos vários pedacinhos, isolamos e e em seguida voltamos a juntá-los, sugerindo assim um novo contexto. Isto acontece muito em propaganda política, quando suprimimos parte de uma conversa ou inserimos outra, de tal forma que o resultado final satisfaça interesses. Vejo muito disso também em algumas pregações, quando para alcançar um determinado propósito fazem citações, por exemplo, de Isaías capítulo tal, versículo tal, adicionando Ezequiel mais o Evangelho Segundo Mateus, de tal forma que a convicção pessoal esteja credenciada. Em seguida acrescentam: Esta é a Palavra do Senhor. Mas será que a Grande Sabedoria do cosmos disse exatamente isso?

LEMBRE-SE QUE A VERDADE É UM CAMINHO, APENAS UMA POSSIBILIDADE.

verdade 4

Torna-se possível vivenciá-la sob a ótica cristã, quando o ser de um homem torna-se compatível ao ser de Jesus; quando os pensamentos reverberam os pensamentos de Deus e quando as emoções passam a ser alimentadas por Sentimentos Superiores. Não se esqueça que é o ser de um homem que atrai a sua vida. Como um animal que mente pode atrair para si emanações da verdade? Somos fragmentos de desejos ocasionais, indeterminados e incertos. Uma legião de eus a serviço da mentira. Toda posse é mentirosa, do mesmo modo que os artifícios de proteção também são. Todo poder em função do homem é mentiroso e todo casuísmo alimenta a mentira. Por isso a ESCOLA bota tamanha ênfase na necessidade de vir a perder a forma humana, pois a atual conjuntura é profana e mentirosa. Como uma instituição pode estar em nome da verdade se é constituída por homens que mentem?

Tais como somos hoje não nos é possível conhecer a verdade. Se somos uma legião de eus e cada eu tomado individualmente tem a sua própria verdade, como fica isso? Temos verdades para o Centro Intelectual, ou seja, segundo aquilo que pensamos ser a verdade; credenciamos outra para o Centro Emocional, ou seja, segundo as contingências do momento; outra para o Centro Sexual, que possui também vida própria e convicções, além de roubar dos demais Centros até as verdades mais sutis que imaginavam ter adquirido; e ainda verdades que habitam as subdivisões desses Centros, sem mencionar os Centros Instintivo e Motor, que possuem também suas prerrogativas da verdade.

AINDA SE RECORDA DO ORÁCULO DE DELFOS: DECIFRA-ME OU DEVORO-TE!

verdade 7

Não se esqueça que a verdade está fragmentada em várias culturas dos mais diversos povos da terra, portanto, não é uma exclusividade do mundo cristão.  Jesus é o grande mestre que pisou esse chão, mas não foi o primeiro e nem único enviado do Alto. Os Avatares estão distribuídos por todos os continentes e alimentam de luz as mais diversas culturas. Caso julgue nossa cultura cristã superior às outras, pediria sinceramente que reavaliasse sua opinião. O ensinamento do Mestre ganhou força graças ao Apóstolo Paulo, da mesma forma que a obra do Sr. Gurdjieff , o símbolo maior do Cristianismo Esotérico do século XX, teve também o seu Apóstolo: Ouspenski. Sei que algumas linhas de pensamento não lhe atribuem tamanho status, mas para mim, pessoalmente, ele foi o grande impulsionador da cultura Gurdjieffiana no ocidente.

O conhecimento da verdade está diretamente ligado a dois polos: ver e agir. Por isso Jesus nos diz: Vós sois a luz do mundo. Esta luz chama-se consciência e somente pode se manifestar naquele que busca incansavelmente a verdade. O primeiro passo para ver é ver-se a Si Mesmo, mas lembramos somente ser possível através da Observação de Si Mesmo. Nos abstemos do fato de julgar o outro quando ao Observar a Nós Mesmos vemos que manifestamos as mesmas fraquezas e carências, que inicialmente imputamos a ele. São essas fraquezas e carências que alimentam o julgamento e nos distancia da verdade. A faculdade de agir deixa de ser potencial e se torna dinâmica somente a partir daqui e não antes. Agir significa fazer de forma consciente e tal como somos agora não podemos fazer absolutamente nada. Tudo já está caracterizado em nós e não temos outra alternativa, senão seguir o fluxo.

verdade 8

Vamos ao exemplo de uma pessoa que conheci há muitos anos. Era assídua freqüentadora dos quiosques, serestas e festas nos finais de semana. Jovial, alegre, trabalhadora e prestativa. Por uma dessas fatalidades da vida veio a perder o seu único filho, ainda adolescente num acidente de moto. A partir daí tornou-se cristã e passou a freqüentar rotineiramente os cultos.

Quando a encontro, insisto em perguntar: E aí minha amiga! Como está a vida? E os velhos amigos do quiosque? Tem visto algum? Ela sempre responde do mesmo modo taxativo e austero: Não preciso mais disso para minha vida. Agora sirvo ao Senhor. Mas observo o seu olhar amargurado, os ombros caídos pelo peso da angústia. Às vezes trocamos de roupa, mudamos propósitos, mas continuamos a ser indiferentes a nós mesmos, ou seja, nos Esquecemos de Nós Mesmos. O caminho que ela escolheu é apenas um paliativo, infelizmente, é um caminho que não tem coração. Como fazê-la compreender que nunca irá encontrar a verdade no caminho que escolheu?  Se para seguir um caminho temos que abandonar completamente todas as possibilidades torna-se necessário refletir, pois qualquer caminho que invista na exclusão nunca é a melhor escolha.

verdade 3

A verdade também é um caminho e para percorrê-lo até o final  precisamos estar livres, alegres e sempre joviais. Sem coração a verdade tornar-se-á cansativa, e alcançá-la será uma impossibilidade. Nenhuma doutrina, nenhuma imposição pode nos conduzir à verdade, somente o coração pode.

Que assim seja!

064 – O caminho

In Artigos on 19 de junho de 2011 at 16:54

LEMBRE-SE QUE QUALQUER CAMINHO QUE VENHA A SEGUIR É APENAS UM DENTRE UMA INFINIDADE DE OUTROS CAMINHOS. 

caminho 1

Tenha sempre em mente que um caminho, não importando o atributo que lhe venha conferir é apenas um que aparentemente escolhemos. Dogmas, credos e fé delegados ao caminho escolhido não são escolhas nossas, mas sim frutos da cultura, tradição e maneira de pensar concernentes a época, circunstâncias e lugar. Se pararmos seriamente para refletir veremos que todo caminho proposto já está previamente delineado por fatores externos. Alguém ou alguma circunstância o escolheu, enquanto nós passivamente acompanhamos. Lembre-se ainda que aquilo que encontramos às margens é tão importante quanto o propósito da chegada. Digamos que o destino seja rios e corredeiras e que aquilo que se revela às margens seja jangadas que irão nos ajudar na travessia. Sem prestar atenção a esses pequenos detalhes, depois de um certo tempo perdemos o propósito inicial. Continuamos lhe atribuindo o mesmo nome, mas sem o referencial de origem.

QUANDO SE COLOCAR A CAMINHO FAÇA-O ISENTO DE AMBIÇÃO E MEDO.

caminho 2

Se por algum momento sentir-se triste e abatido ao perceber que o caminho escolhido não lhe trás alegria ao coração, abandona-o imediatamente. Não permaneça nele nem um segundo a mais, sob qualquer pretexto. Existe uma gama infinita de oportunidades esperando por cada um de nós. Cada oportunidade que se nos oferece é um caminho. Mas lembre-se que quando nos identificamos com o caminho, qualquer que seja ele, deixamos simplesmente de existir. Portanto, não se identifique com ele, apenas sinta a magia do caminhar. Seja grato por cada passo, isso sim irá refletir no objetivo da chegada. Mas não se esqueça que o objetivo está no agora e que sem a Observação de Si Mesmo, simplesmente o perdemos.

TODOS OS CAMINHOS SÃO ABSOLUTAMENTE IGUAIS, NÃO LEVAM A LUGAR ALGUM.

caminho 4

O que torna um caminho diferente do outro é o firme propósito daquele que o percorre. O caminho do Getsêmani ao Gólgota, por exemplo, não diferencia em nada de nenhum outro caminho, mas o firme propósito de Jesus ao percorrê-lo fez com que ganhasse credenciais de eternidade. Permaneça atento aos pequenos detalhes do percurso, mantenha a disciplina e nunca perca de vista o propósito inicial. Um caminho não tem necessariamente princípio, meio e fim. Pode ser que o estejamos trilhando a séculos de existência, enquanto se apresenta materializado no agora. O caminho do Getsêmani ao Gólgota começou muito antes, quando a saga do povo cativo cruzava o deserto. Sendo assim a Cruz possui credenciais do Mar Vermelho.

UM CAMINHO SÓ É BOM SE TIVER CORAÇÃO, SE NÃO TIVER NÃO PRESTA. 

caminho 5

Isso confere ao caminho o atributo de verdadeiro, tudo o mais é secundário, inclusive o objetivo da chegada. O caminho quando é bom torna alegre a viagem e nos tornamos unos com ele. Um caminho que não tem coração poderá fazê-lo maldizer a própria vida e enfraquecê-lo. O que torna um caminho bom e belo é tudo aquilo que alguém plantou às suas margens. Por isso precisamos despertar para observar e colher os mais doces frutos apreciados pelo coração. Uma rosa pode nos incentivar a prosseguir, mas para vê-la é preciso sentir o seu perfume. Asim também é com uma pedra ou pequenos arbustos. Sem sentir a sutileza da rocha e a gratidão dos girassóis o caminho se faz árduo e cansativo.

caminho 6

É o próprio caminho que irriga suas margens e torna bela a paisagem, mas nenhum tem existência real até que nos propomos a segui-lo. O firme propósito de segui-lo lhe confere existência e vida. Todo e qualquer caminho é potencial em sua origem e trazido à tona pela mente do homem. Portanto, somos nós a irrigar suas margens e torná-lo belo. É preciso plantar girassóis para fazer sorrir quem vem depois. Outros irrigaram antes de nós. Sejamos gratos por tudo e por todas as coisas. O amor é um caminho, talvez o ódio seja a contra-mão do destino. Quanto de nós estamos investindo nesse projeto de sustentabilidade emocional? Da lama nascem pérolas finas e em nome do ouro muitos estão queimados na inquisição.

caminho 8

O texto em destaque dá início a mais uma trilogia: O caminho, A verdade e A vida. Aqueles que nos acompanham até aqui sabem de antemão tratar-se de Três Forças e deve ser entendida assim. Então, vamos estudá-la na mesma seqüência que nos foi dada por Jesus em sua máxima: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. O complemento ‘Ninguém vai ao Pai senão por mim’ , infelizmente, é erroneamente interpretado pelos cristãos. Até porque a tradução dos textos originais está repleta de interesses condizentes com a época. Da mesma forma que a religião está hoje a serviço de grupos de ocasião, também à época da tradução já estava subjugada a outros interesses. Mas, voltemos ao que hoje nos interessa: O caminho.

caminho 9

Na verdade o que Jesus quer de cada um de nós é que sejamos completos como é completo o Louco do Tarot, e também que sejamos alegres, leves e saltitantes como o Dançarino, na carta O Mundo. É isso que torna o caminho alegre, bom e festivo. Como é bom descansar, depois de uma longa caminhada, às margens do riacho, sob a sombra de uma mangueira, e beber numa folha de inhame a água pura que nasce da fonte. Que serenidade nos traz banhar o rosto com águas cristalinas e contemplar a vastidão azul do céu. Sentar-se comodamente a uma pedra e sentir-se agraciado pela simples magia de estar ali. Quando sonhamos Deus ele também nos sonha. É a gratidão de ser filho que o torna Pai. O caminho que conduz a Ele é o mesmo que O traz a nós. Gratidão é tudo e o Lobo sabe muito bem disso. Seu uivo é oferenda ao infinito, um muito obrigado do único modo que pode dizer.

caminho 10

A grande maioria das comunidades cristãs ainda está presa a princípios rudimentares de comportamento, a serviço de uma pré-ideologia. Digamos, aderida a um sistema de crenças com respostas reativas pré-determinadas. Para esse tipo de comportamento Jesus é o salvador das almas, o anjo protetor, uma espécie de analgésico da alma humana, mas nunca um caminho. Seja menos severo em seu julgamento e por um momento aprecie o que estamos lhe dizendo. Não queremos com isso desacreditar a sua doutrina, não a julgamos boa ou ruim, nem estamos lhe oferecendo alternativas religiosas. Falamos a cerca de um caminho que não pode ser imposto de fora para dentro, não pode ser inserido na mente do homem como um chip repleto de informações consensuais. Também não pode nos alcançar por meio da palavra, mas sim pelo exemplo, pela entrega, pela confiança, pelo silêncio daquele que acredita na grandeza do outo, pois o sabe herdeiro da Luz. Basta dar o primeiro passo, só um passo na direção do outro para sentir sua presença viva no agora. Mas para isso precisamos romper os laços invisíveis que nos prendem à identificação. Basta para este momento a certeza de estarmos aqui. Já é um excelente começo. Seja um referencial de Deus para a sua comunidade, mas não seja submisso ao medo e ao casuísmo das crenças.

Entrega,  Confiança e  a certeza de que o Fazer de Deus é salutar, consciente e gratificante são requisitos básicos para que possamos seguir conscientemente um caminho.

DAR O PRIMEIRO PASSO PODE DETERMINAR A CHEGADA.caminho 3

TER FIRMEZA DE PROPÓSITO É FUNDAMENTAL.

É MUITO IMPORTANTE NÃO PERDER O RUMO INICIAL.

É ESSENCIAL O QUANTO DE NATURALIDADE COLOCAMOS NO PERCURSO.

NÃO PODEMOS ESQUECER DA VISÃO LATERAL DAS MARGENS.

Aqueles que tiveram a coragem de percorrê-lo antes de nós tomaram o cuidado de deixar placas indicativas ao longo da estrada, portanto, é muito importante estar desperto para que possamos vê-las. É oportuno também também usar com parcimônia a energia do corpo físico, respeitando limites e alimentando-o devidamente. É a visão do corpo que nos proporcionará as condições adequadas para superar obstáculos e prosseguir. Um corpo flácido e impotente torna o caminho cansativo e deprimente. As placas indicativas deixadas ao longo do caminho são impressões. Se o caminho escolhido tem coração, então age como um filtro, transmutando impressões e nos tornando unos com ele.

Então, surge uma dúvida: Jesus é um caminho que tem coração? A resposta é simples e direta: DEPENDE SÓ DE VOCÊ.

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Entenda que não temos nenhum interesse em estereotipar pensamentos, nem limitá-lo a um novo modelo casuístico. Quando falamos a respeito de uma nova maneira de pensar, esta deve partir da compreensão do homem e para isso é necessário que Observe a Si Mesmo.

COMPREENDER, VER E AGIR, DENTRO DE UMA NOVA LINGUAGEM DE ESCOLA SÃO COMPLEMENTARES. ESTÃO INTERLIGADOS, PORTANTO, NÃO EXISTEM INDIVIDUALMENTE. SE ALGUÉM VÊ E NÃO AGE, SIMPLESMENTE NÃO VIU E NÃO COMPREENDEU.

Se nos propomos a seguir o Caminho de Jesus, por termos reconhecido no mais íntimo de nosso ser que este caminho tem coração, ele nos tornará fortes e poderosos. Mas muita atenção:

FORTE E PODEROSO NA LINGUAGEM DA ESCOLA QUE CHAMAMOS JESUS NÃO SIGNIFICA ROBUSTEZ E VALENTIA, MAS SIM, TORNAR-SE TÃO FRACO E DESPROVIDO DE FALSOS VALORES, ATÉ QUE POSSAMOS VER GRANDEZA E PODER REFLETIDOS NAS PEQUENAS COISAS DA VIDA.

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Os verdadeiros herdeiros do caminho são os Pobres de Espírito, significando os Ricos em Compreensão.  Mas, não importando o caminho escolhido, se colocarmos nele todo a magia do coração e grandeza de alma, absolutamente nada poderá torná-lo triste e desprovido de significado.

Que assim seja!

063 – A pomba

In Artigos on 17 de junho de 2011 at 20:57

Quando aconteceu o incidente com a pomba, que acabou por desconjuntar minha vida da noite para o dia,  já tinha mais de cinqüenta anos. Vivia o despertar de um conhecimento, mas não havia legalizado a mente de forma a dirigir meu próprio destino. Ver é prático. Nenhuma teoria vê além do seu limitado círculo de hipóteses. Ver além é sentir e agir em harmonia com o outro e nenhuma teoria pode nos fazer melhor do que somos. Naquele momento fui convidado à ação, mas o meu corpo insistia mais uma vez em fugir. Então, ela me olhou com aquele terrível olho esquerdo.

A pomba

A pomba

Um fato tão surpreendente como aquele, raramente acontece duas vezes num só dia. Este era o meu caso, pois não me lembro ter presenciado acontecimento semelhante e de forma tão intensa. Vale a pena destacar que o protagonista do evento não foi uma ave qualquer, trata-se de uma pomba. E sendo uma pomba temos de enfatizar de forma categórica o caso. Talvez deixasse para trás o ninho, ovinhos ou bebês pombos, nesse caso papai pombo cuidaria, com certeza. Mas e o voo? O que fazer do voo? Será que pombo continua sendo pombo sem o céu azul, o vento nas asas e a direção que o destino escolheu?

Tudo naquela inesquecível manhã de quinta-feira indicava que a rotina seria sagrada, como fora nos dias anteriores. Salvo por um fenômeno pombológico que passou como um raio fulminante, após um estrondo avassalador, tirando faíscas de minha orelha esquerda. As credenciais não me deixaram dúvida alguma, alguns respingos cor de vinho mancharam o azul céu de uma camisa surrada e pronta para mais um dia de trabalho. Estava prestes a apoiar o pé direito sobre o meio-fio da calçada quando a avistei. Ela estava bem ali à frente da porta de uma loja, há uma distância de pelo menos vinte centímetros da entrada, estirada ao chão sob o pálido reflexo da luz da manhã. Estava caída com os pés vermelhos e ungulados nas pedrinhas amarelo-ocre da calçada, com a lisa plumagem cinza-chumbo reluzindo os raios de sol. Enfim, lá estava o corpo estendido no chão: A pomba.

pombo 2

“Ela jogou a cabeça para o lado e espantada me fitou com o olho esquerdo. Aquele olho, que nunca vou esquecer, parecia um pequeno disco circular castanho com o centro preto. Era terrível de se olhar”.

O motorista daquele ônibus, cujo espelho retrovisor incauto e suicida fingia não saber de nada, fugiu como um ser covarde e pouco prestativo. Confesso que no meio de toda aquela confusão, esqueci de anotar a placa do carro. Era hora do ‘rush’, 09:00 hs da manhã de uma quinta-feira, e a procissão da miséria humana, ainda adormecida, iniciava uma nova jornada de trabalho. Seria, com certeza, um dia de rotinas, com pouca ou nenhuma alternativa de mudanças, salvo por aquele corpo estendido no chão.

Incrível que uma civilização tão próspera e culta não tomasse conhecimento de nada. Havia um corpo inerte  no chão, que momentos antes cortara o céu da Avenida Rio Branco, num voo pleno de vida e significado. Ninguém ousara prestar os primeiros socorros àquela vítima do trânsito desumano das grandes metrópoles. Nem o carro do Corpo de Bombeiros, que estava parado à espera do sinal luminoso tomou conhecimento do acidente. Afinal, trata-se apenas de uma pomba, não é mesmo? Um bicho que traz piolho e doenças. Não é assim que a grande maioria diz, acobertados que estão pelas estatísticas e padrões de higiene e saúde? Resolvi desistir de tudo aquilo e seguir para o trabalho, afinal o mundo dos afazeres domésticos esperava ansiosamente por meu eu cativo. Mas, por via das dúvidas, resolvi dar mais uma olhadinha. Virei-me e lá estava ela: A pomba. Aquele olho esquerdo terrível continuava fixo em mim.

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O mundo cronológico parou por alguns segundos. O destino, não sei se por simples prazer ou relutância congelou aquela imagem bem a minha frente. Já não havia mais uma pomba, nem eu. Isoladamente não tínhamos existência real. Éramos apenas viajantes solitários do Apocalipse, cruzando o espaço numa nave sideral intergalática. Ela erá única pra mim, enquanto eu talvez fosse a sua esperança de continuar o voo. Resolvi deixar de lado as exigências da racionalidade e agir por mim mesmo. Algumas dificuldades aparentes precisavam ser superadas com urgência. Como conseguir uma maca (caixa de sapatos), para com ela conduzir a vítima (pomba) a uma unidade de pronto atendimento mais próxima?

O veículo utilizado na locomoção foi o ônibus 284, linha Tiradentes-Praça Seca. E o destino: Hospital Veterinário da Mangueira.

pombo 6

Estranho!!! Havia muitos cães e vários gatos por lá, mas o atendente revelou jamais ter atendido uma pomba. Será que pombos nunca sofrem acidentes? Nem um tratamento preventivo de piolhos? Nadinha… nadinha? Quem sabe alguma empresa voltada à preservação e sustentabilidade crie um projeto para fabricação de rações que evite a proliferação exaustiva da espécie. É mais simples que ter de matá-los depois, ou será que não é mais simples? Cogita-se que o mais simples dever vir acompanhado de alguma compensação financeira. Será mesmo que deve ser assim? Para mim, desde criança o mais simples é viver e deixar viver. Nunca me interessei muito por moedas, salvo para um pirulito do Zorro, o meu preferido. Moedas pesam no meu bolso, mas o ar que respiro é leve e saltitante e não me cobra nada por isso.

pombo 7Mas, vamos dar continuidade ao relato daquele acidente sem precedentes em toda a história dos pombos do Estado do Rio de Janeiro. Estamos agora no Terminal Garagem Menezes Cortes, centro do Rio. Eu, a pomba toda enrolada em gazes e esparadrapos e uma sacola com milho picado, água mineral e os remédios receitados no Pronto Atendimento. Pode ser que não, mas agora a quinta-feira me presenteara com um motivo real para continuar vivendo: a vida de uma pomba. Avida de um homem só passa a ter valor quando reconhece que há vida no outro ao seu lado. Sem isso uma árvore é apenas o ponto de apoio do prego do camelô ao fixar a barraca. Mas quando me sinto vivo e reconheço isso em mim deixo de ser capaz de ferir meu semelhante, mesmo que seja a árvore de alguma esquina qualquer da cidade. Fazer xixi numa árvore nos torna capaz de defecar em nossa própria mãe.

Próximo passo nessa saga sem precedentes: Instituto Gurdjieff do Brasil, em Laranjeiras. Durante o encontro realizado naquela noite, do qual participamos (eu e a pomba) como convidados de ocasião, mal pude prestar atenção ao que diziam. Aquele olho esquerdo continuava fixo em mim. Havia algo como que predestinado naquele encontro, marcado por uma tragédia. Todo o calor humano do encontro, se é que havia algum ali, foi transferido para uma caixa de sapatos, na cadeira ao lado. De quando em vez, dava um toquinho sutil para ver se estava bem quentinha. Mas o olho esquerdo não se fechava, nem por um segundo.

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Terminal Rodoviário da Central do Brasil. Aquele era nosso próximo ponto de baldeação, ou pelo menos aparentava ser. Toda certeza é estúpida, enquanto a dúvida é sempre bem vinda. Foi aí que o inusitado aconteceu. A pomba não concordou com os limites da fatalidade e decidiu VOAR. Fez todos os esforços possíveis e aparentemente impossíveis para VOAR. Ninguém naquele ônibus entendia o que estava acontecendo. A cobradora, que desconfio ser nordestina, disse: “Ô meu Padim Ciço, visse!” E lá se foi tudo pelos ares, caixa de sapatos, toalha, milho picado espalhado pelo chão, e uma pomba inerte e fria no meu colo. MORTA.

Aquele corpinho repleto de vida a voar pelo centro do Rio, e agora inerte e frio jogado a uma lixeira da Central do Brasil, nos deixou uma linda mensagem de amor a vida. Transcrevo o que senti borbulhar dentro de mim no momento em que olhei pela última vez para aquele terrível olho esquerdo, agora imóvel e sem o brilho reluzente do viver.

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“Somos todos seres alados. Sois anjos cativos, mas vosso destino é voar. O limite é o infinito, e além. É pras bandas de lá que fica a Casa do Pai. Sois ainda incapaz de perceber a plenitude do voo, por estar condicionados aos limites do materialismo do corpo físico.  Quando  despertardes para a existência de um 2º, 3º e 4º corpo, então, podereis voar  até os confins da Eternidade. A única liberdade pela qual vale a pena lutar é a liberdade do voo. Se um dia esta possibilidade deixar de existir, então é preferível morrer com dignidade: MORRER TENTANDO VOAR. Vossos braços estendidos são asas. Vossa plumagem é da cor cinza chumbo e o vosso coração é vermelho púrpura. Vossos sonhos são da dimensão exata do infinito, somente eles podem galgar o céu que tanto amais.”

Chegando à Central do Brasil, deixei a caixa de sapatos e o corpo, próximos a uma lixeira. Peguei a condução e com os olhos inundados d’água fui para casa. Ao chegar, abri o portão da frente e tropecei em alguma coisa no quintal. Acendi as luzes da varanda e lá estava ela: A pomba. Havia gotas de sangue espalhadas pela varanda. Ela jogou a cabeça para o lado e me fitou com aquele terrível olho esquerdo.

Dei-lhe os remédios que ainda trazia na mochila, forrei uma toalha no canto da sala e cuidei dos seus ferimentos.

Dois meses mais tarde, numa linda manhã de sol ela voou até o telhado mais próximo e nunca mais a vi.

Se alguém dentre vocês encontrá-la por aí, agradeça pelo tanto que me ensinou e diga a ela que fiz da minha parte o melhor que pude.

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062 – A Magia Negra

In Artigos on 11 de junho de 2011 at 21:55

Existe realmente uma entidade chamada Satanás ou Diabo? Se existe, então, quem é Ele? Por que durante a história da evolução da consciência o Lobo assumiu o papel de Satanás? Por que o Cristianismo elevou o Rei de Ecrom ao papel de um Lobo perverso e sanguinário? Por que as culturas orientais não o contemplam dessa forma? Não há um Satanás no Tibete, a não ser na mente estúpida do homem ocidental. O Verdadeiro Conhecimento vê além das interpretações literais.

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Sois realmente um crente? Realizais as obras do Senhor na prática do dia a dia? Estais convicto da validade de sua fé? Então, vos convido a adentrar o Santuário do Sabbath, onde o Baphomet de Mendes vos aguarda. É um convite que faço àqueles fortes de espírito e lúcidos da Grandeza do Rei do Povo de Israel. A outros que ainda não ultrapassaram os limites da própria ignorância, gostaria de incitá-los a procurar algum outro tipo de diversão, antes de terem o atrevimento de ler o conteúdo desta página.

SATANÁS, O LOBO DE ECROM, EM MAGIA NEGRA É O GRANDE AGENTE MÁGICO EMPREGADO PARA O MAL POR UMA MENTE PERVERSA.

Tendes a mente perversa? Sois um mentiroso? Estais a serviço do mal?

A Serpente Kundalini nada mais é que o Grande Agente Universal, o poder que mantém a todos adormecidos e cativos nas entranhas da matéria. É o Fogo Dumo da Terra, a sua Alma, Gaia, o Lobo, o Fogo Vivo do Inferno, aprisionado no Chakra Raiz do homem. Mas reage assim por seu estado cativo, pois quando ascende aos níveis superiores de existência torna-se Bodichita, Mente Iluminada, e eleva aquele que ascendeu a um estado superior de lealdade, liberdade e gratidão.

Vamos realçar aqui que a luz astral é o receptáculo das formas. Quando evocada pela razão com sentimentos de gratidão e sinceridade é formadora da harmonia, mas quando a serviço da insensatez e da loucura, manifesta-se de forma monstruosa e desordenada.

QUANDO ALGUÉM SOLICITA A PRESENÇA DO LOBO POR MEIO DE CERIMÔNIAS CONSAGRADAS, ELE VEM E ELA O VÊ.

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                                                 Por que vem? Por que ela o vê?

É O SER DO HOMEM QUE MATERIALIZA SEUS PENSAMENTOS. ATRAÍMOS E MANIFESTAMOS AQUILO QUE SOMOS.

Vemos no outro a nós mesmos. Somos a extensão do próprio Lobo, por isso o invocamos. Somos o próprio Lobo, por isso o vemos e tememos. O maior inimigo do homem é o próprio homem. Nenhum de nós tem coragem de olhar para si da forma que é, portanto, criamos máscaras e subterfúgios para sobreviver. Uma dessas máscaras é a figura simbólica de Satanás. É o argumento que encontramos para dissimular atitudes hipócritas e digerir mentiras, colocando sobre um ombro imaginário e inocente a culpa que nós mesmos carregamos. Somos todos culpados pela falta de coragem e determinação de uma alma aflita. Não há nenhum ente que nos leve a isto a não ser a incrível capacidade de mentir e dissimular, inerente a cada um.

Quando fazemos especial reverência a este Ser não é para que os leitores desta página façam uso dele, mas para que o conheçam, sem julgá-lo. Talvez assim o destino vos preserve de inúmeras aberrações criadas pela mente humana.

Sustentamos  a maravilha dos Efeitos Mágicos por vê-la e senti-la assim e lhe damos como causa os Príncipes Ocultos deste mundo: O Lobo e o Cordeiro, essência da Escuridão e da Luz, pois são unos e consagrados à guarda do homem. Ai daquele que os tomar de forma a colocar em risco sua integridade física e espiritual. Deixamos bastante claro que não coadunamos com a insensatez dos homens adormecidos que usurpam o poder, tanto da Luz quanto da Escuridão em proveito próprio. Vós não sabeis a que tipo de horror estais vos submetendo.

O Lobo é a Força Ativa que nos impulsiona, em virtude de atitudes e intenções, a consumar o erro que nasce da vaidade circunscrita ao próprio coração. Ele é a Luz, ainda não manifesta, em forma de Escuridão, pois sabe que o pecado é a base da virtude, e que somente pelo caminho da noite pode-se  vislumbrar a luz do alvorecer. A queda do homem significa persistência da vontade no absurdo, quando distante de sua evocação.

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A soberana ESCOLA nos diz que: Nada acontece por acaso, nem pelo poder de uma vontade boa ou má. Nós somos os agentes a manifestar as forças superiores e inferiores da existência.

SE FORMOS BONS DAREMOS BONS FRUTOS, SE MAUS SEREMOS CEIFADOS NO DEVIDO TEMPO.

Para que possamos adentrar o Santuário do Sabbath em Espírito e em Verdade, não podemos ser vulgares, nem mentirosos e muito menos hipócritas. O Príncipe não cogita de amor, nem piedade. Não ama a misericórdia, nem tem compaixão pela raça humana. O Lobo assistiu ao flagelo do Cordeiro Imolado, bebeu do sangue derramado na cruz e ungiu suas feridas com hálito quente. Ele não condiz com injustiça, nem ingratidão. Conhece o mais oculto do homem. Não se engana, sabe claramente o que cada um leva em sua bagagem. É conhecedor de Tudo e de Todas as Coisas. Tem sede de fariseus ingratos e infiéis.

É o Senhor Supremo da barbárie, verdadeiro alicerce e fim último de toda civilização e cultura da Terra. Quando esta se aproxima do seu estado de origem ele a aniquila para que brote uma nova cultura: uma nova possibilidade evolutiva para o homem. Foi assim com Noé, Babilônia e Atlântida, e assim será com a Era da Modernidade e da Tecnologia.

O LOBO É O VERDADEIRO ANJO PROTETOR DAQUELES QUE AMAM O CORDEIRO EM ESPÍRITO, VERDADE E VIDA. PENSE NISSO, ANTES DE EXORCIZÁ-LO NOS TEMPLOS.

Os Únicos e Verdadeiros que podem adentrar o Santuário sem qualquer temor são o Lobo e o Cordeiro. O primeiro pela suprema lealdade, justiça e gratidão; e o segundo por amor, ternura e mansidão.

Somente aquele que manteve indenes, imaculados, puros, íntegros e santos por toda a vida o Lobo e o Cordeiro confiados à sua guarda, pode sem remorsos ou culpa adentrar o Santuário. E apressai vossos passos para o que ora vos revelamos: Este santuário de muitos nomes chama-se o Reino dos Céus.

Que assim seja!

061 – O homem por detrás da capa

In Artigos on 10 de junho de 2011 at 20:53
O homem por detrás da capa

O homem por detrás da capa

Ainda que não tenhamos conhecimento disso, possuímos um senso apurado de magia. Somos parte integrante e irremovível do milagroso. Lembre-se que toda convicção baseada na racionalidade é apenas uma tênue camada na superfície sutil das proposições. Se arranhamos com um floco de algodão que seja essa superfície extremamente frágil, expomos um universo infinito de magia interior. Por detrás da capa inverossímil de nossas convicções há um mundo ativo de recomposição e fluidez. A volatização dos pensamentos reflui sobre si e reverbera sentimentos e emoções. De outra forma não seríamos responsáveis por nossas intenções, nem atitudes em relação ao outro. Palavras materializam e dão vida, mas o pressuposto de tirá-la também prevalece, segundo outras conveniências.

O Lobo e o OutroÉ a solidez dos escudos fictícios de uma falsa continuidade que nos separa do Eu ou Arcano Mágico. Quando por alguma benevolência do destino são rompidos, nós imediatamente tratamos de repará-los.  Tornou-se impossível ao homem moderno sobreviver além da capa transitória de sua auto importância. A identificação é o alicerce deste magnífico templo erguido à continuidade, digamos que além de sustentação é também morada e torre de vanguarda. Estamos inevitavelmente presos ao que chamamos razão. Sustentabilidade é um paradoxo ao meu à exceção do seu, desde que meus interesses prevaleçam. Continuidade significa mãos dadas todos, em comum acordo para o infortúnio ou qualquer outra coisa que venha a reboque. A coragem de ser só é a verdadeira exceção, mas sem elos ao vento a corrente permanecerá artificialmente forte e concisa.

Mas nem tudo está perdido. Há um espaço privilegiado na mente do homem, conhecido como  Lugar da Não Piedade, onde os elos da continuidade podem e devem ser rompidos, deixando assim de alimentar o processo. Tem início quando visualizamos o pressuposto incondicional da dor como uma realidade inerente a vida e seu processo evolutivo e a aceitamos como real e necessária, sem com isso sermos submissos a ela. É o espaço objetivo que permite uma troca saudável de lugar com o outro. O inimigo real do homem é a sua estupidez. Somente seres estúpidos são capazes de erguer altares  para engrandecer a si mesmos e louvar o sofrimento inútil que tomou conta de suas vidas. A condição de vítima é uma realidade criada e mantida pelo Cristianismo ao longo de mais de 2000 anos. Entenda: Deus é forte, o Cristianismo é fraco e omisso. Deus é Presente, o Cristianismo é oportunista e ausente. Deus é Poder e o Cristianismo é o poder a serviço das doutrinas, dogmas e pressupostos da Fé.

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A magia da transformação tem início quando as amarras que nos prendem à continuidade são rompidas. Essas amarras são alimentadas por preocupações, dúvidas, pecados, ausência de simbologia e significado pelos quais nos deixamos envolver. São essas incongruências do pensar ativo que nos prendem, submetem e condicionam. Agora a pouco, enquanto dava início à revisão de mais esta página um diálogo irrompeu da sala contígua. Diziam entre si: “Estamos na casa dos cinquenta e precisamos pensar num relacionamento sério e duradouro, breve chegaremos aos setenta e vamos precisar de companhia”. Para encurtar o assunto, dissertaram pelo menos por vinte minutos sobre o tema.  Moral da história. Somos cativos nessa masmorra chamada sofrimento inútil, que a razão dá o nome de preocupação e prudência. Não temos nenhum Certificado de Garantia Cósmica Absoluta de que estaremos vivos daqui a vinte minutos, então, por que se preocupar com isso? Quando deixamos de compartilhar certo tipo de preocupações, rompemos laços invisíveis de continuidade e nos abrimos a um universo de possibilidades, tanto para nós quanto para o outro.

Voltamos à condição natural de Seres Mágicos

Voltamos à condição natural de Seres Mágicos

Voltamos à condição natural de Seres Mágicos, quando deixamos de alimentar o mundo das preocupações exaustivas e rotineiras; quando deixamos de fomentar a auto importância (no caso citado anteriormente, o cavalheiro, sem o saber, arvora-se em senhor do tempo, pois já traçou um perfil de sobrevivência para os próximos vinte anos) e, assim, nos despojamos aos poucos do sofrimento inútil.

Há uma passagem interessante que pode nos servir de exemplo. Em um de seus magníficos escritos, o Rabino Nilton Bonder relata o ocorrido num fim de tarde em seu escritório. Foi anunciada a presença de um Cabalista no saguão de entrada. Como tal criatura não se encontra facilmente, principalmente num fim de tarde de sexta-feira, autorizou imediatamente a entrada. Pediu à sua secretária que lhes fosse servido um café, e durante a conversa ficou sabendo que o cabalista ganhava o sustento vendendo livros no interior de ônibus intermunicipais. Ficou ainda mais surpreso ao saber que o cabalista vendia livros escritos em língua judaica, e mais ainda quando este ao procurar determinado objeto, acabou retirando do bolso e colocando por sobre a mesa uma razoável quantia, num amontoado de notas parecendo dinheiro de bêbado. Ao verificar sua possível negligência resolveu questioná-lo:

–  O senhor, sendo um Cabalista, não acha que se locomover no interior dos ônibus com tal quantia no bolso é no mínimo um ato de imprudência? Argüiu o Rabino. –  O senhor pode ser vítima de um assalto!

–  Senhor! O dinheiro que trago no bolso é apenas um excedente. Ele não é real. Não é Segula. Aquilo que é real não pode ser levado por ninguém. O que é realmente nosso ninguém pode nos tirar. Possui liquidez garantida pelo cosmos e não pode ser motivo de apego e preocupação.

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Podemos ver o quanto de sofrimento Inútil está embutido na ânsia de ganhar sempre, e no subseqüente medo de perder. Apegos e posses ocuparam o trono erigido ao Deus de nossos antepassados. É ao sofrimento inútil que rendemos graças de todo o coração e com toda a alma. Precisamos cultuar um Deus que nos livre de nossa própria submissão e proteja nossas ilusões dos desarranjos incautos da quebra e da falência mental.

Quando por alguma razão desconhecida somos vítimas de infortúnio; quando perdemos o emprego, algum ente querido ou bens imputamos culpa ao Lobo, àquele que convencionamos chamar pela alcova de Diabo. Como se aquele ser fascinante e volátil tivesse algum tipo de interesse em coisas tão mesquinhas e vulgares quanto essas que idolatramos. Lamento lhe dizer, mas se você perdeu um ente querido e está profundamente deprimido e abatido por isso é porque não foi realmente grato quando o tinha ao seu lado. Aqueles que vivem intensamente o agora não choram o amanhã. Tudo pertence ao lugar de onde veio e para lá há de retornar um dia. É a suprema lei. Agradeça e confie. SEMPRE.

Pense por um momento no quanto desperdiçamos por dia em coisas desnecessárias. O cabalista quis dizer que a Segula (tesouro) não pode ser tocada pelo ‘outro lado’. Pode-se tomar algo de um indivíduo, menos o seu sustento. Nós é que abrimos mão dele, quando nos identificamos e passamos a ser serviçais do  sofrimento inútil.

O Lobo reconhece a sua própria essência como criatura à imagem e semelhança de Deus. Canta odes ao luar. O Lobo ama o Cordeiro mais do que amamos nossos próprios filhos. Quando o mata e consome da sua carne não o faz por vingança, poder, ira ou inveja, mas sim por necessidade de sobrevivência. E o Cordeiro uma vez consumido torna-se também Lobo e sobrevive no seu corpo.

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O homem por detrás da capa é apenas nosso auto-reflexo. Mesmo estilhaçados em um milhão de pedaços (eus) ainda continuamos sendo ‘aquele homem’. A magia do Intento (vontade) é a possibilidade real do homem, aquilo que possibilita o seu processo de humanização como ‘o homem por detrás da capa‘. Precisamos urgentemente transmutar auto-importância em gratidão.  O ‘homem por detrás da capa‘ nada mais é senão a extensão de nós mesmos.

Que assim seja!

060 – Os Portais

In Artigos on 9 de junho de 2011 at 22:48

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Relata-nos a Tradição que o universo está apoiado sobre Dez Colunas. A mesma fonte diz que o planeta Terra está amparado sobre o ombro de dez Homens Justos. Em verdade velejamos num mar de Dez Dimensões ou Dez Sefirots. As colunas são, além de suporte, portais que abrigam entradas, possibilidades, mudanças e transformações. Cada Tríade de colunas representa Forças. As Colunas da direita e da esquerda são ora Ativa, ora Passiva, e a Coluna Central é a representação da Força Neutralizante. Toda base orgânica é um quadrado. O triângulo quando acrescido a si mesmo é um quadrado orgânico. Portanto, o Quarto Caminho é um todo orgânico, não importando se adentramos pelas laterais, centro, superior direita ou esquerda. E é nele que estamos agora, diante do Quarto Caminho, traduzido como o caminho do homem astuto.  Sendo assim, ele é a senda que abriga Homens Notáveis, ou Homens de Conhecimento. Aqueles que fugiram antes, portanto, detém conhecimento, ferramentas e logística adequada a cada um de nós.

É para esse processo de fuga que pedimos sua atenção. Portais são portões de acesso a outras dimensões interiores do Ser. Mas também obstáculos a serem vencidos e ultrapassados na corrida pela sobrevivência em situações limites. Para que tal possibilidade se torne real temos necessidade de ultrapassar quatro obstáculos ou umbrais, ou simplesmente portais. A simbologia do 11:11 é um ente revelador de possibilidades. Lembrando que o Portal 11:11 se fechou no mês de novembro do ano de 2011. O que isto significa em essência e vida e como fazer para ultrapassá-los é uma questão de revelação pessoal. Digamos que é uma relação íntima entre Você, a Intenção e o Intento. Somente você pode obter esta resposta ao se sentir atraído por ele. Não se esqueça desta máxima do Quarto Caminho: “É o Ser de um homem que atrai a sua vida”.

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O primeiro portal a ser ultrapassado é o Medo. Quando iniciamos o aprendizado somos como crianças nuas num salão de espelhos conjugados, alegremente evoluímos, mas não temos nenhuma noção clara do objetivo de estar ali. Não estamos conscientes desse objetivo, nada vemos além do limiar do primeiro foco de luz. O propósito é falho e a intenção é vaga. Com o passar do tempo esperamos algum tipo de recompensa, sem darmos conta das dificuldades ao longo do percurso. Na verdade, aprender nunca é o que se espera e, de repente, aquilo que era simplesmente uma aventura torna-se um verdadeiro campo de batalha. Passamos, então, ao recurso dos gurus, guias e mestres, mas um estado avassalador rompe as esperanças transitórias: “Você agora está completamente só. O seu guia, guru e mestre é a sua consciência”.

E assim o destino nos coloca frente a frente com o primeiro portal: O Medo. Se o desejo de um homem não for forte o suficiente e capaz de superá-lo permanecerá oculto às margens do caminho, sempre pronto a dar novamente o bote. Se insistimos em fugir apavorados, corremos o risco de perder a razão inicial e assim o impulso necessário para prosseguir. É exatamente aqui nesse ponto que as pessoas, inclusive alguns amigos próximos não compreendem o alcance daquilo que escrevemos: O melhor lugar para se precaver e fugir de si mesmo é a Igreja. Ela lhe dá aparente segurança em seus domínios, mas lhe tira o bem maior de toda uma vida: a possibilidade de encontrar-se a si mesmo nas chagas do homem Jesus. É assim, nos tornando doutrinados, submissos e cativos que ele, o medo, decreta o fim da nossa busca. Se o medo de encontrar o desconhecido e ficar frente a frente com ele for mais forte e nos vencer, porá fim a todo e qualquer desejo de prosseguir. Uma vez derrotados, nos aconchegamos ao banco confortável do Templo. Doutrinados, anestesiados e mecânicos a possibilidade de se levantar e prosseguir é diminuta, pois o impulso inicial estará perdido para sempre. Compreenda que para que sua aceitação seja plena dentro de um círculo doutrinário é necessário pensar igual e comungar objetivos comuns. Em resumo, dentro de um círculo doutrinário ou ismo ninguém pensa.

A única possibilidade que temos de superar o medo é desafiá-lo e não fugir, em hipótese alguma. Devemos encarar de frente as adversidades e manter sempre presente o propósito inicial.  Uma vez vencido, ele não terá mais nenhuma chance sobre nós, mas em vez de render-se muda sua configuração e passa a se chamar Clareza de Espírito. Eis aqui o segundo Portal, bem diante de nossos olhos: O Portal da Clareza.

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Uma vez vencido o medo, surge em seu lugar a Clareza. Uma Clareza de Espírito que vence o próprio medo. A partir daí sabemos como satisfazer os desejos, sem sucumbir às dúvidas e indecisões, e nada mais pode nos ocultar os passos. Senhores de si e sobreviventes incautos do Apocalipse passamos a arautos da verdade e pregadores da Fé. Senhores do destino e preocupados com a direção precoce do mundo moderno, tocamos o cajado ao chão e conclamamos o povo a nos seguir. Mas junto à Clareza de Espírito vem a reboque o mais cruel dos sentimentos humanos: O orgulho do devoto. Sentimo-nos como se nada mais nos fosse oculto, enfim, sentimos como herdeiros do Reino dos Céus. É a Clareza que nos distancia da Lembrança de Si Mesmo, pois dá uma falsa segurança de que podemos fazer. Quando nos deixamos envolver por ela, precipitamos no exato momento em que devíamos ser pacientes, e nos tornamos pacientes quando devíamos apressar.

TORNAMO-NOS LÚCIDOS DO CORDEIRO, MAS ESQUECEMOS A MAGIA DO LOBO. ASSIM, NOS TORNAMOS SERES INCOMPLETOS, CEGOS DE UM SÓ OLHO.

Ao ceder à falsa pretensão de tudo saber perdemos a possibilidade real do aprendizado, pois passamos a não buscar mais nada.

A CLAREZA MATA TANTO QUANTO A IGNORÂNCIA E, ÀS VEZES MAIS, MUITO MAIS.

Superá-la não é uma missão simples e pacífica, nem um auto flagelo. Muitas vezes uma ‘rasteira do destino’ nos recompõe, mas não podemos contar com isso. A verdadeira luta contra a Clareza tem início na Observação de Si mesmo. Observando como um brilho extenuado do olhar é acompanhado por movimentos sutis do corpo. Percebendo o pulsar das veias num momento incontido de estertor quando a face se faz rubra, massageando o ego. Sentindo o auge da emoção e não se entregando aos artifícios da vaidade. Equilibrando tons em densidades diversas, olhando para si mesmo e vendo todo o aparato envolvido numa simples contenda em nome de verdades absolutas. Pois, para a Clareza uma verdade só tem apreço se for absoluta.

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Mas, uma vez superada reinicia seu processo de configuração e se transmuta em Poder. Este é o nosso terceiro Portal: O Poder. Apesar de nos passar despercebido, a vida de um homem é uma eterna contenda. Um desafio constante em situações diversas. O que mais me toca o coração é ver como jogamos fora bens preciosos, conquistados após tanta luta. Em apenas alguns minutos somos capazes de desperdiçar quantidades enormes de energia, nutrientes cósmicos necessários a um dia inteiro de trabalho. Como investimentos afoitos jogam ao chão projetos construídos durantes décadas. Por uma iguaria imaginária qualquer somos capazes de pagar fortunas, mas para ter às mãos um livro que possibilite refletir à cerca da vida e seu objetivo não somos capazes de ceder uma moeda sequer. Mas é uma realidade e por mais aterradora que seja temos de enfrentá-la de frente.

A partir do momento em que nos tornamos proprietários do Poder passamos a ter um universo de ocasiões a nosso favor. Aqui tem início o fazer de um homem, nunca antes. Todo desejo daquele que alcançou esse patamar é uma ordem. Então, começa a estabelecer regras, pois se tornou senhor. Quando alcançado esse estágio nos tornamos soberanos, cruéis e caprichosos, escondidos que ficamos sob um véu de aparente simplicidade e candura. Mas lembre-se que o poder é apenas uma carga em nosso destino. Não temos domínio sobre ele e não sabemos manuseá-lo, por uma simples razão: todo o poder e toda a glória pertence ao Alto. Ao homem compete fazer uso dele com benevolência e gratidão, mas nunca em causa própria. O Poder é o Portal mais cruel e difícil de ser ultrapassado. Ele é o pai de todo sofrimento inútil. Também padrinho das irmãs auspiciosas: Auto importância e Auto estima. Uma vez logrados por ele, nossas chances de prosseguir com êxito são mínimas.

Mas, se conseguimos superá-lo, abrindo mão de suas promessas de Céu e Inferno, não nos deixando levar por ilusões de posses, ganância e imposições, estaremos então diante do mais impiedoso de todos os Portais: O Portal do Quarto Caminho.

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Na Coluna da Força (Ativa) vemos projetados a Consciência, o Despertar e a Lembrança de Si Mesmo e como opositores, Coluna da Forma (Passiva): o Medo, a Clareza e o Poder, todos de uma só vez. Esses titãs de poder incalculável são baluartes infinitos da Falsa Personalidade, que renascem a todo momento das cinzas, e estão sempre a nos espreitar. Se não houvesse uma Terceira Força a contenda tenderia ao infinito, em círculos, uns por sobre os outros, numa eterna condição cativa. Por isso a necessidade de manter indenes o Lobo e o Cordeiro confiados à nossa guarda. Somos nós, os três, em comunhão verdade e vida que temos poder de por fim ao círculo de reencarnações em nossas vidas. É a harmonia dos contrários que possibilita o processo de individuação.

Quarto Caminho  é um estado de consciência que chamamos ESCOLA, um Portal de acesso ao Círculo Consciente da Humanidade ou Irmandade Sarmung. Ir além dos seus limites significa retorno ao estado original do Ser. Voltamos a ser bebês, agora conscientes, emocionalmente inteligentes e lúcidos, diante da Grande Mãe. Esse é o retorno à  real condição de existência, ao propósito maior da vida, às origens, ao nosso lar. Muitas ESCOLAS disseminadas por diversas culturas usam denominações diversas para conceber tamanha grandeza. Todas as denominações são bem-vindas, até porque não há como viabilizar tal estado em palavras.

Uma vez alcançado aquele limiar não teremos mais à disposição a força e leveza da juventude, pois na face já estarão expostos os primeiros sinais da velhice. Mas é exatamente aí que o Homem de Conhecimento deixa transparecer os valores reais, somados através de uma vida inteira de entrega e sacrifícios. Não se permitirá vencer pela fadiga, nem pelo desejo de deitar e repousar. Não será reduzido a uma criatura débil e frágil, mas exatamente o oposto, tornar-se-á uma criança leve e saltitante, eternamente envolvida pela magia do desconhecido.

Que assim seja!