Lázaro de Carvalho

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056 – O limiar

In Artigos on 30 de maio de 2011 at 21:56

O LOBO ESTÁ ONDE TERMINA A TERRA…  E O CORDEIRO ONDE COMEÇA O CÉU. 

limiar 2

Tão longe, distante, muitas vezes evasivo, com semblante sereno e pleno de si. Quando a imensidão daquele mar abraça o pôr do sol, permaneço assim, enquanto o olhar divaga numa profusão de cores. Com certeza, sem o auxílio providencial das horas não saberia distinguir entre crepúsculo e ocaso. É quando o coração se permite embriagar por sua grandeza e imensidão, e a alma aflora e voa, como se Terra e Céu se unissem, num beijo radiante de energia e luz. Assim, o poeta Observa a Si Mesmo no reflexo das águas, e nu se entrega aos primeiros raios de sol. Começo e fim celebram o ocaso, quando apaixonados se deitam num deleite de prazer infinito. O Lobo está onde termina a Terra, e o Cordeiro onde começa o Céu. Ambos ausentes da linearidade causticante do tempo. O primeiro por descuido deixou em casa o relógio, e o segundo por precaução não se lembrou de trazê-lo.

limiar 1

O limiar é um símbolo, uma parede de névoa entre as linhas paralelas, onde começo e fim é um eterno fluir, uma dança de passos contínuos em harmonia com o infinito. É um espaço que existe e ao mesmo tempo deixa de existir, onde o bem e o mal se acasalam, gerando filhos bastardos de alegria e dor; naquele lugar de encanto e poesia pecado e pecador são unidades inseparáveis da existência, da mesma forma que escuridão e  luz são teias entretecidas e nostálgicas num fim de tarde de verão. A diferença quase indiferente que separa córregos, rios, regatos e ribeirões são formas consensuais de alguém que os vê assim, enquanto outros apenas se banham em suas águas. Cachoeiras são quedas bruscas que às vezes assolam e desnorteiam, para depois prosseguir mansamente o destino. Nas corredeiras somos mais ansiosos, nos vales um pouco mais enfadonhos, mas nem assim deixamos de prosseguir a caminho do mar.

limiar 3

O limiar é a possibilidade de alcançar o degrau que fica logo acima, ou talvez o retrocesso ao degrau inferior, mas sem o impulso do acaso onde iremos nós? Sem romper obstáculos a inércia nos fará presa fácil da rotina. O que aparenta resistência é na verdade a força que possibilita ir além. Este degrau às vezes insensato e pouco alternativo é apoio e impulso para lograr o próximo. Tudo é sempre uma relação de Três Forças, uma contínua e relutante relação de Três Forças. Há um fio de navalha, um limite conciso e cortante entre aquilo que é e aquilo que pode vir a ser. Estar disposto a sangrar em nome dos sonhos é uma dádiva que apetece a poucos. O limiar será sempre um abismo entre a segurança do ter e ausência de um cofre capaz de reter por longo prazo.

limiar 4

O limiar é uma viagem só de ida. Não importa o destino, se o Céu ou as agruras do Inferno de Dante, a viagem não tem volta. Nenhuma viagem tem volta, imaginamos voltar, pois a presença do corpo nos dá a aparente lucidez do regresso. Algo novo retorna, ausente ou presente de significado, mas nunca pleno daquilo que foi. A Tradição Judaica o conhece muito bem, por isso a porta que divide os limites internos da casa e a rua é um referencial estreito entre dois mundos. Há uma viagem além do espaço/tempo e nós a fazemos diversas vezes em apenas um dia. É quando nos sentimos vazios como se uma parte de nós tivesse abandonado o corpo. Ou somando algo, quando uma parte ausente de nós se recompõe e nos acompanha. Acontece quando criamos falsas expectativas para nós e para os outros e também quando inferimos brilho aos olhos daquele que o tinha perdido; quando mentimos e ferimos a própria alma estamos num limiar; também estamos nele quando magoamos aqueles que nos são próximos e permitimos que a imaginação assuma nosso destino e nos conduza pela mão. A identificação alimenta o limiar dos devotos, mas o silêncio interior o torna pacífico a serviço da plenitude. Por isso somos seres fragmentados. Perdemos partes importantes de nós durante o percurso. O que a ESCOLA chama de Lembrança de Si Mesmo é a possibilidade de romper esse acúmulo incessante de perdas desnecessárias.

limiar 5

O limiar é uma região inóspita, uma tênue linha divisória entre mundos paralelos, pois tamanha é a aproximação que o espaço físico se transforma nas próprias linhas. Elas se aproximam, mas nunca se tocam, por isso as chamamos de linhas paralelas. É possível ultrapassar o limite entre as linhas, mas para isso somos dependentes de uma Terceira Força. Essa Terceira Força ou Força Neutralizante é capaz de minimizar o enorme desconforto da travessia, rompendo os elos que nos mantém cativos ao limite espaço/tempo. Mas tanto podemos cruzá-las no sentido ascendente como descendente. Lembrando que uma vez ultrapassadas não nos é permitido voltar. Às vezes temos a falsa impressão da volta, mas nunca mais teremos a mesma configuração energética  de antes da partida. Entre as linhas paralelas há um rio caudaloso de águas místicas, sob um denso céu de enxofre, chamado limbo. Sem a configuração adequada é impossível ao homem sobreviver sob tais condições adversas. Sentimos isso quando projetados em alguma situação fora de controle, perdemos força e nos sentimos fracos e inseguros. Toda contradição é um limiar e todo limiar aponta para o rompimento da razão em alguma esfera de conflito.

limiar 6

Isto quer dizer que quando cometemos um erro não devemos voltar, pedir perdão e consertar esses mesmos erros? Infelizmente, a resposta é não. Não devemos voltar, mas sim prosseguir. Na visão da ESCOLA, reencarnação não é retorno, mas continuidade. Não é um processo evolutivo contínuo, mesmo porque não existem linhas retas na natureza. O Vazio é pleno de significado. Não temos necessidade alguma de buscar além dele. O Vazio da existência é repleto de si. Podemos sim prosseguir e por meio de novas atitudes, reencontrar, e talvez contornar obstáculos nos reaproximando de sua causa principal. Mas voltar, simplesmente não. Uma amiga me disse certa vez, quando do retorno de seu marido ao lar, após um período de separação: “Estamos, às vezes, melhor ou até pior, mas nunca como éramos antes”. É verdade. Embora não saibam, ambos seguiram caminhos diferentes, apesar de continuarem juntos.

limiar 13

Se, por acaso, voltamos para pedir perdão por um erro cometido, nosso pedido jamais será verdadeiro. O arrependimento está cheio de auto-indulgência e não significa uma nova maneira de pensar. É apenas uma saída estratégica para amenizar o desconforto do Centro Emocional. Só através de atitudes autênticas podemos alterar este quadro desagradável e, infelizmente, não são momentâneas, nem emocionais. Talvez o maior erro de tradução da Bíblia seja o significado grego de metanóia, como arrependimento, quando na verdade significa reflexão. Esta palavra passou a fazer parte do cânone cristão como arrependimento, e durante séculos vem alimentando uma falsa ideia de pecado. É realmente uma pena que seja assim. Ciente da inutilidade do retorno emocional, Jesus declara quando questionado: “Perdoa-o não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete”. Atitudes verdadeiras e completas de propósito e objetivo exigem a coragem de ser só. Se pedimos perdão por carência, por medo ou por submissão, ou ainda por questões emocionais momentâneas não estamos sendo sinceros nem consigo mesmo, nem com o outro.

limiar 7

Jesus não disse à mulher adúltera “Volta e conserta os teus erros”, mas sim, “Vá e não peques mais”. Ao homem rico ele disse: “Vem e segue-me”. E ao profeta o Senhor diz: “Sai da tua terra e vai”. E não se esqueça das palavras de advertência ao homem justo: “Segue em frente e não olhes para trás”.

UMA VEZ CRUZADO O LIMIAR É IMPOSSÍVEL VOLTAR.

UMA VEZ CONSUMADA A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO, NÃO HÁ COMO VOLTAR. AQUELES QUE INICIARAM A TRAVESSIA (O EXÉRCITO DE FARAÓ) E TENTARAM VOLTAR, FORAM CONSUMIDOS PELAS ÁGUAS REVOLTAS.

limiar 11

Existem algumas tradições religiosas que ainda levam a sério esta questão do limiar. Observam fielmente nas suas tradições um tipo de ritual bastante significativo. Os rabinos, por exemplo, tratam com devido cuidado os portais de sua própria casa, pois sabem que são linhas divisórias entre os mundos. O convívio e a intimidade do lar difere completamente do mundo hostil que nos espera lá fora. Inclusive, tomam o cuidado de não entrar em casa com os sapatos que usaram durante um dia intenso de trabalho. Mas não fazem isso por questão única de higiene, e sim por conhecer determinadas influências e saber o quanto podem ser danosas ao convívio dos seus.

limiar 10

Os Feiticeiros Toltecas chamam nossa atenção para as pontes por sobre os rios, pois sabem que são linhas divisórias entre os mundos. Quando o relógio marca meia-noite estamos numa linha divisória. E embora não saiba, existe uma linha divisória entre os períodos de uma faculdade, e sem esforço e atenção adequada alguns não conseguem ultrapassá-la. Lembre-se de que as paixões são linhas divisórias entre os mundos, que quando ultrapassadas não nos é permitido voltar. Se uma paixão cruzar o limite das possibilidades reais, a alma do amante é conduzida cativa pelo outro, e só um poder superior poderá trazê-la de volta ao corpo físico. O ser humano  sem a presença doce de sua alma perde completamente o sentido de viver e muitas das vezes é levado ao suicídio.

O Lobo e o Cordeiro são batedores fiéis quando alcançamos o limiar. É como se o Lobo nos jogasse nas águas turbulentas de um rio, enquanto o Cordeiro lança uma corda para possibilitar alcançar a outra margem.

limiar 9

MAS NÃO ODEIE O LOBO POR JOGÁ-LO NAS ÁGUAS TURBULENTAS DO RIO. ELE SABE QUE SÓ ASSIM IREMOS DESPERTAR PARA O VALOR DO CORDEIRO.

O Cordeiro é a fonte de origem das Influência C, mas sem uma quantidade suficiente de Influências A  não conseguiremos sequer compreendê-las. O Lobo é o portador destas Influências A, que em si mesmas são necessárias e em nenhum momento podem ser caracterizadas como ruins. Ao romper de um novo dia não exorcize o Lobo de seu convívio, e ao cair da tarde, quando retornar ao abrigo dos seus, o Cordeiro, com certeza, carinhosamente o receberá.

Que assim seja!

055 – Noé, Babilônia e Atlântida

In Artigos on 29 de maio de 2011 at 16:46

noé 3

Quando nos vimos diante  da possibilidade de escrever um tratado, falando sobre a influência do Lobo e o Cordeiro nos mais diversos segmentos, desde a estrutura celular dos organismos até a vasta abrangência de sistemas complexos, incluindo a manifestação e influência direta de ambos em todo o processo de disseminação de culturas e tradições, não tínhamos noção do enorme desafio que tínhamos pela frente. Todo migrante é forasteiro e precisa se comportar como determina as regras de conduta do solo onde pisa, mas nem por isso deve ser comedido ao extremo. Avançar e recuar são estratégias de inteligência, quando em terreno arredio e incauto. Avançar ou não depende de quanto o Lobo se faça presente, enquanto recuar ou não é um artifício do Cordeiro. Ambos avançam e recuam, mas um o faz por instinto e o outro por visão, consciência e luz. Há casos de superação em que o instinto de sobrevivência é providencial e outros em que a lucidez nos fará ir além. A inteligência do Lobo é o somatório da inteligência instintiva do reino animal, mineral e vegetal em centenas de séculos, sob as mais diversas circunstâncias. Em seu território o Lobo é imbatível. O seu templo é Gaia. Ele habita o centro instintivo de Gaia, conhecido como alma da Terra.

noé 6Em sua totalidade o Tratado do Lobo e o Cordeiro não tem similares em virtude da abrangência e heterogeneidade dos temas, pois foram codificados a partir de diversas culturas sob a forma de fragmentos, além do exaustivo trabalho interior para resgatar e reunir reminiscências seculares, de forma a delinear um quadro aproximado da realidade humana. Aproximadamente quarenta anos de pesquisas foram necessários para alinhavar essa imensa colcha de retalhos. É evidente que um tratado em toda a sua extensão não será do agrado de todos, pois fere interesses diversos, em circunstâncias diversas. É um todo orgânico que só virá a ser compreendido quando o corpo de uma cultura tiver evoluído o suficiente para conceber significado ao seu conteúdo. Enquanto a humanidade insistir na visão extremada dos fatos não o verá por inteiro.

noé 5

Mas voltemos à questão da escala e relatividade, e observemos o seguinte. O período de gestação de um ser humano, o período de sua infância e a plena duração de uma vida não formam, ao serem sobrepostos a um círculo, uma periodicidade ao acaso. Trata-se de uma relação de 10; 100 e 1000, quando relacionadas aos meses lunares. Da mesma forma que as células realizam diversas funções em nosso corpo, nós também realizamos diferentes funções dentro do organismo psíquico de uma cultura. Significa que uma cultura também tem o Lobo e o Cordeiro confiados à sua guarda. E, a partir do momento que exclui qualquer deles, tem início o seu período de declínio e extinção. São eles, o Lobo e o Cordeiro que possibilitam dar um ‘choque’ aos intervalos ou semitons existentes em todo e qualquer processo, ou oitava em desenvolvimento, seja no nível atômico, celular, social ou cultural. Lembre-se que somos micro organismos cósmicos viajando num imenso oceano de luz. O universo é vivo, dinâmico e inteligente. Somos nós, como civilização, que utilizando as mais diversas atividades, seja no campo técnico, de engenharia ou outros, realizamos e renovamos a estrutura de uma cultura, da mesma forma que as células possibilitam as diversas funções, reparando e renovando o corpo humano.

noé 10

Existe em nosso corpo um Centro Intelectual para possibilitar e dirigir pensamentos e idéias, assim como existem filósofos, físicos, engenheiros e pensadores para direcionar uma cultura.

Temos um Centro Emocional que determina reações, emoções e sentimentos, tal como existem poetas, místicos e artistas que traduzem a sensibilidade de uma cultura.

Existe também um Centro Motor que possibilita e realiza movimentos, desde os mais simples até os complexos, tal como existem pintores, pedreiros e construtores que alicerçam e dão estrutura ao corpo de uma cultura.

Falamos também de um Centro Instintivo que defende o organismo dos elementos estranhos e nocivos a ele, possibilitando todo o trabalho interior, tais como as glândulas endócrinas e os movimentos cardiovasculares, da mesma forma que existem policiais, médicos e guias turísticos para desenvolver e proteger uma cultura.

O Yogue Ramacháraca tem razão quando diz que até uma pedra possui vida e manifesta sentimentos. E o Sr. Gurdjieff declara que “Não há nada morto na natureza, exceto certa qualidade de homens que caminha pela terra”.

Uma cultura é um organismo vivo como qualquer organismo humano e possui um apurado grau de sensibilidade. Quando a sensibilidade de uma cultura está em declínio a ingratidão passa a imperar, antecipando o seu fim.

noé 8

Por isso o Tratado do Lobo e o Cordeiro faz um alerta à humanidade: O Lobo é Gaia, a alma da Terra. O ser do Lobo tem como base:  justiça, lealdade e gratidão. A sensibilidade lupina está em comunhão com o Centro Instintivo planetário. Ele pensa, age e sente por intermédio desse Centro. Quando ferida a alma da Terra, o Lobo torna-se o mais cruel de seus vingadores. É a resposta sensorial do planeta aos seres sencientes que nele habitam. Existe uma reação igual e em sentido contrário à intensidade que a originou.

A diferença entre o Lobo e o Cordeiro é que o Cordeiro age segundo os ditames do Centro Emocional Superior, guiado pelo amor incondicional a todos os seres senciente da Terra. Já o Lobo reage segundo as partes mais baixas desse mesmo Centro, ou seja, em conivência com a parte motora do Centro Emocional Superior. Trocando em miúdos, não existe nem choro, nem velas com o Lobo. É preto no branco. É toma lá dá cá. Todo aquele que ferir o leito sagrado de Gaia terá de pagar por isso até a sua décima geração. Observe que Mamãe Lobo guarda os filhos recém-nascidos em comunhão com a Terra, mas longe dos olhos dos homens. O instinto lupino sabe que não há raça mais ingrata na Terra que não tenha como referencial o homem.

noé 9Toda cultura é uma ESCOLA. E toda ESCOLA tem o seu tempo de germinação, crescimento, maturação, envelhecimento e morte.  Foi assim que aconteceu com A ESCOLA NOÉ. O dilúvio foi a resposta da Terra à ingratidão daquele povo arrogante, mentiroso e soberbo. Mas Gaia chorou durante quarenta dias e quarenta noites, pondo fim à sua civilização.

noé 1Foi assim que aconteceu com outra civilização: A ESCOLA DA BABILÔNIA. Diante da insensatez de seus filhos amados Gaia  pôs fim à sua cultura não permitindo mais que seus integrantes pudessem se entender uns aos outros, gerando a grande Confusão das Línguas e antecipando o fim.

noé 2Também aconteceu com a ESCOLA DE ATLÂNTIDA. Tendo o continente submergido, sua civilização tão próspera chorou sob as águas, devido à ingratidão e deslealdade dos seus filhos arredios.

 

Mas o Lobo e o Cordeiro sobreviveram na alma de alguns Homens Justos (despertos), para fazer brotar uma nova cultura em algum outro lugar da Terra.

Toda cultura também possui um Centro Sexual, que lhe permite fecundar e dar à luz uma nova cultura, tal como o organismo humano que gera e faz proliferar sua descendência.

Foi assim com Noé e sua descendência, com os homens sábios da antiga Babilônia e com os sobreviventes de Atlântida, que migraram para outras regiões e lá deram nascimento a uma nova cultura, para alguns a cultura Celta (druídica).

UM HOMEM CONSCIENTE INSEMINA UMA NOVA CULTURA DA MESMA FORMA QUE UM ESPERMATOZOIDE FERTILIZA E DÁ VIDA A UM NOVO INDIVÍDUO.

O LOBO E O CORDEIRO SÃO OS FERTILIZADORES DA ALMA DE UMA CULTURA, E UMA CULTURA SEM ALMA JÁ NASCE MORTA.

Que assim seja!

054 – Uma visão filosófica

In Artigos on 29 de maio de 2011 at 12:20

visão 1

O texto uma visão filosófica nos convida a refletir à cerca de três diferentes tradições ocidentais: individualismo, perfeccionismo e racionalismoindividualismo afirma que uma atitude correta é aquela que satisfaz a um indivíduo em particular, o perfeccionismo propõe que para um ato ter coerência e substancialidade precisa ser ético em todos os contextos e o racionalismo sustenta que a razão é o verdadeiro guia do homem, definindo-a como aquilo que possibilita às pessoas pensarem a respeito de proposições universais abstratas. Em torno dessas tradições e a um espaço equidistante delas, mas envolvido pelo seu carisma e sugestão gira o pensar ativo do homem moderno. Nossas convicções têm raízes profundas nesse modelo de ver, pensar e agir. O modelo social vigente incentiva o individualismo como referencial, pois quanto mais isolado o homem, mais frágil se torna. O incentivo às massas tem por objetivo enfraquecê-lo no seu modo de pensar e omisso em suas ações.

O individualismo, por exemplo, pouco questiona se aquilo que queremos é bom ou mau, apenas especifica o melhor caminho para adquirir o objeto dos desejos. Fique atento a isso: o Lobo e o Cordeiro, quando inseridos numa visão individualista ocupam aos olhos do homem um importante papel, mas nada fazem além de calcular. Cálculos do tipo: quanto terei que gastar para copular com várias lobinhas ou quanto de dízimo terei que pagar por um terreno cativo no Céu. Com certeza, se pudéssemos ter tudo quanto desejamos nem perderíamos tempo em calcular coisa alguma. Enfim, significa que os meus desejos individuais são básicos, e o Lobo e o Cordeiro apenas possibilitam que eu faça de uma maneira eficaz o que  já tenho a convicção absoluta de que quero e devo fazer.

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O Verdadeiro Conhecimento não trilha o caminho do individualismo, pois contempla tudo e todas as coisas com os olhos do Criador. Para a ESCOLA o elo que nos une é forte no somatório das forças individuais, quando tomadas num referencial coletivo. O homem desperto é uma entidade dinâmica que reconhece no outro a fonte do seu despertar. Aqueles que abraçam o individualismo sabem quanto necessitam daquilo que a sociedade oferece, mas só levam em conta as questões básicas que irão traduzir em ganhos reais. Acolhem apenas o necessário à consumação de seus desejos, metas e anseios. Numa linguagem moderna traduzem suas perspectivas como necessárias e objetivas.

A posição perfeccionista é aquela que sustenta as tradições religiosas do ocidente. Criou-se uma  base sobre a qual apóia sua  tese de julgamento, a partir de dicotomias. Exercita seu pensar sobre aquilo que considera virtuoso ou bom e descaracteriza o que presume ser ato pecador, corrompido ou mau. Segundo os perfeccionistas princípios fundamentais de virtude e pecado determinam padrões para julgar a si mesmos e aos outros, em verdade, mais aos outros e quase nunca a si mesmos. Segundo esta concepção o Lobo é o Diabo e o Cordeiro é o Santo Redentor da humanidade, que virá por sobre as nuvens libertar o povo aflito, que nele crê e deposita as suas expectativas de salvação.

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Os perfeccionistas em sua visão religiosa não são guiados pela Lembrança de Si Mesmo, mas por uma imagem arquetípica do que  ‘poderiam ser quando perfeitos à semelhança do Pai’. Estão identificados com princípios sólidos de eternidade, muito além da efemeridade e limitações de uma vaga existência no corpo físico. Esquecidos completamente de si mesmos não vêem a prioridade do agora. Para eles basta um referencial de ética e conduta, em comunhão com o espírito para lograr êxito em seu empreendimento. Enfim, perderam completamente o senso de atenção dirigida tão necessário à Observação de Si Mesmo. Um perfeccionista, tanto quanto um individualista, não tem interesse algum em Observar a Si Mesmo, a menos que isso possa lhe trazer algum benefício em causa própria.

A busca da ‘batida perfeita’ não nos credencia a condenar outros ritmos ou instrumentos que não estejam em harmonia com o nosso.  Perfeição é um estado dinâmico da psique com prioridade ativa no agora. O Lobo e o Cordeiro são extremos naturais do ser, devemos celebrá-los com um ritual de aproximação e não acolher um extremo em detrimento ao outro. O estado perfeito da alma é uma celebração, um convite à vida e não ao isolamento em extremos éticos ou morais. Lembrou-se de agradecer às árvores próximas ao templo o milagre do oxigênio, ou se perdeu nas celebrações? Ser perfeito é antes de tudo ser grato. Talvez esteja se curvando em excesso e pedindo demais, quando deveria permanecer de pé e agradecer ‘por tudo e por todas as coisas’.

visão 4

A posição racionalista é a mais difícil de ser compreendida. Ela limita a ética a um pequeno número de situações. A razão será aquilo que permite a cada um de nós reconhecer se uma situação universal é aplicável ou não. Somente a razão nos permite avaliar situações ou regras e, diante dessa avaliação conceber quais desejos individuais devem orientá-la ou não, por estar de acordo ou serem contrários à ética e aos seus parâmetros. De acordo com a visão racionalista, somente a razão pode abrigar regras que têm aplicação universal e somente estas regras podem nortear nosso comportamento e decisões. É o racionalismo que define os direitos humanos e as condições mínimas de sobrevivência e dignidade humanas. Surgem alguns problemas, dentre eles o fundamento de que os julgamentos devem ser norteados por princípios universais, e o fato de que parece existir um número relativamente pequeno dessas regras, condutas ou princípios de tal alcance que sejamos realmente capazes de abraçar em causa própria.

Para os racionalistas o Lobo e o Cordeiro são apenas hipóteses infundadas, sem nenhuma base racional, propensas ao imaginário, às fantasias de uma mente criativa e pouco inovadora. Essa é a visão dos racionalistas compulsivos sobre Lázaro, o Lobo e o Cordeiro, em seu conjunto único, intransferível e irrevogável. A razão acena para o óbvio, enquanto o Tratado, além do óbvio vislumbra uma nova maneira de pensar.

visão 6Este é o cenário que vislumbramos na atualidade e também o palco do nosso maior desafio: Provar aos Homens cultos do ocidente que o Lobo e o Cordeiro não são meras abstrações, mas que possuem substancialidade e operam na psique, influenciando decisões e direcionando ações, quer sejamos individualistas, perfeccionistas ou racionalistas. Ainda bem que grandes nomes na religião, na arte, na ciência, na música, na filosofia e em todos os campos frutíferos desse imenso pomar de luz, em todas as culturas e tradições, estão se erguendo das cinzas da submissão e vendo ser possível contemplar uma visão filosófica diferenciada do mundo contemporâneo.

Que assim seja!

053 – Auto importância

In Artigos on 28 de maio de 2011 at 18:25

autoimportância 1

Existe um limiar ou portal, que uma vez ultrapassado não nos permite voltar. É quando o homem se coloca completamente nu diante do espírito. Então, um vento intrigante fareja todo o corpo, e a partir daí  jamais seremos confundidos com aquilo que um dia fomos. Tal como vítimas de uma traiçoeira emboscada, tornamo-nos presa fácil para outras formas de pensar, viver e agir. Temos, então, diante de nós dua alternativas: podemos segui-las por impulso, sem a devida reflexão, ou lutar bravamente com elas, numa batalha furiosa de vida ou morte, até que nos revelem o seu propósito. Se tivermos coragem e audácia suficientes para a investida, podemos submetê-las, após horas, dias e até meses de aflição, até que se tornem aquilo que a ESCOLA classifica como aliados. A isso a ESCOLA chama Verdadeiro Conhecimento. Ele não difere do anterior em conteúdo, mas em atitude e destemor.

Esse irromper do nada sobre nós será sempre seguido por um labirinto de dúvidas e indecisões, pois não temos ainda condições de  conviver com o novo de forma sustentável, e também nenhuma possibilidade de retornar ao estágio anterior. Não restando outra alternativa senão romper as Fronteiras imaginárias, ou Linhas paralelas entre os mundos, deixando para trás aquele de fantasias que alimentava imaginação e sonhos, e adentrar o novo ou Terceiro Estado de Consciência, também chamado de Lembrança de Si Mesmo.

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Não é necessário nenhum requisito prévio para alcançar este limiar, nenhum critério pessoal de escolha está envolvido nisso, simplesmente acontece. Não há nenhuma explicação racional que possamos sintetizar para esclarecer o porquê de sermos nós os escolhidos. A única diferença é que quando estamos em busca do Verdadeiro Conhecimento, nos colocamos à disposição através da Observação de Si Mesmo, como ponto inicial de referência. Já aqueles que não têm nenhum desejo de ir além dos limites estreitos dos condicionamentos, além de não consumar a travessia ainda fazem o possível para esquecer tudo a respeito dela.

É essa descida intempestiva do espírito sobre nós que rompe os laços que antes nos prendiam à auto-importância. A quebra desses laços ou Fronteiras imaginárias é algo simplesmente maravilhoso, mas também extremamente desagradável, pois ninguém está preparado para pagar o preço exigido pela liberdade. Estamos dispostos a pagar verdadeiras fortunas para satisfazer imaginação e sonhos, mas não damos um mísero vintém por nossa liberdade. Infelizmente, estamos confinados a render cultos de gratidão ao Sofrimento inútil.

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Por exemplo, nesse instante mesmo podemos estar sob o domínio da  intranqüilidade, por alimentar emoções no sentido de vir a perder algo precioso ou pela simples possibilidade de não estarmos inclusos na lista preferencial de outras. Ou também por alimentar sentimentos prováveis, mas inexistentes sobre algo que pode vir a ocorrer ou não. Sabemos que o número de pessoas que neste momento estão depressivas pelo simples fato do tempo estar chuvoso e frio, ou mesmo por estar quente e seco é imenso. Alguns estão extremamente ansiosos pelo resultado de um concurso, enquanto outros estão tristes, porque o vestido ou o blusão que compraram para a festa não foi do agrado de outrem. Mas o resultado do concurso está lá, independente do seu estado de ânimo, e a festa irá se realizar com ou sem o seu vestido ou blusão. Observe e verá que a auto importância é madrinha do sofrimento inútil.

Prestemos atenção ao mundo que nos rodeia, observemos apenas por alguns minutos. Os pássaros sobrevoam naturalmente as copas, fazem seus ninhos e cantam; a natureza continua jorrando seiva e vida sobre nós; ao primeiro sinal de chuva os animais procuraram abrigo e esperam pacientemente o retorno do sol; o mar está lindo, em seus movimentos sincronizados de um balé cabalístico, enfim, a vida segue plena de significado. Por que será que amamos tanto esse tal de Sofrimento inútil?  Basta destronar a auto importância e nada mais restará dele. É a identificação exigida pela auto importância que faz do sofrimento inútil um mal necessário à vida.

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Para a grande maioria dos cristãos o Deus cultuado e nutrido pela imaginação é o Sofrimento inútil. Cultuamos a necessidade de um ser superior para nos livrar da escravidão da angústia, do desespero e da solidão. Perdemos contato com aquele que é desprendido e natural. Observe e verá que abrimos mão de quase tudo, menos do Sofrimento inútil.  Alcança e realiza o seu propósito por meio de laços invisíveis, verdadeiras correntes abstratas que aprisionam, mantendo-nos cativos ao confortável mundo da auto importância. Tudo passa a girar em torno de nós, alimentando os papéis que representamos; girando em torno de cada imagem identificada, condicionada e dirigida, que conceituamos chamar de ‘eu’. São esses laços invisíveis que nos defendem do ataque intempestivo e violento do desconhecido, mas também nos tiram qualquer possibilidade de transformação.

Talvez se lembre do homem rico que se aproximou de Jesus dizendo respeitar e praticar os ensinamentos, pagando corretamente aos empregados e ajudando sempre os mais necessitados. Depois lhe perguntou o que deveria ‘fazer’ para atingir a perfeição. Então, Jesus lhe responde: “Que bom que já  ‘fazeis’ tudo isso. Vai, vende tudo aquilo que tens, distribui o valor arrecadado com os pobres e necessitados, depois vem e segue-me”. Então, o homem rico foi embora cabisbaixo, pois era dono de muitas terras e bois.

JESUS É ESTE LIMIAR, A REGIÃO ENTRE AS LINHAS PARALELAS, A PAREDE DE NÉVOA, QUE UMA VEZ ULTRAPASSADA, NÃO NOS PERMITE VOLTAR.

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Mas nos comportamos como o homem rico da parábola. Estamos algemados pelos falsos valores da personalidade adquirida; somos nutridos pela auto importância. Temos bens imaginários que nos impossibilitam romper as amarras e fluir rumo ao desconhecido.

POIS, EM VERDADE, JESUS É SIMPLESMENTE ISSO:  O DESCONHECIDO, O ABISMO, A IMENSIDÃO ENTRE AS LINHAS PARALELAS, A PONTE QUE UNE O LADO DIREITO AO LADO ESQUERDO DO HOMEM.

Uma vez rompidos os laços, não compartilhamos mais o mundo das preocupações diárias como outrora fizemos; deixamos de ser prisioneiros incondicionais. Para ser parte integrante da procissão da miséria humana é necessário compartilhar de suas preocupações, anseios e dúvidas; é preciso responder sempre de forma automática às circunstâncias, seguindo incondicionalmente um modelo comportamental  pré-fixado. Pessoalmente, defendo a tese de a auto importância ser o carro chefe de um comboio formado por: orgulho, vaidade, obstinação, convicção, ansiedade, presunção, ambição, carências, pomposidade, e um carro alegórico de nome sofrimento inútil.

autoimportância 6

É a auto importância que alimenta a Consideração Interna. Não se esqueça que designamos por Consideração Interna uma forma de identificação, quando a mesma se refere à pessoas. Consiste em nos colocar como o centro de tudo, merecedores de toda atenção e reverência. Tudo na Consideração Interna deve girar em torno dos nossos interesses e de acordo com aquilo que pré-determinamos como sendo certo ou errado.

Tanto o Lobo quanto o Cordeiro são avessos a qualquer tipo de reverência ou culto, pois sabem que tanto um quanto o outro estão a serviço da auto importância. Não cultuamos Deus, mas sim massageamos o ego, nutrindo a auto importância de valores espirituais. Meu Deus! Como é difícil ver isso através das lentes condicionantes de nossa cultura e tradição. O Lobo e o Cordeiro são faróis a iluminar portais, muito além do círculo casuístico e personalizado da auto importância. Acenam ao desconhecido como possibilidades, abrindo caminho através da mais densa escuridão ou seguir adiante sob os holofotes de uma luz intensa  e duradoura. Mas, a auto importância desconhece tudo aquilo que não convenha ao imediatismo de seus interesses.

autoimportância 5

O LOBO E O CORDEIRO SÃO PONTES QUE UNEM VALORES ESPIRITUAIS AUTÊNTICOS. TEMOS, ENTÃO, POSSIBILIDADES DE VER NO OUTRO OS MESMOS SOFRIMENTOS E CARÊNCIAS, POIS SOMOS TODOS PRISIONEIROS DAS MESMAS LIMITAÇÕES.

É a auto importância que nos convida aos cultos de louvor e adoração. Transferimos para Deus nossos falsos valores, cunhados por exaltação e fé. Seria mais correto tornar passiva a auto importância para que, por meio do silêncio interior, pudéssemos manifestar toda gratidão em espírito e verdade.

Somos prisioneiros de modelos que nos foram impostos pela cultura e civilização. Concebemos a auto importância como um monstro de três mil cabeças, que mantém em seu poder a chave de um mísero calabouço. Aqui estamos cativos todos nós numa cela chamada barbárie, decorada e mantida com as cores azul e branca da civilização. Se um dia a Lembrança de Si Mesmo nos acenar com generosidade, veremos que a chave sempre esteve em nosso poder, apenas não sabemos ainda como usá-la, nem para que serve. Lá fora está o desconhecido e temos medo de tudo aquilo que possa colocar em risco nossa importância pessoal.

Que assim seja!

052 – Os sintomas

In Artigos on 28 de maio de 2011 at 13:04

         sintomas 1

         O TOLO ESTÁ SEMPRE IDENTIFICADO COM OS SINTOMAS.

Na literatura médica, sintoma é qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações. Eles são subjetivos, sujeitos à interpretação do próprio paciente. A variabilidade descritiva dos sintomas varia enormemente em função da cultura do paciente, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções. O embate constante contra os sintomas, renovado a cada dia e com maior frequência é o artifício que encontramos para mantê-los ativos, digamos que seja um aliado a serviço do sofrimento inútil. Insistimos em dizer que somos todos seres de continuidade, em razão disso precisamos constantemente adubar a imaginação, por isso renovamos sempre os rótulos imaginários para manter ativo o seu raio de ação. Aceitar e alimentar sintomas requer que estejamos identificados com eles, portanto, veda todo esforço no sentido de atacar a verdadeira causa dos distúrbios. Sintomas são alertas, um convite a repensar hábitos e costumes.

sintomas 2Perdas, paixões e miséria; a fome que assola o mundo, a angústia e insensatez da humanidade; as fronteiras imaginárias que dividem territórios entre ricos, pobres e miseráveis; também o desequilíbrio evidenciado no ecossistema planetário, além da poluição e tantos outros fatores, são apenas sintomas. Algo que sugere avaliar o alcance, o foco real da doença. Por detrás das perdas há sempre um rompimento malogrado da continuidade; sob os impropérios das paixões, assim como do desejo, amor, ódio e todos os demais sentimentos humanos, há causas determinadas e efeitos necessários dignos de conhecimento. Misérias, tanto pessoal, quanto social são sintomas alertando para a exclusão, degradação e inversão de valores. A fome nos acena para o incalculável contingente de excedentes fétidos jogados ao lixo; para a degeneração e ausência de significado do outro, quando parte importante da existência. Angústia e insensatez alertam para o rompimento de elos milenares, para um rótulo de exigências acima do necessário à vida e suas credenciais de paz de espírito, mansidão e ternura. Linhas imaginárias, castas mentais estabelecidas ou doutrinadas a dividir ricos, pobres e miseráveis são um alerta para a ausência de amor, respeito e consideração por si mesmo, pelo próximo e pela Terra. Todo desequilíbrio psíquico reflete na aura do planeta; todo estado putrefato de ecologia interior tem reflexos no equilíbrio e nas relações ecológicas.

sintomas 4O foco da doença tem o seu ponto central ancorado na negligência. Mas a negligência não se apresenta isolada no contexto, e sim no entorno de suas colaboradoras diretas: a irresponsabilidade e a omissão. Em verdade, somos irresponsáveis e omissos por tradição. Preferimos dar ‘um jeitinho’ e não nos comprometer com nada além disso. Paliativos são bem-vindos ao glamoroso mundo das mentes cansadas. Observe e verá que não podemos sequer pensar em ecologia sem a Lembrança de Si Mesmo. Antes de dissertar a respeito de ecologia é preciso observar se o homem moderno está dedicando os devidos cuidados para manter indenes o Lobo e o Cordeiro confiados à sua guarda. O Lobo é Gaia, a Alma da Terra, e o Cordeiro é o Símbolo Místico do Sol de Heliópolis. Ambos são resplendor e vida a todos os seres sencientes do planeta.

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SOMOS TODOS PARTES INFINITESIMAIS DO CORDEIRO, INCLUSIVE O PRÓPRIO LOBO. AFINAL, SOMOS TODOS FRAGMENTOS DO SOL.

Estamos prostituindo o instinto imaculado do Lobo na devassidão das paixões e desejos desenfreados. Estamos consumindo muito além do necessário, com reflexos diretos nas reservas naturais do Planeta. Sintomas de exasperação, dispnéia e estresse tem relação direta com a desarmonia em relação ao batimento cardíaco planetário. O pulsar da Terra é uníssono ao coração do homem desperto. O Lobo é espada e flor, a sensibilidade humana é que responderá por um ou outro. Como seres humanos, bípedes, dotados de inteligência e poder de reflexão cumpre curar a ferida, não embriagá-la de analgésicos atenuantes. A alma lupina é instintiva, o Lobo não se permite iludir por vãs expectativas da mente enfadonha do homem moderno. Só o que é essencial, absolutamente necessário, atrai o olhar penetrante do Lobo, determinando sua ação. O Lobo não é reativo, não obedece a sintomas de espécie alguma. Coloque diante dele uma sacola com dois milhões de dólares e uma loba no cio, e preste atenção aos seus movimentos. O Lobo não mantém em seu nome uma conta poupança com excedentes fétidos. Ele não necessita de escudos artificiais de proteção. O Lobo é puro instinto, sintomas reais para ele são reações sísmicas, pois é capaz de antevê-las com até dias de antecedência.

sintomas 5Existe uma enorme diferença entre o perfil do Lobo e aquele da procissão da miséria humana. O Lobo e o Cordeiro são partes (Forças) inseparáveis da essência (Trindade), simbolicamente o estado genuíno da alma daquele que despertou, enquanto que a característica principal da procissão da miséria humana é o estado de sono, uma letargia induzida que mantém todos os seus integrantes adormecidos. É necessário ao homem abrir mão do seu fazer obstinado e cruel, sedento de poder e vaidade, para que a Alma da Terra e os Reflexos do Sol possam agir em plenitude sobre ele. O Lobo não aprecia o jargão: “A pé você não come ninguém”. O estado de sono que assola a humanidade é um sintoma de negligência, decadência, submissão e fraqueza da raça humana. Se em escala e relatividade somos uma espécie de deus para o planeta, esse estado de sono omisso e inconsequente não permite ver as necessidades prementes de uma Terra em estertor.

Alguém pode estar pensando: Lobos são sanguinários e ferozes, pois se alimentam da carne de cordeiros. Nós, os seres humanos tricerebrais dotados de inteligência e evolução, consumimos mais carne de cordeiro do que possamos inicialmente imaginar. Muito além daquilo que lobos consomem, com a agravante de que lobos o fazem por necessidades de subsistência e nós o fazemos, na grande maioria das vezes por vaidade e satisfação pessoal. Por curiosidade apenas, verifique a lista dos restaurantes que servem carne de cordeiros, escolha um de sua preferência e lhe faça uma visita para um almoço festivo de fim de semana. Aconselho fazer antes uma reserva, caso contrário correrá o risco de enfrentar uma longa fila de espera. Já despertou sua atenção para os excedentes fétidos deixados por sobre as mesas? Veja por si mesmo se esses traços pertencem à civilização ou à barbárie. Mas nem por isso somos classificados como: animais ferozes. E o que dizer dos patos, peixes, porcos, marrecos, pacas, galinhas e outras coisas mais que estão apodrecendo no habitat pouco ou nada ecológico de nosso estômago. Observe a Si Mesmo e verá como sintomas despercebidos hoje, podem estar qualificando o futuro a partir das incertezas do agora.

A crueldade humana não tem limites.

A crueldade humana não tem limites.

Lembre-se do texto ‘O Santo Graal’, quando o Lobo aplacou a dor do Cordeiro Imolado ao amenizar suas chagas e sorver o sangue Sagrado. Também não se esqueça da parábola de Lázaro, onde ele, o Lobo, por sob a mesa, permaneceu na companhia do moribundo, aplacando a dor de suas feridas, enquanto migalhas da civilização lhe eram jogadas ao chão. Se dedicarmos um pouquinho mais de atenção ao tema e tivermos o cuidado de folhear as páginas do Livro Sagrado iremos ver que, após a morte, Lázaro contempla as linhas paralelas entre os mundos, e observa, por detrás da parede de névoa, o cortejo triste da procissão da miséria humana. Será que observa sozinho? Lázaro é o nome que por direito recebe todo aquele que venceu a angústia das incertezas, da miséria, das injustiças e da ingratidão em si mesmo. Portanto, Lázaro é  “Aquele a quem Deus faz ver além da retina opaca dos condicionamentos. O fazer do Altíssimo reflete nos olhos de Lázaro. A intenção lhe acena e ele prontamente abre todas as portas para recebê-la. Lázaro é o símbolo de todo aquele que por toda a vida manteve indenes o Lobo e o Cordeiro confiados à sua guarda.

Fidelidade, instinto de gratidão.

Fidelidade, instinto de gratidão.

Por isso dissertamos a respeito de sintomas. A dor e a humilhação de Lázaro eram sintomas, mas ele viu e compreendeu além. Para ver além das espessas cortinas de um quarto inerte e frio, precisamos praticar a Observação de Si Mesmo.

Sintomas são os decodificadores de  algo. São sinais de alerta, um convite ao despertar. Necessitamos ver além dos limites condicionantes do corpo. 

Todos aqueles que dividem estas páginas comigo, também são convidados a dividir responsabilidades: Ser a voz de Gaia, a alma da Terra convidando os seus filhos amados para o despertar.

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Como seres eco-equilibrados, tal sementes de um novo tempo, somos porta-voz de uma nova maneira de pensar. O despertar interior do homem é um estado de consciência, onde ver tem o significado de agir. A partir daqui ouvimos a voz dos sintomas, detectamos a sua origem e vamos de encontro a ela. Não alimentamos mais aparências, nem estamos a serviço das ilusões. Ecologia desperta é isso, começa em si mesmo e tem reflexos saudáveis no planeta. Não mensuramos em causa própria, nem estamos ao serviço do sistema, pelo contrário, o contestamos em seus ideais de consumo como codificador de progresso. Melhor seria fechar para balanço e só reabrir quando o saldo social e humano fosse satisfatório.

Que assim seja!

051 – Uma nova maneira de caçar

In Artigos on 22 de maio de 2011 at 15:14

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Agora vamos nos ater a alguns requisitos básicos, essenciais para que sejamos bons caçadores. No mundo em que vivemos ser um bom caçador é fundamental, mas não relegue a caça ao segundo plano, pois, às vezes, temos que trocar posições com ela. É comum ver propósitos aparentemente frustrados por alguma ingerência do momento. Muitas vezes nossas convicções, repletas da mais absoluta certeza se transformam em nada, por alguma investida bem sucedida do acaso. A vida está repleta de armadilhas e ser um bom caçador diz respeito a como usá-las e também ensina como não cair nelas. Dentro do conceito de ‘uma boa caçada’, tanto o caçador como a caça têm qualidades especiais.

Você sabia que possui várias características que o credenciam ao título de um bom caçador? Se assim não fosse o seu interesse por essas páginas seria irrisório. Embora ainda não saiba, elas são um manual sutil de caça. Não se esqueça que o Lobo é um hábil caçador. Desde a mais tenra idade nossos pais nos ensinaram a caçar, nem sempre do modo mais conveniente, pois muitas vezes foram vencidos pela ansiedade da caça e pelo mau uso dela. Mas continuo acreditando no verdadeiro propósito de suas convicções, embora tenham herdado vícios e características pouco práticas de seus pais e avós caçadores. Verdadeiros manuais de caça não são fáceis de serem encontrados. Alguns deles datam de 50.000 a.C. Ali não havia excedentes fétidos, pois tanto caçador quanto caça eram uma questão absoluta de sobrevivência.

Mas o que ainda não sabe é que também estamos sendo caçados e que todos os dias servimos de alimento para algum outro hábil caçador. As emoções negativas, reações, ressentimentos, auto-importância, dentre outros, são alimentos pra outras formas de vida, além da nossa. Vamos em primeiro plano dizer que essas outras formas de vida estejam aqui bem próximas a nós, no plano físico e que também tenham a forma física. No exato momento em que alguém se ressente da perda de uma pessoa amada, passa a necessitar de algum tipo de alimento que abasteça suas necessidades emocionais. Embora não sinta isso, suas emoções são conduzidas em forma de energia na direção da outra necessitada, sentimos então, uma espécie de fraqueza interior, como se algo nos tivesse sido tirado. Há nuvens imensas de energias específicas à disposição, mas também estão predispostas a sugar a nossa, caso permitamos. Também vale ressaltar que estamos alimentando seres inorgânicos, tanto no plano inferior, como no plano superior da existência. Dependendo é claro da qualidade da energia produzida.

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Um hábil caçador deve ser um indivíduo extremamente ajustado. Ele deixa pouquíssima coisa ao acaso. Diz-nos a experiência que um bom caçador deve sempre caçar na companhia de um fiel batedor.  Algo ou alguém que tenha o espírito da caça, que saiba de antemão determinar os seus passos e também farejar a sua rotina. Um farejador de rotinas é tudo que um Homem de Conhecimento precisa ao seu lado para consumar a caça. Diz a ESCOLA que alguns Anjos Negros são hábeis farejadores de rotinas, que na sua condição de espreitadores podem nos levar uma perna, baço ou rins, se assim julgarem necessário para um posterior aprendizado. Sem a Observação de Si Mesmo e uma atenção direcionada estamos expostos a todo tipo de acidentes. Mas um caçador inteligente, prático e equilibrado é regido pela lei do seu destino e não pela lei circunstancial dos acidentes.

É A ROTINA DA CAÇA QUE FAZ DELA UMA PRESA FÁCIL PARA UM CAÇADOR CUIDADOSO.

Todos os dias quando saio para caçar levo comigo o Lobo, e presto muita atenção a todos os seus movimentos. Observo seu olhar lupino e de uma maneira especial as manobras bruscas de suas orelhas, pois determinam o exato momento de definir a ação. O Lobo é quem direciona os meus movimentos para a caça, determina os necessários cuidados que devem ser tomados em relação às sutilezas traiçoeiras de um terreno desconhecido. Para mim como caçador todo chão que piso é um habitat hostil.  É preciso observá-lo com o devido cuidado. É o Lobo que exala obstinação e coragem ao meu espírito caçador, além de astúcia e inteligência para que possa me locomover entre os arbustos, de tal forma a me aproximar friamente do objetivo.

TAL COMO O LOBO, EU NUNCA CAÇO PELO PRAZER DE MATAR. CAÇO PARA SOBREVIVER E NÃO GUARDO EXCEDENTES FÉTIDOS. A CAÇA É EXPRESSÃO ATIVA DA MINHA SOBREVIVÊNCIA, APENAS O NECESSÁRIO E NADA MAIS.

Como me ausentei do mundo da dualidade, o meu um são três e não dois. Quando saio para uma boa caçada (coisa que fazemos todos os dias), vamos os três e nunca apenas dois. O Cordeiro também vai comigo.

É o Cordeiro que determina o grau de humanidade relativo à ação e o uso racional e social dela, ensinando-me a dividi-la conscientemente com meus semelhantes. Também é ele que me dá forças para prosseguir quando a caça se torna fugidia e volto de mãos vazias. É o Cordeiro que me faz ver ao redor, além da caça, as flores, folhas e frutos, não permitindo a identificação exclusiva com ela. É através dos seus olhos que posso vislumbrar o horizonte, além deste resumido mundo de caçador e caça. Ele consegue me fazer ver além, pois é a própria caça: O Verdadeiro Alimento. Por isso, quando for caçar leve o Lobo e o Cordeiro junto ao seu coração, mas não se esqueça de que ambos foram confiados à sua guarda, portanto, é extremamente necessário que retornem indenes ao lar.

Talvez seja o momento de lhe dizer algo: Estou aprendendo, assim como você, a arte de ser um bom caçador, pois nem sempre vivi da maneira que vivo hoje. Em determinado momento da minha vida tive que escolher entre ser um bom caçador ou continuar sendo caça para abutres famigerados e cegos. Não tive outra alternativa senão mudar meu rumo e agora estou aqui dividindo este conhecimento com você. Estou tentando guiá-lo para uma nova descoberta, da mesma forma que um dia fui direcionado por alguém.

NINGUÉM APRENDE A SER UM BOM CAÇADOR SOZINHO.

Saiba que houve uma época de ouro em que caçar era um dos atos mais notáveis que o homem podia praticar.

TODOS OS CAÇADORES ERAM HOMENS NOTÁVEIS, LEAIS E PORTADORES DE SOBRIEDADE E PODER DE DECISÃO.

Eram valentes guerreiros, pois só assim poderiam enfrentar o rigor e austeridade de uma vida difícil e implacável. Hoje ainda existem tais caçadores. São poucos, mas existem. Diz a ESCOLA que estes formidáveis caçadores formam a base de sustentação do Planeta Terra. São os verdadeiros receptáculos das energias superiores, que mantém em equilíbrio todo o sistema planetário. Energias superiores  advindas de diferentes pontos do universo chegam até nós sob a forma de IMPRESSÕES.

Preste atenção a este texto do vidente tolteca Dom Juan Matos, o Nagual:

Estou fazendo um gesto por você  – falou baixinho – outra pessoas já fizeram gestos semelhante por você­­; um dia você também fará um gesto semelhante por outros. Digamos que é a minha vez. Um dia, descobri que, se queria ser um caçador digno de respeito próprio teria de mudar o meu modo de vida. Eu costumava gemer e reclamar muito. Não havia nada que eu pudesse fazer para remediar isso, de modo que só restava a minha tristeza. Mas então minha sorte me poupou, e alguém me ensinou a caçar. E compreendi que viver como eu vivia não valia a pena… de modo que mudei.”

Hoje o seu centímetro cúbico de sorte  pode estar ao alcance de suas mãos. Então, agarre a oportunidade e reflita sobre ela.

Não custa nada acrescentar que O TRATADO DO LOBO E O CORDEIRO é um manual sutil de caça.

Que assim seja!

050 – O Tonal e o Nagual

In Artigos on 21 de maio de 2011 at 17:51

Vamos regressar às linhas paralelas, onde o lado esquerdo do homem, Nagual, é o ápice do processo evolutivo a partir do seu lado direito, Tonal. Digamos que o Nagual determina a resultante, mas não o resultado, pois tudo aqui é um processo aberto e dinâmico. É importante não se esquecer que o Lobo trás em si as características do Tonal, e o Cordeiro simboliza o Nagual. Todo o processo é ascendente ou descendente, contínuo, mas sinuoso, nunca se tornando estático em momento algum. Entendemos então, que o Lobo e o Cordeiro são Forças que podem inverter posições milhares de vezes numa diminuta fração de tempo. Observe e verá como os estados de humor do ser humano oscilam entre extremos de alegria e dor. Manter indenes  o Lobo e o Cordeiro confiados à nossa guarda é a suprema arte do ser. 

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É importante esclarecer que as configurações energéticas do Tonal e do Nagual diferem completamente. O Tonal tem a configuração da procissão da miséria humana, ou seja, praticamente a configuração de toda a humanidade. Todos os homens nº 1, 2 e 3 são divididos por uma linha imaginária vertical, separando-os em lado direito e lado esquerdo. São os baluartes da dicotomia, dualidade. Tudo para eles gira em torno de extremos, oscilam entre pontos opostos dentro de si mesmo. Nossos estados, quer sejam emocionais, instintivos, ou referentes ao pensar e modo de ver e entender as coisas só se processam por comparação. Observe a Si Mesmo e verá de forma clara e conclusiva o que estamos dizendo aqui. Já o Nagual, além dessa linha imaginária vertical, possui também uma linha divisória horizontal, dividindo a sua configuração energética em quatro compartimentos. Dentro da simbologia esotérica cristã este é um dos significados da Cruz: deixar claro aos homem que o Cordeiro é o Nagual. A Cruz divide o corpo de Cristo em quatro partes, cada uma apontando uma direção oposta à outra. Se traçarmos um círculo a partir dos extremos da Cruz teremos o Ovo Filosofal da Escola Hermética. Jesus é um Buda, pois todo ovo se resume a um ponto, e todo ponto simboliza o meio: O Caminho do Meio. A Cruz é o símbolo maior do Caminho do Meio. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça e compreenda.

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O Tonal é a casa com seus quartos, sala, cozinha e banheiro. É também a varanda, o quintal, o portão e a rua. Tudo que a casa contém é o Tonal: lâmpadas, fechadura, mesas e cadeiras, pia e lavatório, bem como, os possíveis e indesejáveis mosquitos que venham a aparecer nas noites de verão. Tudo é o Tonal: você, esposo(a) e filhos, além de seu cachorro (se tiver um), papagaio (caso tenha), e todos os seus pertences. Simplesmente tudo: o celular, a bíblia, os softwares, DVDs, caixa de fósforos e papel higiênico. Carro, cavalo, pincel, tinta, rodo, frigideira, aquilo que você pensa e sente, os seus sonhos e fantasias, dúvidas, medos, tudo é Tonal. A alma também é o Tonal. Deus, quando circunscrito a uma religião, credo ou crença, inserido nos ismos, tornando-se assim manifesto de expectativas humanas, portanto, reverenciado, idolatrado, cultuado e amado, também é o Tonal. Inclusive, Jesus, o Getsêmani, o Gólgota, o martírio e a cruz, também simbolizam o Tonal. Tudo aquilo que podemos conceber como nosso; aquilo que está ao alcance dos propósitos temporais da mente e coração do homem é o Tonal. Deus a serviço do homem é o Tonal. Toda emoção, pensamento ou sentimento em causa própria ou de outrem é o Tonal.

Mas você deve estar perguntando: Afinal, o que é o Nagual? Se fosse possível a nós fazer esta pergunta ao Nagual, ele responderia apenas: EU SOU. E, em seguida, se recolheria novamente ao seu Silêncio Interior.

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Quando racionalizamos e interpretamos, dando significado e, conseqüentemente, limitando a resposta à literalidade da Tinta Fogo Negra (universo limitado pelo sistema cognitivo) tudo se torna Tonal. Até o Nagual torna-se Tonal. É por isso que constantemente as Influências C se transformam em Influências A.

Trata-se de alguma coisa mais ou menos assim: DEUS É O QUE É”, mas passa a ser “AQUILO QUE VOCÊ DESEJA QUE ELE SEJA”. Entendeu? Huuum… acho que não entendeu nadinha. Nos esquecemos do campo ilimitado da Tinta Fogo Branca e só vemos um campo de visão condicionado pela Tinta Fogo Negra. Estamos presos ao Tonal, à literalidade; aos modos condicionados e repetitivos de interpretação arbitrária; ao campo extremamente limitado das racionalizações. Tudo que racionalizamos torna-setonal 5 Tonal. Quando condicionamos os textos sagrados a doutrinas religiosas, perdemos contato com o Nagual. Por isso toda tradição religiosa é restrita ao Tonal. Olhamos para o texto, ficamos absorvidos nele e nos esquecemos do contexto. Na simbologia do Louco, o contexto é o abismo: um espaço infinito de possibilidades. lembre-se que o Louco é o Nagual, portanto, não tente racionalizá-lo. Não tente fazer com a simbologia do Louco aquilo que fizeram com Deus. Ele não admite qualquer tipo de classificação homogênea. Não pode ser inserido em nenhuma doutrina, pois o infinito não se permite limitar.

O LOUCO SOBREVIVE NUM UNIVERSO RELATIVO, MAS SÓ DEUS É O ABSOLUTO.

Otimizar Deus implodindo-o em mais de cinquenta mil pedaços, ou seja, fagulhas do Absoluto é no mínimo adulterar no mais profundo da alma a existência básica da criação. E, acreditem, já passam de cinquenta mil o número de pequenas igrejas que insistem em pregar a doutrina do Altíssimo. Temos uma em cada esquina. Não condene a ESCOLA por chamá-las de ‘botecos do Senhor’.

Vamos pensar juntos.

SOMOS IMPORTANTES PARA DEUS, POIS A PARTE É INTEGRANTE DO TODO; E DEUS DEVE TAMBÉM SER IMPORTANTE PARA NÓS, POIS A PARTE DEVE REVERENCIAR O TODO.

MAS, SE DEUS NÃO TEM NENHUMA IMPORTÂNCIA PARA NÓS, POR ANALOGIA, NÓS TAMBÉM PASSAMOS A NÃO SER IMPORTANTES PARA ELE.

Compreenda.

SOMOS IMPORTANTES PARA DEUS, DESDE O MOMENTO EM QUE MANIFESTAMOS EM NÓS ESSA RELAÇÃO DE IMPORTÂNCIA.

Não existe conflito de opostos nos Planos Superiores da Criação.

DEUS NÃO É ALEGRE OU TRISTE. ELE É ALEGRE E TRISTE, SIMULTANEAMENTE.

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Quando ler a frase: Deus te ama, entenda.

ELE NOS AMA E NÃO AMA, SIMULTANEAMENTE.

Tudo é relativo, depende da escala ou Nível de Ser em que nos colocamos. Nossa importância para Deus está relacionada ao sentimento que nutrimos em relação a Ele. Agora, muita atenção para o que vamos escrever. Caso consiga assimilar na prática este ensinamento, terá dado um grande passo em direção ao Verdadeiro Conhecimento.

DEUS SE LEMBRA DE NÓS NA PROPORÇÃO EXATA EM QUE NOS LEMBRAMOS DE NÓS MESMOS.

A Lembrança de Si Mesmo é tudo na vida espiritual do homem. Realmente não consigo entender como um dado tão importante possa ter sido legado ao esquecimento pelas autoridades eclesiásticas.

Sem a Lembrança de Si Mesmo é completamente impossível o reencontro com o Eu Real que faz morada em nós: Ele é o verdadeiro SER de um homem. Tem o Significado de despertar e só é possível alcançá-lo, quando o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda tornam-se apenas UM.

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Ambos, o Lobo e o Cordeiro são filhos amados, criados à imagem e semelhança do Pai. É uma pena que a humanidade ainda não os veja assim. Se víssemos compreenderíamos que somos todos LOBOS RETORNANDO, e nos ajudaríamos mutuamente, assim o fardo se tornaria mais leve e o percurso menos cansativo.

Temos muito a aprender com o Lobo até que consigamos ascender ao nível do Cordeiro, o Nagual.

Que assim seja!

049 – A despedida

In Artigos on 21 de maio de 2011 at 13:57

despedida 1A ESCOLA nos classifica como seres de continuidade. Isso significa que estamos de alguma forma presos aos laços fortes da identificação. Mente e coração do homem se entregam passivamente ao objeto do desejo. Deixam de ser o que são ao trocar de lugar com ele. Esse objeto através da identificação se transforma em desejo, tornado-se assim parte integrante, um apêndice de nós mesmos. É esse estado ostensivo de desejo que chamamos vontade, sem compreender que é passageiro e circunstancial. Qualquer ruptura no estado consensual de ver o mundo causa traumas e lesões psíquicas sérias ao comportamento humano. Toda mente suicida teve rompida sua continuidade, e sem forças para vencer o intervalo entre a realidade aterradora que se avoluma e o universo imaginário de suas ilusões, acaba perdendo completamente o sentido da vida.

Voltando ao conteúdo do Salmo 91, existe um versículo em que o autor diz: “Pois ele te livrará do laço do passarinheiro”. Essa passagem faz uma alusão às promessas de Deus ao Homem Desperto, deixando claro a todos ser possível romper os laços e não se sujeitar tão passivamente à identificação como fazemos hoje. Mas para que a promessa se cumpra é preciso ver que estamos dormindo e todo o horror que isso representa. Ninguém fará os esforços necessários ao despertar se não tiver uma visão real de que está adormecido e do representa isso. Toda oferta ao homem moderno só se confirma se estiver de acordo com suas necessidades imaginárias, caso contrário não logrará êxito. Se não corroborar com sua continuidade, certamente não encontrará solo fértil para prosperar. Toda prosperidade ofertada aos fiéis nos cultos nada mais é que alimento à continuidade. Isto é, alimento ao imaginário do homem, em forma de hipnose e sugestão.

despedida 3

Em virtude de estarmos o tempo todo identificados, uma palavra ganhou notoriedade, destacando-se dentre várias outras normalmente usadas para descrever estados vividos no cotidiano: A despedida. A simples menção a essa palavra expressa sobremaneira o estado de rompimento da continuidade. Providencialmente evitamos usá-la no dia a dia, por ser alarmante e capaz de romper com padrões de comportamento estabelecidos. De repente, todo o corpo se agita, vitimado por um tremendo choque compulsivo na raiz da identificação, causando um brusco rompimento naquele estado que a mantém viva: A imaginação. É praticamente impossível falar de identificação sem a colaboração incauta da imaginação. Portanto, toda despedida tem um cheiro de morte, pois rompe de alguma forma os apreços do imaginário. O que separa duas realidades, como a simples despedida de uma mãe ao deixar seu filho na porta do colégio e a dor da perda de um ente querido são credenciais de escala e relatividade. Mas em seu teor íntimo ambas são iguais. Toda despedida é alimentada por um estado de saudade e carência.

É extremamente importante compreender a necessidade desses choques na vida. Talvez seja essa a única possibilidade que deixamos a eles: Os guerreiros espreitadores. São eles que criam as mais inusitadas possibilidades de rompimento, com a finalidade única de nos possibilitar ver além das diminutas lentes de uma mente identificada. A ESCOLA diz que diante da insensatez do homem, outra alternativa não resta ao Alto senão lhe aplicar uma ‘rasteira’. Entendo ser difícil compreender toda a extensão dessa artimanha, principalmente quando envolve algum ente querido ou pessoas próximas ao nosso convívio. É extremamente difícil nos tirar desse estado letárgico da alma a que chamamos sono, nem Jesus ao perfazer o caminho do Getsêmani ao Gólgota conseguiu isso. Nem a disponibilidade de Abraão ao levar Isaac ao sacrifício foi compreendida pelo homem. Entenda que o poder do Alto não quer o seu sacrifício, mas sim o seu despertar. Quer o seu retorno à vida, mesmo que tenha de usar para isso artifícios de morte.

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Preste atenção redobrada a isto: “O Intento criou fabulosos edifícios à frente do homem e o convidou gentilmente a entrar, mas o homem passou despercebido por eles e não entrou. Então, o Intento colocou-se Ele mesmo no caminho do homem e acenou várias vezes para ele, mas a atenção do homem foi desviada pelos desejos e acabou passando ao largo. O Intento para que o homem pudesse Vê-lo fez um sem número de tentativas para despertá-lo, mas quando percebeu a rigidez do coração do homem, não lhe restando mais alternativas, precipitou-se sobre ele rompendo a sua continuidade”.

Mas, infelizmente, no momento em que a continuidade é rompida fazemos todos os esforços possíveis para restituir os elos estilhaçados, quando deveríamos simplesmente vislumbrar novos horizontes. O poder inerente à identificação é muito maior e perigoso do que possamos inicialmente imaginar. Somos seres de continuidade: cada minúscula célula do nosso corpo está condicionada a se comportar de uma maneira pré-determinada. Nos bastidores do poder estuda-se todos os processos possíveis para manter cativo o homem às suas garras afiadas. Há um mercado por detrás disso, um mercado promissor e extremamente rico. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça e compreenda.

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Lembre-se das palavras do Senhor ao homem justo e à sua família: “Vá e não olhes para trás”. Mas somos seres de continuidade, escravos cativos nos campos da identificação, por esse motivo todos os dias viramos estátuas de areia. É por isso que esta magnífica ESCOLA nos diz que a procissão da miséria humana perdeu a sua alma.

ESTÁTUAS DE AREIA NÃO TÊM ALMA, DA MESMA FORMA QUE FLORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM.

Hoje, agora, neste instante, muitos são aqueles que estão se despedindo dos seus entes queridos; do trabalho, onde por vários anos ganharam o seu sustento; da escola, onde conviveram e superaram obstáculos por vários anos; dos amigos sinceros que marcaram toda uma vida, enfim, daquilo que amamos e sabemos ter que deixar para trás. Casais estão em processo de separação, lares destroçados, filhos no mundo das drogas, condenações e prisão, infortúnios de toda espécie. É uma realidade e não podemos mudá-la num toque de mágica, mas podemos observar e tirar dela o melhor para nós. Note que inserimos aqui a imagem do Selo Sagrado de Salomão. Observe a parte externa do selo, o seu contorno, simbolismo do ovo filosofal. Atente para o interior, onde  estão inseridas a Tinta Fogo Branca e a Tinta Fogo Negra. O contorno que delimita a forma oval é UROBOROS, a serpente que se alimenta da própria cauda. Uroboros é um símbolo do inconsciente, significando que todo fim é apenas começo.

É um processo: TODO FIM É ALIMENTO PARA UM RECOMEÇO. O que em aparência determina o fim é a Força Neutralizante de uma Tríade, que será sempre a Força Ativa da próxima.

Você se lembra desta letra de Guilherme Arantes: “Você verá que a vida é sempre assim. Recomeça sempre que você responde sim, com a sua imaginação. A arte de dizer sim, cada vez que vida diz não”.

Quando Jesus ressuscita ao terceiro dia, significa que ele, sendo a Força Neutralizante dessa Tríade é também a Força Ativa da próxima. “ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS”. Procure compreender a grandeza dessa revelação. Está conseguindo ver além da tela espessa dos condicionamentos que: Ele diz sim, quando a humanidade adormecida lhe diz não. O verdadeiro significado do Cristo ressuscitado está muito além da compreensão literal dos homens adormecidos. É preciso despertar para ver.

Não chore, faça como O Louco, e se permita guiar pelo mais profundo dos sentimentos: A gratidão. O abismo que se abre sob os seus pés representa um universo aberto a todas as possibilidades. Leve apenas o essencial, e não se esqueça de ofertar uma rosa branca ao desconhecido. O Lobo é o fiel escudeiro do Louco. Jogue fora os seus escudos de proteção, você não necessita mais deles. Não se prenda a nada. “Olhe simplesmente para as aves do céu, elas não ceifam nem colhem e, no entanto, o vosso Pai lhes dá toda a natureza por alimento”.  Viva intensamente o agora e não se prenda às ilusões, nem do futuro, nem do passado.

Toda despedida é uma janela aberta para o infinito. Temos apenas duas possibilidades: podemos permanecer firmes em nossa mente e coração, vislumbrando a grandeza das transformações, ou permanecer cativos às lembranças e à dor. Ou uma terceira possibilidade bastante triste: Através da identificação com as lembranças e a dor, podemos manter cativos em nossa mente e coração aqueles que nos são amados. Se já receberam a sua carta de alforria, então, deixe-os partir em paz.

...deixe-os ir em paz.

…deixe-os ir em paz.

048 – Escala e relatividade

In Artigos on 15 de maio de 2011 at 15:42

escala 1

Existem vários métodos e modos de lidar com escala e relatividade, desde complexos modelos matemáticos, passando pela física de Einstein, até a Árvore Sephirótica da Kabbalah, dentre outros. Convencionamos tornar absolutos valores referentes a fatos e circunstâncias, sem levar em conta um importante quesito: tal coisa sugere ser assim, mas como e em relação a quê?  A partir da convicção dada à resposta nos abrimos a um novo referencial, assim o processo sugere visão de relatividade e escala, minimizando a auto-importância e possibilitando acesso a outras alternativas, antes não levadas em consideração. Escala não é sinônimo de hierarquia, nem pressupõe diferenciais de magnitude e poder, apenas ensina que algo pode ser semelhante, apesar da diferença expressa em valores. Por exemplo, na cosmologia de um universo inteligente, vivo e dinâmico existe uma relação precisa de escala entre a Lua, a Terra, os Planetas, o Sol, nossa Galáxia, todas as Galáxias e o Absoluto. Essa mesma relação (ou relatividade) existe numa correlação direta com os Chakras, na superfície do duplo etérico do homem. Por isso o Sr. Gurdjieff disse emocionado às margens do deserto de Gobi: “Meu Deus! Então, eu sou Deus!” Ele havia por um breve momento visto com assombro toda a responsabilidade que carregava sobre os ombros. Quando se observa pela ótica de escala e relatividade é verdade que somos deus para todas as células de nosso corpo, para todos os seres ainda não desenvolvidos do planeta, ou pelo menos deveria ser assim. Se você tem um cachorro em casa, com certeza ele ficará feliz diante de tal descoberta, pois irá vê-lo e tratá-lo de uma forma diferenciada. Se é correta a afirmativa de que Deus é amor, então, o seu cachorro encontrou o amor em forma humana. Claro que numa visão abrangente, levando em conta padrões de escala e relatividade.

escala 2

Vamos retornar às linhas paralelas, ou seja, às linhas divisórias entre os mundos, que especialmente hoje chamaremos de Universo Absoluto e Universo Relativo. A região que fica entre as linhas paralelas, ou seja, o espaço intermediário não físico que separa o lado direito do homem (Tonal) do lado seu lado esquerdo (Nagual) é onde jaz adormecida uma parte importantíssima de nós, que só podemos ter acesso por meio da Lembrança de Si Mesmo ou Terceiro Estado de Consciência. Essa deve ser a meta suprema da vida de um homem: Buscar com toda a sua alma e com todo o seu coração a Lembrança de Si Mesmo, porque uma vez que a tenha encontrado tudo o mais lhe será dado por acréscimo. Mas toda essa gama de possibilidades só se confirma dentro de uma visão de escala e relatividade. Vamos a mais um exemplo: Digamos que você seja o patrão e que tenha sob o seu comando diversos funcionários. No conceito absoluto que vigora no pensar humano eles são seus súditos e dependentes diretos, isso dentro de uma visão hierárquica absoluta. Mas dentro de um conceito escalar e relativo, o absoluto é a empresa e tanto você quanto os funcionários são dependentes diretos dela. A supremacia de valores deixa de existir, quando abrimos o ser a um novo modelo de empreendedorismo. Responsabilidades e cobranças passam a ser divididas, sem o pressuposto de ‘eu mando’ e ‘você obedece’. A linha divisória entre os mundos passa então a ser a empresa, e somente dentro de uma relação de respeito e esforço mútuos é possível superar as dificuldades da travessia. Isso é uma forma relativa de Lembrança de Si Mesmo, quando nos vemos refletidos no outro, tendo os mesmos defeitos e virtudes. O que pensar a respeito de defeitos e virtudes pessoais, quando os comparamos em escala e relatividade aos defeitos e virtudes de nossos semelhantes? Porque o chamamos semelhante? Será porque, levando em conta conceitos de escala e relatividade, todos somos iguais?

escala 3

Essa região (não física) entre os mundos é conhecida como A travessia do mar Vermelho. É um estado de consciência que só pode ser alcançado após grandes esforços (simbolicamente: 40 anos num deserto sob todo tipo de privações e lutas e sob perseguição implacável). Essa região é coberta por uma espessa névoa amarelada tendendo ao cinza alaranjado (parede de névoa) e quando nos projetamos ali sentimo-nos pesados e frágeis, impossibilitados de prosseguir. Esta impossibilidade e fragilidade manifesta-se como esquecimento, somos envolvidos pelo MEDO, não podemos ver com CLAREZA e não temos PODER suficiente para permanecer naquele estado, ou lugar por muito tempo. Talvez fique mais claro se dissermos que, dentro do exemplo anterior, essa região não física surge diante de nós a partir de atitudes sedimentadas em intenções corretas. É necessário estar convicto do revanchismo da falsa personalidade diante de atitudes coerentes. Ela é vingativa como um deserto pouco acolhedor, capaz de impor duras penas àqueles que se aventurarem além do comodismo arbitrário e rotineiro das convenções. Tem sempre um conselheiro de plantão para alimentar o medo do desconhecido, o casuísmo das certezas acolhedoras. Ver a empresa como absoluto e a si e seus funcionários como relativos dentro de uma escala linear de valores, rompe com padrões normais de comportamento e nos torna inicialmente pesados, frágeis e letárgicos. Afigura-se diante de nós uma parede de névoa, uma linha divisória entre dois mundos, entre duas maneiras de pensar, ver e agir, mas trata-se apenas de uma ilusão psíquica de ótica condicionada, pois uma vez rompida transforma-se novamente no nada. Coragem, destemor e visão de médio e longo alcance testemunham que, uma vez ultrapassada em sua extensão, a aparente parede de névoa nutre o ser que a superou de uma nova visão, direcionada e intensiva. Critérios absolutos malogrados cederão a novos parâmetros de escala e relatividade, versáteis, dinâmicos e repletos de prosperidade. Se todos investem trabalho, força, inteligência e determinação em relação à carga inicial o fardo torna-se infinitamente mais leve.

A LEMBRANÇA DE SI MESMO É UM ESTADO QUE OS CRISTÃOS CHAMAM DE IMORTALIDADE DA ALMA.

escala 4

Mas isso suscita mais uma questão: imortal até quando? Estamos falando em escala e relatividade, portanto, não vamos nos ater à imortalidade como um valor absoluto. Da mesma forma que abordamos o fato de uma relação objetiva entre a Lua, Terra, Planetas, Sol, nossa Galáxia, todas as Galáxias e Absoluto, também podemos falar em imortalidade em diversos níveis. Para uma célula comum da pele um neurônio deve ter características de imortal, mas para nós humanos ele é tão finitivo quanto nós. Se mudarmos o referencial tudo se afigura como novo. Todos os momentos vividos de Lembrança de Si Mesmo são momentos de imortalidade. Meu Deus! Então, a imortalidade é realmente relativa? Ser imortal significa cruzar as linhas paralelas que separam o Universo Absoluto do Universo Relativo. Mas essa travessia também não é absoluta, pois está vinculada a estados de Lembrança de Si MesmoDeus é o Absoluto porque nele as Três Forças (relativas e escalares) tornam-se UNAS. E isso está além da compreensão de nosso pensar ativo linear. Normalmente conseguimos lembrar muito pouco daquilo que vivenciamos em estados superiores de consciência, portanto, para alcançar aquela região precisamos ir além desse estado ordinário de consciência no qual vivemos hoje. Estágio esse que tem como referências o sono,  a imaginação e a identificação. Não precisamos que o nosso corpo físico morra  para alcançar a imortalidade, talvez seja esta a maior das revelações da Irmandade Sarmung à humanidade:

SOMOS IMORTAIS AQUI E AGORA. BASTA LEMBRAR-SE DE SI MESMO.

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O Universo Relativo tem a marca do Lobo. Nele vivenciamos todas as coisas como temporais, tudo é uma questão de tempo em função de espaço. Ainda que algumas característica e funções aparentem uma escala diferenciada em amplitude e duração, cada parte isolada se encaixa perfeitamente dentro do todo. Uma molécula de água, por exemplo, pode passar por diferentes estados transitórios. Como vapor compõe uma nuvem. Depois condensa-se como uma gota e transforma-se em uma entre milhares que formam uma poça. Penetra no solo e é absorvida por uma planta que será consumida por um herbívoro (boi) que, posteriormente, poderá nos servir de alimento. Havendo seguido um percurso tão longo, a gota d’água se submete a vários processos mecânicos, químicos e orgânicos de transformação antes de ser lançada em um rio, onde circula junto a milhões de outras moléculas de água, cada uma com a sua própria história, antes de retornar ao mar. Em cada posição peculiar dessa molécula em instantes infinitesimais existe uma relação específica, que chamamos de ponto de escala em relação a alguma coisa. São milhões de pontos vulneráveis num espaço curtíssimo de tempo.

ESTA GOTA D’ÁGUA SOMOS NÓS, PARTÍCULAS INFINITESIMAIS NUM UNIVERSO RELATIVO, ONDE O LOBO OCUPA O LADO DIREITO, OU O ASPECTO MASCULINO, ENQUANTO O CORDEIRO OCUPA O LADO ESQUERDO, OU ASPECTO FEMININO DAS ÁGUAS PRIMORDIAIS.

Sejamos coerentes. Vale a pena tanta arrogância, insensatez, orgulho, ambição e posses, se somos apenas uma frágil gota d’água viajando num universo relativo?

escala 6

O mesmo acontece em relação ao nosso Raio de Criação. O Sol é um adulto ainda jovem, se comparado à grande maioria das outras estrelas que cruzam a vastidão dos céus, e a Terra é ainda uma adolescente que deu à luz recentemente um bebê chamado Lua. Todos os Planetas fazem parte desta família de milhões de estrelas que cantam e dançam na vastidão do espaço. Quando falamos em Universo Relativo estamos nos referindo a um complexo vivo e dinâmico, que está constantemente se renovando ao longo de muitas eras. Acredite: os conceitos de espaço/tempo são extremamente limitados. Nada vemos além das cortinas escuras e desbotadas de nosso pequeno quarto interior. Somos em verdade uma casa de quatro pavimentos, mas insistimos em habitar o primeiro piso e não sabemos o que poderia nos revelar os três pavimentos superiores, se tivéssemos coragem de galgar as estrelas. O quarto piso dessa obra inimaginável chamada ser humano é o Chakra do Coração. O mais interessante e oportuno, numa visão relativa é saber que para chegar a ele temos dois caminhos: PODEMOS ASCENDER DO TÉRREO, OU RAIZ, OU AINDA DESCENDER DO CHAKRA CORONÁRIO. Hermes Trismegistus disse: Assim como em cima também embaixo. Será que fazia referência ao universo relativo? Não apenas ao universo como a todas as reminiscências dentro ou fora do mesmo.

escala 7

A Terra é um imenso ser vivo. Possui todos os Centros, ou cérebros correlatos ao homem: instintivo, motor, emocional e intelectual e, acredite ou não, ela possui também um centro sexual ativo e dinâmico. Tudo no espaço responde por escala e relatividade. Não existe nada morto até os confins do infinito. Esta mesma Terra irá ascender a uma nova escala evolutiva. Há um tempo determinado para isso, e nem um segundo a mais. Se dentro desse limite estimado de tempo um certo número de mentes despertas se fizer presente, o papel do planeta Terra dentro do Raio de Criação terá sido cumprido, caso contrário retornará ao caos. Por isso a Irmandade Sarmung, ou Grande Fraternidade Branca, luta em todas as frentes possíveis para arregimentar essas espiritualidades autênticas,

POR AMOR A GAIA E AO NOSSO DESTINO, COMO SERES SENCIENTES, PENSANTES E DOTADOS DE EVOLUÇÃO.

Que assim seja!

047 – As dívidas e suas fronteiras

In Artigos on 15 de maio de 2011 at 12:30

dívidas 1 Nossa reflexão de hoje fala sobre a questão das dívidas, dos empréstimos, enfim, dos diversos valores que por algum motivo acabam assumindo papéis significativos em nossa vida. Vamos fazer uma turnê pelo bolso e ver a profunda relação que existe entre ele e a evolução natural do ser, e quão reveladora é nossa atitude para com ele.

Quando refletimos a cerca de questões relativas ao bolso estamos falando da sobrevivência e suas fronteiras. Estamos falando do excedente, do poder, da posse e das relações de insegurança, que tanto nos aflige e desampara. Não há outro caminho para se chegar ao bolso que não seja uma profunda reflexão sobre a vida e seu sentido existencial.

dívidas 2A verdadeira relação com o bolso traz em si a visão ampliada do mundo e a forma de interpretação dos seus valores, segundo nossas conveniências pessoais. A relação íntima com o bolso reflete o espírito de convivência que mantemos com o Lobo e o Cordeiro. Poderíamos dizer, sem margem de erro, que eles têm a chave desse cofre que é determinante na qualidade das relações. A harmonia entre dar e receber tem relação direta com a simbologia do Lobo e o Cordeiro. A união mística dos opostos passa pela consciência de saber quando e quanto dar, e também o momento certo e as qualidades do receber.

Diz-nos a tradição que: O mais longo dos caminhos é o que leva ao bolso. Então, o aprendizado mais consistente e longo ao qual nos induz o Lobo e o Cordeiro é aquele que reflete sobre o bolso e seus parentes mais próximos: A ira e o copo. Essa Tríade é o espelho da alma humana, pois se faz reveladora de quem realmente somos. É impossível alcançar esse nível de ser sem uma profunda reflexão sobre as dívidas e suas fronteiras. Lembrando sempre que é somente por meio da Observação de Si Mesmo que podemos lançar um raio de luz sobre aquilo que antes era apenas sono e imaginação. As relações só se tornam visíveis a partir do momento em que passamos a observá-las.

dívidas 3

Quando nos referimos às dívidas queremos dar um tom mais objetivo e menos julgador. A experiência é constantemente marcada pela correção, quando em contato com a realidade. Pelo dinheiro se estabelecem determinadas situações que desmascaram demagogias e ilusões, e acabam nos colocando nus diante dos outros. Somos o que reagimos, somos o que acreditamos, e o dinheiro é uma extensão de nossas reações e crenças.

A situação real diante das dívidas e suas fronteiras deixa cair a máscara que usamos para nos tornar aceitáveis a nós mesmos e aos outros. Estamos em débito com o Lobo e o Cordeiro, mas insistimos em pedir ainda mais ao Cordeiro, enquanto batemos a porta na cara do Lobo. E, assim, a dívida da humanidade torna-se maior a cada dia que passa. Dívidas e suas fronteiras têm raízes profundas em tudo que poderíamos ter feito e não fizemos, e em tudo que fizemos e por alguma razão não deveríamos ter feito.

dívidas 3

Refletir sobre a questão da ingratidão e suas consequências é fundamental, quando se trata de colocar em pauta nossa relação com o bolso. Por exemplo: O sol que nos cobre não cobra a luz da manhã. Quanto será que deveríamos pagar por essa inesgotável fonte  de energia cósmica? Todo nosso Centro Instintivo trabalha incessantemente para que o metabolismo e todos os processos interiores do organismo tornem possível a sobrevivência do corpo físico. Enviamos a conta a débito de quem? E não se esqueça que fizemos uma longa viagem estrelar para alcançar este receptáculo tricerebral, chamado corpo e suas dimensões. Será que algo nos foi cobrado pela empresa que possibilitou a viagem intergalática?

dívidas 4

É necessário fazer diariamente uma reflexão sobre as dívidas e sua relação íntima com a alma, e ainda lhe dedicar um tratamento semelhante ao que damos ao corpo físico. É preciso reconhecer a importância da alma e também a realidade expressa do corpo, pois é através dele e de nossa relação para com ele que temos a possibilidade de saber quem somos e qual o rumo a tomar. As dívidas e suas fronteiras são reveladoras de quem somos, independente daquilo que demonstramos ser. Um homem endividado externamente nutre uma sequência de erros que o leva a uma bancarrota interior, decretando a falência de idéias e determinando o fim de uma relação saudável com o cosmos.

Os reflexos do dinheiro e nosso convívio com o bolso aclaram sintomas em conflito nas dimensões da emoção, afetividade e espiritualidade. As dívidas são reveladoras de nossa idolatria, pois desmascaram o fato de termos gastado além daquilo que podíamos, simplesmente para satisfazer desejos e vaidades, ou seja, para procurar, nutrir e manter as nuanças do prazer. Sendo o prazer o cerne, a razão ou o objetivo maior da vida, quer estejamos conscientes disso ou não, as formas utilizadas para procurá-lo, nutrir e manter têm relação direta com o bolso, a ira e o copo. A desarmonia dentro dessa relação gera as dívidas e suas fronteiras, às vezes, insuperáveis. Grande número de suicidas perderam o rumo da estrada em virtude de conflitos nas dimensões da emoção, afetividade e espiritualidade.

dívidas 5

Não podemos esquecer também que a cobrança em relação àqueles que nos são devedores também é reveladora de quem somos, pois nos desmascara interiormente através dos métodos empregados no seu ressarcimento. Enfim, a relação do homem com seus credores e devedores torna-se crucial como reveladora de nossa relação com Deus. Um homem endividado, sob as mais diversas formas assumidas da dívida e suas fronteiras é uma entidade adormecida, preocupada, nem tanto pelo modo como irá ressarci-las, mas por não ter como continuar alimentando o prazer, sob a forma de vaidade, presunção e fachadas. Observe e verá que a alegria expressa ao saldar uma dívida é a certeza de ter portas abertas para contrair outras. É um círculo vicioso, alimentado pelo prazer.

dívidas 6

Dívidas e suas fronteiras tem capacidade de absorver para si traços da própria natureza. Isto nos permite observar, aceitar e refletir sobre os limites da riqueza, da solidariedade e da vergonha. É um quadro que, quando exposto coloca a nu a relação com o Lobo e o Cordeiro, confiados à nossa guarda. As dívidas são reveladoras do mais profundo da alma, pois aclaram horizontes antes nunca observados. Podemos iniciar a Observação de Si Mesmo, prestando atenção a todas as formas obsoletas do prazer e ao conflito interno gerador de subsídios ao bolso, pois são fontes potenciais de dívidas, quando administradas de forma errada. Dar carta branca à vaidade, sem os limites ostensivos da razão é nutrir a auto importância de arrogância e obstinação. São geradores potenciais de dívidas perigosas e aflitivas, que uma vez sanadas podem contrair outras  ou de forma deprimente se colocar sob o jugo do caos. Aí, nada mais poderá ser feito.

Que assim seja!