Lázaro de Carvalho

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041 – O propósito

In Artigos on 30 de abril de 2011 at 17:57

proposito 4

O que faz a caminhada longa e difícil é não sabermos o que queremos e o quanto queremos, ou seja, quanto de esforço estamos dispostos a investir na busca do objetivo. Sem atenção intencional e dirigida os movimentos oscilam, num vaivém indiferente ao propósito inicial. Podemos intencionalmente ratificar que nosso propósito é somar valores, mas sem as credencias das partes torna-se impossível agregá-las de forma concisa e real. O propósito é como uma linha contínua formada de inúmeros pontos entre os extremos inicial e final. Uma ruptura nos pontos em qualquer parte da linha pode fazê-la frágil e interromper a sequência dos acontecimentos ali registrados. Ainda vale a pena salientar que entre os extremos existem dois intervalos onde o fluxo muda de direção, caso não receba um choque consciente que o mantenha direcionado. O legado de um propósito só se confirma quando alimentado por resoluções firmes e consistentes. Qual o propósito mais sensato e coerente para a sua vida? Tem algum em mente? Observe se agrega valores e qual o alcance de sua intenção.

proposito 1

Podemos entrar numa loja de utilidades com bastante dinheiro no bolso e um gordo cartão de crédito, mas se não soubermos de antemão o que queremos, corremos o risco de todas as possibilidades se tornarem reais e acabarmos comprando coisas que não nos trarão qualquer benefício prático, ou seja, algo supérfluo e sem utilidade. É assim que a procissão da miséria humana se comporta, gerando um consumo exagerado, por não focar a atenção naquilo que realmente interessa. Alimentados com propósitos de ocasião nos perdemos no labirinto de ofertas que a mídia preparou. A falta de objetividade e ausência de direção e propósito são hoje terreno fértil à proliferação da degradação ecológica, social e humana. O desperdício está condicionado à ausência de propósito, sendo alimentado pela ansiedade e ausência de valores reais.

propósito 2

Uma grande quantidade de problemas pode ser evitada se sabemos de antemão o que queremos, qual nosso propósito. É de fundamental importância despertar para isso. Quando criamos necessidades, além de ter de satisfazê-las, perdemos um precioso tempo, que terá de ser reciclado ao recomeçarmos do zero. Talvez o maior patrimônio do homem seja a aparente linearidade do tempo e o seu desperdício gera perdas e consumo desnecessários. Lembramos também que todo propósito deve ser uma coalizão de Três Forças, caso contrário não teremos energia suficiente para alcançar o objetivo e também que degradação é um legado da ausência de propósito, pois impõe necessidades que poderiam ser evitadas escolhendo um caminho saudável e agindo no sentido de torná-lo uma realidade.

proposito 3

É MAIS FÁCIL E MENOS CUSTOSO OBSERVAR ANTES DE AGIR DO QUE RUMINAR REAÇÕES.

Nosso problema maior como seres guiados pela imaginação é que perdemos o senso de escolha e trocamos de lugar com a vitrine.

EM VEZ DE COMPRAR DE UMA FORMA CORRETA, NÓS É QUE ESTAMOS A VENDA POR UMA BAGATELA.

Os homens da mídia sabem muito bem disso e investem milhões para dominar e coagir. Traçam nosso perfil em dados estatísticos e nos enfiam pela garganta todo tipo de bugigangas. E não se esqueça que a religião pode facilmente se transformar num projeto de mídia, sendo a televisão o seu centro motor. Talvez por isso Jesus esteja virando produto especulativo sob os mais diversos jargões. Um homem sem propósito é alvo fácil dos especuladores de ocasião, e se estiver emocionalmente carente torna-se uma presa mais fácil ainda. Antes de nos apresentar o produto a empresa especula sobre o perfil do consumidor e nos meios doutrinários não é diferente, por isso usam tanto o testemunho como arma de coação. É comum apresentarem a solução como Cristo, quando na verdade ele é a penas o caminho que pode conduzir ao encontro da verdade. Sem propósito, direção e sentido que salvação é essa que o homem tanto almeja?

proposito 5

Primeiro investem no alicerce do imaginário, depois criam propósitos para nós. Temos, portanto, diversos selos à disposição, assim distribuídos: segunda da restituição, terça do encosto, quarta da família, quinta da saúde, e assim por diante.  Simplesmente, não vemos que tudo isso são artifícios para recrutar pessoas desesperadas, através da hipnose e sugestão. Um propósito real de liberdade e vida não coaduna com tais procedimentos. E uma vez recrutados torna-se extremamente difícil ver além dos muros da prisão.

O VERDADEIRO CRISTÃO É AQUELE QUE PASSA DESPERCEBIDO, NÃO DEIXA RASTROS ATRÁS DE SI, NEM O SOM DA SUA RESPIRAÇÃO SE FAZ OUVIR.

Lembro-me bem de uma frase que cai bem neste momento: O homem é capaz de abrir mão de tudo, menos do seu jantar. Não há limites, nem escrúpulos. Engordamos o Cordeiro para garantir um bom ensopado no jantar. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça e compreenda.

proposito 6

O  propósito inicial é a meta, como uma luz que vemos ao longe, e começamos a caminhar na sua direção. Logo a seguir, descobrimos que entre nós e aquela primeira luz existe uma outra, mais próxima, e continuamos caminhando. Depois vemos uma terceira luz, e continuamos caminhando, agora na sua direção. E depois outra e mais outra, e assim por diante. O verdadeiro propósito não perde de vista o objetivo inicial, ou seja, a luz mais distante. Mas, ao mesmo tempo, foca a atenção na luz mais próxima, pois esta é que ilumina a estrada e serve de guia.

ESTA LUZ MAIS PRÓXIMA É O AMOR INCONDICIONAL POR TODOS OS SERES SENCIENTES DA TERRA.

proposito 7

Recorda-se dessa máxima do Evangelho Cristão?

 “AMA A TEU DEUS ACIMA DE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO”.

Veja se é capaz de visualizar nesta máxima a luz mais próxima e a mais distante.

Encontrou? Então responda a si mesmo com absoluta sinceridade.

Podemos amar nosso próximo sem a Lembrança de Si Mesmo?

É possível amá-lo sem um verdadeiro propósito?

Se o próximo só existe no vasto mundo da imaginação, como podemos amá-lo?

O maior e verdadeiro propósito de um cristão deve ser despertar, mas para isso é preciso reconhecer que está dormindo, e o que significa estar dormindo.

proposito 8

Este é o verdadeiro propósito do Tratado do Lobo e o Cordeiro: convidá-lo a despertar. Mas, acredite, é muito difícil despertar. O poder que governa mente e coração do homem é muito poderoso, chama-se barbárie  e vive recoberto por uma fantasia, conhecida como civilização. Mas o propósito do Alto será cumprido. Pena que estejamos fazendo dos Ensinamentos um mero projeto especulativo. Mas como diz a belíssima canção de Walmir Alencar: A misericórdia do Pai é infinita.

Que assim seja!

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040 – A ressurreição de Lázaro

In Artigos on 30 de abril de 2011 at 15:40

amora 2

Nos primeiros dias de um mês de maio de 1958, numa manhã fria de outono, Antônio caminhava em direção a velha igreja de N. S. da Penha, naquele pequeno distrito de São Tiago, município de Guaçuí, no interior do estado do Espírito Santo. Levava com esmero alguma coisa enrolada num lenço branco e seguia para a parte posterior da igreja. Havia ali um terreno baldio ao sopé do morro, de onde se podia ouvir o canto das seriemas. Após cavar, usando apenas um canivete de bolso, desenrolou o lenço e retirou dele o umbigo de seu filho recém-nascido, Lázaro, depositando-o naquele lugar sagrado. Permaneceu em oração por alguns minutos e depois seguiu para um riacho próximo, onde lavou o lenço nas águas correntes, purificando-o conforme rezava o ritual. Faz parte da tradição daquele povoado que todo pai oriundo de uma família católica e também devoto do Imaculado Coração de Maria deve enterrar o umbigo de seu filho primogênito, ofertando-o ao Senhor para que um dia o menino venha a ser um sacerdote a serviço da Santa Igreja.

amora 3

Aquele homem simples que mal sabia ler e escrever e filho de pais analfabetos não está mais entre nós. Faleceu ainda muito jovem, vítima das incontáveis dificuldades de uma vida difícil como vendedor ambulante de pastéis nas madrugadas frias da rodoviária de São Paulo, deixando órfãos a mulher e quatro filhos. Conta-se que ao final de sua vida, para chegar até a igreja de São Judas e assistir à missa das manhãs de domingo, caminhava lentamente por mais de duas horas até superar a distância de pouco mais de um quilômetro. O seu corpo físico não respondia mais com a eficiência de antes as ordens do intelecto, e o coração estava vencido pela doença e o cansaço. Levava sempre um lenço branco no bolso da calça de casimira e com ele enxugava o suor do rosto, sem nunca deixar de agradecer pela alegria de estar ali e poder participar da Sagrada Comunhão e dos Rituais.

amora 1

Apesar da relutância de Conceição, sua esposa, Antônio colocou o nome do menino de Lázaro e insistia em dizer a todos os parentes e amigos que o filho seria um sacerdote, pois vira essa mensagem estampada nos olhos de Nossa Senhora da Penha, no momento em que enterrava o umbigo do filho atrás da velha igreja. Aquele homem viveu muitos problemas com a saúde da esposa no pós-parto, e o filho acabou sendo entregue aos cuidados de um casal de tios. Dona Isaura e o esposo o educaram de forma humilde, mas com dedicação e carinho, até que se tornasse um homem feito e pronto para enfrentar as agruras de uma vida austera. À sua tia deve principalmente os seus traços de caráter, e se não os assimilou como foram passados não foi por falta de insistência da parte dela. Dona Isaura, e também sua avó paterna, Dona Mazinha, foram as pessoas mais notáveis que cruzaram o seu caminho até os dias de hoje.

amora 8

Dezessete anos foram passados, quando Lázaro decidiu deixar a pequena cidade de Guaçuí, no interior do Estado, indo em direção à Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá, Estado de São Paulo. Decidido que estava a seguir a carreira militar, alimentou seus sonhos de adolescente durante alguns anos, mas depois os abandonou às margens do caminho, vindo a trabalhar em várias empresas, antes de tornar-se comerciante, no Rio de Janeiro. Casou-se em 1985 com sua esposa Maria das Graças, sendo o casal agraciado com três filhos homens: Elton, Vinícius e João Fernando. Divorciou-se e se dedicou a vários ramos de atividades, como comércio varejista, representativo e até uma empresa voltada à reciclagem. Como todo e qualquer ser humano vivenciou venturas e quedas, alternando períodos de sucesso financeiro, pessoal e familiar com outros de perdas e fracassos. E foi justamente num desses momentos avessos da vida que algo muito importante veio ao seu encontro.

amora 9

Estava morando numa pequena casa de aluguel nos arredores de Itaguaí, quando naquela noite de Natal um fato inesperado aconteceu. Ainda confuso por tantas revelações do Portal 11:11 não podia sequer imaginar o alcance de mais uma de suas instigadoras advertências. Lembro-me que chovia torrencialmente e após um trovão assustador veio a faltar luz em todo o bairro. Pus-me então a procurar vela e fósforos no afã de amenizar aquela situação. O momento adverso que estava vivendo ganhava proporções grotescas e avançava assustador sobre os meus pensamentos. O estado emocional tendia ao ocaso, mas restava-me ainda o tênue fio de uma esperança aflita. Todos os gomos da laranja se abraçaram como num surto em defesa da vida, tudo à minha volta ganhava poder e discrição. Comecei a ouvir o romper dos fogos, visualizei as ceias, famílias inteiras se abraçando, mas por alguma razão objetiva e fora do meu alcance e compreensão eu estava ali, completamente só. Cobri o rosto entre as mãos para disfarçar as lágrimas.

amora 10

Atordoado e sem saber o que fazer, relutei por alguns instantes, antes de rolar pelo chão com o anjo de Deus, como outrora o fez Jacó. Estava decidido a obter de Deus uma revelação, mesmo que para isso tivesse que abrir mão da própria vida. Dei-lhe então um ultimato em brados que se fizeram ouvir à distância, pois não me era mais possível conviver com tamanha insensatez. Rebelei-me também com meu pai Antônio por ter me colocado este nome de Lázaro, embora advertido que o peso de quem o leva aos ombros torna-se uma carga difícil de suportar. O momento de aflição aguda cedeu aos poucos lugar a uma paz infinita, nenhum estado emocional anterior pode ser comparado àquele que tomou conta do meu ser. Um silêncio absoluto se fez presente, nenhum som de fogos, músicas ou palavras teve poder sobre ele. Levantei-me extremamente cansado, mas feliz e renovado em minhas apreensões. Algo havia mudado, só não sabia dizer o quê.

amora 11

Um vento forte, acompanhado de raios e trovões entrou pela janela semi-aberta da varanda e varreu toda a cozinha, como ondas incontidas do mar, desfolhando as páginas da Bíblia que estavam semi-abertas por sobre a mesa. A chama da vela de súbito apagou, deixando às escuras o aposento. Quando encontrei os fósforos, uma cena despertou minha atenção.

A páginas da Bíblia por sobre a mesa haviam sido desfolhadas pela rajada de vento e estava aberta no Evangelho de João, capítulo 11, onde estava escrito:

                                            A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO                                 

amora 5

Lembrei-me do Portal 11:11 e com as mãos trêmulas fui ao versículo 11 e li:

“ISTO DIZIA E DEPOIS LHES ACRESCENTOU: NOSSO AMIGO LÁZARO ADORMECEU, MAS VOU PARA DESPERTÁ-LO”. (Evang. de João: Cap 11, Vers 11).

amora 7

A meu pai Antônio agradeço e peço perdão por duvidar dos desígnios do Céu. A nosso Deus reconheço a existência plena e edificante, sabendo que tudo por sobre a Terra tem propósito, direção e sentido. Talvez não venha a ser um sacerdote como ensina a tradição, mas posso ser uma ponte entre a identificação, hábitos e costumes tradicionais, possibilitando a alguns alcançar a outra margem: Uma nova maneira de pensar.                                           

amora 6

                        POR TUDO EM POR TODAS AS COISAS, OBRIGADO.

039 – O Portal 11:11

In Artigos on 30 de abril de 2011 at 12:05

portal 1

Pessoalmente, o ano de 1995 ficou marcado como um arauto de dificuldades. Convivi com o auge de uma crise conjugal que acabou resultando no fim de um casamento, que durou aproximadamente 10 anos. Sabemos o quanto a rotina ocupa espaço e tempo, impondo valores e limitando horizontes. Somos seres de continuidade e qualquer rompimento na aparente linearidade causa transtornos, às vezes irreversíveis à vida material e psíquica. Comigo não poderia ser diferente, portanto, passei por momentos difíceis. Uma vaga expectativa cobria  a incerteza de um futuro próximo, como camadas espessas de um denso nevoeiro. Sabemos que ali na frente irá se dissipar, mesmo assim assusta e exige cautela redobrada. Foi um ano difícil, mas não quero com isso classificar como um ano ruim. O que aparenta ser ruim é como um manguezal que esconde muitas espécies úteis e saudáveis, mas só conseguimos ver quando estamos dispostos a ir além da superfície segura de suas águas lamacentas. Mergulhar nas profundezas não é uma escolha pessoal, quase sempre somos projetados por um impulso aleatório do destino. A vida é assim, ao mesmo tempo assustadora e bela.

portal 2

Deixei o convívio daqueles que amo e por quase uma década alimentaram minha presença cósmica, na manhã  ensolarada e quente de uma segunda-feira. Mas, algo inusitado despertou minha atenção por alguns breves segundos: o relógio de cabeceira que levava comigo entre os poucos pertences arrematados ao acaso marcava 11:11 hs. Em virtude da carga fraca de uma bateria em fins de carreira, talvez por outro qualquer motivo desconhecido ele parara exatamente ali. Mas convivo com o pensar de uma ESCOLA que não acredita em coincidências, portanto não a vejo com bons olhos, prefiro acreditar no determinismo, num logrado previsto entre o improviso, o acaso e aquilo que o destino materializa bem diante dos meus olhos. As incertezas do momento tornam também incerta a inexatidão das ideias, confuso que estava num redemoinho de pensamentos incongruentes. Mas pelo retrovisor pude ver que à medida que avançava resoluto em minha decisão, o mundo que me acolhera despedaçava em pedacinhos, tal cacos de uma taça de cristal ao chão. O vinho derramado, com certeza, irá adubar novos horizontes no descampado aflito de minhas conjecturas.

portal 3

O trabalho fluiu normalmente durante todo o dia e à noite um novo mundo me esperava, uma casinha humilde nas vizinhanças,  distante poucos quarteirões do local onde recentemente morava. Confesso não ter naquele momento motivos plausíveis que me convidassem a prosseguir convicto das decisões. Bastou um dia para reacender hábitos de carência e necessidades de restituição. Um estado de vítima acorre aos nossos braços e nos faz importantes, arrogantes e presunçosos. Eu não merecia isso, ele diz e se reporta a atitudes que mereçam destaque e testemunhem a seu favor. Num rompimento o errado é sempre o outro, enquanto a vítima somos nós. Esse é o comportamento mecânico da procissão da miséria humana. Era uma pequena casa,  apenas com móveis de quarto e uma mesa de cozinha. Apesar do verão intenso respirava o ar gelado das incertezas. Buscava pelas paredes branco gelo a  imagem  do riso e o som alegre das crianças, alimento saudável para a alma de um homem carente de significados. Um homem não escolhe buscar o milagroso, o destino simplesmente quebra a sua continuidade e impiedosamente o lança no desconhecido.

portal 4

Dentro da caixa de papelão deixada a um canto da cozinha encontrei copos, talheres e um pacotinho amarrado por elásticos de escritório, nele havia cartão e telefone de uma pizzaria. Como não havia nada comível às mãos não hesitei em pedir uma de mussarela e calabresa. O serviço de entrega foi rápido e prestativo, e ao levar ao bolso a gorjeta o rapaz perguntou: Por gentileza, o senhor pode me dizer as horas? Senti um arrepio incontido por todo o corpo ao olhar para o relógio de parede, ele marcava 11:11 hs. Há uma contenda saudável dentro da Tradição Judaica envolvendo duas linhas de pensamento. Uma delas defende o mero acaso ou coincidência, enquanto a outra pede para ficar atento aos fatos, pois coincidências não existem. Assimilei a linha dessa segunda ESCOLA por acreditar na objetividade inerente às coisas do Alto e também por respeitar os desígnios do submundo da existência. As duas são louváveis em suas respectivas linhas, desde que observadas com ternura e cautela. Quando não nos deixamos identificar por nenhuma delas é possível a convivência em harmonia.

portal 5

A partir daquele instante não hesitei um segundo sequer em abraçar a causa da não coincidência, concluí então que por detrás de meras coincidências deve existir algum motivo maior. Algo que por alguma razão específica usa uma linguagem diferenciada para nos fazer ver o oculto por detrás do aparente. A linguagem simbólica do inconsciente é uma dessas formas de expressão. Sendo assim, o 11:11 seria um símbolo, uma imagem do inconsciente projetada na tela dos acontecimentos. Assim, o 11:11 tornou-se um amigo íntimo no dia a dia, onde quer que fosse ou estivesse lá estava ele: no número da sepultura de um conhecido, no relógio parado da Central do Brasil, ao verificar um atraso de vôo no aeroporto, na data festiva de um aniversário surpresa, na Praça da Bandeira em meio a uma tormenta, na reativação de uma linha de celular e em outras dezenas, ou talvez centenas, de lugares e ocasiões diferentes ao longo de muitos anos. Decididamente, coincidências não existem, pelos menos para mim ficou claro que não existem.

portal 6

Confesso não ter àquela época nenhum conhecimento sobre portais significativos, nem referências esotéricas a respeito do tema. Certo dia, passando pela rua da Carioca, centro do Rio, me senti atraído por um velho sebo. Não sei explicar o motivo de minha presença cósmica naquele lugar, pois não me lembro de estar interessado em nenhum livro específico. Mas já que estamos aqui não custa folhear aleatoriamente alguns livros antigos na esperança de encontrá-los por um preço mais convidativo, pensei. Quando de repente, sob uma montanha de livros que ainda não tinham sido catalogados, lá estava ele: O Portal 11:11. Tamanha foi a sensação que se apossou de mim que pude folhear apenas uma página, onde estava escrito: Se você se sentir atraído pelo 11:11, dê um passo a frente. Coloque-se à disposição. Devolvi o livro ao local de onde o havia tirado e saí rapidamente dali. Vaguei pelas ruas do Centro por aproximadamente três horas, sem saber para onde ir. Perdi completamente o senso de direção e sentido.

portal 7

Foi a partir daí que comecei a alinhavar os detalhes desse complexo tecido, produzido a partir de fatos intuitivos: O Portal 11:11. Alimentado por imensa graça concedida pude encontrar dezenas de significados para o 11:11 dos quais pretendo dividir alguns com você, embora sem entrar em detalhes esotéricos, pois no meu caso específico ele é estritamente pessoal. Ele é um código, um imenso Portal que se abriu às possibilidades de evolução do homem no ano de 1992 e se fechou em novembro de 2011. É uma escada por onde os anjos de Deus sobem e descem a Terra. O 11:11 é uma imagem arquetípica da intenção, que nos acena quando por algum motivo inexplicável se dignificou colocar-se em nosso caminho. É praticamente impossível avaliarmos os aspectos racionais dessa escolha, pois eles simplesmente não existem. Existe apenas o intento, e a possibilidade de compreensão do conteúdo de suas ações torna-se praticamente impossível. Não há lógica aceitável nas manifestações do Alto e por mais que tentemos alcançá-la por meio do pensar comum, vemos a impossibilidade de retratá-la em tela e pincel no plano físico.

portal 8O 11:11 é o símbolo das colunas do Templo Sagrado da Sabedoria de Salomão: Jaquim e Boaz. É um portal que se abre ao desconhecido, mas lembre-se que todos aqueles que se aventuram por ali devem estar cientes dos perigos inimagináveis que poderão encontrar ao adentrar os limites internos do Templo.

portal 9O 11:11 é um arquétipo da  Força Neutralizante. Significa, portanto, que é a Força Ativa da próxima Tríade, ou seja, o Portal de uma Trindade Santa. É o portal de acesso ao Filho, que na condição de Espírito nos conduz ao Pai. É o poder legado ao Terceiro Dia, a Ressurreição, o Espírito Santo de Deus.

eneati2O 11:11 é o portal do Quarto Caminho. O caminho do Cristianismo Esotérico em sua Essência, Verdade e Vida, símbolo maior do Verdadeiro Conhecimento. É a simbologia da Cruz, viva e eterna, que nos acena as Quatro Direções ou os Quatro Ventos. É o Portal ou limite entre dois mundos, duas possibilidades reais: que a personalidade se torne cada dia mais passiva e a essência volte a ser ativa, única porta de retorno à origem estelar do homem.

portal 11O 11:11 é o Nagual. Além da ilha do Tonal, além de tudo. O que não se vê, o que não se sente. O eterno, indefinível, sem nome, sem perspectivas, sem cor e sem cheiro. Sem massa, peso ou densidade. O que não é formado a partir de nada e, no entanto, é tudo. O portal do 11:11 é um convite. Nós somos os convidados, mas trata-se apenas de um convite, sem qualquer formalidade e sem nos oferecer nada, absolutamente nada em troca. É uma Porta que se abre, um portal que não se vê, pelo simples fato de nunca ter existido e, no entanto, está ali bem à nossa frente, esperando que o ultrapassemos. O 11:11 é o cajado de Moisés, o Mar Vermelho, a Travessia, as Águas revoltas, o outro lado, além de Tudo e de Todas as Coisas.

portal 12O 11:11 é a simbologia maior do Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda. O Lobo tem em si a alma do Cordeiro e  instinto próprio, e o Cordeiro tem a alma instintiva do Lobo, mas a mansidão que herdou do Pai. Nós, como espécie humana, somos instinto e alma.  Quando nos curvamos à ganância e ao poder e nos tornamos prepotentes e envaidecidos em lugar de sermos gratos, desenvolvemos unilateralmente o instinto animal, enquanto a alma sangra por toda a Terra. O Lobo e o Cordeiro são fixos e unilaterais devido à má formação da mente do homem, quando em verdade podem trocar de posições numa intensidade tão grande que nenhum humano pode suportar. O bem não é uma entidade fixa, da mesma forma que o mal também não é, depende da dinâmica do coração humano torná-los procedentes ou não. É uma questão de atitude, não de submissão.

São muitos os significados relacionados à simbologia do 11:11. Mas existe um em especial que prefiro guardar para o nosso próximo texto, por se tratar de algo estritamente pessoal. Foi a manifestação do Pai num momento de desespero, quando nos transformamos em Jacó e lutamos arduamente com o Anjo de Deus, e não o largamos enquanto não tiver nos agraciado com aquilo que desejamos. Na ESCOLA esses Anjos são chamados de Aliados.

portal 13

O conteúdo dos textos do Tratado do Lobo e o Cordeiro não tem a intenção de lhe dar aquilo que você não deseja. Não temos a intenção de escolher para você o melhor caminho, por uma simples razão: TODOS OS CAMINHOS LEVAM A LUGAR NENHUM. Não somos conselheiros, nem instrutores. Não somos mensageiros da verdade, nem arautos da salvação. Queremos apenas que você reflita sobre o conteúdo de cada um deles, e leve apenas aquilo que for útil para a sua vida. Nossas críticas não têm a intenção de destruir nada, nem lançar embate sobre crenças e valores. Quando você descobre um defeito mecânico no seu carro que o impossibilita de seguir viagem, não acreditamos que o queime às margens da estrada, mas sim, que o leve ao mecânico de sua confiança para saná-lo. O mesmo acontece aqui. Quando percebemos a necessidade de uma revisão dos métodos, procedimentos, atitudes e ações, devemos fazê-lo de bom grado. Não porque alguém tenha nos dito isso, mas porque vimos e compreendemos a necessidade de mudar.

Que assim seja!

038 – Força Neutralizante

In Artigos on 29 de abril de 2011 at 20:27

força 1

Voltamos a abordar o estudo das Três Forças, por considerar o tema de importância fundamental dentro do Tratado. Até hoje tudo que temos é uma visão de dicotomias, relação entre extremos ou forças conflitantes, sem a manifestação de uma Terceira. E quando imaginamos a presença da Terceira a vemos como resultante, ou seja, aquela que nos apresenta como o pressuposto resultado das outras duas. Não temos nenhuma visão de individualidade entre elas, apenas sabemos que existem na física, química ou matemática. Portanto, consagramos o Lobo e o Cordeiro como forças propulsoras e antagônicas entre o mal e o bem, sem levar em consideração uma Terceira Força, no caso, em questão Lázaro ou você. Nas páginas do Tratado vamos colocar a questão em pauta diversas vezes, pois alude à nossa própria existência como seres ativos e pensantes. Desde o mundo subatômico até os confins das galáxias, tudo gira em função delas. Nada, absolutamente nada pode vir a existir sem a interação de uma relação direta de Três Forças.

força 2

Como já foi citado anteriormente de forma bastante enfática, as Três Forças recebem o nome de Força Ativa, Força Passiva e Força Neutralizante, ou simplesmente 1ª, 2ª e 3ª Forças. A Força Ativa procede o impulso inicial, como se fosse uma ideia, uma ação, uma iniciativa, um pressuposto, um passo. A Força Passiva funciona como um sinal vermelho, uma advertência, um pressuposto não, uma prerrogativa indefinida, um obstáculo, adversidade ou algo incomum, não rotineiro, uma resistência imposta ao fluxo inicial. E a Força Neutralizante é aquela que permite ao processo cumprir o seu destino, ou não. Caso a Força Ativa e a Força Passiva estejam em oposição absoluta, equilíbrio positivo ou negativo, nada virá a acontecer. Sem a presença da Força Neutralizante as duas girariam entre si num círculo eterno, sem a possibilidade de nenhum evento. Recordamos que as Forças não têm posição fixa dentro da dança cósmica, podendo mudar de lugar diversas vezes num determinado tempo, alterando assim  completamente o resultado inicial. Se a Força Neutralizante muda de lugar na Tríade, as Forças Ativa e Passiva também alteram ritmo e intensidade, trocando de posições entre si e gerando um novo campo de possibilidades ou eventos. A Força Neutralizante é algo que rompe o equilíbrio entre a Força Ativa e a Força Passiva de tal modo que a Ativa tenha maior intensidade e fluxo, enquanto a Força  Passiva perde rumo e propósito, ou seja, a própria Força Neutralizante assume o lugar das duas na Tríade,  possibilitando o processo. Ou também o oposto, nutre a Força Passiva de poder e anula a intensidade inicial da Força Ativa, tudo dependendo da qualidade nutricional dessa Força Neutralizante. Entendemos então que a Força Neutralizante tem o poder de neutralizar a ação de qualquer delas, seja Ativa ou Passiva, determinando a evolução da outra. Tudo transforma quando se produz uma inversão ao modificar a posição das Forças na Tríade.

força 3

Nós, o Lobo e o Cordeiro somos uma manifestação de Três Forças, portanto, não existe nenhuma possibilidade de excluir o Lobo de das relações humanas. Isso é impossível. Existe uma frase exposta no vidro traseiro de alguns veículos que diz: Deus sem você é Tudo, mas você sem Deus é nada. Observe que o Espírito de Deus quando manifesto num contexto tridimensional também o faz numa relação  interativa de Três Forças: Pai, Filho e Espírito Santo, portanto, a importância do homem em relação a Deus está diretamente relacionada à importância que dá a Ele, ou seja, a Própria Existência de Deus dentro de uma Tríade necessita de integração constante, ora como Força Ativa, ora como Força Passiva, sendo o homem uma Força Neutralizante, ou vice versa. Deus sendo a Totalidade não pode existir numa configuração onde não estejam inseridas as outras duas Forças. Não existe o Todo que não seja a integração de suas partes. Qualquer princípio por si mesmo não tem nenhuma validade sem um critério de continuidade. Portanto, a frase postada no carro tem um fundo de prepotência, uma falsa ideia de hierarquia absoluta, digamos, uma mídia que nos insere num contexto absoluto de inferioridade, mas, graças a Deus, não possui um conteúdo legitimado pela interpretação inteligente dos fatos. A ESCOLA diz: Deus é o ser maior presente na vida do homem e o homem é o ente divino que torna possível a existência de Deus. Ambos são absolutamente nada quando tomados isoladamente, um sem a presença do outro, pois a simples ausência de uma Força na Tríade a torna impraticável.

força 4

Quando ainda crianças formávamos uma Tríade onde Lázaro, o Lobo e o Cordeiro, ou Você, o Lobo e o Cordeiro estavam em harmonia absoluta com o Cosmo. Éramos apenas Um em sintonia e equilíbrio com o Todo. Naquele momento precioso da vida, em tenra idade, como entes humanos aqui na Terra, o Lobo e o Cordeiro ainda não haviam sido confiados à nossa guarda. outrossim, sendo ainda unos, estávamos Você ou Eu, mais o Lobo e o Cordeiro sob a guarda de uma Ordem Superior. Esta Ordem Superior que está em nós e ao mesmo tempo fora de nós chama-se Essência. Por isso Jesus dava um destaque imenso ao ser daqueles pequeninos, chegando a dizer que se não tivéssemos um nível de ser compatível àquele das crianças não entraríamos no Reino dos Céus. Quando, através da entrega e da confiança permitimos ao poder que emana do Alto fazer (o que nas crianças é um aspecto puramente natural, visto que ainda não desenvolveram os escudos protetores da personalidade) nos tornamos unos em Espírito, Verdade e Vida. Mas, porquê nos tornamos Um com o Todo? A resposta é bastante simples: porque neste caso permitimos ao Todo ser a  Força Neutralizante. Existe uma verdade muito grande por detrás da seguinte frase: A criança é o pai do homem. Ou seja, a criança é uma Tríade aberta a todas as possibilidades imagináveis de evolução, pois harmoniza os contrários, colocando-se sob os cuidados de uma Ordem Superior. Pobre nação aquela que não ampara, cuida e protege estes pequeninos.

força 5

Quando atingimos os limites da puberdade a Tríade começa a sofrer inúmeras alterações em sua forma original. Já não apresentamos um grau de pureza tão absoluto quando aquele dos jardins do Éden. Passamos a ser a Força Ativa (Adão), a nossa mãe (Eva) passa a ser a Força Passiva e o mundo que nos rodeia (o conhecimento expresso na figura mitológica da serpente) torna-se a Força Neutralizante. Tudo tende a se transformar. Nessa fase o Lobo e o Cordeiro passam a ser, ora a Força Ativa, ora a Força Passiva, e nós nos que deveríamos atuar como Força Neutralizante, mantendo indenes a ambos, nos perdemos num enorme labirinto, confuso e aterrador. Isso significa que usurpamos o lugar que em verdade pertence à Ordem Superior da Existência, portanto, nós mesmos nos expulsamos do paraíso interior, que sempre foi nosso por direito de herança. A partir daí criamos escudos de proteção. Avergonhados corremos a cobrir as partes íntimas com uma folha de parreira, símbolo dos escudos desenvolvidos pela personalidade. O retorno ao estado original passa obrigatoriamente pela união dos opostos, ou seja, manter indenes o Lobo e o Cordeiro confiados à nossa guarda, mas para isso necessitamos desenvolver o firme propósito de não alimentar em demasia um extremo em detrimento do outro. Por isso, Buda dizia que o retorno ao estado original é uma ponte sobre o abismo, estreita e sem proteção lateral. Se alguém tende a caminhar pela esquerda ele o aconselha a direita, mas se a tendência for a direita ele o convida à esquerda. O caminho correto usa a tensão dos extremos, mas não se ilude com qualquer deles. O mais correto e seguro é o Caminho do Meio.

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Está conseguindo ver porque nos foi confiada a missão de manter são e salvos (indenes) o Lobo e o Cordeiro (aspectos masculino e feminino da psique humana) até nosso regresso à casa do Pai? Significa retorno ao estado natural de existência, ou seja, ao Jardim do Éden (paraíso interior), onde Nós, o Lobo e o Cordeiro éramos apenas UM. Esse retorno à casa do Pai (Terra Prometida) só acontece depois de Quarenta Anos de lutas incessantes e desafios imensos, e só se completa após A travessia do Mar Vermelho. Os Quarenta Anos é uma alusão à integração dos Quatro Centros: Instintivo/motor, Intelectual, Emocional e Sexual. Todos os termos utilizados aqui se completam e unificam dentro de um balé magnífico:  A luta dos Magos. O Egito é o palco do agora, o estado inconsciente cativo da procissão da miséria humana, onde acontece a grande batalha entre a Magia Branca e Negra, ora como Força Ativa, ora como Força Passiva, outras vezes como Força Neutralizante. Mas legadas a si mesmas são apenas Forças inertes, inoperantes, sem alcance e propósito. Está claro que tanto o mal quanto o bem, quando deixados por si mesmo, sem a intervenção direta da mente humana são inoperantes e circunstanciais? Então, porquê lançar a culpa resultante de atitudes e intenções inconsequentes sobre uma entidade, Força, chamada Lobo?

força 7

Todos os ensinamentos cristãos em essência, verdade e vida, sem o domínio casuístico dos dogmas e da tradição apontam para a unidade, para o Eu Permanente, ou seja, para a unicidade do ser aqui e agora, em comunhão com o Eu real ou Divino. A Força Neutralizante dessa Tríade será a Força Ativa da próxima, portanto, nós somos o veículo, a possibilidade evidente de transformação dos valores éticos, sociais e morais da espécie humana. Atitudes são Forças que criam e projetam valores reais de mudança. Quando assimilamos o Verdadeiro Conhecimento e o tornamos prático e objetivo, possibilidades antes remotas  tornam-se reais. Mas para que  isso venha acontecer é necessário antes despertar, ou seja, tornar-se a própria Força Neutralizante, credenciando uma ação direta sobre os meros valores circunstanciais.

Que assim seja!

037 – A travessia do Mar Vermelho

In Artigos on 24 de abril de 2011 at 13:50

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Quando enfatizamos a necessidade de travar uma luta constante e intensa contra a identificação é no sentido de criar um intervalo na forma habitual de prender nossa atenção aos vestígios. O não-fazer é uma gigantesca manobra, visando desenvolver a segunda atenção e assim  possibilitar o bloqueio da intenção que alimenta o primeiro anel de poder. O não-fazer de falar, quando alimentado pelo não-fazer de pensar e sentir é o prenúncio do que chamamos silêncio interior. Não é uma ausência de si mesmo, pois todo o sistema cognitivo permanece focado e atento ao que se passa ao redor, apenas não se permite ser dirigido a partir das circunstâncias. Vestígios são circunstanciais e não objetivos. Circunstanciais porque chegaram a nós sem qualquer escolha ou decisão formal de nossa parte. E não objetivos porque não nasceram de uma consciência desperta, sendo dirigidos a partir de um consenso, mas sem nenhum propósito consciente.

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A não-identificação é o método utilizado pela ESCOLA para criar intencionalmente um intervalo na percepção usual de reunir e racionalizar vestígios. É uma intervenção sobre o fluxo incessante do primeiro anel de poder, uma quebra estratégica em sua continuidade, possibilitando assim uma nova maneira de pensar. Para atingir esse objetivo temos que redirecionar a intenção, como se redirecionássemos um fluxo, uma corrente ininterrupta de emanações. Para redirecionar o fluxo é necessária a harmonia entre Três Forças: Conhecimento, Ser e Compreensão. Somente a harmonização perfeita entre elas possibilita  um nível de ser diferenciado. Sendo o nível de ser de um homem aquilo que atrai a sua vida, concluímos ser ele que permite à intenção colocar-se sutilmente em nosso caminho. A não-identificação abre todas as portas às possibilidades latentes no homem. É ela que permite dar o primeiro choque consciente no primeiro anel de poder. É um importante passo no sentido de permitir à intenção mover o primeiro anel de sua posição atual, legitimada por nossas atitudes e aparentes intenções.

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Este primeiro choque consciente redireciona a intenção, limitando o poder dos vestígios e nos reconduzindo aos primórdios da existência, quando éramos libertos e unos com tudo e todas as coisas. Então, um estado interior de calmaria nos envolve, quebrando assim o fluxo ininterrupto de poder do primeiro anel. Lembre-se que o primeiro anel necessita de uma constante manutenção de hábitos e costumes, tendo na rotina a sua principal oferta de alimentos. Sem a intervenção consciente da ESCOLA, ou seja, daqueles que despertaram e após 40 anos de angústia e aflição fugiram, é difícil, senão impossível, cortar os grilhões que nos mantêm cativos e também fugir. Como é desconcertante ver-se a si mesmo como cativos no Egito, sob os  ditames de Faraó, suas crenças, dogmas   e tradições. Torna-se praticamente impossível em condições normais conceber a realidade e grandeza de tamanha avaliação. Egito é um estado interior cativo, mas a intenção de fugir pode se colocar em nosso caminho.  Moisés! Moisés! Onde estás que não respondes?

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Quando a relação entre intenção e vestígios sofre uma ruptura em sua continuidade, nunca mais poderá ser restaurada. Uma vez rompido o ciclo ininterrupto de poder do primeiro anel, adentramos um segundo ciclo de influências, ou Terceiro Estado de Consciência, onde nos abrimos ao convívio do Círculo Consciente da Humanidade. Assim, criamos a possibilidade real da Lembrança de Si Mesmo, um estado que nos converte a um leque imenso de realizações nunca antes imaginado. É preciso salientar que as forças que nutrem e operam em nossa vida são sabedoras de quão frágeis são as nossas propostas de transformação. Reconhecem o poder do ego e suas afirmativas incoerentes. Assim o fazem porque operam em uma dimensão da qual renasceram tal Fênix, das cinzas do arbítrio, identificação, como entidades um dia cativas ao imaginário. Por isso são sutis em suas premissas de poder ao homem. A não identificação com Faraó e suas tradições é determinante para que a intenção se coloque por vontade própria em nosso caminho. Então, podemos nos fundir a ela, tornando unas as margens direita e esquerda do homem.

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A partir daqui alcançamos um limiar. Chegamos às margens da linha divisória entre dois mundos, que passaremos a chamar de A travessia do Mar Vermelho. Essa linha imaginária divide o lado direito do homem, ou Tonal, do lado esquerdo do homem, ou Nagual. É uma linha divisória entre dois mundos, ou seja, entre dois estados de consciência. O Tonal, Lobo, e o Nagual, o Cordeiro. Em verdade o ente que possibilita a travessia somos nós, quando mantemos indenes o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda. Podemos dizer então que, de certa forma, somos Moisés, levando em conta os resquícios de escala e relatividade. O homem é uma ponte humana que liga o desconhecido ao incognoscível, sendo ele mesmo o conhecido, lógico e racional.

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ROMPER ESSA LINHA IMAGINÁRIA ENTRE OS DOIS MUNDOS É TORNAR-SE UNO, MAS A SUA POSSIBILIDADE REAL SOMENTE ACONTECE APÓS A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO.

O LOBO ACENA AO MAR, MAS É O CORDEIRO QUE SEPARA AS ÁGUAS REVOLTAS. EM SEGUIDA, O LOBO GUIA O POVO PELO LEITO SECO DAS ÁGUAS, MAS É O CORDEIRO QUE ESPERA OS ILUMINADOS DA TERRA NA OUTRA MARGEM.

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Não se alude aqui a um mar puramente físico de água, areia e peixes, mas ao mar interior do homem, às águas revoltas que separam o lado direito do lado esquerdo do homem. Ele é vermelho por ser esta a cor do sangue que segue por rios, riachos, córregos e corredeiras até alimentar o grande mar da existência. Suas margens são linhas paralelas  a separar o aceitável, compreendido e racionalizado daquilo que nos é inconsciente, desconhecido e temerário. Mergulhar em suas profundezas é uma viagem ao templo sagrado da existência: nosso universo interior.

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Em verdade, a travessia se dá no Chakra do Coração, quando o Lobo e o  Cordeiro se aproximam, ou seja, aquele é o Portador das Dores e Agruras da Terra e aquele que é Portador das Esperanças de Redenção do Alto. Embora a compreensão literal do homem esteja muito longe de alcançar a grandeza dessa afirmação, é providencial fazê-la: O Lobo e o Cordeiro são semelhantes em verdade, propósito e vida. Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça e compreenda. Simbolizam a união dos opostos consagrada no Selo Sagrado de Salomão. Mas a travessia só se consuma após um Esforço Descomunal Onde A Própria Vida Foi Sacrificada Em Nome da Liberdade. Quando o firme propósito inunda o coração do Povo Eleito e ele por vontade própria se põe a caminho, as pedras se transformam em pão e as rochas jorram águas cristalinas. O imenso Deserto Interior do homem antes cativo torna-se vivo e respira o perfume das flores, se embebeda do orvalho e canta como o rouxinol. O Cajado de Moisés é um cetro de poder, símbolo máximo de união dos opostos, do Lobo e o Cordeiro. Ele o ergue aos Céus, atraindo a energia cósmica superior, depois toca a Terra para transformá-la em realidade física material. Uma ideia quando embevecida na vontade torna-se um instrumento capaz de mover montanhas inteiras e até lançá-las ao mar.

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A travessia do Mar Vermelho é um processo ininterrupto. Está acontecendo agora em todas as partes do mundo. Os Eleitos Estão a Caminho, bem-aventurados sejam todos eles!

As linhas paralelas são as margens que separam o antes e o depois, mas é necessário ter firme a intenção no agora. Só assim a travessia será consumada. Também se faz necessário que a intenção nos acene com essa possibilidade, colocando-se em nosso caminho por vontade própria. Uma vez consumada a travessia nenhum poder do primeiro anel será capaz de nos aprisionar novamente, somos, enfim, livres da esfera de 48 ordens de leis da Terra. Outro círculo, então se nos apresentará, mas com um número menor de leis: O Círculo Planetário, ou segundo anel de poder. Um homem nessas condições já se Lembra de Si Mesmo e tem domínio sobre muitas de sua ações, antes governadas pelo acaso.

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O maior obstáculo para a travessia é esse estado de  sono letárgico que  induz a imaginar um Egito distante e contemplar Faraó como uma figura pitoresca de um passado remoto. Não percebemos que somos a procissão da miséria humana e estamos cativos. O estado sugestivo e hipnótico não nos permite ver o Egito aqui e agora, por isso urge o despertar. Sedenta está a raça humana de um alimento que não fortaleça dicotomias, antes quebre os grilhões de extremos, como dominação X submissão. O eixo central da balança precisa ser observado, antes que atitudes inconsequentes o faça pender para um lado em detrimento do outro.

Que assim seja!

036 – Águas revoltas

In Artigos on 23 de abril de 2011 at 16:14

águas 1

Águas Revoltas são fronteiras imaginárias, projetadas sobre o aspecto físico das águas e mantidas pelo intenso poder do primeiro anel. São como paredes de névoa, separando o estado atual de consciência do homem daquilo que chamamos Lembrança de Si Mesmo ou Terceiro Estado de Consciência. Esse poder é um intervalo ou limbo que existe e se avoluma entre as linhas paralelas; entre as margens direita e esquerda do homem. Após vagar quarenta anos pelo deserto, ou seja, pelo imenso deserto interior de aflições e conflitos, agora são as águas revoltas que separam o povo de Deus, ou eus que já estão em vias de despertarda Terra Prometida, ou Eu Real. Todas as manhãs o poder do Alto nos acena com a possibilidade da travessia do Mar Vermelho, mas olhamos em volta e uma gama de dúvidas nos assola: Moisés! Moisés! Onde estás que não respondes?

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Homens adormecidos não se dão conta disso, apenas dormem, envoltos na obsessiva preocupação de suas atividades diárias. Homens adormecidos estão muito preocupados em se vestir bem, portar-se bem, se alimentar bem, viver intensamente, segundo seus hábitos e costumes, dar o melhor aos filhos e ter uma vida segura e tranquila. São os ditames da tradição, somos e vivemos assim. Mas, Moisés não é um homem na verdadeira acepção da palavra, nem um príncipe do Egito como aparenta ser. Ele é o símbolo maior de uma fantástica ESCOLA que se chamava Moisés. Tanto Moisés, quanto os quarenta anos pelo deserto e a travessia do Mar Vermelho são signatários de uma uma Tríade magnífica, portanto, existem numa relação direta de Três Forças. Esta Tríade não é uma expressão puramente física e temporal, como a literalidade do texto nos induz a pensar, mas sim, códigos verbalizados do Verdadeiro Conhecimento.

águas 3

Águas revoltas é uma metáfora do vale de Shangri-lá, ou vale das ilusões, portanto, uma efígie da própria existência, quando submetida à imaginação e à imitação. Águas revoltas é uma síntese dos obstáculos imaginários que devem ser vencidos e ultrapassados, quando da nossa viagem de retorno às estrelas. O medo é o primeiro e principal adversário a ser vencido, antes de adentrarmos o mar escuro do inconsciente. Por isso foi criada a figura fictícia de Satanás, para sufocar-nos com o medo e a servidão dos tempos. O Primeiro Anel de Poder faz uso de armas poderosas para nos manter cativos, basta despertar e ver. No texto anterior, quando o Lobo assume o corpo daquele homem e avança insólito sobre as águas temos um exemplo vivo de audácia, confiança e destemor. Só assim podemos tomar posse daquilo que por direito de origem sempre foi nosso.

OS COVARDES E SUBMISSOS NÃO HERDARÃO A TERRA, PORTANTO, NÃO VISLUMBRARÃO O CÉU DOS ELEITOS.

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Quando os pés do homem tocam as águas revoltas e tem início a travessia, um intenso estado de angústia assola a alma.

NÃO PODEMOS MAIS RETORNAR ÀQUILO QUE SEMPRE FOMOS, MAS AINDA NÃO TEMOS  FORÇA SUFICIENTE PARA ENFRENTAR O DESCONHECIDO.

Por isso repito aqui a frase de um daqueles homens notáveis: Para aqueles que insistem em continuar dormindo, cruzar com este Conhecimento é um verdadeiro pesadelo. A ESCOLA é uma fresta através da qual podemos ver as águas revoltas e suas nuanças em nosso universo interior. Ela nos dá a chave que abre o cofre de uma memória não física, para que possamos ver toda a extensão e grandeza do mar, muito além da limitação das margens. Essa memória não física é um estado de consciência, que ainda precisa ser despertado em nós. E esse despertar nem sempre é pacífico. Pode advir de muitas dores e frustrações, afinal, estamos dispostos a abrir mão de quase tudo menos das ilusões e da imaginação, ou seja, das duas principais fontes que nutrem o sofrimento inútil.

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Águas revoltas compreende uma região localizada entre as linhas paralelas, portanto, um lugar hostil entre dois mundos: O Tonal e o Nagual. Jung chamou essa região pelo nome de inconsciente, com todos os seus labirintos, dragões e hidras, o que sugere uma coragem descomunal e total desprendimento daquele que se atrever a ultrapassá-la. Por isso fiz uma observação logo nas primeiras páginas do Tratado: que estaríamos iniciando uma longa viagem e teríamos que passar por uma alfândega extremamente exigente e que levássemos somente o necessário. Para vencer o interlúdio das divagações é necessário não se identificar nem com o mar, nem com as margens, nem com o céu, basta o toque sutil do cajado e a firme convicção de ser capaz de vencer o improvável e impossível. Mas esse fazer exige entrega e confiança.

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Fique atento ao que vamos dizer. Essa região é realmente hostil, nela podemos encontrar um imenso deserto, onde a fome, calor intenso e o frio agudo e cortante das noites, além da angústia das reminiscências e da ansiedade por chegar criam ilusões de todo tipo. Alguns sonham que são empresários e senhores dos seus empregados e bens, outros sonham que são intelectuais senhores de seus pensamentos, métodos e ações, enquanto outros sonham que são padres, pastores e gurus que podem guiar emocionalmente um povo cativo. Enfim, o vale de Shangri-lá guarda todo tipo de falácias àqueles que se embebedam nas suas traiçoeiras taças de poder e glória. Existem ali becos e ruelas mal freqüentados e ávidos de perigo, onde o Lobo poderá nos conduzir pelas mãos se assim nos aprouver. E dependendo do nosso nível de ser, poderá o Cordeiro ordenar a um dos seus anjos que nos conduza. Mas, aventurar-se sozinho nesta terra de ninguém é chegar a lugar nenhum. Lembro-me agora de uma das letras da banda Engenheiros do Havai: “Placas indicando caminhos errados, andar só é possível de olhos vendados”. 

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Pensamos em alcançá-la através de rituais, cânticos, mantras e meditação. Pagamos dízimos ao Senhor para alcançá-la. Assoberbados e hipócritas, batemos à porta da senda da sabedoria, mas pode ser que uma vós se faça ouvir: “Não sei quem sois, afastai-vos daqui. Só através de uma vasta experiência, onde a sobrevivência esteve em jogo a cada instante é possível lançar-se resoluto sobre as águas revoltas. Isso nos leva a um estado de atenção diferenciado, a uma busca incessante pela liberdade. Já não temos alternativa, só nos restando seguir em frente. É um abrir mão de si mesmo em proveito da própria vida, sua e dos seus. É uma ponte, onde despedida e rencontro se unem num laço comum de coragem, audácia e desprendimento. É preciso ser um guerreiro sonhador para dar um passo além, sabendo que o novo é tudo que nos resta sonhar. Sonhar viver, sobreviver e ir além do próprio sonho. Talvez, esse seja o sonho de Deus para o homem desperto.

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Manter indenes o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda é a senha para nos lançarmos nas águas revoltas sem medo. Afinal, não temos mais nenhum interesse naquilo que ficou para trás. Nada temos a perder. Por isso a frase do Lobo, inserida no texto anterior: “O que estamos fazendo parados aqui? Na outra margem pode ser que venhamos a encontrar aquilo que chamamos de o Reino dos Céus, mas também pode ser que encontremos mais quarenta anos de deserto. Que diferença isso pode fazer? O importante são os passos, caminho é consequência e chegada é propósito, meta e dedicação. Mas sem a resolução das margens não há travessia, e sem homens corajosos e dispostos ao perigo é preferível sentar-se á mesa numa bela tarde de domingo e degustar alguns petiscos, regados a vinho do Porto. Não se trata de uma retórica de salvação, mas de um processo a ser vivido todos os dias, a cada momento.

Que assim seja!

035 – A intenção

In Artigos on 22 de abril de 2011 at 16:26

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A intenção a que fazemos referência não é simplesmente um desejo ou sugestão, nem optar por uma coisa ou outra, mas sim o poder manifesto por meio de uma força imponderável, que nutre e direciona os atos transformando-os em atitudes. Podemos definir como uma força íntima que possuímos e utilizamos individualmente, de tal forma que o primeiro anel de poder possa se locomover de forma desejável. A intenção é a força que usamos quando queremos direcionar a atenção para focalizar emanações dentro de um certo âmbito. É a intenção que comanda o primeiro anel de poder no sentido de interromper ou cessar a identificação.

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A intenção é a Força que cria e mantêm os vestígios.  Sem sua intervenção a paixão deixaria de ser paixão e uma montanha seria apenas uma enorme quantidade de terra justaposta numa elevação, ou uma simples mancha de coloração marrom. A intenção necessita ser recriada a todo momento, para que os vestígios sejam mantidos vivos no pensamento. E isso consome uma quantidade enorme de energia, debilitando o corpo físico. Dependendo de seu alcance podemos despender certa qualidade de energia, permanecendo letárgicos por um bom tempo, senão por toda a vida. É preciso não esquecer que intenção é uma força que trabalha no sentido de transformar atitudes em fatos reais, e dependendo do seu teor uma atitude pode ter consequências fatais.

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A forma mais comum de intenção é aquela que nos vem aleatoriamente. Trata-se de uma intenção cega que nutre a imaginação de fantasias e nos mantém adormecidos. Usa como arma a identificação e todo tipo de emoções. Essa intenção nos alcança sob a forma de influências A. Coloca-se por acaso em nosso caminho e condiciona  respostas a um determinado nível. Ou nós nos colocamos no seu caminho, sem necessidade de qualquer esforço dirigido. É a intenção mecânica, circunstancial e subjetiva. Logramos o desejo de fazê-la nossa, mas é aleatória e induzida. É praticamente impossível aos homens nº 1, 2 e 3 terem domínio e dirigir intenções, salvo em algumas situações especiais e por um tempo extremamente reduzido. Por isso dizemos que estamos adormecidos, ou seja, num estado aparentemente natural, mas letárgico da alma. Assim  o primeiro anel de poder permanece intocável em seu domínio, sugerindo, dirigindo e fazendo de nossa vida uma roda incessante de retorno e respostas subjetivas.

lembrança

O segundo tipo de intenção é quando cruza o nosso caminho por determinação e vontade própria. Isso exige um grau considerável de dedicação e um apurado senso de propósito. É necessário despertar um propósito inflexível para que ela nos acene, sendo exigido de cada um esforço e sacrifício. Este tipo especial de esforço a que nos referimos precisa ser aplicado a todos os Centros: instintivo, motor, emocional e intelectual, sendo que a ESCOLA pede apenas que sacrifiquemos nosso sofrimento inútil. O problema maior fica por conta do sofrimento inútil, pois apresenta-se como natural e necessário, insistindo que o reverenciemos como parte necessária da existência. Diz a ESCOLA que somos capazes de abrir mão de quase tudo, menos do sofrimento inútil. Eu arriscaria em emitir uma opinião de caráter estritamente pessoal: talvez 10 ou 20% do atual nível de consumo da humanidade seja por necessidades reais de sobrevivência, sendo que os 80 ou 90% restantes são para alimentar o sofrimento inútil. A Procissão da Miséria Humana desconhece o poder exercido pela identificação. Precisamos ser impecáveis. E impecabilidade é  esforço e sacrifício no sentido de evitar o escoamento involuntário de energias. Só assim a intenção nos verá e quem sabe predisponha a colocar-se em nosso caminho.

as montanhas...

Este magnífico fenômeno, esse abrir-se ao propósito do Alto recebe o nome de Poder. Manifestá-lo no sentido correto da expressão, significa deixar que a intenção nos alcance por sua própria vontade. Isso permite que tenhamos maior facilidade nas relações humanas e na solução de conflitos e problemas, e também influenciar acontecimentos ou intuir de forma objetiva na conduta daqueles que nos são próximos. É como se uma gama de possibilidades até então desconhecidas, de repente, se tornassem evidentes. Um homem que tenha desenvolvido esse tipo de intenção não planeja nada antecipadamente, mas seus atos são decisivos. Torna-se difícil às emoções negativas vencê-lo, e avança no sentido de não se curvar diante da identificação. O mesmo objeto de antes já não terá valor igual, mas sim o justo valor que representa para si mesmo em função do outro, e em estrita comunhão com a natureza. Este homem passa a ver o mundo com outros olhos. Por exemplo, a intenção de presentear com uma simples rosa pode disfarçar os arautos da auto-importância,  permitindo a degradação de canteiros inteiros de flores. Um homem de intenção mecânica não reconhece valores, mas aquele para o qual a intenção acenou respeita a natureza e não dilacera uma rosa por objetivos mesquinhos. Não seria mais romântico levar a pessoa amada diante de um canteiro e ambos tocarem a rosa, sem a necessidade de tirá-la do seu habitat?

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O terceiro tipo de intenção é quando permite que nos adaptemos à sua forma e valor. É um verdadeiro momento de poder e libertação. Passamos a ser unos com ela, ou seja, nos transformamos na própria intenção, mas para isso devemos ser impecáveis em nossas ações. Esta intenção foi dada a Abraão, Jó, Daniel, Salomão e a outros grandes nomes da Tradição Cristã. Significa que o detentor deste poder pode manipular a própria vontade. É como se a intenção tivesse se fundido a esses homens, transformando-os numa força pura e ilimitada. No século passado homens notáveis foram detentores dessa glória, dentre eles o Sr. Gurdjieff e sua magnífica ESCOLA, visando o despertar da consciência do homem. A ESCOLA nos diz que o fazer do homem é efêmero e circunstancial, mecânico e subjetivo, ou seja, uma repetição monótona do fazer comum, sem propósito e determinação. Isso porque os homens nº 1, 2 e 3 ainda não despertaram e por isso não têm acesso à intenção em sua forma pura e natural.

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O grande feito da intenção é que através dela podemos deter por um bloqueio funcional o imenso poder do primeiro anel, limitando sua capacidade de reunir e determinar vestígios. A intenção é determinante da intensidade e direção do primeiro anel de poder. Uma nova maneira de pensar tem o significado de um alimento mais nutritivo e menos compulsivo, pois através  de novas idéias podemos rever todo o processo de automatização do anel. Antes recebíamos tudo de forma mecânica, mas agora somos convidados à reflexão. Será que está realmente claro o alcance tremendo dessa afirmação? Vamos exemplificar: se o poder do primeiro anel for rompido, o vestígio conceituado como dinheiro, e que pode comandar e escravizar ações passa a ser apenas um pedaço de papel, sem valor algum. A partir daí, o que viermos a fazer dele pode mudar o rumo de nossa vida. Mas para isso precisamos ter uma intenção inflexível.

Que assim seja!

034 – O primeiro anel de poder

In Artigos on 22 de abril de 2011 at 12:40

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Neste e nos próximos textos vamos desenvolver uma seqüência de temas que consideramos importantes e fundamentais a todos aqueles que buscam o Verdadeiro Conhecimento: O primeiro anel de poder, A intenção, As águas revoltas e A travessia do Mar Vermelho. O conteúdo implícito neste Conhecimento chegou até nós através dos feiticeiros Toltecas, portanto, data de aproximadamente 10.000 a.C. A sequência ditada pelos mentores do Tratado tem início com o pressuposto cativo da alma humana, ou primeiro anel de poder, até alcançar o estado de libertação interior, simbolizado pela travessia do Mar Vermelho, ou margens  entre o lado direito e esquerdo do homem. Tudo acontece no universo interior do próprio homem, suas montanhas e vales, planícies líricas e vertentes montanhosas e íngremes. Um imenso rio de águas turbulentas, seres místicos e sombrios separa o lado direito do lado esquerdo do homem. É preciso firme propósito e resolução signatária da própria morte para superar e vencer esse intervalo entre os dois mundos.

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O mundo que percebemos através dos sentidos não possui consistência tão real e imutável quanto possa sugerir. Nossa familiaridade com ele nos leva a crer que aquilo que observamos como um mundo de objetos reais existe de forma precisa tal qual o vemos, quando na verdade não há um mundo de objetos, mas sim um universo de emanações, materializado segundo a configuração de Três Forças. Uma árvore, por exemplo, é apenas um conceito árvore porque decidimos assim através de um consenso árvore. Pode ser apenas uma suposta mancha esverdeada para aquele que não assimilou o conceito árvore, mas pode ser também um conjunto de emanações que por uma razão específica se nos apresenta como uma árvore. Assim, a aparente uniformidade das afirmações pode não ter a lógica das configurações racionalizadas.

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Segundo o Verdadeiro Conhecimento, esses comandos ou emanações são a única realidade imutável. Englobam toda a existência: o perceptível e o não perceptível, o visível e o invisível, o tangível e o intangível, o audível e o inaudível. A ESCOLA denomina a origem comum das emanações como O Absoluto, seguindo a partir dele o seu  fluxo ininterrupto por camadas cada vez mais densas e de menor frequência. Sendo que na origem as emanações formam um TODO indivisível, onde as Três Forças estão unificadas. Somente a partir do mundo subsequente é que as Três Forças ganham individualidade e poder. No Conhecimento Cristão Primitivo as Três Forças individualizadas receberam o nome de Miguel, Gabriel e Rafael. Aqueles que buscam o Verdadeiro Conhecimento devem priorizar um objetivo maior em sua vida: desenvolver a Segunda Atenção, para que possam, de forma ainda rudimentar, iniciar o sentir em si mesmos o fluxo ininterrupto das emanações. Por isso insistimos tanto na prática da Observação de Si Mesmo, pois ela é o começo de tudo. É a base de sustentação do homem desperto.

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A percepção é uma faculdade física cultivada por todos os seres vivos da terra, mas quando se refere a nós como espécie humana o resultado final é conhecido pelos observadores como atenção. A atenção é definida como a utilização racional e canalizada da percepção. É uma unidade lógica que permite assimilar conhecimentos e desenvolver capacidades. Todo o processo de aprendizado tem início com a atenção direcionada ao propósito em questão. É neste conglomerado de idéias que existimos como ser pensante e ativo, que pode desenvolver e facilitar processos, visando o bem estar e a vida em sociedade. Assim crescemos como cultura e civilização, mas nos esquecemos de algo singular: a atenção é apenas um módulo de sustentação, o mais simples e objetivo, pois visa apenas a conceituação do eu como uma individualidade. Representa, por assim dizer, o limite territorial de nossa casa, mas além do portão há um mundo de possibilidades.

anel 5

Quando a atenção assume caráter de rotina e  afasta de seu campo perceptivo as emanações consideradas alheatórias aos seus interesses sensoriais, acaba criando aquilo que chamamos vestígios. Por exemplo, uma árvore, uma pedra ou uma casa são vestígios criados pelo homem. Mas as emanações subjacentes continuam a existir numa configuração imutável e eterna. Concluímos, portanto, que existe um universo infinito de possibilidades, além daquele confinado ao nosso sistema perceptivo condicionado. Basta mudar a posição da mesa em uma sala de estar para que uma nova configuração nasça diante dos nossos olhos. Observe e verá que um novo universo perceptivo se afigura rapidamente. Desde a mais tenra infância, quando iniciamos o processo de aprendizado, relutamos em perceber tudo à nossa volta em termos de vestígios, pois ainda interagíamos com um universo infinito de possibilidades. Mas com o tempo as emanações que não coadunavam com os interesses da cultura e civilização, como também aquelas que não eram condizentes ao aparato psicológico de nossos progenitores deixaram de ser registradas pelos sentidos. Mas compreenda que:  deixaram de ser registradas, mas não deixaram de existir. Interpretamos como realidade aquilo que a nossa atenção aprendeu a construir. Mas essa não é a única realidade, senão uma numa sequência infinita de outras.

anel 6

O primeiro anel de poder é um círculo que aprisiona determinado número de emanações, possibilitando assim imprimir o que convencionamos chamar de vestígios, sendo que os vestígios convencionados agem exclusivamente em função da primeira atenção. Todo ismo é um anel de poder que prende a primeira atenção ao círculo imaginário de suas crenças. É praticamente impossível ao homem circunscrito ao seu limitado raio de ação ver além dos vestígios que a doutrina determina por meio da hipnose e sugestão. Este anel de poder, por seu caráter obrigatório condiciona aqueles limitados ao seu raio de ação a interpretar vestígios em comum acordo, sem nenhuma possibilidade de questionamento. Dentro de uma congregação a concordância de reprodução fiel dos vestígios é uma exigência absoluta, pois o condicionamento ao primeiro anel de poder deve ser total. O homem sob o domínio desse anel tem como referência de si mesmo o planeta Terra e deveria estar sujeito a 48 ordens de leis, mas com todos os limites impostos pela identificação pode chegar a 96 ordens, ou até mais. Um anel de poder sela uma aliança e toda aliança limita e condiciona.

anel 7

É essa conformidade que nos faz acreditar que os vestígios são reais tal qual os vemos, independente de nossa percepção. O determinismo deste anel condiciona nossa maneira de ver, pensar, sentir e agir, mantendo-nos cativos à velha maneira de pensar. Esse anel é a roda de Samsara dos textos budistas, ou o Inferno dos cristãos. Todas as religiões do mundo usam a magia desse poder para prender a primeira atenção ao círculo fechado de suas idéias, crenças e tradições. O maior e mais astuto artifício criado para a manutenção do sistema de condicionamento chama-se fé, e através dela um artifício de longo alcance financeiro: o dízimo. O verdadeiro caminho de regresso à casa do Pai passa obrigatoriamente pela coalizão de Três Forças: Entrega, Confiança e Fazer. Em nenhum dos três caminhos o homem precisa ter, ao contrário, se for investido dela passa a ser induzido e deixa de ser real. A verdadeira tradução para o termo grego que originou a palavra FÉ tem o significado real de CONFIANÇA. E lembre-se que Jesus disse para não confiar nas sutilezas do homem, portanto, não confie nas suas Tradições Religiosas.

anel 8

Se queremos alcançar uma nova maneira de pensar temos que bloquear, interromper ou parar, fazendo com que essa enorme pressão seja deslocada e o poder desse anel deixe de agir sobre nós da forma como o faz hoje. Para isso a prática da Observação de Si Mesmo é extremamente necessária, pois somente através dela podemos dar os primeiros passos na luta contra a identificação. É a identificação que nos submete e condiciona ao primeiro anel de poder. Quando um homem é questionado à cerca de qual a sua religião e responde esta ou aquela é porque está identificado com o seu limitado raio de ação, perdendo assim contato com um infinito mundo de possibilidades reais. O poder da Identificação é tão grande que, tais como somos hoje, não podemos dar um passo sem estarmos submissos às suas diretrizes. Deus é um ser ilimitado, mas ainda insistimos em torná-lo cativo às nossas pressupostas tradições.

anel 9

Em relação a nós enquanto pessoas, a identificação assume duas formas, que convencionamos chamar de: Consideração Interna e Consideração Externa. A primeira é prisão dos sentidos. Está sob o signo do primeiro anel de poder e consiste em nos colocar sempre em evidência. É inconsciente e, segundo suas limitações, tudo gira em torno de nós e em relação aos nossos interesses pessoais. A segunda é o princípio da não identificação. Consiste em ver ao outro, suas limitações e necessidades, e ver a nós mesmos em função dele, dirigindo ações não no sentido exclusivo do bem-estar pessoal, mas visando o bem-estar do próximo. Todo e qualquer círculo num universo de três dimensões tem sentido limitador e inconsequente. A longo tempo se dissolve novamente no nada. Assim foi com todas as crenças de todos os povos, em todas as épocas, culturas e civilizações. Nos primeiros 3oo anos vive estado de ascensão, depois permanece estável até a casa dos 700 anos e depois continua a celebrar os mistérios, sem nenhuma relação com a origem. É assim com o Cristianismo de hoje, até retornar novamente ao nada, cedendo lugar a uma nova cultura e tradição.

anel 10

O primeiro anel de poder tomado em si mesmo não é  ruim, talvez a grande realização da raça humana no caminho do desenvolvimento da consciência. O problema passa a existir quando fazemos uso errado do poder e nos iludimos, tomando vestígios como únicos, objetivos e reais. Esta prisão não tem nenhum poder que possa nos manter cativos ali, nós é que não sabemos como usar as chaves e fugir. É como se tivéssemos um modelo de aeronave ultra moderno, mas insistimos em atrelá-lo a cavalos e conduzi-lo por  estradas esburacadas e barrentas.

Que assim seja!

033 – Fazer

In Artigos on 21 de abril de 2011 at 19:35

fazer 1

Estamos, finalmente, chegando à parte final de nossa trilogia: Entrega, Confiança e Fazer. Vamos conviver a partir de agora, com a página de mais difícil assimilação de todo o Tratado. Estamos convictos de que podemos fazer e, se por acaso, algo der errado hoje mantemos viva a obstinação de fazer amanhã de manhã. Enquanto outros estão plenamente convictos de que podem fazer mais e melhor. Enfim, não abrimos mão de poder fazer. Por isso não compreendemos que durante toda a vida algo faz por meio de nós. É muito difícil dizer a um empresário bem sucedido: Você não pode fazer absolutamente nada. Mas são estes os mais necessitados de conviver com essa possibilidade. Também no mundo dos afazeres diários, quando estamos em paz no lar junto à família torna-se difícil compreender toda a extensão e conteúdo desta página.

fazer 2

Em verdade, deveríamos ser apenas um bambu oco, ou seja, um canal para a materialização de incontáveis Tríades, segundo conveniências diversas. Mas insistimos na proliferação dos nós, sem dar conta do que isso representa. As Forças às quais nutrimos dependem de Conhecimento e Ser. Nada acontece por acaso. Tudo tem um significado singular e objetivo. Diz-nos o ensinamento Tolteca que estamos cativos em humaneros sempre prontos para o abate, quando o apetite dos predadores assim aprouver. Portanto, o que chamamos fazer pode ser uma gama de atividades que está dominando nossas vidas e nos levando a lugar algum.

fazer 3

Essas Forças, que se utilizam de nós para a manifestação no mundo dos seres tricerebrais têm ao seu dispor uma diversidade de armas muito poderosas, tais como: a convicção, a razão, a auto indulgência, a afirmação categórica, a resolução, a vaidade, o orgulho, o mérito e a justificativa. Voltamos a enfatizar que é muito difícil para alguém que desempenha um cargo importante e tem um ótimo padrão de vida ouvir que não podemos fazer absolutamente nada, que em nossa vida tudo acontece. Não é fácil para um homem de negócios, um investidor bem sucedido compreender isso. A obstinação reluta em dobrar-se diante da torpeza de tal revelação.

fazer 4

Somos seres de continuidade, totalmente submersos em leis pessoais e circunscritos a leis planetárias. Às vezes, quando há um rompimento nessa continuidade, digo, nessa rotina do homem máquina, ou seja, quando perdemos um ente querido, o emprego, ou quando relutamos em aceitar as evidências do fim de um relacionamento, ou ainda, quando somos levados ao leito de um hospital, temos um lampejo do que significa não podermos fazer absolutamente nada. Mas a forte tendência à restituição ofusca o brilho do novo e recaímos na mesmice da subjetividade. Tem sempre algum guru de plantão para nos incentivar à vitória. 

fazer 5

Prestemos atenção a isso: O que chamamos fazer é aquilo que por imitação e imaginação todos fazem. E todos fazem da mesma maneira, exatamente igual. Bilhões de dólares são investidos em propaganda e tecnologia para nos induzir a fazer. São depositadas, diariamente, milhares de sugestões em nosso sistema subliminar, portanto, nossas respostas estão todas condicionadas. O fazer do homem não é objetivo, apenas circunstancial. Se nos leva a um padrão aceitável, dizemos que alguém faz. O mérito do fazer acena com possibilidades de restituição, mas quando cruzamos com um Buda sentado à sombra de uma árvore seca contemplamos o verdadeiro fazer do homem. A objetividade nos convida a preservar, enquanto o fazer incentiva a conquistar sempre mais, como um falso intuito de preservação.

fazer 6

É por essa razão que a ESCOLA nos diz que o fazer começa pelo não fazer. Tentemos não fazer aquilo que em virtude de estarmos identificados fazemos todos os dias. Tente. Veja as suas reais possibilidades. Homens adormecidos não fazem, apenas sonham que estão fazendo, imitam e respondem automaticamente. Somos induzidos a fazer desde tenra idade por meio do exemplo herdado dos pais e dos auspícios da tradição. Todas as células do corpo tomadas individualmente são potenciais na matéria. Possuem individualidade e são capazes de pensar e agir de forma alternativa, quando educadas para isso, mas um amálgama de sugestões lhe é implantado através da hipnose, corrompendo valores originais e redirecionando princípios, segundo conveniências. Toda cultura é disseminadora de ideias, conflitos e opiniões. Aquilo que a enriquece e corrompe é bem-vindo, enquanto a civilização doutrinada perde  o rumo, cedendo à famigerada índole da barbárie.

fazer 7

O Fazer provém de uma Mente Superior. Enquanto o ser do homem estiver identificado com as camadas inferiores da existência, não lhe será possibilitado fazer. É como se tentássemos levantar uma pedra de duas toneladas, usando apenas a força física das mãos. Não temos energia suficiente para isso. O fazer na linguagem dos Feiticeiros Toltecas tem o significado de Ver e Ver significa Agir. Só o lado esquerdo do homem, ou seja, aquele que está em vias de despertar pode realmente fazer. O fazer é a mais bela arte agraciada ao homem, e nem o glorioso período da Renascença contemplou arte tão sublime. Em muitas situações o fazer se processa na Observação de Si Mesmo, pois sugere a possibilidade da avaliação pessoal, antes da tomada de uma decisão.

fazer 8

Mas o Círculo Consciente da Humanidade, ou seja, aqueles que vislumbram o fazer de forma plena e objetiva, ou ainda a ESCOLA, nos legou uma possibilidade real e concreta: a entrega e a confiança. É naquele Reino que tem origem a afirmação: Eu farei. Nasce assim o fazer de Deus, que em escala e relatividade é a confirmação do fazer do homem. Mas para que tal possibilidade se concretize, temos que abrir mão de uma série de convicções arraigadas em nossa mente e coração. Faz-se  necessário assimilar um conteúdo diferenciado dos ensinamentos condicionados pela religião, seus credos e dogmas. Temos que renascer da Água, do Sangue e do Espírito Santo, pois sem isso torna-se impossível  fazer. Todo o acervo do Tratado do Lobo e o Cordeiro é um convite ao despertar, para que possamos iniciar o fazer, mesmo que de uma forma ainda extremamente rudimentar. Despertar significa Renascer.

fazer 9

A verdade é que estamos profundamente adormecidos, alguns mais, outros menos. Entendendo por adormecidos um estado letárgico da alma, um estado de identificação que impede ver a realidade inerente aos fatos. Mas o Lobo e o Cordeiro não dormem jamais. Estão sempre ali. O Lobo à direita, o Tonal. O Cordeiro à esquerda, o Nagual. São pacientes à espera do despertar do homem. Os métodos utilizados por cada um é que são diferentes, mas o propósito é o mesmo: o despertar do homem. Às vezes o Lobo nos sacode violentamente, mas em represália escolhemos exorcizá-lo.  E assim seguimos adormecidos em direção ao Cordeiro que habita nossa imaginação. O Cordeiro real está além, muito além do imaginário.

fazer 10

O Cordeiro guiou o Povo de Deus durante os quarenta anos no deserto, mas foi o Lobo que o conduziu na travessia do Mar Vermelho. Diz-nos o Verdadeiro Conhecimento, que quando Moisés tocou o chão com seu cajado, o mar não se abriu imediatamente. Então o Lobo se apossou do corpo de um daqueles valentes guerreiros, dizendo: O que estamos fazendo aqui parados? Vamos adiante! Adentrou as águas do mar, e quando as águas cobriram a sua cabeça o mar se abriu. A confiança daquele Povo e sua determinação são dignas das páginas Sagradas da Bíblia. O Lobo não é o signatário do mal como o querem os defensores da doutrina, mas um bode expiatório escolhido para ocultar o medo, a insanidade e a covardia dos seguidores de suas crenças.

fazer 11

O Lobo e o Cordeiro podem fazer, estão despertos. São anjos de Deus a nos mostrar o caminho: O Anjo das Trevas e o Anjo da Luz.  Pois um dia tem 24 horas, das quais 12 correspondem ao dia e as outras 12 à noite. A Sabedoria do Alto compreende a aparente dualidade manifestada no mundo físico, mas nos convida à unidade do Ser. O Lobo e o Cordeiro são apenas UM, apresentam-se como uma dicotomia, somente devido às restrições que nós mesmos impomos aos nossos sentidos.

O Fazer é mágico. Significa uma transmutação alquímica do nosso vil metal em ouro, ou seja, da mente mecânica e passiva em consciência ativa e transformadora. É essa transmutação que possibilita à  personalidade tornar-se passiva para que a Essência (Aquele que Faz) se torne Ativa em nós.

                                    O FAZER COMEÇA PELO NÃO FAZER.

fazer 12

                                        

Que assim seja!

032 – Confiança

In Artigos on 21 de abril de 2011 at 15:50

confiança 1

Estamos diante de uma palavra que a cada dia torna-se mais evasiva, perdendo conteúdo e significado. Relações confiáveis inserem a ideia de um passado remoto, algo como a vaga lembrança de uma época em que a palavra de alguém valia mais que uma assinatura codificada num pedaço de papel. Mas, os ventos mudaram e estamos vivendo um novo tempo, sob o signo da desconfiança. As relações sociais, nosso intercâmbio e convívio estão sedentos de significado.

confiança 2

Qual o pleno significado de confiar? Será simplesmente a crença de que nossas expectativas serão avalizadas e cumpridas corretamente dentro do prazo previsto? Confio a você hum mil reais, por favor, não se esqueça da data prevista para o pagamento ou confio na sinceridade dos seus sentimentos e sei que não irá me trair, ou ainda acredito piamente no seu projeto e sei que alcançará o objetivo, boa sorte! Todos os exemplos citados são atitudes que envolvem o ato de confiar, mas ainda não suscitam a confiança em sua realização plena.

confiança 3

A confiança é um ato tão singular que a própria ESCOLA nos ensina: Pobre do homem que confia no próprio homem. Será que é realmente interessante depositarmos nossa confiança numa legião de eus, muitos dos quais nem sequer se conhecem uns aos outros? Se a imaginação tomou as rédeas e dirige a mente e o coração dos homens, então, aquilo em que confiamos é real? A principal característica dos homens número 1, 2 e 3 é a imitação e a imaginação. São, por assim dizer, edifícios erigidos sobre os alicerces da Identificação. Aquilo que entendemos hoje por confiar significa estar identificado com a confiança, é uma submissão, uma aparente escolha. Somente quando o ato de confiar está isento da identificação, pode tornar-se real. Quando a confiança exige submeter-se a um processo, a uma exigência temporal, perde todo o seu conteúdo e significado.

confiança 4

Confiar está além dos limites do espaço e do tempo. Trata-se de uma atitude que revoga todas as intenções, envolvendo estados emocionais profundos, cujas respostas podem ser desastrosas quando não cumprimos o prometido. As varas cíveis estão abarrotadas de processos, cobrando o não cumprimento de expectativas criadas. Confiar relaciona-se por inteiro com o conceito de Assentamento do Mundo, pois delineia expectativas que quando satisfeitas servem de alicerce para as relações humanas. Portanto, promessa é dívida. É linda e repleta de significado a expressão do Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Cativar envolve expectativas que, uma vez criadas, sobrevivem e tocam a Eternidade. Não existe confiança onde não houver amor incondicional. Não existe confiança sem entrega absoluta.

confiança 5

A própria ESCOLA confiou talentos aos homens; confiou riquezas imensas a Abraão; confiou no firme propósito de Jó; confiou verdades aos Profetas e confiou também em Judas Iscariotes, pois caso viesse a falhar na hora crucial daquele beijo o martírio não se cumpriria, segundo o que estava escrito. Não nos esquecendo que confiou, ainda, o Lobo e Cordeiro ao homem para que os mantendo indenes tivesse contato com aquilo que lhe foi preparado desde o Alto.

confiança 6

Torna-se difícil falar sobre confiança na linguagem comum. O seu significado pertence ao contexto da Tinta Fogo Branca, portanto, está além da literalidade expressa em Tinta Fogo Negra. Confiar é uma Força e não pode se manifestar sem que a Tríade esteja completa. Confiar é uma entrega simples e incondicional, sendo assim, não exige retorno de espécie alguma. Nós não podemos confiar plenamente sem uma entrega total. Também não podemos nos entregar, caso não tenhamos total confiança no Poder que nos guia. É muito bonita, rica em significados, essa relação entre entrega e confiança. Só a relação harmoniosa, idônea e leal entre estas duas Forças possibilitará a Terceira Força, a que sabiamente Davi chamou de ‘o fazer de Deus’.

confiança 7

A parábola do Filho Pródigo é um exemplo vivo de uma relação desse tipo: o Pai não o julga, não insere cobranças, nem cria expectativas, apenas age com justiça, dando-lhe parte da herança que por direito é sua. Toda relação de Deus para com o homem está diretamente marcada pela confiança, mas o Pai não pode fazer sem a entrega incondicional do filho. É nesse ponto que as Forças trocam de lugar numa intensidade tão grande que torna-se impossível dizer qual é a Força Ativa e qual a Passiva. O fazer do Pai se manifesta quando ordena que matem o Novilho Cevado e façam grande festa. Compreendam uma coisa: Só o Pai pode ordenar que matem o Novilho Cevado. E o Pai ainda lança um olhar de esperança para o filho mais velho, como se dissesse: Porque não pedes tu também a tua parte da herança e vai!

criança

O ato de confiar plenamente já sugere a própria entrega. Se confiamos deste modo, então não temos mais nada a perder, pois essa relação não envolve posse alguma, nenhuma exigência, não interpõe nenhuma expectativa. Já não buscamos mais nenhum mérito, nenhuma realização de caráter estritamente pessoal.

corujinha

Prestemos especial atenção a isso. Quando aportamos aqui neste mundo, é porque já recebemos desde o Alto todo o necessário à nossa sobrevivência física. Não necessitamos de absolutamente nada, além de simplesmente redirecionar a herança recebida. O que rotulamos como necessidades artificiais são aberrações criadas e mantidas pelos hábitos, pela cultura e pela tradição, que constantemente nos cobram mais e mais. A intransigência das relações humanas, a posse e a ânsia de se ter sempre mais alimentam um falso poder e dificultam sobremaneira a redistribuição da riqueza do cosmos. Portanto, quando falamos em confiança não estamos nos referindo a confiar algo que seja absolutamente nosso, da mesma forma que, quando falamos em entrega não queremos dizer com isso que estamos perdendo alguma coisa. A única forma real de ganhar é sendo gratos por tudo e por todas as coisas.

confiança 8

Porque não confiamos? Desde o Alto nos foi passada a mensagem de que é dando que se recebe, então porque insistimos em proteger bens fictícios no cofre de uma alma vazia? E os talentos que também nos foram confiados, o que estamos fazendo deles? Será que estamos conseguindo repassar a você a íntima relação existente entre entregar e confiar? Sem a prática dessa relação o homem nada pode fazerA Procissão da Miséria Humana não faz absolutamente nada, na sua vida tudo simplesmente acontece. A rotulamos por procissão por ser autômata, onde todos seguem cativos o mesmo destino, com passos lentos e carentes de objetividade e sentido.

Fala-se muito hoje na palavra fé, mas lhes digo: Se não Confiares com todo o teu Corpo, com toda a tua Alma e com todo o teu Espírito, poderás ser uma árvore majestosa, mas, com certeza, destituída de raízes.

Que assim seja!