Lázaro de Carvalho

022 – Fronteiras imaginárias

In Artigos on 25 de março de 2011 at 20:26

Fronteiras erigidas em nome da Luz, dos sonhos e das crenças. Artifícios vários estes que usamos para demarcar o engodo da alma. Imposições e limites, além do real e eterno. Dizimo de Luz que teima em não alimentar mãos inertes e vazias. Luz além da luz, onde espaço e tempo se abraçam e se beijam num orgasmo sem fim. Insistimos em demarcar territórios na vã tentativa de consolidar posses, ideias e até abstrações, mas indiferentes a isso o céu e as estrelas cumprem o seu destino.

Fronteiras do fim do mundo demarcando o desconhecido do incognoscível; separando civilizações e barbáries, com suas culturas crescentes e decrescentes. São linhas divisórias da fome, do frio e das crenças. Muito além do civilizado e do indigente apontam para os aventureiros e transeuntes, sombras clandestinas nos barcos e veleiros a singrar mares bravios. Separam a suntuosidade e a luxúria dos nobres e abastados, das vestes sujas dos cadáveres ambulantes. Não há fronteiras para retinas que enxergam, além do comum, aquilo que vem depois.

SÃO FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS QUE DIVIDEM E DISCRIMINAM; ANTROS DO CAPITALISMO SELVAGEM, DIVIDINDO NADA EM COISA NENHUMA.

Fronteiras imaginárias diz respeito às proibições, limitações e ao desconhecido. Quer sejam físicas, psicológicas, sociais ou humanas, apenas convidam ao caminho da superação. Separam lados, territórios, realidades. São fronteiras do cotidiano, que rotulam a criação para criar e facilitar formas geográficas. Limitam a vida numa vertente geográfica. Assim, criamos uma alternativa sequencial, uma rotina, que permite traçar geograficamente nosso próprio destino e dos filhos. Delimitam áreas, procedimentos e ações. As fronteiras imaginárias são desenvolvidas na mente, no corpo e no coração. Fronteiras da espiritualidade, gerando constantemente energias  que modificam o espaço geográfico da existência.

Não há fronteiras. Todas são imaginárias, portanto artificiais, falsas criações dos hábitos e necessidades humanas.

A CONSCIÊNCIA É UM VASTO OCEANO DE LUZ E NENHUMA ILHA PODE SE OCULTAR NA ESCURIDÃO.

Criamos o artifício das fronteiras para delimitar territórios, criar escudos imaginários, representar papéis, esconder a verdadeira identidade sob as camadas de nossa sombra, e usar esses mesmos papéis para projetar personas que criem facilidades, posibilitando a satisfação dos desejos.

NÃO HÁ FRONTEIRAS PARA A LUZ, QUANDO ESTAMOS LIVRES DOS EXTREMOS.

SOMENTE A SOLIDEZ E A INDIFERENÇA NOS FAZ PESADOS E INERTES.

A sombra que projetamos depende da incidência da luz, mas quando ocupamos o centro, livre dos extremos, as fronteiras acabam e não há sombra alguma, apenas luz.

Por detrás de todas as instituições religiosas do mundo inteiro, sempre houve um movimento espontâneo de separação. Como seres egoístas buscamos sempre independência em relação a tudo e a todos. Somos únicos e absolutos e agimos como se não precisássemos de ninguém. Nossas ações refletem autonomia e separação. Por trás de cada ação há sempre alguém convencido do próprio valor e dignidade. Aprendemos a viver assim. Isolamo-nos em famílias ou dentro delas, em pequenos grupos ou subgrupos, inclusive dentro das comunidades, e formando grupos comunitários. Criamos fronteiras imaginárias entre culturas, arte, música e sexos.

SOMOS, ENFIM, SERES SOCIAIS QUE ABRIGAM DISTÂNCIAS PROFUNDAS NAS RELAÇÕES HUMANAS.

Basta observar as ruas das grandes metrópoles e os corredores dos edifícios, como se parecem a um labirinto frio e solitário, onde só nos vemos em raras ocasiões, quando nos encontramos casualmente na hora do almoço ou no elevador.

ATENÇÃO: AS FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS ESTÃO CRESCENDO ASSUSTADORAMENTE.

Toneladas de ferro e madeira, grades, portões e portas, trincos e ferrolhos, são armas usadas por elas. A barbárie avança sobre o cadáver da civilização.  Lembre-se que civilização é sinônimo de liberdade, convívio harmonioso e respeito mútuo, enquanto a barbárie asfixia, projetando o medo, a mentira e a insegurança. Quando construímos uma proteção de aço sobre o muro de nossas casas é porque já as temos dentro de nós. Sistemas eletrônicos de proteção cada vez mais sofisticados estão sendo lançados no Mercado da Insegurança e do Medo, para nos proteger de nós mesmos.

Portanto, é natural criarmos fronteiras artificiais dividindo o Lobo e o Cordeiro. Toda artificialidade alimenta a imaginação e traduz um falso sentimento de segurança pessoal e coletiva.

COLOCAMOS UM CÃO DE GUARDA NO QUINTAL PARA DISFARÇAR OS LATIDOS QUE ECOAM NA ALMA E CORAÇÃO.

É sempre assim, o Lobo clama por liberdade e o mantemos cativo no subsolo do Eu Imaginário. Calamos a boca da civilização e botamos a culpa na barbárie. Olhamos absortos para o Céu, louvando o advento do Salvador e Senhor, que virá por sobre as nuvens, alardeado por um coro de anjos, enquanto exorcizamos o Lobo, como Bode Expiatório das atitudes impensadas e inconsequentes. Ora, convenhamos! Isso é no mínimo ridículo!

PRECISAMOS SER MAIS RESPONSÁVEIS POR NOSSAS ATITUDES, ISSO É O MÍNIMO QUE NOS É SOLICITADO.

Declaramos amor ao próximo, mas ao mesmo tempo nos afastamos dele. E quando somos alertados pela mídia para a eventual ocorrência de algo trágico, corremos a socorrê-lo. É preciso Despertar para compreender que a hipocrisia humana não tem limites. Precisamos desenvolver a Consideração Externa, ela possibilita ver a nós mesmos através do outro. Há muitos anos estudo estes fenômenos psicológicos e sociais e posso afirmar com absoluta certeza: a barbárie está submetendo a civilização sob o seu jugo. A era tecnológica e a chamada sociedade do conhecimento estão ampliando ainda mais o fosso que divide povos e nações. As fronteiras imaginárias estão em franca ascensão.

SÓ EXISTE UMA POSSIBILIDADE PARA IR ALÉM DAS FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS: A LEMBRANÇA DE SI MESMO.

São essas fronteiras artificiais que separam o Lobo e o Cordeiro. O mundo está carente de significado, enquanto atitudes estão sendo tomadas sem um mínimo de visão e reflexão, ou seja, profundamente evasivas e dispersas. É necessário estar convencido de que as fronteiras imaginárias podem e devem ser superadas, possibilitando assim a união dos opostos.

Que assim seja!

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  1. […] escudos imaginários para nos proteger do infortúnio e da dor. As Fronteiras Imaginárias (art. 022) surgem exatamente […]

  2. […] o Lobo como Escuridão e o Cordeiro a Luz, agimos segundo os ditames das Fronteiras Imaginárias (art. 022), pois não há possibilidade real em separá-los de acordo com critérios de observação […]

  3. […] insaciáveis de possuir e desenvolver escudos, que possam proteger nossas fronteiras imaginárias (art. 022). Mas não sabemos que lutar pelos valores e reconhecimentos externos só nos trará satisfações […]

  4. […] dez mil à sua direita, que não será mais atingido. Significa que todas as Fronteiras Imaginárias (art. 022) do medo, quer sejam mil ou dez mil, já não têm nenhum poder sobre […]

  5. […] assim fronteiras imaginárias (art. 022) que fizeram de cada homem um setor departamentalizado. Investiu-se na individualidade, inclusive […]

  6. […] riquezas por não se ter nada. Como estamos viajando num universo mental de fronteiras imaginárias (art. 022), cumpre rompê-las com determinação e consciência. Os excedentes fétidos, sobras residuais na […]

  7. […] cultura sempre buscou estabelecer fronteiras (art. 022) entre ela e a barbárie, por isso o homem se auto dividiu entre Deus e o Diabo, sem nunca procurar […]

  8. […] mil à sua direita, que não será mais atingido. Significa que todas as Fronteiras Imaginárias (art. 022) do medo, quer sejam mil ou dez mil, já não têm nenhum poder sobre […]

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  10. […] teve início com a dominação da Lídia. Mais uma vez estamos diante das fronteiras imaginárias (art. 022)e suas consequências posteriores. A partir daí a sede insaciável de poder submeteu as colônias […]

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