Lázaro de Carvalho

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024 – Uma miríade de condicionamentos

In Artigos on 28 de março de 2011 at 21:32

São admiráveis as conquistas da ciência dentro de uma era tecnológica, apoiada exclusiva e exaustivamente no Centro Intelectual. Melhor dizendo, na parte motora desse Centro, alimentando como consequência a Sociedade do Conhecimento, onde velhos métodos produtivos são diariamente substituídos por uma uma moderna estrutura organizacional. Contudo, os admiráveis conceitos da modernidade não lograram harmonizar o homem belicoso e insatisfeito, dominado pela mídia e seus processos mirabolantes. Assim, somos insistentemente convidados a alimentar um materialismo-utilitarista.  Por detrás dos armistícios permaneceu oculta a semente da violência, por isso toda paz logrou ser passageira.  O estado de progresso espiritual da humanidade visa apenas possuir, dominar e gozar dessa paz por breves momentos, para, logo em seguida, atirar-se desarvorada em busca de mais poder, aquisições e conquistas. São esses padrões usuais que servem de parâmetro à Sociedade do Conhecimento. São subterfúgios utilizados para a manutenção e propagação do poder em nome de ideologias disfarçadas de interesses nacionais. A perplexidade, a hipocrisia, e a impostura predominam nas paisagens humanas.

Toda a sistemática social, decorrente da intelectualidade aliada à tecnologia, outorgou ao coletivismo industrial da atualidade o direito de cobrir de cinzas o velho individualismo competitivo, apenas tornando-o mais obstinado e insaciável, enquanto o alimenta com os artifícios da era virtual. Evidente que tais processos liberaram o homem de algumas fobias e certos mecanismos perniciosos de evasão, mas em seu lugar lograram êxito os padrões comportamentais de massificação.  Chegamos  a um grau de condicionamento em que não conseguimos dar sequer um passo fora dos padrões definidos pela procissão da miséria humana. Essa liberação é possível, mas passa obrigatoriamente pela incrível coragem de ser só. Richard Bach, em seu livro e filme Fernão Capelo Gaivota, nos legou um exemplo do preço a pagar, quando decidimos deixá-los para trás. Enfim, houve uma troca de conduta entre o individualismo competitivo e o coletivismo industrial, mas não uma renovação saudável, pois continuamos mais adormecidos e dependentes que antes. Todos os mecanismos responsáveis atualmente pela segurança emocional levam aqueles que não se engajam na competição doentia à acomodação, que é igualmente doentia. Precisamos pensar de uma maneira diferente, algo assim que nos traga idéias novas que possibilitem ultrapassar obstáculos sem criar outros, ou seja, elementos que ajudem a nos lembrar de nós mesmos. Tudo está do jeito que está, porque não nos lembramos do verdadeiro propósito da existência.

Nossa rotina diária tornou-se metódica. A coerência de comportamento exigida pelas células condicionadas do corpo e mente adormecidos chega a ser aterrorizante. A rotina processual ganhou disfarce e dimensão de segurança pessoal e coletiva, enquanto alavanca o progresso tecnológico e automatiza a mente, perdendo o homem sua capacidade real de pensar e agir diante do mesmismo repetitivo e deprimente. Estamos de volta à Caverna de Platão, só que dessa feita repleta de artefatos virtuais. Repetimos gestos e ações e chamamos a isso fazer. Recompomos idênticos passos e as mesmas desinteressantes conversações, na maioria das vezes como forma de auto-afirmação. O homem adormecido esqueceu-se de que é um mamífero biossocial, criado para experiências e possibilidades de evolução diante de situações e iniciativas constantes e renovadoras.

Dentro desse contexto caótico e contra producente precisamos recriar a possibilidade de retorno ao nosso habitat original, ou seja, à Lembrança de Si Mesmo. Esse estado atual de carência e inversão de valores alimenta o mais abrangente de todos os sentimentos humanos: A Saudade do Todo. A conseqüência do movimento separatista interior, quando nos tornamos Seres Incompletos ao assumir a Forma Humana é um perene estado de angústia existencial. Todos trazemos no mais íntimo do ser uma necessidade profunda de retorno ao estado primordial, ao estado original de integralidade interior. Segundo os ensinamentos da ESCOLA, o retorno acontece quando nos tornamos seres completos, mas para isso é essencial manter indenes, íntegros, imaculados o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda. Todo condicionamento não condiz com a liberdade, sendo antes um referencial cativo e duvidoso. Observe que todo ente religioso que age por hábitos é preconceituoso e intransigente. Liberdade é um não condicionamento, uma vertente sem rótulos.

O Homem Integral está vivo e faz morada em nós. A essência é  o seu próprio ser, que alimenta cada consciência individualizada. Para reencontrá-lo, digo restabelecer o elo de conexão original perdido, precisamos superar a ilusão da separatividade, criada pela personalidade adquirida. Tanto o Lobo como o Cordeiro não podem ser privados um da presença do outro. São unos na alma. Nós, ou seja, você, eu, o Lobo e o Cordeiro somos partes dessa essência que sobrevive sob as densas camadas de uma personalidade fragmentada. Todo condicionamento, seja religioso, social, étnico ou outros é reativo e incoerente. O universo do improviso é um convite à ousadia da consciência desperta. Sem as amarras da razão é possível abrir mão das justificativas e se abrir ao novo.

Devemos desfazer a miríade de condicionamentos que nos foi imposta por atavismos, educação e pelo meio familiar e social em que vivemos. Precisamos perder a forma humana para reconquistar o reino que cada um de nós como seres completos representa. Esse reino é nosso por direito de nascença, somos filhos do Todo, herdeiros potenciais da sua existência. Entenda, quando digo herdeiros potenciais da sua existência não me refiro a sermos herdeiros do seu trono, nem da sua glória ou da sua luz, como também não me refiro a sermos herdeiros da sua segurança, bens ou da sua complacência, pois Deus não é dono de absolutamente nada. Ele é simplesmente tudo isso. Deus nada possui. Ele simplesmente É. O verbo possuir é evocativo do homem, não de Deus.

A LEMBRANÇA DE SI MESMO EXIGE ESFORÇOS SOBRE HUMANOS, POIS É A MAIOR CONQUISTA INDIVIDUAL DA CONSCIÊNCIA HUMANA.

Nenhum tipo de condicionamento pode possibilitar uma escolha consciente. O despertar da consciência é o verdadeiro propósito da existência e será alcançado mais cedo ou mais tarde. Pode ser que haja necessidade de vivermos milhares de vidas, mas um dia iremos nos lembrar quem realmente somos e qual o verdadeiro propósito da existência como seres auto-evolutivos.

Lembre-se do dilema proposto pela Esfinge de Gisé: Decifra-me ou devoro-te.  Não é apenas um desafio, mas a expressão de uma realidade incontestável. Lembra-te de ti mesmo e tudo o mais lhe será dado por acréscimo. Quando compreendemos que não há nenhuma salvação a ser buscada, que já estamos todos salvos. Quando vemos que o cativeiro humano é uma teia entretecida de ilusões, tudo começa a fazer sentido. Uma miríade de condicionamentos nos separa da realidade. Não vemos além do aparente do aparente a possibilidade do oculto do oculto.

A união dos opostos é essencial à Lembrança de Si Mesmo. A civilização, em cada lugar e em cada momento histórico teve de criar seu próprio método para alcançá-la, método este que existe sempre num contexto de precisas coordenadas de espaço/tempo. Sempre que nos colocamos diante do novo, daquilo que ainda nos é desconhecido, estamos sujeitos a uma escolha precedida por um período de crise íntima, de inquietação e angústia existencial. Isto soa em nós como se fosse um alarme, alertando-nos que o Lobo e o Cordeiro estão necessitando de uma atenção diferenciada, um alimento cósmico mais rico, menos denso e mais saudável. Mas sem romper as amarras dos condicionamentos esse propósito soa apenas como casual e envolto em ilusões.

Que assim seja!

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023 – Ansiedade

In Artigos on 26 de março de 2011 at 17:42

A ansiedade tem o seu início quando nos identificamos com as preocupações. Sentimo-nos intranquilos, envolvidos por um mal estar que não conseguimos definir, nem controlar. A ansiedade surge quando nos identificamos antecipadamente aos problemas, ou seja, a maior parte dos sintomas é gerada pelo sofrimento inútil. É o alimento sugerido pela imaginação, quando prevê situações potencialmente danosas ou qualquer ameaça à integridade pessoal, tanto física como moral. Quando identificados, com certeza, estamos submissos a algum tipo de ansiedade. Ela é nossa resposta a uma ameaça desconhecida, vaga, enquanto o medo responde por uma ameaça conhecida, definida. Mas, existem também causas biológicas, como anormalidades químicas.

A ansiedade surge normalmente quando entramos em contato com situações novas e desconhecidas, ou quando a situação contém alto valor afetivo. É uma incerteza que desperta pessimismo e a sensação de algo muito ruim, que pode vir a acontecer. Na maioria das vezes, está diretamente relacionada a algum tipo de emoção negativa. Entenda: O que nos protege é a ação e não as nossas idéias, portanto, as idéias servem para orientar, não para acelerar o processo. Tal como somos hoje, seres adormecidos, não temos muita escolha em relação à ansiedade, pois entre as suas causas estão as vivências interpessoais e problemas da primeira infância.

A ansiedade é uma perturbação psíquica caracterizada por um estado, quase constante e permanente de inquietude, preocupação, angústia, intranquilidade e desassossego. Surge, por exemplo, quando estamos com medo de algo, mas um medo irracional, uma tensão constante, medo de alguma coisa que não conhecemos, nem sabemos definir. Este medo, angustiante, incontrolável e constante, gera esgotamento na saúde física e mental. O ansioso tende ao isolamento, pois a ansiedade dificulta ou impossibilita a adaptação. É difícil ao ansioso compreender, pois quase nunca ouve, sendo o seu nível de ser uma oscilação constante em relação ao seu conhecimento. Quase sempre, ouve parcialmente aqueles que são condizentes com as suas expectativas, ou apresentam sintomas paralelos aos seus. Pode-se dizer que a ansiedade é um sentimento de apreensão desagradável, vago, acompanhado de sensações físicas.

Esse estado de preocupação ao qual a ansiedade induz faz com que o Lobo e o Cordeiro confiados à nossa guarda sejam negligenciados. Se, porventura, lhes prestamos atenção é mais em busca de alívio para as dores que para ir ao encontro de suas necessidades reais. Por isso, tanto o Lobo quanto o Cordeiro não se sentem confortáveis no ambiente das igrejas, pois são reais e não necessitam de paliativos. As chagas do Lobo e o Cordeiro não são advindas de nossas feridas e dores, nascem da alienação em relação à verdade e à santidade. Você conhece algum Cordeiro ansioso? Já viu algum Lobo em estado depressivo? Entenda que é extremamente importante manter indenes o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda. O seu futuro, o meu e o de nosso planeta, além do nosso futuro como espécie, depende disso.

O paleoencéfalo contém o que chamamos cérebro primitivo, aquele que é comum, tanto ao homem quanto aos vertebrados superiores e que comanda as funções básicas da vida vegetativa. Nesse nível encontramos o Lobo e o Cordeiro Primitivos, agindo como reguladores da fome, da sede, da respiração, da atividade cardíaca e digestiva. Eles são reguladores funcionais e associados diretamente aos nossos estados de ânimo, em particular, à ansiedade. Extremos são nutrientes potenciais de ansiedade e depressão, mas o acervo budista nos convida a seguir o Caminho do Meio. Esse caminho é um prelúdio de equilíbrio entre o Lobo e o Cordeiro.

A ansiedade também possui suas dádivas: É o sentimento de prudência que permite intuir com certa antecedência os perigos e as ameaças. É um acompanhamento normal do crescimento, da mudança, da experiência de algo novo e nunca tentado, e do encontro de nossa própria identidade e do significado da vida. Para isso contribui a sagacidade do Lobo, aquele estado de alerta que nos prepara para enfrentar corajosamente qualquer possível emergência. Mas, quando exorcizamos o Lobo, em lugar de sermos seguros e determinados, tornamo-nos motivo de constantes dúvidas e incertezas. O ansioso sempre hesita em dizer ou fazer qualquer coisa, sempre com medo de errar.

Grandes Sofrimentos Inúteis que afligem a humanidade têm como causa a ansiedade que assola o mundo, sendo ela a causa primeira de todos os distúrbios mentais. As rápidas e injustificadas variações de estados emocionais são para o ansioso motivos de sofrimento. Ele oscila entre a ferocidade do Lobo e a mansidão do Cordeiro. Aquilo que há alguns minutos era motivo de paz e harmonia, agora é solidão e tédio; o que antes retratava alegria e prazer torna-se incômodo e proposital. Mas é importante compreender que essas variações não são induzidas diretamente pelo Lobo e o Cordeiro, sendo antes respostas diretas às atitudes e intenções do homem.

Nossos estados de ânimo traduzem reflexos de um Lobo cativo que se agita e sofre, e de um Cordeiro que simplesmente observa. Somos tão inconscientes dos temores imaginários que podemos ser inocentados de repreensão e crítica. Se observarmos com certa precisão podemos ver o quanto o processo religioso incita, tanto os estados de ansiedade, quanto os de depressão. Um ser humano ansioso e depressivo é um alvo fácil para as comodidades religiosas atuais.

Podem ser dadas inúmeras definições do ansioso, mas a mais exata talvez seja aquela que o caracteriza como um ser que não é livre, nem no pensamento, nem no sentimento. Enquanto o Lobo e o Cordeiro continuarem asfixiados por estados de ansiedade, pelos nossos condicionamentos, não nos será possível encontrar a quietude e a segurança que buscamos. Só através da Observação de Si Mesmo é possível ver os laços invisíveis da identificação e, conseqüentemente, o motivo real dos distúrbios.

Com certeza, a Consideração Externa é o maior ansiolítico recomendado pela ESCOLA. Quando nos vemos a nós mesmos refletidos no outro a ansiedade cabisbaixa toma outro rumo.

Que assim seja!

022 – Fronteiras imaginárias

In Artigos on 25 de março de 2011 at 20:26

Fronteiras erigidas em nome da Luz, dos sonhos e das crenças. Artifícios vários estes que usamos para demarcar o engodo da alma. Imposições e limites, além do real e eterno. Dizimo de Luz que teima em não alimentar mãos inertes e vazias. Luz além da luz, onde espaço e tempo se abraçam e se beijam num orgasmo sem fim. Insistimos em demarcar territórios na vã tentativa de consolidar posses, ideias e até abstrações, mas indiferentes a isso o céu e as estrelas cumprem o seu destino.

Fronteiras do fim do mundo demarcando o desconhecido do incognoscível; separando civilizações e barbáries, com suas culturas crescentes e decrescentes. São linhas divisórias da fome, do frio e das crenças. Muito além do civilizado e do indigente apontam para os aventureiros e transeuntes, sombras clandestinas nos barcos e veleiros a singrar mares bravios. Separam a suntuosidade e a luxúria dos nobres e abastados, das vestes sujas dos cadáveres ambulantes. Não há fronteiras para retinas que enxergam, além do comum, aquilo que vem depois.

SÃO FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS QUE DIVIDEM E DISCRIMINAM; ANTROS DO CAPITALISMO SELVAGEM, DIVIDINDO NADA EM COISA NENHUMA.

Fronteiras imaginárias diz respeito às proibições, limitações e ao desconhecido. Quer sejam físicas, psicológicas, sociais ou humanas, apenas convidam ao caminho da superação. Separam lados, territórios, realidades. São fronteiras do cotidiano, que rotulam a criação para criar e facilitar formas geográficas. Limitam a vida numa vertente geográfica. Assim, criamos uma alternativa sequencial, uma rotina, que permite traçar geograficamente nosso próprio destino e dos filhos. Delimitam áreas, procedimentos e ações. As fronteiras imaginárias são desenvolvidas na mente, no corpo e no coração. Fronteiras da espiritualidade, gerando constantemente energias  que modificam o espaço geográfico da existência.

Não há fronteiras. Todas são imaginárias, portanto artificiais, falsas criações dos hábitos e necessidades humanas.

A CONSCIÊNCIA É UM VASTO OCEANO DE LUZ E NENHUMA ILHA PODE SE OCULTAR NA ESCURIDÃO.

Criamos o artifício das fronteiras para delimitar territórios, criar escudos imaginários, representar papéis, esconder a verdadeira identidade sob as camadas de nossa sombra, e usar esses mesmos papéis para projetar personas que criem facilidades, posibilitando a satisfação dos desejos.

NÃO HÁ FRONTEIRAS PARA A LUZ, QUANDO ESTAMOS LIVRES DOS EXTREMOS.

SOMENTE A SOLIDEZ E A INDIFERENÇA NOS FAZ PESADOS E INERTES.

A sombra que projetamos depende da incidência da luz, mas quando ocupamos o centro, livre dos extremos, as fronteiras acabam e não há sombra alguma, apenas luz.

Por detrás de todas as instituições religiosas do mundo inteiro, sempre houve um movimento espontâneo de separação. Como seres egoístas buscamos sempre independência em relação a tudo e a todos. Somos únicos e absolutos e agimos como se não precisássemos de ninguém. Nossas ações refletem autonomia e separação. Por trás de cada ação há sempre alguém convencido do próprio valor e dignidade. Aprendemos a viver assim. Isolamo-nos em famílias ou dentro delas, em pequenos grupos ou subgrupos, inclusive dentro das comunidades, e formando grupos comunitários. Criamos fronteiras imaginárias entre culturas, arte, música e sexos.

SOMOS, ENFIM, SERES SOCIAIS QUE ABRIGAM DISTÂNCIAS PROFUNDAS NAS RELAÇÕES HUMANAS.

Basta observar as ruas das grandes metrópoles e os corredores dos edifícios, como se parecem a um labirinto frio e solitário, onde só nos vemos em raras ocasiões, quando nos encontramos casualmente na hora do almoço ou no elevador.

ATENÇÃO: AS FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS ESTÃO CRESCENDO ASSUSTADORAMENTE.

Toneladas de ferro e madeira, grades, portões e portas, trincos e ferrolhos, são armas usadas por elas. A barbárie avança sobre o cadáver da civilização.  Lembre-se que civilização é sinônimo de liberdade, convívio harmonioso e respeito mútuo, enquanto a barbárie asfixia, projetando o medo, a mentira e a insegurança. Quando construímos uma proteção de aço sobre o muro de nossas casas é porque já as temos dentro de nós. Sistemas eletrônicos de proteção cada vez mais sofisticados estão sendo lançados no Mercado da Insegurança e do Medo, para nos proteger de nós mesmos.

Portanto, é natural criarmos fronteiras artificiais dividindo o Lobo e o Cordeiro. Toda artificialidade alimenta a imaginação e traduz um falso sentimento de segurança pessoal e coletiva.

COLOCAMOS UM CÃO DE GUARDA NO QUINTAL PARA DISFARÇAR OS LATIDOS QUE ECOAM NA ALMA E CORAÇÃO.

É sempre assim, o Lobo clama por liberdade e o mantemos cativo no subsolo do Eu Imaginário. Calamos a boca da civilização e botamos a culpa na barbárie. Olhamos absortos para o Céu, louvando o advento do Salvador e Senhor, que virá por sobre as nuvens, alardeado por um coro de anjos, enquanto exorcizamos o Lobo, como Bode Expiatório das atitudes impensadas e inconsequentes. Ora, convenhamos! Isso é no mínimo ridículo!

PRECISAMOS SER MAIS RESPONSÁVEIS POR NOSSAS ATITUDES, ISSO É O MÍNIMO QUE NOS É SOLICITADO.

Declaramos amor ao próximo, mas ao mesmo tempo nos afastamos dele. E quando somos alertados pela mídia para a eventual ocorrência de algo trágico, corremos a socorrê-lo. É preciso Despertar para compreender que a hipocrisia humana não tem limites. Precisamos desenvolver a Consideração Externa, ela possibilita ver a nós mesmos através do outro. Há muitos anos estudo estes fenômenos psicológicos e sociais e posso afirmar com absoluta certeza: a barbárie está submetendo a civilização sob o seu jugo. A era tecnológica e a chamada sociedade do conhecimento estão ampliando ainda mais o fosso que divide povos e nações. As fronteiras imaginárias estão em franca ascensão.

SÓ EXISTE UMA POSSIBILIDADE PARA IR ALÉM DAS FRONTEIRAS IMAGINÁRIAS: A LEMBRANÇA DE SI MESMO.

São essas fronteiras artificiais que separam o Lobo e o Cordeiro. O mundo está carente de significado, enquanto atitudes estão sendo tomadas sem um mínimo de visão e reflexão, ou seja, profundamente evasivas e dispersas. É necessário estar convencido de que as fronteiras imaginárias podem e devem ser superadas, possibilitando assim a união dos opostos.

Que assim seja!

021 – O Louco

In Artigos on 21 de março de 2011 at 21:06

O Louco  é  uma reflexão à cerca da relação entre o Lobo e a simbologia do Louco do Tarot. Para isso faremos uso de símbolos apresentados no Tarot Rider-Waite. O Tarochi como era conhecido na sua versão original, aproximadamente na metade do século XV, é uma escola de simbologia que contém nos seus arcanos um conhecimento singular, cujo significado vai se tornando claro à medida que nos tornamos mais conscientes. É uma descoberta plena de significado. Loucura e consciência desperta caminham nuas na passarela insinuante dos fios de uma navalha. São entretecidas, ambas pelas mãos soberbas da sabedoria infinita. A sabedoria hindu sabe muito bem decodificar as palavras usadas aqui. O respeito aos loucos é saudável na Índia.

O Lobo é como o Louco, uma espécie de estado perfeito de alegria e liberdade; o sentimento de unificação com o espírito da vida; a liberdade de seguir dentro da noite e subir nos montes, sem estar aprisionado às concessões do senso comum. A sua inocência se manifesta na completa ausência de medo e na confiança no seu Eu Instintivo. O Louco é símbolo da sexualidade pura, manifesta de forma natural, sem cumplicidade, como expressão do mais puro êxtase da vida. Quando reprimimos impulsos sexuais ativos perdemos contato com o real que habita em nós. “Crescei e multiplicai” tem o significado de ser livre e voar. Não é um disparate do instinto, pois está envolto em ‘sem cumplicidade, como expressão de puro êxtase da vida’. Também não é uma submissão ao desejo, nem submete ao outro, pois está alicerçado ‘na completa ausência de medo e na confiança no seu Eu Instintivo’. Quando reprimimos o Lobo amputamos uma parte preciosa do ser. Conviver em harmonia com ele, sem se identificar com a dominação, nem submissão é arte pura do viver.

Podemos ver através da imagem do Louco uma expressão de tranqüilidade e paz interior; a lucidez de alguém  que não se apavora diante dos obstáculos, oposições ou perigos, pois já rompeu em si mesmo todos os laços familiares, sociais e afetivos. A única companhia do louco é o seu instinto de preservação natural: O Lobo. O Louco é completamente indiferente ao fato de ser o primeiro ou último, segue apenas seu destino, como um eterno viajante à procura de si mesmo. É um andarilho que segue o caminho, na maioria das vezes, despercebido e solitário. É o guerreiro que anda por sobre a terra sem deixar marcas. Não julga, não se precipita ao outro, desconhece os diferenciais entre virtude e pecado. Não se deixa guiar pela palavra, nem presume ser conhecedor dela. Ensina pelo exemplo, conduz pelo olhar. É um diferencial instintivo num mundo de astúcia e controvérsias. Os fios invisíveis das marionetes humanas não têm nenhum poder sobre ele.

O Louco, da mesma forma que o Lobo, está propenso a seguir em qualquer direção. Ele sabe que não há limites diante das possibilidades. É a inocência que faz dele um ser sem passado, longe das amarras da razão, sem direção, sem nenhum propósito ou futuro determinado. O Louco sabe que o futuro se esconde por detrás da rotina diária. Ele é movimento, mudanças, transformação, um constante fluir pela vida. Para o Louco a diferença entre possibilidades e realidade, tão necessária à nossa sobrevivência é indiferente, pois a sua reação diante de qualquer situação é instintiva e imediata. Nada é previamente calculado, pois nada lhe é oculto. A vida é uma contínua dança de experiências, e o Louco é um dançarino. Ele é Conhecimento Instintivo para que nós sejamos veículos da Sabedoria do Universo.

O Louco é o símbolo máximo de Liberdade, Confiança, Entrega e Gratidão, e nos acena com infinitas possibilidades. Nada nos é previsível, apesar de agirmos como se fosse, por isso o Louco é um Eterno Recomeço. Não há limites de espaço/tempo, assim nos ensina o Louco. Precisamos, às vezes, nos adaptar às mais diversas situações, e o Louco é o Grande Mestre na arte da sobrevivência em regiões inóspitas e hostis. É quando nosso mundo desmorona diante de situações inusitadas e desesperadoras que compreendemos o verdadeiro valor dessa arte. Existe no seu olhar a transparência das estrelas e nos seus passos firmes, leves e decisivos, confiança absoluta. O Louco vive o agora e não teme o amanhã, simplesmente abraça-o e lhe oferece uma rosa branca. Não há expectativas no coração do Louco, ele apenas vive o agora. Lembre-se: O agora é sempre recomeço.

Quando o espírito envelhece nos refugiamos nas crenças, na segurança do lar, nas  posses e na continuidade das ações, mas o Louco é o desconhecido, símbolo de um mundo completamente hostil e desabitado, um completo vazio, o Nirvana. Quando o verdadeiro Instinto de Liberdade nos convida a prosseguir, precisamos ser unos como o Louco. Não há outro modo de sobreviver diante dos perigos; podemos até cavar um buraco e nos esconder, mas não sobreviveremos nem um segundo a mais, além daquele que a nossa própria covardia nos reservou. O Lobo não precisa ser exorcizado nos templos, pela razão bem simples de que não faz a sua morada ali. Assim como o Cordeiro, ele prefere os igarapés, as planícies, o campo aberto e o azul infinito. A lua é o templo, enquanto o seu uivar contempla as estrelas distantes. Seu mundo é vazio de conquistas e posses. Basta ser pleno no agora para celebrar o que vem depois.

Precisamos estar despertos e sempre prontos a assumir riscos, visto que nem sempre o fazemos por escolha pessoal. Às vezes, o destino rompe nossos escudos de proteção e nos vemos diante da quebra da continuidade, neste caso podemos passar por experiências terríveis ou transmutá-las em observação e paciência, para que a travessia em vez de  traumática se torne aceitável. Infelizmente, na maioria das vezes, a Libertação só acontece quando o terreno fértil das  fantasias torna-se medonho e pavoroso. Como seres de continuidade não estamos preparados para rompimentos bruscos em nossas expectativas e propósitos. O Lobo é um fiel batedor e pode nos guiar, se necessário, mas precisamos da descontração, harmonia e sabedoria do Louco. Caso contrário, veremos o Lobo como uma ameaça e nunca como um companheiro de jornada.

Lembre-se: O Pai não matou o novilho para festejar o Cordeiro, mas sim para um Lobo faminto e cansado, que retornava depois de tantas lutas, agruras e fracassos. Saber perder é mais gratificante que a obsessão em ganhar sempre. A saga do Lobo nos mundos inferiores da existência é a nossa própria história de lutas e sobrevivência como seres humanos. E a reação do Cordeiro não foi a de um Lobo sábio, justo e leal, ao contrário,  reagiu com mágoa, decepção e inveja, retirando-se cabisbaixo com o coração repleto de ressentimentos. A perfeição está na busca e nunca na atitude presunçosa de chegar. Deus é perfeito por ser um movimento de criação contínua de si mesmo, por si mesmo e para si mesmo. Shiva e Shakti é um movimento contínuo e entrelaçado, nunca o final, mas sempre o recomeço. Todo aquele que vive segundo os ditames do Céu, perde a grandeza do Inferno.

O Louco é símbolo de um estado de consciência chamado Lembrança de Si Mesmo, ou seja, um estado em que todas as possibilidades são reais. O Louco é um convite à reflexão, um convite a vê-lo refletido em nós, muito além da ilusão das aparências individualizadas. Convida-nos à coragem e ao destemor; a abrir mão dos abrigos seguros, pelas incertezas da jornada. É preciso assimilar bem esta mensagem. Pode ser que venhamos a precisar de coragem, audácia e frieza inerentes ao Louco, quando diante de situações inesperadas.

O LOUCO NÃO É UM LOUCO QUALQUER, ANTES É SÁBIO, REI E SANTO.

Mas não se esqueça que para a sociedade constituída o caminho do Louco, ou seja, instinto, alegria e liberdade em vez de regras, dogmas e credos é uma perigosa insanidade. O Louco é o Símbolo Máximo da Verdadeira Cristandade. Aqueles que realmente amam o Louco, com certeza, verão a Si Mesmos.

Que assim seja!

020 – Hoje é agora; Amanhã, talvez

In Artigos on 12 de março de 2011 at 14:43

Todos ainda estamos perplexos com as imagens de carros, containers, barcos, aviões e uma avalanche de coisas numa imensa onda humana de proporções descomunais, invadindo avenidas, aeroportos e casas. Estamos diante de um poder sem igual, arrastando com sua poderosa força tudo que encontra pela frente, sem que posamos fazer absolutamente nada para contê-lo. Incrédulos, assistimos às devastadoras imagens de um poder sem limites. Confesso que nos primeiros momentos  permaneci completamente anestesiado, meu corpo se recusava sentir a dor dos nossos irmãos asiáticos. Não acreditava no que estava diante dos meus olhos. Em seguida, pude sentir a angústia, a dor, o choro dos bebês nos braços das mães apavoradas; a ânsia daqueles que não sabiam pra onde fugir. Então, por um breve instante, compreendi o verdadeiro significado do “despertar” como sendo “o despertar da nossa sensibilidade como seres humanos”, quando vemos todas as coisas entrelaçadas numa imensa teia, cuja separação é apenas aparente numa linearidade de espaço/tempo: somos todos iguais e estamos no mesmo barco. Compreendi também, um pouco mais do significado prático de “nós não podermos fazer absolutamente nada”.

Existem alguns assuntos que, por se tratar de temas mais aprofundados necessitando estudos específicos detalhados, serão desenvolvidos apenas nas últimas páginas deste trabalho, pois envolvem questões ambientais, além da física e da astronomia. Mas urge tocar em alguns pontos importantes. Em primeiro lugar é preciso que não nos esqueçamos que a Terra é um imenso Ser Vivo, e como tal possui Sete Cérebros ou Centros, dentre os quais vamos destacar: Instintivo, Motor, Emocional e Intelectual. A Terra pensa e sente, num universo infinito de vibrações. Nossos corpos vibram em consonância psíquica com o Planeta, e o nosso equilíbrio como seres sencientes está diretamente relacionado ao seu eixo de rotação. Um deslocamento de 10cm nesse eixo significa um desequilíbrio nas forças cósmicas que regem o Planeta. Parece uma brincadeira despretensiosa, mas é grave, principalmente,  quando somado ao deslocamento causado pelo terremoto de Sumatra em 2004 e do Chile em 1960. O lado direito do nosso cérebro pode sofrer conseqüências ainda maiores, intensificando o seu grau já bastante elevado de atrofia. Significa maiores oportunidades para que a razão assuma definitivamente o lugar da sensibilidade e da intuição, gerando cada vez mais tecnologia e modernidade, e nos afastando do Real e Eterno. Precisamos compreender que “não podemos fazer absolutamente nada”, pois, modernidade e tecnologia não credenciam o homem a ser senhor das dimensões superiores da existência. A atrofia do “lado direito do cérebro” que comanda todo o “lado esquerdo do homem”, cria um falso escudo de proteção intelectual que não nos permite ver além.

As reações que pude ver às trágicas imagens do Pacífico, me deixaram, no mínimo, bastante assustado. As pessoas estavam diante das imagens transmitidas pelos telejornais, envolvidas pelo sensacionalismo das manchetes, sem ver a dor e o desespero por detrás delas. Incrível que o nosso grau de sensibilidade tenha chegado a esse nível mínimo de consciência. Os comentários giravam  em torno exclusivamente do sensacionalismo das imagens e das perdas materiais. Não consegui ver nos olhos das pessoas um brilho de compaixão, esperavam apenas por novas cenas de cunho puramente jornalístico. Vivemos identificados com dados estatísticos: Quanto bateu na Escala Richter? Quantos mortos? Quantos… Quantos?  A verdadeira Dor, Miséria e Fome não se mede por dados estatísticos. Estamos articulados numa cultura ridícula e mentirosa, onde o outro só vale pelo que tem. A cultura de consumo avança sobre tudo e todos, não tomando conhecimento de nada à sua volta.

Temos plena consciência de que as páginas deste Blog não serão do agrado da maioria das pessoas e, sejamos sinceros, não foram publicadas com o intuito de agradar a ninguém. Não buscamos pontos estatísticos. Estamos sim, à procura dos Buscadores da Verdade. Se você é um deles, seja bem-vindo, mas caso não seja um deles, lamento lhe dizer que está perdendo seu precioso tempo por aqui. Nós ensinamos “O Despertar”, mas se você insiste em continuar dormindo, sinceramente, tome outro rumo, pois está perdendo o seu tempo conosco. Tempo é vida, respiração, e não temos nem um minuto a mais pra perder. Os interesses que regem o mundo civilizado não são os nossos interesses essenciais. Buscamos interagir com uma “nova maneira de pensar”, que só se torna possível em “outro nível de consciência”.

As imagens a que assistimos hoje, a dura verdade bem diante dos nossos olhos, é um convite à reflexão. O nosso Planeta Terra é um imenso ser vivo e, portanto, tem um Lobo e um Cordeiro sob a sua guarda. Se este Lobo for ferido na sua integridade, e está sendo, a sua reação pode ser assustadora. E não pense que o Cordeiro irá contê-lo, por uma simples razão: O Lobo é uma reação instintiva do Planeta à injustiça e à ingratidão, e o Cordeiro só pode ser ativado por um Amor Verdadeiro e Devocional. Com o seu lado sensitivo sendo atrofiado,  a humanidade está perdendo a possibilidade de contato com o Cordeiro. Entenda: O Cordeiro só pode ouvir a voz daqueles que se elevaram ao Chakra do Coração. A verdadeira oração não tem significado no plano puramente físico, é necessário que o nosso estado de consciência esteja ao nível do “Amor Verdadeiro e Devocional”. A partir do Chakra do Coração até o Chakra Raiz, e nos Planos Inferiores da existência, o domínio é do Lobo, ou seja, é um reino de justiça absoluta, sem piedade, nem misericórdia. O Lobo só responde segundo os critérios de Justiça Absoluta e Santa, portanto, não ouve lástimas, nem lamúrias de ninguém. É o vingador do Planeta Terra. Esta verdade precisa ser assimilada e compreendida.

A partir daqui, os incidentes trágicos ocorrerão em intervalos de tempo cada vez menores, ou seja, com mais freqüência. Àqueles que duvidam, eu aconselho a leitura  da obra de James Lovelock, “A vingança de Gaia”.  Essa obra retrata uma visão realista do que teremos pela frente, como resposta do Planeta a toda devastação empreendida ao longo dos séculos. Pressuponho, então, duas linhas de ação: Ou agimos como  guerreiros despertos lutando por uma causa nobre, ou permanecemos passivos integrantes da “Procissão da Miséria Humana”. Eu, particularmente, prefiro a morte no clamor da batalha ao mísero fim de um moribundo. Estou entre aqueles que acreditam que a nossa “civilização” sobreviverá ao caos, mas para que isso se torne possível, temos que atingir um grau mínimo de consciência coletiva exigida pelo Cosmo.

Conclusão: Quando somos Leais, Íntegros, Responsáveis, Sinceros e Autênticos, não existe nenhum aliado  tão forte, presente e sincero quanto o Lobo. É ele com o seu uivar que faz com que o Cordeiro desça  ao Chakra do Coração e resgate os Eleitos de Deus. Os verdadeiros devotos do Altíssimo não temem o Lobo, pois se tornaram senhores da Justiça e da Verdade. São capazes de descer aos confins do Inferno e retornar íntegros ao Reino do Senhor, sem, em nenhum momento, depreciar nenhum habitante daquele mundo.

Que Assim Seja!

019 – A última batalha na Terra

In Artigos on 10 de março de 2011 at 0:06

Nós, seres humanos, temos quase tudo em comum. De certo modo somos escravizados pelas paixões, pelo poder, dinheiro, outras vezes apaixonados pela vaidade, pela beleza da juventude, inebriados pelo sexo, enfim uma enorme gama de variedades que nos consome e retrai. A auto-importância (art. 053) é o traço marcante da civilização. Afinal, vivemos num mundo de competição que lhe  injeta poder, investindo-a de um carisma diferenciado. Tornou-se essencial às nossas necessidades como seres civilizados dar um toque todo especial aos papéis que representamos, e o figurino é parte importante  do enredo. Se me fosse concedido o direito de defender a tese da existência de uma Falsa Personalidade Coletiva, diria que a auto-importância, com certeza, é o seu Traço Principal

A auto-importância é senhora da imaginação. Para sentir que somos importantes é preciso, em primeiro lugar, que nos imaginemos assim. A imaginação é um excelente sonífero. Imaginamos nós mesmos como pessoas importantes, depois passamos a representar alguns papéis importantes (art. 098) e, em seguida, dormimos o sonho dos loucos e desvairados. Basta-nos identificar com alguns eus importantes e alimentá-los com nutrientes imaginários, para dormir em paz. Como nada neste mundo nos vem de mão beijada, de repente, a conta pode aparecer na caixa dos correios.

Perdemos o contato com a Observação de Si Mesmo e diante disso, não damos o devido valor a uma palavrinha chamada ATENÇÃO. Lembre-se, a imaginação não necessita de nenhum grau de atenção, ela simplesmente nos leva. E quando, por algum motivo, somos involuntariamente convidados a abrir o envelope lacrado na caixa dos correios, podemos deparar com uma conta cujo valores excede todas as possibilidades reais de amortização.

ESTAMOS ASSINANDO VÁRIAS NOTAS PROMISSÓRIAS EM BRANCO, SEM SABER.

A última Batalha na Terra é um conhecimento Tolteca que nos foi legado pelos Feiticeiros Jaquis. Com certeza é o mais expressivo conhecimento em relação àqueles com os quais tive a felicidade de manter contato. Este conhecimento nos incentiva a despertar, se for tratado com a merecida seriedade. Por isso, peço uma  atenção por demais especial a este capítulo.

Os Feiticeiros Jaquis alertam para que tenhamos extremo cuidado em relação às nossas atitudes, pois são reveladoras de pensamentos, emoções e propósitos. Se as atitudes não tiverem como suporte a lealdade, a honestidade e a gratidão, é preferível não fazer nada, pois é melhor não fazer absolutamente nada do que transformar algo em nada.

Por favor, preste muita atenção a isto: 

A ATITUDE QUE VOCÊ ESTÁ TOMANDO AGORA, NESTE EXATO MOMENTO, PODE SIGNIFICAR A SUA ÚLTIMA BATALHA NA TERRA.

Esqueça considerações do karma, vidas passadas, questões referentes às virtudes ou pecados. Esqueça tudo isso. Lembre-se apenas de uma coisa: 

A ATITUDE QUE ESTAMOS TOMANDO AGORA PODE SIGNIFICAR A NOSSA ÚLTIMA BATALHA NA TERRA, E SOMENTE ESTA SERÁ LEVADA EM CONSIDERAÇÃO, MAIS NENHUMA.

Pense nisso. Nunca se esqueça disso. Tomar atitudes (art. 007) significa dar um passo além, são possibilidades reais que temos de cruzar as linhas paralelas, irmos além da parede de névoa. Atitudes são pontes que possibilitam cruzar o abismo entre os dois mundos: O Tonal e o Nagual (art. 050).

A Morte é iminente, segundo os ensinamentos Toltecas, e está sempre à nossa esquerda, como uma sombra a nos acompanhar, à distância de um braço. Segundo a visão dos Feiticeiros: A Morte é a fiel conselheira do homem, aquela que nunca irá mentir para nós, enfim, uma dádiva à vida. É ela quem nos diz: “Fique alerta, pois estou aqui. Poderei tocá-lo a qualquer momento, e quando o fizer será o derradeiro instante da sua última batalha na terra”.

Por favor, entenda: nós somos seres de contiuidade. Sabe o que isso significa? Que perdemos o contato com a nossa verdadeira identidade, com o imediato, o agora. Estamos sob o domínio da imaginação e nos julgamos eternos, ou seja, as atitudes perderam a grandeza do significado. Agimos compulsoriamente como se tivéssemos todo o tempo do mundo, mas será que temos? Estamos condicionados a uma rotina que não nos permite ver além, portanto, perdendo progressivamente  contato com o mundo real.

Quando digo atitudes refiro-me à respostas. A todo instante estamos sendo convidados a responder. O Lobo e o Cordeiro são respostas, são batedores: seguem à nossa dianteira, abrindo caminhos e nos acenando ao longe. São as nossas atitudes de escolha entre um caminho e outro, que respondem SIM ou NÃO. E, cada resposta envolve a participação de pelo menos três Centros, são necessárias Três Forças (art. 003).

SOMENTE A INTERAÇÃO DE TRÊS FORÇAS PODE DETERMINAR UMA ATITUDE, E ESSA PODE REPRESENTAR NOSSA ÚLTIMA BATALHA NA TERRA.

Este ensinamento Tolteca é prioritário em todo o conteúdo religioso cristão: trata-se do objetivo primordial, a meta. Lembre-se das palavras de Jesus: “Permanecei despertos e vigiai”.  Eu, humildemente, completaria: Porque não sabeis quando se dará a vossa última batalha na Terra.

A riqueza das idéias é que possibilita verdadeiros tesouros ao homem. A última batalha na Terra não tem nenhuma expressão de finitude, pelo contrário, é uma expansão sabiamente escondida num critério de retração. A última batalha na Terra, se observarmos com o devido cuidado, veremos que é sempre a primeira. É um convite ao despertar da consciência do homem, pois o impele a investir exatamente onde imaginou haver esgotado todas as suas possibilidades.

ESTE CONHECIMENTO É SUBLIME, AUTÊNTICO, TEM SABOR DE ETERNIDADE NO AGORA.

Se despertarmos para a grandeza de significado destas palavras, tudo pode mudar. É possível despertar. Mas, atenção: Para que possamos dar a devida atenção às nossas atitudes precisamos estar despertos, e para isso necessitamos praticar a Observação de Si Mesmo.

Tal como somos agora, seres humanos adormecidos, atitudes são frutos da imaginação, portanto, imitamos atitudes, reagimos simplesmente às atitudes dos outros, permitindo que controlem as nossas ações, enfim, não temos nenhuma forma de controle individual. As atitudes são respostas que brotam do Centro Instintivo e, tal como somos hoje, nos levam como folhas ao vento.

Gostaria muito de lhes fazer hoje dois pedidos importantes.

1 – Se o conteúdo das páginas publicadas aqui tem sido útil a você, permitindo uma visão mais abrangente dos fatos, compartilhe com os seus amigos. Não apenas esta página, mas o nosso endereço eletrônico para que possam acessar. Sem a sua preciosa ajuda, tanto esforço pode não ir além do portão do quintal, mas se unimos esforços podemos ir bem mais longe.

2 – Peço também que salve a primeira imagem postada no início deste capítulo e a deposite como fundo de tela (papel de parede) do seu computador, pelo menos por um dia. Mas, não basta olhar para ela e achá-la interessante. Vamos, então, praticar um pouquinho? Visualize a tela e, ao mesmo tempo, sinta-se presente por completo, inteiro, diante dela. Não se deixe distrair por nenhum movimento ou pensamento. Tenha a percepção clara de eu estou aqui. Pratique por apenas três minutos e observe as respostas que, com certeza, vão brotar no seu Centro Emocional.

Os Feiticeiros Jaquis são, sinceramente, agradecidos pela atenção que você dispensar ao conteúdo deste capítulo e, em nome Deles, só posso lhe dizer: Obrigado.

Que assim seja!

PS: Feitiçaria na linguagem dos feiticeiros Jaquis significa CONHECIMENTO, portanto feiticeiros Jaquis são HOMENS DE CONHECIMENTO. E quando nos referimos ao termo TOLTECA, não é uma referência ao Império Tolteca, mas um referencial de conhecimento que avança pelo menos 15.000 anos, antes que as civilizações Inca, Asteca e Maia chegassem às Américas.

018 – A Casa do Lobo

In Artigos on 3 de março de 2011 at 12:38

O Chakra Raiz é a casa instintiva do Lobo, fica situado na base da coluna vertebral, logo acima dos órgãos genitais, e está relacionado diretamente com os membros inferiores. A energia mais densa do corpo físico está situada aí, gerando formas físicas, ou outras em mundos inferiores.

Este Chakra está diretamente associado à terra, ao bem-estar físico, ao instinto de sobrevivência, vitalidade e à sexualidade. Quando o Lobo está cativo neste Chackra, exerce o mais completo domínio sobre as nossas ações, tornando-as completamente instintivas e movidas pela irracionalidade. O Lobo cativo neste Chakra recebe o nome de Serpente Kundalini, a Serpente de Fogo dos Textos Sagrados. Seu poder é medonho e o domínio absoluto, e são intensas as influências refletidas na psique, além daquelas sentidas no próprio corpo.

A ativação dos desejos é mantida pelo Lobo cativo neste Chakra, não nos restando alternativa, senão saciá-los. Uma vez saciados, o nível de energia diminui, passando a sofrer uma drenagem consistente e contínua. Voltamos sempre ao primeiro nível, e o ciclo recomeça. Tornamo-nos seres sexualmente insaciáveis ao nível animal, e respondemos de forma instintiva. Somente o prazer, o vazio e a dor das perdas passam a ocupar nossa consciência. Qualquer ser humano que mantenha o Lobo cativo neste Chakra será “uma maldição para si mesmo”, pois toda a espiritualidade do seu ser irá materializar-se nesse nível, tomando a forma de desejos, aspirações e expectativas não realizados.

A energia deste Chakra governa a espinha, os rins, o aparelho reprodutor e todos os membros inferiores, sendo responsável pela irrigação dos órgãos sexuais. Os seus principais atributos são a ligação com a terra, o bem-estar físico, o instinto de sobrevivência, vitalidade e sexualidade.

Lembramos que toda sexualidade ao nível desse Chakra é luxúria animal, paixão isenta de individualidade, é obstinação e posse. Relaciona-se apenas à satisfação pessoal, é  identificação absoluta consigo mesma. O Lobo cativo neste Chacra é causa de irritação, raiva, medo de viver, falta de ânimo e coragem.

A Casa do Lobo tem a cor vermelha, sangue, menstruação, violência, raiva, ódio, que, apesar de tudo, são elementos integrantes e necessários à sobrevivência e precisam ser assimilados e transmutados para que possamos ter os pés no chão, sermos centrados e leais. O elemento dominante do Lobo é a terra.

Quando o Lobo está cativo ao nível desse Chakra, nossas atitudes, gostos e aparência refletirão a necessidade de relações apaixonadas, inseguras e violentas, para que possamos sentir vivos. A submissão ao seu domínio nos torna arredios à família, emocionalmente instáveis e alienados espiritualmente. Bloqueios como: tensão nervosa, agressão excessiva, impaciência e dependência, são características do Lobo cativo. Outras,  como a sensação de não pertencer ao convívio dos familiares e à cultura em que vivemos, são geradoras de estados depressivos e de solidão.

Mas, não imputemos culpa ao Lobo. Não foi ele que escolheu permanecer cativo no primeiro Chakra, nós o mantemos cativo ali. Portanto, não é o Lobo que determina as nossas ações, somos nós que, através da cultura e civilização, o aprisionamos covardemente nos recônditos do nosso ser. A hipocrisia é a nossa cegueira espiritual e a identificação é a tranca do calabouço da miséria humana.

Somente quando mudarmos a “velha maneira de pensar” e, por meio dela as nossas atitudes, poderemos manter indenes o Lobo e o Cordeiro que foram colocados sob a nossa guarda. Somente quando o Lobo cativo ascender, livre de compulsões, pré-julgamentos e artifícios  aos níveis superiores de consciência, será possível a nós “o despertar”.

Que assim seja!