Lázaro de Carvalho

014 – A civilização e a barbárie

In Artigos on 24 de fevereiro de 2011 at 18:56

Cada grande cultura da humanidade consiste de uma série completa de culturas diferenciadas pertencentes a raças e povos separados. A divisão entre períodos de cultura e períodos de barbárie não deve ser entendida literalmente, pois a cultura pode ser completamente perdida em um continente e ser preservada em outro.

Também vale a pena lembrar que, nem todos os valores que a sociedade obteve em períodos ricos culturalmente se perdem completamente em épocas de barbárie. A substância do verdadeiro ensinamento é preservada em núcleos, que nós chamamos ESCOLA. O Lobo e o Cordeiro são fragmentos de um ensinamento desconhecido que foram preservados.

Dentro de uma cultura são desenvolvidos dois princípios completamente antagônicos: A Civilização e a Barbárie, que evoluem simultaneamente. Junto à civilização cresce também a barbárie, e esta carrega consigo os elementos da violência e destruição. Estruturas radicais de pensamento são desenvolvidas e evoluem em paralelo à civilização, servindo assim de modelo à concepção de uma sociedade humana e igualitária. Sua fachada é apenas o rótulo de algo sutil que se desenvolve nos bastidores da ignorância, subsidiada pelo progresso e consolidação das massas. Dentro da visão casuística do que chamamos civilização, democracia pode ser definida como: um estado de direito igualitário quando dois lobos e um cordeiro sentam-se à mesa para decidir ‘democraticamente’ o que será servido no jantar.

Evoluímos os artifícios usados para manter cativos enormes contingentes humanos. A hipnose e sugestão (art. 028) das massas, por exemplo, cria estados subliminares na psique condicionando-as a comportamentos pré-determinados. Assim se dá com grande parte do aparato religioso atual, onde milhões de dólares são jogados em programas exaustivos para a propagação da fé cristã, visando a manutenção do que eles denominam ‘rebanhos do senhor’. Outra grande parcela invade nossos lares em forma de propagandas, sempre alimentando uma mente consumista, sem nenhuma apreciação dos recursos naturais do planeta.

SOMENTE UMA SOCIEDADE DE BÁRBAROS PODE INCENTIVAR O PODERIO ECONÔMICO, EM DETRIMENTO DOS VALORES MORAIS, ÉTICOS, SOCIAIS E NATURAIS.

A causa principal da evolução da barbárie está no próprio homem. Por isso, durante milhares de anos a religião do ocidente vem incentivando a dicotomia, dividindo a mente humana entre o pecado e a virtude; entre o bem e o mal, criando assim o Lobo e o Cordeiro para justificar o estado de barbárie e civilização, inerentes ao próprio homem. Com a evolução do processo histórico o Lobo passou a ser a justificativa para a execução de ações bárbaras em nome das crenças, tais como as Cruzadas e a Santa Inquisição, quando na verdade o pano de fundo sempre foi o ego, o poder, a insanidade de mentes casuísticas e a interpretação errônea dos valores reais do Cordeiro. Alguns dizem que a religião é o maior mal da humanidade, eu diria que é um bem, pois permite a auto-avaliação e a retomada de consciência.

A cultura sempre buscou estabelecer fronteiras (art. 022) entre ela e a barbárie, por isso o homem se auto dividiu entre Deus e o Diabo, sem nunca procurar saber o significado real de nenhum deles. Associou-se ideias de crime à barbárie, ao Lobo, e a ideia de conduta irrevogável ao Cordeiro. Mas na evolução dos fatos será que existe crime mais hediondo na Terra que aquele que visa a manutenção de credos e crenças em nome de uma vã filosofia religiosa? Uma mentira levada ao altar das ideias profanas? Quem matou mais ao longo da história o estado como estado ou a religião a serviço do estado? A serviço de quem estão os credos? Da civilização ou da barbárie?

Dentro da evolução sistemática de uma cultura é inevitável o seu processo de degradação, sempre foi assim em todos os períodos que nos antecederam. O governo teocrático se transforma em despotismo. As castas, principalmente as religiosas passam a ser hereditárias, ou pelo poder econômico ou pela persuasão das ideias. A religião, ao assumir a forma de “igreja”, torna-se um instrumento nas mãos do despotismo, ou dessas mesmas castas hereditárias. A ciência a serviço do “avanço tecnológico”, favorece os propósitos de destruição e extermínio. A arte, a inteligência e a razão se convertem em material abusivo para manter as massas ao nível da imbecilidade.

ISTO É O QUE NÓS CONSAGRAMOS HOJE COMO CIVILIZAÇÃO MODERNA, TECNOLÓGICA E AUTO-SUSTENTÁVEL.

O selvagem matava o inimigo com uma clava, o homem culto tem à sua disposição toda a sorte de recursos. Esses recursos são a forma evoluída da clava. A diferença consiste apenas no alcance do seu poder de destruição. Uma parte essencial da nossa cultura consiste na escravidão e todas as formas de violência em nome do estado, da religião, das idéias, da moral e dos costumes. A vida interior da sociedade moderna que, por meio da cultura e dos hábitos condiciona e direciona os interesses, está repleta de traços de barbárie. A paixão pelo futebol, jogos de azar, o pânico e a desconfiança são facetas enrustidas na barbárie. E hoje temos veículos de comunicação em massa como os jornais, a televisão, a  internet e vários outros que estão sendo vergonhosamente utilizados para esse fim. Redes de pedofilia estão se espalhando pelo planeta e o mercado pornográfico já rende de dez a quatorze bilhões de dólares por ano.

A cultura da barbárie cresce ao lado da cultura da civilização, mas chega inevitavelmente o momento em que a cultura da barbárie absorve a cultura da civilização e, a partir daí passa a chamar-se simplesmente: CIVILIZAÇÃO. Caracterizo de modo pessoal a barbárie como “A civilização adormecida”, onde os valores reais foram trocados por um mundo imaginário, e para mantê-lo estamos nos destruindo uns aos outros.

AQUILO QUE CHAMAMOS VITÓRIA SEMPRE TRÁS A REBOQUE A DERROCADA DO OUTRO. INSANA ESTA CIVILIZAÇÃO ONDE OS VALORES E A CONDUTA HUMANA, EXTRAPOLAM OS LIMITES DO RESPEITO, DO AMOR E DA PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA.

Chamamos civilização alguns princípios inatos no próprio homem, que são veículos sutis utilizados para a evolução e propagação da barbárie. É esta incontestável cultura da barbárie, chamada civilização, que está extraindo, utilizando e consumindo de forma desordenada e voraz os escassos recursos naturais do planeta, e colocando em risco a nossa sobrevivência como espécie.

e, infelizmente, não há como conter o que chamamos “avanços da civilização”.

Que assim seja!

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  1. […] assim se dá com a civilização e a barbárie (art. O14). Nos obrigamos a levantar quatro fiadas de tijolos a mais. Há uma trava elétrica e uma câmera […]

  2. […] humanidade, ao longo de sua história. Vamos observar neste texto que a civilização e a barbárie (art. 014) sempre andam de mãos dadas e que os períodos de aparente ascensão são na verdade alicerces do […]

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