Lázaro de Carvalho

170 – O homem e a sua real condição

In Artigos on 17 de agosto de 2012 at 14:52

Diz-nos a ESCOLA que se o Tratado for apenas mais um nutriente da curiosidade humana, ou seja, um artifício para a memória, não produzirá nenhum efeito objetivo. É necessário pensar por si mesmo se acreditamos ser possível colher os frutos desse vasto pomar de novas ideias.

A memória física responde apenas pelo plano físico, mas no início de nossa empreitada rumo ao desconhecido ela tem uma importância muito grande. Ao iniciarmos qualquer aprendizagem usamos a princípio apenas as partes baixas do Centro Intelectual. Pensar de uma maneira diferente significa que o nosso interior passa a refletir à cerca daquilo que a memória física acolheu como aprendizado. Digamos que o espírito interior, hoje dividido em milhares de legiões de eus, muitos dos quais nem sequer se conhecem, começa a se unir de uma forma mais harmoniosa, possibilitando assim conectar-se com as ideias do Tratado. No início da apresentação do Tratado confesso ter ficado bastante decepcionado quando vi que pessoas que necessitavam dele para uma compreensão melhor de si mesmas, simplesmente o ignoravam. Foi então que descobri que a escolha era feita a partir do próprio Tratado. Era o espírito que escolhia o aprendiz e não o contrário. E ele o fazia a partir de uma configuração de forças chamada de Centro Magnético. O Dr Nicoll, um dos mais importantes discípulos de Gurdjieff, nos diz que: “É necessário refletir sobre as novas ideias e fazer com que sejam nossas ideias, se possível em nosso pensar interior”.

O Tratado é um elo esotérico do Cristianismo, perdido há muitos séculos. Nos seus primórdios o ensinamento Cristão era passado diretamente pelos CENTROS SUPERIORES ao homem. Lembrem-se das palavras do Mestre: “Hoje ainda não lhes é possível compreender aquilo que falo, mas descerá sobre cada um de vocês o Espírito Santo, e a partir daí seus olhos, mente e coração irão se abrir e compreenderão”. Mas aquele elo se perdeu com o automatismo da mente humana, por isso o Cristianismo passou a ser ensinado a partir dos sentidos. Cada sentido, ou Centro, ou Cérebro, tornou-se um país aparentemente independente, com legislação específica e poderes próprios. Foi apenas uma questão de tempo para que a mídia alimentasse cada um deles individualmente e outorgasse poderes imaginários. Por isso o Tratado traz novas ideias, ou seja, ideias mais próximas do elo perdido, que possam permitir melhor reflexão e reencontro com o espírito interior. Diz-nos mais uma vez o Dr Nicoll: “Uma das coisas mais importantes a fazer hoje é pensar internamente, com a maior profundidade possível à cerca dos ensinamentos e suas ideias”.

O Tratado é parte de algo imensamente maior que nos diz que somos parte da Vida Orgânica. A Vida Orgânica se assemelha a uma fina película de intensa sensibilidade. É uma substância viva que cobre a Terra, cuja missão é formar um elo entre o intervalo FA e MI, em nosso pequeno Raio de Criação. Infinitos são os Raios, como infinito é o Poder que os criou. Toda a inteligência do homem somada, não é capaz de alcançar a bilionésima parte da inteligência do universo como um todo. Não há inteligência emocional que se compare ao poder criativo e redentor do AMOR. Por isso, quando amamos incondicionalmente a Terra, os seus filhos e frutos, nos elevamos além dos limites do corpo físico. É a Vida Orgânica que permite a transferência entre FA, ou seja, o mundo planetário como um todo e MI, a Terra como planeta. É a Vida Orgânica o elo de conexão entre a parte superior e inferior da Oitava Descendente da Criação. Embora a compreensão disso seja bastante difícil hoje, podemos dizer que a Vida Orgânica é a Força Neutralizante entre as partes superior e inferior da Oitava. É possível dizer que um homem com possibilidades reais para despertar está ao nível de MI, mas para que tal processo venha a se tornar uma realidade é necessária uma inversão interior, ou seja, é preciso que morra para poder renascer. Pensar de uma nova maneira significa matar em si mesmo o homem velho, ou seja, a velha maneira de pensar. É preciso abrir espaço interiormente para que a renoção possa se efetivar.

O homem não aparece como individualidade humana no Raio de Criação como um todo. Somente naquela que chamamos de Oitava Lateral, que se inicia com DO ao nível do Sol e faz SI ao nível dos Planetas é que surge o homem como um ser evolutivo, uma promessa de redenção, uma possibilidade além dos limites da Terra. O seu surgimento acontece com LA, SOL e FA ao nível da Terra, ou seja, como parte integrante da Vida Orgânica. Sendo o homem uma criação dessa magnífica Oitava Lateral é responsável por todos os seres sencientes, seu destino e evolução. Este poder Coronário chamado Sol, ou Chakra Superior, criou o homem como um ser evolutivo para permitir sua ascensão e retono à origem. Gaia, nosso Planeta Mãe é o Chakra do Coração nessa Oitava Lateral. Portanto, a origem do homem é divina por criação e o seu habitat deveria ser divino por descendência cósmica, mas a identificação e a imaginação o fez cativo nos limites inferiores de Gaia. Então, o Cordeiro por origem se fez Lobo pelos limites e fragilidade do próprio homem.

Quando o Céu nos acena com a possibilidade de retorno à casa do Pai é uma tentativa de nos despertar para a nossa procedência divina e missão redentora. Quando aportamos nesse ponto distante no Raio de Criação, a Luz Redentora nos proveu de todas as condições para retornar, bastando retirar o véu que cobre os olhos e ver além dos montes. Mas o Poder do Alto não fez isso pelo simples ato de fazer. A ESCOLA diz que há um limite exato de tempo cronológico para que dentre nós um número exato, nem mais, nem menos retorne. E se esse número não for alcançado o Raio de Criação se dissolverá novamente no nada. Por vermos a necessidade premente do despertar, e também por sermos sabedores que os veículos atuais estão trabalhando no sentido de tornar o homem ainda mais adormecido, aceitamos escrever o Tratado do Lobo e o Cordeiro (432 artigos) para alertar-nos de todo o pavor que isso significa.

A Bíblia diz em Paulo aos Romanos VIII, 19: “A ardente expectativa da Criação aguarda o despertar dos filhos de Deus”. E em Romanos VIII, 22, está escrito: “Porque sabemos que toda a Criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. Esta é a certeza de que não estamos sós em nossa caminhada, o Poder que nos criou espera por nós. Por isso o Círculo Consciente da Humanidade, ou Irmandade Sarmung, semeou o Verdadeiro Conhecimento por toda a Terra. Legou-nos a possibilidade de ir além dos limites do corpo, mas nos alerta para a extrema necessidade de manter indenes o Lobo e o Cordeiro, confiados à nossa guarda.

O Dr Nicoll nos diz que: “O homem não necessita sofrer inutilmente se aprender a sofrer conscientemente. Seguindo, sempre que o seu coração assim determinar, as ideias objetivas em sua compreensão interior e não meramente externa”. Agora vamos destacar um ponto importante do Tratado: Ninguém pode receber este ensinamento a menos que lhe pertença por merecimento, esforço e disciplina. Poderá ler o seu conteúdo durante muitos anos, sem nada retirar daquilo que foi dito. Amigos e Irmãos! É a intenção que se coloca no caminho do homem e somente um desejo muito forte de libertação pode nos fazer sentir sua presença, portanto tenha cuidado com os homens bem intencionados. E quando ela se coloca no caminho do homem, ergue edifícios e o convida a entrar é preciso ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. Caso contrário, a intenção será como um pássaro que voa sempre em linha reta, e se não estivermos atentos podemos perder o nosso centímetro cúbico de sorte, e ficarmos ao largo de um voo sereno ao desconhecido.

Que assim seja!

 

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169 – O tempo de um guerreiro

In Artigos on 17 de agosto de 2012 at 0:31

Um guerreiro sabe que o seu tempo está sempre se extinguindo, por isso usa todos os recursos à sua volta com parcimônia. Sabe que cada atitude representa a última batalha na Terra, portanto, faz de cada uma delas um alvará de soltura, com passaporte a outras dimensões. A qualquer momento as fronteiras da Primeira Atenção irão se dissolver naquilo que sempre foram e a agonia novamente tomar conta de todo o ser. A isso ele chama quebra da continuidade, com consequências pouco presumíveis. Acredito que poucas são as pessoas que estão preparadas para enfrentar com naturalidade um choque dessa natureza. É preciso usar com sabedoria todos os recursos disponíveis, na tentativa de amenizar ao máximo o confronto inadiável entre o imaginário e o real. É inevitável que tal confronto venha a ocorrer, mesmo que para isso tenhamos de viver trezentas mil vidas.

A ESCOLA diz que todos nós, mais cedo ou mais tarde temos que passar pela mesma agonia. Podemos adiar ao máximo o conflito, mas não podemos evitar. Entenda que a consciência é um espaço infinito de exploração e possibilidades. Diria que mergulhar no desconhecido não depende de escolha pessoal, sendo mais um impulso, um empurrão do acaso, do que qualquer atitude consciente e previamente pensada. A diferença é que o guerreiro, por ter perdido a forma humana e não estar mais sob a doutrina do eu, coloca-se à disposição. O guerreiro aceita todos os riscos, não se esquiva, nem foge ao desconhecido. Ele sabe que o despertar da consciência é o bem maior na vida de todo ser humano.

O Tratado do Lobo e o Cordeiro é uma viagem, que usa a consciência como elemento fundamental para se transportar além da prisão do cotidiano. Diria que no dia a dia tudo tende a fixar seus limites a um pequeno raio de ação chamado rotina. Não podemos ir além do seu raio de ação, pois não temos os veículos necessários a isso. Estamos limitados pela cultura, tradição, religião, sistemas filosóficos, doutrinas e ismos. Atente para o que vamos lhe dizer: “Por meio da consciência, batedores de todo o universo vêm até nós. E por meio da consciência um Homem de Conhecimento vai aos confins do universo”. Para a ESCOLA a consciência é um elemento energético que  permite viajar através dele. A nossa limitação só permite perceber os elementos físicos, porque fomos condicionados a isso por meio da identificação. Mas o físico é imaginário, o corpo é imaginário e limitado, mas o corpo energético é real e ilimitado.

Como dissemos, o Tratado do Lobo e o Cordeiro é uma viagem. Mas existem formas diferenciadas de se colocar à disposição. Na primeira o Tratado o pega e leva para onde assim determinar, mas para isso você tem que ter um Centro Magnético compatível com ele. Na segunda você o leva pelas mãos e o direciona segundo sua própria vontade, mas precisa embarcar com consciência total de si mesmo e isso exige disciplina e esforço. Quando lidamos com questões que dizem respeito ao corpo energético precisamos estar atentos, pois se trata de uma travessia vital e perigosa. O universo não lhe dá nenhum poder sem uma cobrança paralela. É como uma promissória assinada em branco, mas com um diferencial: O credor é justo e responde pelo nome de Lobo.

Muita atenção a isso. Sozinho você não tem energia suficiente para romper as fronteiras do desconhecido. Parece um paradoxo, pois a ESCOLA diz que só a coragem de ser só permite ir além. Não obstante, a própria Igreja diz que toda salvação é individual. Mas quando assim fala está se referindo às formas sutis de identificação e à necessidade de superá-las. Por isso o valor da família é inquestionável no universo Cristão. Pai, mãe e filhos são Três Forças. Um homem sozinho não vai a lugar algum. Mas um homem, mais o Lobo e o Cordeiro pode ir aos confins do universo. Família é a união do pai, mãe (Lobo) e filho (Cordeiro). Por isso o papel da mulher é relevante dentro da ESCOLA, ela é o aspecto feminino de Gaia, seu instinto, sangue e vida. Manter indenes o Lobo e o Cordeiro tem o significado de amar e respeitar a sua esposa e filhos, tanto quanto a esposa e filhos do seu próximo. Todo filho por analogia é o próprio Cordeiro, por isso a máxima de Jesus: “Tudo aquilo que fizeres ao menor destes pequeninos é a mim que o faz”.

Todo o Tratado é um convite a romper as linhas paralelas entre os mundos e ir além. Mas aqui fazemos uso da consciência tanto orgânica, quanto inorgânica, e o processo ocorre no agora. Um instante de tempo é tudo que temos, mas tempo é um referencial de espaço/tempo, ou seja, Lobo e Cordeiro.  Um instante de consciência nos transporta além do espaço tridimensional, sendo assim o tempo deixa de existir, tornando-se assim eternidade. Todo poder que o mundo cotidiano exerce sobre nós deve-se ao fato de estarmos imobilizados, identificados, com nossos afazeres habituais. Entenda que você pode afrouxar um parafuso, usando apenas o Centro motor, ou pode fazê-lo usando além do Centro Motor, o Intelectual e o Emocional.  Nossa percepção do mundo tornou-se tão caótica, que preferimos os círculos fechados, onde nos sentimos seguros, a qualquer possibilidade de ir além. Se quisermos ir além, precisamos afastar o medo, ou seja, a identidade oportunista do eu.

Outro fator importante no tempo de um guerreiro é que ele sabe que ao tempo normal deve somar, em forma de energia, o tempo dos seres inorgânicos. Deve colocá-los ao seu serviço, sem com isso utilizar nenhum tipo de persuasão. A ideia é retirar deles energia complementar, sem ceder a nenhum comando ou exercer qualquer tipo de domínio, além daquele que lhe foi concebido pelo despertar da consciência. Lembrando mais uma vez que consciência é energia, que por si mesma pode atrair outro tipo de energia e a integrar à vontade. Nossa energia pode ser usada para entrar no campo energético da matéria inanimada, ou de outros seres vivos. Se estivermos em estrita comunhão com o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda tudo se torna possível.

Outro ponto fundamental é saber que a energia necessária para mover a consciência do ponto fixo em que se encontra vem do mundo dos seres inorgânicos. É um milagre ver que nossas atitudes refletem muito além do tempo cronológico e reverberam em respostas emocionais vindas daquele mundo. São as respostas de nossos antepassados às atitudes que tomamos hoje que libertam tanto a nós quanto a eles.  Uma atitude consciente pode romper elos em cadeias distantes. Este é um conhecimento muito além dos referenciais atuais de salvação, céu e inferno.

O tempo de um guerreiro não é movido por interesses circunstanciais. Ele sabe que o despertar da consciência é o bem maior de um homem em busca do milagroso. Tempo real é feito de atitudes precisas, no tempo certo, no lugar certo, com liquidez absoluta de valores reais. O tempo de um guerreiro não deixa marcas, simplesmente por não existir num universo de três dimensões, por isso um guerreiro passa sempre despercebido. O tempo de um guerreiro não retarda nenhum processo, não condiciona, não identifica, nem cria falsas perspectivas. É um eterno fluir, um rio caudaloso, livre, silencioso a caminho do mar. O guerreiro é aquele que harmonizou em si o Lobo e o Cordeiro, por isso caminha livre dos extremos. Nada tem a provar a si mesmo, nem a ninguém, enquanto o seu ser é livre para viajar estrelas. Não é reativo, não julga, não interfere por saber que todo processo é natural. O guerreiro é um ente mágico, pois viaja por diversos mundos sem nunca perder o contato com o agora. Tanto faz se a consciência é orgânica ou inorgânica, ele a traduz em benefícios para si mesmo e para o outro. Com isso possui aliados em diversas esferas dos mais diversos mundos.

Consciência é luz. Tempo é luz, respiração, eternidade. Existe um tempo para o batimento cardíaco da Terra e este tempo está em harmonia com todo o cosmo. Respirar em uníssono com ele é despertar para um novo estado de consciência.

Que assim seja!

168 – Assim caminha a humanidade

In Artigos on 9 de agosto de 2012 at 23:42

Assim caminha a humanidade, ao longo de sua história. Vamos observar neste texto que a civilização e a barbárie (art. 014) sempre andam de mãos dadas e que os períodos de aparente ascensão são na verdade alicerces do declínio. Aquilo que chamamos evolução esconde os escombros de uma cultura decadente e condenada ao fatalismo das convicções, quando em contato com a triste realidade de suas atitudes. Assim acontece porque o imaginário torna-se obeso em demasia, enquanto o corpo de uma cultura sente o colapso em suas veias e artérias. A convulsão torna-se assim apenas uma questão de tempo. Nunca é demais lembrar que o corpo de uma cultura é um organismo vivo como qualquer ser senciente da Terra, pois responde a estímulos mentais e emocionais.

Nossa viagem terá início no Império Egípcio, onde tanto no Antigo, quanto no Médio e Novo Império vamos deparar com os mesmos sintomas (art. 052) de ascensão, decadência e queda. No decorrer de mais de três mil anos o Império Egípcio passou por períodos intensos de grande brilho, mas também de declínio e oscilações políticas. Durante o Antigo Império, os faraós conquistaram enorme poder no campo religioso, militar e administrativo. Observe que o campo religioso exerce domínio sobre o emocional; o militar sob a doutrina do medo comanda o físico, enquanto o administrativo procura manter o mental em equilíbrio. Essa época ficou conhecida como a época das pirâmides. Observe que a sociedade era dividida em funcionários que ajudavam o faraó e uma imensa legião de trabalhadores pobres que se dedicavam à agricultura, às construções, além de arcar com pesados tributos. Aquele mesmo Império de brilho e ascensão foi abalado por uma série de revoltas lideradas pelos administradores de províncias, fazendo da barbárie ascendente um tirano real a depor uma civilização imaginária.

Durante o chamado Médio Império o Egito voltou a recuperar a estabilidade política e com ela o crescimento econômico e o renascimento de suas manifestações artísticas. Mas longe de ser a manifestação de um sistema social evolutivo serviu apenas à proliferação do poder, ampliando suas fronteiras imaginárias, consumadas com a conquista militar da Núbia. Não demorou muito para que a barbárie voltasse à tona, trazendo novamente a ruína e a decadência. Dissolução, angústia, miséria e fome são germens de uma cultura falida, mas sob as cinzas de fênix o pássaro reabre as asas e redescobre o prazer de voar. Fazendo uso de técnicas militares aprendidas dos Hicsos, os faraós do Novo Império organizaram exércitos permanentes, lançando-os a novas conquistas. Assim, invadiram territórios do Oriente Médio, dominando cidades como Jerusalém, Damasco, Assur e Babilônia. Povos inteiros foram dominados e obrigados a pagar tributos em forma de ouro, escravos e alimentos. Mas como a ascensão do imaginário é sempre prenúncio do fim, mais uma vez o Império foi assolado por revoltas populares, entrando novamente em período de decadência, pela insensatez e arrogância de seus líderes. Novamente a maioria absoluta da população era sobrecarregada por impostos e se afundava na pobreza, enquanto uma classe privilegiada, abastada e vaidosa exibia luxo, ostentação e poder.

Diante dos persas de Cambises o Egito sucumbiu na batalha de Pelusa. Os persas ocupavam o planalto localizado entre o mar Cáspio e o atual golfo Pérsico, conhecido como planalto Iraniano. Ali se estabeleceram os chamados povos Indo-europeus. Duas grandes tribos formavam a base daquele povo: os Medos e os Persas. Dois reinos independentes no planalto Iraniano. Mas vamos nos ater aos persas por ser o veículo de nossa reflexão. O seu surgimento como Império foi creditado a Ciro e devido ao aumento expressivo da população criou-se a necessidade de expansão geográfica, que teve início com a dominação da Lídia. Mais uma vez estamos diante das fronteiras imaginárias (art. 022)e suas consequências posteriores. A partir daí a sede insaciável de poder submeteu as colônias gregas próximas, que passaram a fazer parte do Império. O exército de Ciro, ainda não satisfeito partiu para a Índia, onde chegou às margens do rio Indo. Não obstante, anexou ainda a Babilônia. Foi aí que teve fim o lendário cativeiro babilônico dos judeus, pois Ciro permitiu que voltassem à Jerusalém, e ainda os ajudou na reconstrução do Templo. Os sábios da Pérsia eram conhecedores do poder histórico de Jerusalém. As lendas de Gilgamesh já eram conhecidas muitos séculos antes do dilúvio chegar ao livro do Gênesis.

Vamos destacar que a cultura religiosa da Pérsia tinha um legado bastante elevado para a época. Eles davam valor a Terra, ao Sol e às Estrelas, sendo a terra raiz da Tradição Perene, das tradições Sufis e Dervixes. Talvez por isso Ciro não proibisse as crenças nativas dos povos conquistados. Concedia certa regalia às classes abastadas, mas exigia em troca homens para o seu exército, alimentos e metais preciosos. Todo poder é avaro, pelo simples fato de não pertencer ao homem, portanto, tomar posse dele é um fenômeno de usurpação do cosmos. Diante do imaginário e seu pressuposto de conquistas, o Império Persa alcançou o mar Cáspio, o mar Negro, o Cáucaso, os desertos da África e da Arábia, o golfo Pérsico e a Índia. Mas todo poder sucumbe diante de si mesmo, por isso Cambises não conseguiu chegar a Cartago. Uma famigerada luta interna pela manutenção do poder o enfraqueceu e destruiu. Mas como a política interna expansionista do homem nunca tem fim, continuou com Dario e suas satrapias.

Todo poder ascende ao imaginário e a partir daí sua decadência é inevitável. Assim também ocorre com o coração do homem, sua cultura e civilização interior. Sendo assim, o fim do Império Persa foi decretado por Alexandre, após o assassinato de Dario III. Diz-nos a ESCOLA que, quando a caminho da Pérsia, Alexandre cruzou com um Sufi, completamente nu, banhando-se nos primeiros raios de sol do amanhecer. Este o convidou a despir-se e se alimentar da força do deus Sol, mas teve como resposta a promessa de fazer isso ao retornar vitorioso da Pérsia. O sábio Sufi era conhecedor do imenso poder do imaginário no coração do homem, e apenas se curvou e sorriu. Ele sabia que Alexandre nunca mais voltaria por ali, o seu destino era outro.

Outro elemento para reflexão é o legado do Império Grego, sua civilização e cultura. A península grega projeta-se em direção ao Mar Mediterrâneo. Sua parte sul tem uma configuração montanhosa, sendo que algumas montanhas são ilhas e ficam próximas à costa. Devido à grande parte de suas terras serem impróprias para o cultivo os gregos tiveram que desenvolver formas alternativas de sobrevivência, tornando-se assim excelentes comerciantes a percorrer os mares em grandes navios.

A Grécia Antiga nasceu na região sul da Península Balcânica, e como os demais impérios também exerceu domínio sobre as regiões vizinhas, tais como, a Península Itálica, Ásia Menor e algumas ilhas do Mar Egeu. Com o passar do tempo, várias cidades politicamente autônomas apareceram e foram precursoras de diversas práticas, que influenciaram profundamente os nossos costumes ocidentais. A Grécia Antiga era um amplo mosaico de culturas que acabaram se desenvolvendo de forma independente e diversificada.

Todo crescimento a partir de fora gera diferenças e acirramentos. É preciso ter em mente que toda e qualquer forma de poder não admite interferência em seus domínios. O poder tem como base o imaginário, exatamente por este não oferecer nenhuma resistência aos seus interesses. O imaginário será sempre o melhor condutor, e ao mesmo tempo o menos confiável, pois em si mesmo é o alimento menos custoso a todo tipo de persuasão. A acirrada disputa por interesses pessoais na Grécia Antiga cedeu lugar à dominação de outros povos, submetendo sua cultura e civilização.

A herança maior do legado grego à procissão da miséria humana são a identificação e a imaginação. Aos poucos a tradição perdeu contato com a Mitologia, a Alquimia e o Sagrado. O Ocidente viu no legado grego uma oportunidade única para salvaguardar valores, então, a obstinação, a intransigência, a justificativa e o medo renasceram em berço de ouro. Nunca se esqueça da frase de Churchill: “Aqueles que não conseguem aprender com a história estão condenados a repeti-la”.

Como nos exemplos anteriores, o futuro do mundo helênico tornou-se incerto e sombrio. Depois de uma idade de brilhantismo a vida das pessoas simples do povo podia tornar-se uma arena de ameaças da noite para o dia, bastando para isso uma simples decisão de ordem superior. E para manter os seus padrões sustentáveis eles não pensariam duas vezes. As cidades gregas enfraqueceram e muitas delas tinham de ser socorridas financeiramente, para não se dissolver numa bancarrota inadiável. A sobrevivência tornou-se cada vez mais difícil em virtude de tributações elevadas. A queda do Império Grego em nada difere dos anteriores: ganância, orgulho, luxúria e vaidade. Assim caminha a humanidade.

Vamos agora observar o Império Romano, sua herança social, cultural, seus valores morais e éticos. Sem com isso deixar de lado a política de ‘pão e circo’, que até hoje nos é servida. Como a toda decadência antecede a prosperidade, em Roma não poderia ser diferente. A prosperidade romana conseguida com as conquistas modificou profundamente o comportamento de patrícios e homens novos, que desejavam apenas usufruir de seu status, preocupando-se com o próprio prazer. Aos plebeus pobres havia a possibilidade do serviço militar e algumas regalias nas conquistas. Mas à grande massa de necessitados era oferecida a política de ‘pão e circo’, ou seja, a distribuição de certa quantidade de trigo e ainda espetáculos gratuitos de luta entre gladiadores. Será que existe uma grande diferença para o que estamos vendo nos dias atuais do nosso país? Qualquer semelhança talvez seja mera coincidência, não é mesmo? Acredite: De bons mocinhos nossos dirigentes não têm nada. A hipocrisia continua nos credenciando como o país do futuro.

Imensas guarnições militares se fizeram necessárias para proteger as fronteiras imaginárias daquele vasto império, enquanto seus líderes pilhavam e gastavam dinheiro público em orgias e depravações. Meu Deus!!! Acho que já vi esse filme. Para ser breve e antecipar resultados, em 476, Odoacro, rei dos Hérulos, destronou Rômulo Augustulo, último imperador romano. Vamos recordar que entre as principais causas do enfraquecimento do Império estavam: crise econômica, baseada no latifúndio escravista; descontentamento com a cobrança de altos impostos, sendo o dinheiro usado para a sustentação do luxo e corrupção de governantes; desorganização política; disputa pelo poder e corrupção, além das lutas internas.

Restava ainda a resistência do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, que caiu em 1453 pelos turcos otomanos. Sua queda difere muito pouco da anterior, pois após a queda o Império Romano do Ocidente, suas raízes e comportamentos migraram a buscar abrigo no Oriente. Assim caminha a humanidade, desde o princípio foi assim. Compreenda que todo processo de fertilidade, ascensão e queda obedece a Lei de Oitava, portanto, existem dois intervalos a ser ultrapassados antes do fim. É a lei desde o princípio do mundo, não há como fugir a isso.

A partir do Século XIX, o rápido avanço da industrialização no continente europeu marcou um intenso processo de expansão econômica. O crescimento dos parques industriais e o acúmulo de capitais fizeram com que as grandes potências econômicas da Europa buscassem a ampliação de seus mercados e procurassem maiores quantidades de matéria-prima, disponíveis a baixo custo. Foi nesse contexto que essas nações iniciaram a exploração da África, Ásia e Oceania.

É interessante observar que somados aos interesses de ordem político-econômica, a prática imperialista também buscou suas bases de sustentação ideológica. A Teoria do Darwinismo Social colocava a Europa no ápice do desenvolvimento social humano, enquanto a África e a Ásia eram consideradas sociedades primitivas. Tudo isso teve consequências desastrosas, incluindo a Primeira e Segunda Guerra mundial. Além de promover a desestruturação das culturas africanas e asiáticas, muitas das guerras civis contemporâneas e grande parte dos problemas socioeconômicos que afligem os países que integravam os antigos impérios coloniais têm íntima relação com a ação imperialista.

O Neocolonialismo Norte Americano teve início em 1933, com a política da boa vizinhança. Era a nova forma do capitalismo americano, elaborada por Rosevelt na época em que a Alemanha Nazista tentava ganhar simpatia das oligarquias latino-americanas. Com a política da boa vizinhança Rosevelt tinha como objetivo fortalecer o regime ditatorial da América Latina, mantendo guardiões muito bem pagos, em detrimento das organizações operárias e sindicatos. Além disso, a política da boa vizinhança visava também à exploração de minerais e uma relação completa de suas possíveis quantidades e localização.

Mas como ‘tudo e todas as coisas’ responde sempre numa relação de Oitava, em comunhão com a Lei de Três, a América já começa a dar sinais de decadência. Muito antes da decadência financeira, expressa sinais de decadência moral, ética, humana e social. Basta observar o desrespeito aos valores sociais e humanos dos outros povos, o desperdício e insensatez a Gaia: 40% dos alimentos da América vão para o lixo. Esse excedente fétido é a fome da Somália, somada a outras partes do mundo. Lembre-se que a história é cruel com os impérios, quer sejam declarados ou acobertados pela hipocrisia de seus líderes.

A pobreza que assola a África, Ásia e América Latina é fruto desse desejo incontido de domínio e poder do colonialismo e neocolonialismo. A miséria do mundo clama por justiça àqueles que a causaram. Não esqueça que pensamentos e sentimentos são unidades vivas de reverberação. O Centro Instintivo de Gaia armazenou todas as informações e reagirá em cadeia, frente ao desrespeito a todos o s seres sencientes do Planeta. O gigante já deu seus primeiros sinais de fragilidade, enquanto a Europa tropeça por si mesma. O Império dá sinais de decadência, os sintomas são os mesmos e o modo de reação a eles não difere em nada dos anteriores.

Não é necessário ser um Homem de Conhecimento para observar os sinais evidentes de deterioração de todo o sistema. Todo poder é apenas aparente e circunstancial. O poder sempre foi e será o prenúncio do fim. Ninguém pode represar as riquezas de Gaia, sem com isso incorrer em grave erro. O universo é inteligente e equilibrado e tentar alterar esse estado em proveito próprio é a maior ingenuidade do homem civilizado. Observe a Si Mesmo e verá com os seus próprios olhos.

Que assim seja!