Lázaro de Carvalho

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007 – Atitudes

In Artigos on 31 de janeiro de 2011 at 15:15

Atitudes são pontes que possibilitam a interação entre dois mundos:  o psíquico, ou interior, e o exterior, ou mundo dos afazeres diários . É  preciso observar as atitudes, sua extensão e raio de influência, mas será possível observá-las sem a Observação de Si Mesmo? É a Observação de Si Mesmo que lança um raio de luz sobre as trevas interiores, sobre o inconsciente pessoal e coletivo. Nada podemos fazer, mas é possível trabalhar sobre as atitudes. Lembremos que atitudes equivocadas  podem criar terríveis obstáculos às relações humanas e seu processo evolutivo. Estamos todos interligados, como se estivéssemos presos uns aos outros por fios invisíveis. Nossas atitudes criam esses fios, que ao se transformar em hábitos, determinam o seu grau de densidade e vibração.

Atitudes são reveladoras do quanto estamos investindo na relação e preservação do Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda. Atitudes equivocadas denotam desequilíbrio nessa relação. Significa que não estamos prestando a devida atenção ao nosso propósito interior, ou seja, não estamos observando a nós mesmos. Atitudes são respostas, digamos que a verdadeira resposta implica atitudes, portanto, uma pergunta já traz em si mesma uma atitude inerente ao seu propósito ulterior. Uma pessoa movida pela curiosidade, quase sempre é determinante de atitudes fragilizadas. Isso porque a curiosidade é facilmente seduzida, alterando significativamente  a meta inicial. Curiosidade não é sinônimo de propósito, antes é um obstáculo a ser direcionado à sua realização.

Tanto o Lobo, quanto o Cordeiro são arquétipos e, em virtude de não termos a Consciência de Si Mesmo, devemos prestar especial atenção à maneira como determinam nossas ações. Relegar qualquer deles ao esquecimento significa caminhar sozinhos por bairros perigosos e mal iluminados do mundo interior, sem ter o conhecimento real da gravidade de tal situação. O nosso mundo psíquico é tão real quanto este da  vida diária e atitudes equivocadas causam conseqüências imediatas nas  relações sociais e humanas. Intenções são nutrientes do processo, enquanto atitudes desencadeiam o processo como um todo. Entenda que não existem atitudes isoladas, mas sim consequências interligadas. Quando falamos em atitudes tentamos dizer que um processo está em evidência, mas em relação causal com milhões de outros à nossa volta.

Quando excluímos o Lobo de nossas relações nos tornamos apáticos, sem iniciativa, submissos, cansados, acomodados e atitudes passam a ser reflexos desse quadro. O Lobo nos dá coragem, possibilita a sobrevivência em regiões inóspitas da psique. O Lobo nos convida a um novo aprendizado: aprender a perder. Hoje consideramos demais e nos envolvemos maciçamente com um amontoado de necessidades artificiais. Criamos um castelo de ilusões e com ele a necessidade de atitudes que justifiquem a sua posse. O Lobo é um ser solitário, mas não alimenta estados de solidão. É defensivo, mas não cria ao seu redor fronteiras imaginárias. Do convívio harmonioso com o Lobo, resultam  atitudes de desprendimento, isentas de culpa. Atitudes lupinas são instintivas e naturais e não ferem a ecologia interior do homem, sendo antes um somatório de identidade e preservação.

O Lobo tem  o instinto do Lobo, mas a sua alma é de Cordeiro. Atitudes da matilha são um excelente referencial humano. O Lobo protege a sua prole e apesar da aparente agressividade sabe reconhecer atitudes justas e leais. Delimita o seu território na dimensão exata das necessidades, não deixando absolutamente nada ao acaso. Instinto apurado de defesa e sobrevivência sim, mas sem excedentes fétidos, nenhuma posse ou prerrogativas de submissão. A Loba, em muitos casos, é companheira fiel de uma vida inteira. O Lobo não trai. É fruto de uma raça nobre, cujos valores o homem esqueceu a muito tempo. Se o Lobo e sua prole estiverem saciados o Cordeiro será preservado. Ele sabe que o Cordeiro é o pão da vida, jamais usará a sua carne além daquilo que lhe é estritamente necessário para sobreviver.

A infidelidade do homem em relação ao Lobo está deteriorando as relações sociais e humanas e sua atitude refletindo negativamente no eco-sistema planetário. O medo, por exemplo, é determinante da posse e suas consequências, mas não é uma herança lupina. Outro exemplo é a obstinação, que determina o excedente e sua armazenagem além do necessário, sendo responsável pela falta à mesa do outro. Mas nada disso é herança do Lobo. Não há excedentes no habitat do Lobo, sendo astuto, mas não obstinado. Atitudes espelham o auto-reflexo, por isso criamos amortecedores para amenizar o choque, quando em contato com a verdade que habita cada um de nós. Exorcizar atitudes é o modo que o homem encontrou de fugir à própria sombra.

Está escrito nos anais do conhecimento que o homem nada pode fazer, que na sua vida tudo simplesmente acontece, e acontece da única maneira que poderia acontecer. O verdadeiro fazer começa pelo não fazer. Tente não reagir do modo costumeiro, simplesmente repetindo as mesmas atitudes condicionadas. Notará que não é fácil. Atitudes são raízes, algumas tão profundas que impossibilitam pensar em algo novo. Atitudes nascem do pensar, nem sempre ativo, mas só tomam forma no Centro Emocional. Este sim é determinante das ações, mas quando em estado letárgico torna-se reativo, impossibilitando atitudes autênticas. Todo o processo moderno de hipnose e auto-sugestão, primeiro entorpece o Centro Emocional, para somente depois configurá-lo segundo suas próprias conveniências. Preste atenção à propaganda, primeiro o faz sentir-se insatisfeito com aquilo que é para somente depois lhe apresentar o que considera ser o melhor investimento. Atitudes mecânicas caracterizam máquinas, num universo de intenções repetitivas.

Atitudes, sem o conhecimento das Três Forças e seu universo interativo, refletem apenas a velha maneira de pensar. Para evadir-se e transformá-las é preciso antes despertar.  Se despertamos, mesmo que seja por apenas alguns minutos, rompemos laços de identificação, laços estes que nos mantêm cativos ao circulo imaginário de nossas convicções.  Mas é necessária a Observação de Si Mesmo. Somente ao nos observar mais e melhor podemos desvendar horizontes, e isso irá permitir ver além dos limites da prisão interior.

Que assim seja!

OO6 – O Despertar

In Artigos on 26 de janeiro de 2011 at 16:05

É possível conceber o Lobo como a força propulsora do mal, enquanto ao Cordeiro lhe atribuímos o bem, afinal, fomos ensinados a pensar assim. Mas será este o nosso objetivo ao redigir estas páginas?

Direi que é razoável interpretar o Cordeiro como a simbologia do bem, a tradição nos faz pensar e agir desta forma, mas o Lobo não deve ser visto como uma entidade externa a que chamamos de força do mal. O Lobo, segundo a visão que direciona nosso propósito,  simboliza  a Justiça como instinto natural e reativo de Gaia e não responde a sugestões racionais impostas pela tradição. Todos os homens fragilizados que vivem submissos à piedade e à misericórdia de Deus temem o Lobo. O motivo de tamanha temeridade é simples: o Lobo não se curva perante a hipocrisia dos homens. Devido a sermos entes humanos inferidos pela mentira, pois o homem é um animal que mente, a verdade tornou-se para nós um estorvo. Fugimos dela  o tempo todo,  por isso exorcizamos o Lobo e louvamos o Cordeiro. Ao Lobo não podemos mentir. Ele não é conivente com a mentira e não tem piedade nem misericórdia dos homens.

Se pudéssemos tornar conscientes de nós mesmos pelo menos por alguns minutos, o Lobo e o Cordeiro tornar-se-iam unos em nós. Mas estamos profundamente adormecidos, como se estivéssemos ausentes de nós mesmos.  Este estado alucinógeno de espírito, mantido pelo hipnotismo e sugestão das massas e chamado de imaginação tomou o lugar que por direito é nosso. Em nós o Cordeiro tornou-se imaginário e o Lobo também, mas eles são reais. São os extremos, a expressão máxima da verdade.

E agora? O que fazer? Pense por um instante: existe algo distinto, humanamente real que faz sua morada além do eu imaginário, mas nós não o conseguimos alcançar devido a um estado letárgico da alma. Urge em nós o despertar.

Sem a Lembrança de Si Mesmo, qual o significado de Eu Sou? Não tem significado algum, ou se tiver será abstrato, sem coerência, extremamente vago. Somos uma legião de eus, pois ainda não existimos como individualidade digna das promessas de Deus. Talvez por isso a Terra esteja padecendo tantas dores. Ela precisa de nós, do nosso carinho, da nossa gratidão. Mas onde estamos? Quem somos? O que dizer de ecologia se nem ao menos alimentamos devidamente o Lobo e o Cordeiro que foram confiados à nossa guarda?

Como podemos verdadeiramente amar? Homens e mulheres adormecidos sonham que amam, ou melhor, amam a si mesmos de uma forma egoísta. Basta por um instante ferir a vaidade para que a violência venha à tona. Por motivos fúteis, gritamos para o Lobo: PEGA!  PEGA!  E, com certeza, ele vai pegar. Então botamos a culpa nas circunstâncias, no outro, no próprio Lobo, enquanto os verdadeiros culpados somos nós.

Estamos embriagados por um modelo hipnótico que condiciona  respostas, segundo sugestões. Por isso a relutância em despertar. Aprendemos a conviver e amar o sofrimento inútil. A imaginação tomou conta de nós, nos tornamos ébrios. Tememos despertar por medo de encarar a verdade diante dos nossos olhos.

Homens adormecidos escrevem música, exercem a medicina, dirigem paises, tornam-se generais; e quando a realidade alerta para o fato que devemos imediatamente trocar o que chamamos de Desenvolvimento Sustentável por uma Retirada Sustentável, simplesmente respondemos: Ainda é cedo, não existem razões para tanto.

Despertar significa ter coragem e ver a nós mesmos como integrantes dessa imensa procissão da Miséria Humana, que caminha errante pelas ruas. A miséria é sua veste nupcial para o enlace com o imaginário de si mesma. Mas as leis do Alto são investidas de sabedoria. Felizmente, estamos impossibilitados de um despertar súbito, pois ficaríamos loucos diante da verdade. Não suportaríamos o odor angustiante de carne fétida.

O LOBO E O CORDEIRO NÃO SÃO DECISÕES  SUAS, SÃO SOMBRAS DO SEU SER.

Que assim seja!

005 – Os textos sagrados

In Artigos on 21 de janeiro de 2011 at 13:58

Qualquer referência aos textos sagrados, coloca-nos diante de duas possibilidades. Mas tão importante quanto estudá-las é observar mais uma vez que estamos diante de uma interação de Três Forças. Tanto a primeira possibilidade, quanto a segunda possibilidade e a pessoa que as estuda são representações das Três Forças. Não nos preocupamos aqui se os textos em questão estão na Bíblia Sagrada, no Bhagavad Gita, nos Upanishads ou outras fontes. O importante  é que estejam em harmonia com sua crença, cultura ou religião. O que  nos interessa aqui é  interpretá-los sob a ótica do Tratado do Lobo e o Cordeiro.

Outrossim, vamos destacar que todo e qualquer texto pode ser sagrado, dependendo do estado interior de contemplação de quem o lê. Mas sem a interação de Três Forças nenhum texto é sagrado, nem mesmo o texto bíblico. Ao refletir sobre um manuscrito tenha sempre em mente que você, o Lobo e o Cordeiro estão presentes. Com o tempo a visão das Três Forças vai mudar muita coisa, senão tudo ao seu redor. Deixará de ser o ente imaginário que é hoje, abandonando a visão dispersa em proveito de uma concentração maior e mais requintada. O sagrado de um texto não é absoluto, mas existe em comunhão com o estado interior daquele que o aprecia. Escala e relatividade estão presentes em tudo e todas as coisas. Só o Absoluto integra em Si Mesmo as Três Forças, por isso é princípio, meio e fim. Na visão cristã, Pai, Filho e Espírito Santo, a Trindade Santa, é a manifestação do Absoluto em si mesmo.

Vamos, então, navegar os textos, num mar infinito de possibilidades. Podemos interpretá-los sob a visão extremada do Lobo, absorvendo apenas a sua literalidade expressa em Tinta Fogo Negra, ou seja, incorporando o seu significado através dos  símbolos ou letras que formam palavras e frases inteiras. Mas para que possamos decifrar o teor da mensagem, precisamos de um sistema cognitivo em harmonia com a tradição, cultura e valores da época. Nada disso seria possível sem  a presença da  Tinta Fogo Branca, que realça o contorno das letras,  permitindo assim a sua leitura e interpretação. Portanto a visão literal do Lobo é tanto luz, quanto escuridão. A incidência menor ou maior de uma ou outra depende do quanto a temos disponível em nosso interior. Não existem Lobo e Cordeiro absolutos. O que realmente existe é uma relação de escala entre Três Forças.

O texto que ora redigimos pode ser sagrado ou não, dependendo da projeção, magnitude e alcance de seu conteúdo. Entenda que o sagrado é independente de qualquer causa religiosa, diria até que em muitos casos a influência da religião pode profanar um texto sagrado. A casa por si mesma não energiza o homem, mas o homem pode e deve energizar a casa. Casa de Deus é um rótulo que pode se tornar real se o homem que a habita for um referencial de Deus. O sagrado pode ser relegado ao supérfluo, enquanto da lama podem nascer pérolas reluzentes. Está conseguindo ver escala e relatividade em tudo e todas as coisas? Torná-las absolutas é um erro de grandes dimensões. Quando as Leis do Absoluto deixam o Mundo 1 já não são absolutas, mas sim a manifestação de Três Forças.  Estamos na Terra (regida por 48 ordens de leis), ou Mundo 6. Como querer que as coisas sejam absolutas aqui? Lembramos que o universo é inteligente e relativo, portanto, fé sem consciência de si mesmo, é cega e desprovida da verdade. É um legado da visão absolutista, que ainda insiste em alimentar o ego humano com orgulho, vaidade e ostentação.

Mas também podemos interpretá-los, segundo a ótica do Cordeiro. Sendo que para isso necessitamos de uma percepção maior, outro estado de consciência; precisamos ver e não apenas interpretar, motivados exclusivamente pela razão. Para alcançarmos significado além daquele meramente literal, se faz necessário parar o mundo, cessar o contínuo e ininterrupto diálogo Interno, ou seja, o fluxo involuntário dos pensamentos. A visão do Cordeiro se expressa pela Tinta Fogo Branca, que significa a possibilidade de ver além da forma conceitual das palavras. É a isso que chamo de uma nova maneira de pensar. Pensar fora do domínio da tradição, dos hábitos, do sistema, da imposição das culturas. Pensar por si mesmo.

Todo o nosso aparato psíquico está submetido a um sistema embrionário de comparações, por isso necessitamos da Tinta Fogo Negra, ou seja, das letras, palavras e frases que induzem a uma análise racional, apenas literal, através da qual tornou-se possível interpretar, ter uma opinião formada sobre algo, mas que não é especificamente nossa, mas sim herdada. Com o passar do tempo, vários foram os anexos embutidos à fonte, assim a literalidade original perdeu-se para sempre. E com ela o conceito inicial de sagrado também se perdeu. Hoje classificamos como sagrado tudo aquilo que possibilita viver mais intensamente, em segurança e harmonia com aqueles que nos são caros. Toda e qualquer alternativa que coloque esta prerrogativa em risco é profana e responde por uma identidade: Lobo.

Quando a leitura dos horizontes sagrados passa a ser feita pelo Cordeiro, o texto adquire nova vida, torna-se completo e ganha significado e conteúdo próprios. Não necessitamos mais da inquietude obsessiva das respostas. As  dúvidas não deixam de existir, mas passam a tomar parte de um conhecimento vivo, refletindo em nós todas as perguntas em possibilidades claras e diretas. Uma verdadeira fé, uma confiança absoluta, desperta dentro de nós. A partir daí, uma entrega verdadeira e incondicional torna-se  possível. Não estamos falando de nenhuma entrega externa, nenhuma submissão, mas de reencontro consigo mesmo, com os seus valores mais sagrados. A isso a ESCOLA chama o despertar do homem.

Somos entes teimosos, insistimos em nos prender a meras interpretações literais, não dando conta que estão sujeitas a todo tipo de influências, quer sejam da tradição, hábitos, cultura ou poder. Isto quando nos predispomos a ver, porque na verdade poucos vêem e dentre os que vêem, ainda existem aqueles que não interpretam absolutamente nada. A teimosia humana tem reflexos diretos na impaciência, na ansiedade e seus limites. Sem cessar o diálogo interno é impossível contemplar um texto, quer seja sagrado ou não. Lembre-se que pensamentos são entidades vivas, além da forma, e nos levam para onde assim desejarem. Como dissemos somos preguiçosos por natureza e sempre escolhemos o caminho de menor resistência. Mas um texto sagrado e sua compreensão exige esforço e disciplina.

Voltamos  a destacar que refletir sobre o conteúdo de um texto sagrado, seguindo a visão do Cordeiro não é uma tarefa simples. Antes precisamos aprender a praticar o não fazer de falar, ou seja, observar o incessante diálogo interno, para que a partir do silêncio interior possamos ouvir a Voz do Cordeiro. A verdadeira interpretação lhe pertence. Ele é a Tinta Fogo Branca, ou um campo aberto a todas as possibilidades, que a cultura cristã chama de livre arbítrio. Mas nos prendemos a um sistema rígido de crenças, apesar de continuarmos usando o mesmo álibi do livre arbítrio. Não vemos nada além do círculo da doutrina que nos rege. O nível de atenção que usamos no dia-a-dia não é suficiente para vermos isso. É necessário um nível especial de atenção, menos condicionada, mais volátil,  uma quantidade maior de energia precisa estar disponível. Condicionados ao sistema não temos acesso a essa energia em potencial que poderia nos fazer ver. É impossível compreender isso sem uma completa reviravolta de valores. Onde todos pensam igual, como você acredita poder pensar diferente?

O verdadeiro significado  dos textos sagrados está oculto. O que resta em forma de conhecimento são apenas fragmentos. Aquilo que as religiões ensinam é apenas uma caricatura, uma interpretação literal dos textos; uma interpretação sob a literalidade da Tinta Fogo Negra, que em nenhum momento visa realmente nos despertar para a essência do Verdadeiro Conhecimento, para o espírito do Cordeiro. Não é difícil ver que todo círculo é limitado por uma circunferência e regido por leis próprias. Todo ismo é um círculo, um limitador de ideias. Todo templo é um limite, toda religião é circunscrita ao limitado número de seus seguidores, que interpretam o outro como alheio aos seus domínios. Nunca o verão como a um igual, nunca. Se dele se aproximam é com o interesse embutido de o levar a pensar de acordo com os  seus propósitos. Nem o Lobo, nem o Cordeiro se permitem rotular. Todo rótulo é uma dicotomia, mas Três Forças acenam para além do eu um universo de possibilidades.

Todo texto sagrado é um fenômeno, cuja interpretação está sujeita a Três Forças. Sendo assim é necessário que  a convivência com ele seja harmoniosa e acolhedora, para que tenhamos a noção clara de eu estou aqui. Significa que sem a Lembrança de Si Mesmo não é possível encontrar o verdadeiro significado de um texto sagrado.

Busque acima de todas as coisas a  Lembrança de Si Mesmo e tudo o mais lhe será dado por acréscimo.

Que  Assim  Seja!

004 – A Procissão da Miséria Humana

In Artigos on 20 de janeiro de 2011 at 18:19

A miséria humana está diretamente associada à pobreza e pode ser entendida em vários sentidos, tais como: carências materiais, envolvendo necessidades de alimentação, vestuário, alojamentos, cuidados com a saúde e bem-estar; também pode ser interpretada como falta de recursos econômicos e carências sociais, como a exclusão social, a dependência e a incapacidade de conviver dignamente na sociedade.

Mas existe uma relação muito íntima entre dois fatores: Miséria por ter em excesso e riquezas por não se ter nada. Como estamos viajando num universo mental de fronteiras imaginárias, cumpre rompê-las com determinação e consciência. Os excedentes fétidos, sobras residuais na mesa posta dos abastados , aponta para misérias por ter em excesso, e a configuração de tirar leite das pedras, e ainda reparti-lo, acena para riquezas por não se ter nada.

A configuração do todo pela soma de suas partes nos responsabiliza por nós mesmos e pelos outros. Nossa apatia diante do sofrimento e dor que assolam a humanidade responde nas entrelinhas do tédio, do descaso e da aflição. Não existe miséria física que não tenha correspondência ativa com a miséria dos pensamentos, sentimentos e emoções. Nada existe de mais belo na Terra que a riqueza por não se ter nada. Assemelha-se à Consideração Externa, é a sua raiz, de codinome gratidão.

A arte de receber é um limitador da miséria, pois a alma se abre ao regozijo do fartar-se. O poder malicioso inerente à miséria humana está no descaso do receber, e não na ausência do dar. Receber com arte é gratidão, enquanto o dar pode ser a representação externa de possibilidades frustradas. O pedir perdão é generoso e complacente, mas sem o perdoar a si mesmo e reconhecer seu próprio erro está inevitavelmente fadado ao descaso das circunstâncias. Quando perdoar ao seu irmão, peça-lhe também perdão, e seja grato a ele por estar lhe dando uma possibilidade real de observar-se a si mesmo. A miséria humana só pode ser observada, quando a vemos habitando o ser miserável que há em cada um de nós. Misérias ocultas são campo fértil à proliferação da ausência de significado.

Miséria é insensatez, nutrida de obsessão e excedentes. O excesso à sua mesa é a miséria à mesa do seu irmão. Há um mundo miserável de justiça, segurança e ausência de propósito, e nós o habitamos. Há uma passagem da sabedoria Iídiche que nos faz um relato da miséria dentro de um contexto de céu e inferno. Diz-nos o relato que, quando os buscadores da verdade foram convidados  a visitar o inferno, viram uma mesa posta com todas as iguarias necessárias ao homem, mas indiferente a isso, aqueles que ali estavam mantinham uma tez tristonha e constrangida. Então observou que todos à mesa não tinham o movimento normal do antebraço, portanto, estavam impossibilitados de levar comida à própria boca. Em seguida, foi-lhes concedida uma visita ao céu. Presenciaram a mesma mesa, com as mesmas iguarias, mas aqueles que ali estavam sorriam e cantavam.  Perceberam, então, que eles também não tinham o movimento normal do antebraço, mas descobriram a felicidade de levar o alimento à boca do outro que estava imediatamente à sua frente, e também abrir-se para receber. Este alimento é um contingente sem fim de possibilidades nutrientes.

A procissão da miséria humana é um arquétipo. Criada incondicionalmente por circunstâncias exteriores, expandiu-se pela forma, associando-se à ganância, ao ódio e à dor. A fuga de si mesmo é o seu principal agenciador. Solicita criarmos todo tipo de subterfúgios, para preencher tempo e espaço, evoluindo para uma sociedade consumista e fechada em castas de liquidação. Toda contenção conduz à miséria. A coragem de estar só é ver-se a si mesmo como um ser miserável, egoísta, com necessidades supérfluas, e artificial.

Durante muitos anos a indecisão foi minha conselheira de cabeceira. Convivi com limitações, pois julgava ser imprecisa minha preparação. Oscilante entre extremos de contenção e expansão, adiava sempre o início do Tratado. Antecipava minha pequenez diante de tamanha responsabilidade. Mas, de repente, me vi dentro de um bambu oco, e quando o fogo do destemor foi atiçado não tive outro jeito, ou saía por cima ou por baixo. 

Então, certo dia, num quarto isolado e triste de um hotel de subúrbio, pude olhar pela janela e contemplar a Procissão da miséria humana que desfilava pela calçada. A outra janela que dava para os fundos, permitia ver  janelas também fechadas para a vida. Permaneci ali tempo suficiente para que uma força superior colocasse à minha frente um bloco de notas e uma caneta. Nele escrevi: O Lobo e o Cordeiro. Era o começo de tudo.

Quer sejamos médicos, engenheiros, padres, filósofos, músicos, pintores de parede ou funcionários de uma firma terceirizada de limpeza urbana, somos todos miseráveis e estamos adormecidos. Este é o elo expressivo de uma aterradora realidade que nos une. Estar dormindo significa perder contato com a realidade, sermos reativos e circunstanciais. E miseráveis por sermos co-criadores do mundo em que vivemos. Entidades privadas de economia mista, onde invariavelmente impera a possessividade e uma falsa liquidez.

Nosso mundo diário, o mundo dos afazeres, onde sobrevivemos e criamos nossos filhos tornou-se imaginário, e nele representamos apenas um número mínimo de papéis, escritos, manuseados e dirigido por terceiros.  Somos uma mera imitação de valores, crenças e hábitos. Não possuímos consciência, não podemos fazer, não temos individualidade e muito menos vontade. Somos uma folha a vagar a mercê das circunstâncias, reagimos segundo o estado de ânimo que nos aflora. Não temos nenhum controle sobre as forças que atuam sobre nós.

Pense por um instante nas consequências de se ter um Lobo e um Cordeiro à solta no vasto mundo da imaginação. E é isso que está ocorrendo nos dias atuais.

SERES IMAGINÁRIOS TOMAM DECISÕES IMAGINÁRIAS, NUM MUNDO IMAGINÁRIO.

Nada é tão real quanto pretendemos que seja. Estamos alimentando nossa alma com deuses imaginários  para nos proteger da solidão e do caos, como se isso fosse possível.

“Permanecei DESPERTOS e vigiai!”

Que  Assim  Seja!

003 – As Três Forças

In Artigos on 19 de janeiro de 2011 at 19:55

A Criação provém da interação de Três Forças: Ativa, Passiva e Neutralizante. Também conhecidas como Primeira, Segunda e Terceira Forças. Haverá sempre uma força Passiva ou de resistência que se oporá a nós outros como natureza íntima das coisas. Nada, absolutamente nada, pode ser responsabilizado por isso. É inútil personificar a segunda Força como Diabo, ou alguma entidade semelhante. Nós ignoramos e não lhe prestamos atenção. Visualizar a figura do Diabo como opositor íntimo aos nossos objetivos faz parte do homem velho, e nós estamos interagindo com Uma nova maneira de pensar.

A Força Ativa funciona como um impulso inicial e pode ser compreendida em vários segmentos, dentre os quais destacamos:  atitudes, objetivos,  propósitos, empreendedorismo, determinação, dentre outros.  Já a Força Passiva responde por limitações, ingerências, obstáculos, reações, detrimentos, e outros mais. A Força Neutralizante não é a resultante do processo, mas sim aquela que determina o resultado. O diferencial fica por conta da troca sistemática de posições dentro do contexto, pois qualquer delas pode assumir a função de Ativa, Passiva ou Neutralizadora, sem com isso quebrar a hegemonia da Tríade.

Dentro desse contexto cada Tríade tem vida própria e determina uma nova configuração a partir da anterior. É importante ressaltar que nenhuma Força possui posição previamente determinada, ou fixa. As posições podem ser alternadas milhares de vezes em apenas alguns segundos. Uma simples troca determina pontos de vista e alternativas diversas. Podemos dizer que as circunstâncias são determinantes nesta dança contínua, pois ainda não temos nenhum controle interior que nos possibilite antecipar às emoções e restringir o seu campo de ação.

Todo o conhecimento atual, tanto filosófico, quanto psicológico, está amparado na dicotomia, ou confrontação de duas Forças, mas nunca interagimos antes com uma configuração de Três Forças. O que nos deixa perplexos é o fato de se diferenciarem apenas no contexto literal, pois em sua aplicação podem assumir qualquer posição diante dos mais diversos fenômenos. Portanto, as Forças Ativa, Passiva e Neutralizante podem assumir posições ora ativa, ora passiva e outras vezes neutralizante, sem com isso perder sua referência original.

Digamos que em um determinado contexto o Lobo seja a Força Ativa, ocupando o Cordeiro a condição de Força Passiva, sendo nós, ou seja, você ou eu, o canal correspondente à Força Neutralizante. Se não interagirmos em prol de determinada coalizão, ambas irão girar de modo contínuo e ininterrupto, sem que nenhum fenômeno possa resultar disso. Assim, dentro da configuração proposta neste parágrafo, nós somos a determinante, ou resposta, ou ainda, a atitude ou ação a partir de ambos. Isso não significa que o Lobo e o Cordeiro sejam ambos dicotomias extremadas entre o bem e o mal, mas apenas configurações dentro de uma determinada Tríade.

Caso invertamos os valores, sendo o Lobo a Força Passiva e o Cordeiro assumindo agora a condição de Força Ativa, mantendo a Força Neutralizante em nosso poder, nenhuma alternativa diferenciada se apresentará, continuando assim ao nosso alcance determinar a configuração favorável a uma ou outra. O grande ente mágico que se revela aqui é a mestria de manter indenes a ambos, equilibrando valores a fim de que o ente determinante do processo sejamos nós, na condição de Força Neutralizante. O que se afigura diante de nós é algo jamais visto em nenhum outro momento de nossas vidas, ou seja, a possibilidade de atuarmos como co-criadores, muito acima do bem e do mal. Essa magia foi revertida em poder pelos grandes avatares da terra, possibilitando feitos fantásticos revelados pelas escrituras sagradas de muitos povos.

Vamos compor agora outra Tríade, onde o Lobo ocupa a função de Força Ativa, nós como Força Passiva e o Cordeiro como Força neutralizante. Existe aqui uma hipótese sem paralelos na história contemporânea:  Se nos desgastamos em uma batalha cruel contra um Lobo Tirano Interior, giraremos em uníssono com ele e nenhuma manifestação externa terá significado, apenas uma perda excepcional de energia irá suceder. A Inteligência do Universo, nos aponta para uma coalizão de Forças, uma Integração, onde ambas mantenham a sua identidade, possibilitando assim a manifestação de uma Terceira, Neutralizante, a partir da Primeira e Segunda.

Passemos agora a uma nova Tríade, onde o Cordeiro será a Força Ativa e o Lobo ocupará a função de Força Neutralizante, enquanto nós, você ou eu, seremos o canal para a manifestação da Força Passiva. Mais uma vez, sugiro a hipótese que iremos girar em uníssono, numa batalha cruel e sangrenta com as dicotomias interiores, ou seja, entre critérios de virtude e pecado.  E acrescento ainda que, se nos submetermos a uma condição de submissão, dando ao Cordeiro as prerrogativas de superioridade, ou seja, dominação, iremos possibilitar um confronto direto entre a Força Ativa e a Força Neutralizante, que neste caso assumira a condição de Força Passiva, e nos legará novamente a condição de Força Neutralizante. Portanto, a Inteligência do Universo, nos acena no sentido de integração e não de submissão ou dominação.

Portanto, reza o Verdadeiro Conhecimento, que não devemos em hipótese alguma abrir mão do direito que nos foi dado a partir do Alto de atuarmos como Força Neutralizante. A dicotomia dominação x submissão só interessa àqueles que não contemplaram a visão do universo como um todo vivo, e direcionado por uma Inteligência Superior. Quando cientes de tal possibilidade tudo muda, pois passamos a ser os verdadeiros co-criadores da vida, e não apenas criaturas subjugadas aos poderes superiores e inferiores da existência. Resta agora lhes deixar bastante claro, o porquê de tal afirmativa:

A FORÇA NEUTRALIZANTE DESTA TRÍADE É A FORÇA ATIVA DA PRÓXIMA, O QUE NOS CONFERE PODER SOBRE NÓS MESMOS EM HARMONIA COM TUDO E TODOS À NOSSA VOLTA.

Por isso a máxima Sufi, que a partir de agora torna-se, não apenas um apelo emocional, mas a meta prioritária de todo aquele que se colocar no caminho do Verdadeiro Conhecimento.

Só merecerá o nome de homem e somente poderá contar com algo que foi preparado para ele desde O Alto, aquele que souber como adquirir os conhecimentos necessários para conservar indenes tanto o Lobo como o Cordeiro que foram confiados à sua guarda”.

Resta apenas lembrar que existem referências diretas às Três Forças  em vários Textos Sagrados nas mais diversas culturas. No Cristianismo faz-se referência à Trindade Santa, Pai, Filho e Espírito Santo. Na Tradição da Kabbalah , no mundo de Azilut, diz-se do Oculto dos Ocultos, o Santo dos Santos, Aquilo Que Está Além De Toda e Qualquer Possibilidade De Compreensão Por Parte Do Homem. As Três Forças estão presentes em todo o processo de criação e desenvolvimento de tudo e de todas as coisas, quer no mundo das formas, atômico ou subatômico. Todo e qualquer pensamento, sentimento e emoção está diretamente ligado à manifestação de Três Forças.

Durante o nosso Tratado vamos conviver com algumas interações preciosas da Lei de Três. Por exemplo: A confiança, a entrega e o  fazer; O caminho, a verdade e a vida; Conhecimento, ser e compreensão, e ainda outras, em vários textos subsequentes. Muitos temas serão discutidos e analisados ao longo do Tratado, mas sempre sob a ótica da Lei das Três Forças.

Serão inúmeras as situações em que teremos que salvaguardar o Lobo como parte inerente à própria sobrevivência, pois dele dependerá nossa obstinação em situações onde a força física será oportuna e necessária, com suas nuanças de respeito, lealdade e gratidão. Outras tantas teremos que nos apoiar nos anais do Cordeiro, quando a sensibilidade, o amor, a compaixão e a misericórdia, acenarem ao longo do caminho. Como nos deixou o legado de Hermes Trismegistus, dizemos: “Assim como em cima também embaixo”.

Que assim seja!


002 – Uma nova maneira de pensar

In Artigos on 18 de janeiro de 2011 at 21:51

O Tratado do Lobo e o Cordeiro convida-nos a uma reflexão mais intensa, a uma nova maneira de pensar. A partir da atenção renovada, possibilita uma roupagem diferente para formas atuais rígidas e condicionadas. Pensar de uma maneira diferente, significa simplesmente “pensar por si mesmo”, pois, tais como somos agora, não pensamos por nós mesmos. Recebemos algo já pensado, rotulado e previamente dirigido. Precipitamos assim reações, ruminamos respostas, quase sempre evasivas e estúpidas, completamente fora de um contexto mínimo de originalidade.

Agir é a maneira prática e objetiva de responder, portanto, atitudes são respostas, mas nem sempre práticas e objetivas como deveria ser. Não existe “pensar de uma maneira diferente” que não esteja intimamente relacionado a uma mudança de comportamento em relação a si mesmo e aos outros. Homens adormecidos imaginam pensar, rotulam pensamentos e extirpam sensações. Respondem segundo parâmetros pré-estabelecidos, são seres reativos. Somente em raras ocasiões estão presentes, pois na maioria das vezes suas atitudes testemunham a ausência de si mesmos.

Dentre tantos outros argumentos, o que mais me chamou a atenção para a necessidade da primeira parte do Tratado do Lobo e o Cordeiro, intitulada uma nova maneira de pensar, foi um erro cometido na tradução dos Textos Sagrados, cujo alcance e influência tem proporções ilimitadas. A tradução para o grego metanóia, introduziu no cânone cristão a palavra arrependimento, quando deveria ser UMA NOVA MANEIRA DE PENSAR. Acredito que tal atitude tenha sido tomada em virtude do apelo emocional embutido na palavra arrependimento. Funcionava perfeitamente como um chamarisco para a mente inculta da época, e assim prevalece até hoje.

A reboque do arrependimento suscitou-se a criação do modelo antagônico: Virtude e pecado. O mundo estava então dividido entre cristãos e gentios. Entre aqueles que pressupunham ser donos da verdade e aqueles que representavam um grave empecilho para a disseminação da nova doutrina. Mas era também necessário criar um modelo que registrasse na psique humana a fronteira real entre os lados dissidentes, criou se assim o Lobo e o Cordeiro: símbolos do Mal e do Bem. A fé dizimou povos inteiros em nome do Cordeiro, não restando outra alternativa ao Lobo senão refugiar-se nos Chakras inferiores da existência.

Um universo de submissão tomava conta da mente do homem ocidental à medida que o cristianismo avançava onipotente sobre os povos vencidos. Respostas evasivas e condicionadas tomaram conta de tudo, não restando à verdade senão enclausurar-se nos porões e subterrâneos da existência. Um povo inculto e ignorante revestiu-se de dogmas e credos em nome de Deus, e a Terra foi perdendo aquilo que de melhor possuía: Justiça, Lealdade e Gratidão. Palavras como arrependimento e amor ganharam peso, sem nunca terem formado raízes. Arrependimento era, em síntese, uma forma condicionada de manter emocionalmente cativa uma alma que nasceu para liberdade e luz.

NÃO SE PROCURAVA A CURA DA DOENÇA, MAS FAZIA ARDER A FERIDA.

Convites para o amor, a justiça e a fraternidade brotavam sempre dos patamares superiores, sem que dessem de si mesmos um exemplo de valor expressivo na prática. Solicitava-se “doar-se mais por amor a Deus e aos seus princípios”, mas não agiam de acordo  em relação aos humildes e necessitados.

Imperadores, reis e senhores feudais fizeram do arrependimento um dízimo de ingratidão ao Céu. E a igreja submissa lhes rendeu honras na Terra. A mesma coisa ocorre hoje. Como não têm principados a que se submeter em hierarquia e poder, lutam para se elevar ao congresso, onde possam se regozijar em causas, segundo eles, divinas. Homens adormecidos são sempre iguais, não importando serem padres, pastores, comerciante ou comerciários, são todos “farinha do mesmo saco”. O homem desperto é aquele que faz toda a diferença. O homem desperto pensa, age, faz.

PENSA DE UMA MANEIRA DIFERENTE, NUNCA AGE EM CAUSA PRÓPRIA, E FAZ SEM SE IMPORTAR COM NENHUM TIPO DE RECOMPENSA.

Para aqueles que ainda não possuem um leque promissor de informações, gostaria de esclarecer que aquele João, a voz que clamava no deserto, vestido de fios de camelo e cinto de couro, não era tão inculto quanto pretendem nos fazer acreditar. E nem estava se encontrando com Jesus pela primeira vez no Jordão. Grandes mestres do porte de um Tilopa, Naropa e Milarepa, além de grandes hierofantes da escola Egipcia, e conhecimentos do Tibete, nutriram e prepararam João para cumprir fielmente a sua missão. Jesus não era um inculto Filho de Deus na Palestina, mas sim um arguto, sábio e bem informado em relação aos conhecimentos de Paracelso e Trismegistus, e versado em várias línguas. Para que possamos pensar diferente é necessário termos novas informações, novas ideias.

NÃO SE PODE COLOCAR VINHO NOVO EM ODRES VELHOS.”

Jesus chamou o seu povo à reflexão, João nos exortou a isso. O batismo de João é a simbologia do novo: ele derrama água sobre a fronte para a renovação das ideias, não para a simples remoção dos  pecados.

TODOS OS NOSSOS PECADOS FICARÃO PARA TRÁS, QUANDO PASSARMOS A VIVER A VIDA COM OUTROS OLHOS.

Refletir é diferente de arrepender-se. A reflexão necessita de pelo menos Três Centros (intelectual, emocional e motor), enquanto arrepender-se pode ser uma contingência de momento com reflexos impulsivos, apenas no Centro Emocional. Para refletir é necessário ter um propósito, uma meta. Para arrepender-se você não necessita de nada além do eu imaginário que já possui. Foi alimentando o “eu imaginário” do homem que as tradições religiosas do Ocidente nos legaram o Cristianismo de hoje. Não podemos refletir sem fazer esforços, pois reflexão sem prática, é como candeias colocadas debaixo do alqueire, ou sal que perdeu a força e não mais serve para salgar coisa alguma.

Pensar de uma maneira diferente, suscita novas ideias. É este o nosso propósito aos escrever os primeiros 130 artigos do Tratado: fornecer subsídios para reflexão. Muitos adeptos da ortodoxia sentir-se-ão indignados com o seu conteúdo, outros passarão por eles sem lhes dar um mínimo de atenção, ainda outros lamentarão ao Altíssimo sobre a minha conduta, mas há aqueles que irão refletir. A estes eu digo que para pensar diferente é necessário um esforço sem igual, pois tudo à nossa volta tende a nos levar ao antigo. Todas as células do nosso corpo foram condicionadas assim, desde tempos imemoriais. Mas vale a pena conferir, pois o mundo que emerge bem diante dos nossos olhos, é um ilimitado campo de possibilidades reais.

Pensar de uma nova maneira exige deixar o habitat aparentemente saudável e acolhedor do imaginário, mas o universo de transformações que se afigura bem à nossa frente é desconcertante e aterrador. Sugiro levar apenas o necessário, pois a alfândega que se avizinha, não deixa absolutamente nada ao acaso. O Lobo e o Cordeiro são os extremos da psique humana, são elos rompidos de uma corrente eterna. Ao longo do nosso estudo, vamos compreender o significado real desse rompimento, suas causas e consequências. Lembrando sempre que todas as possibilidades de integração passam pela necessidade de refletir e recompor objetivos, com novos pensamentos e ideias.


É uma busca incessante, onde a meta, tanto quando o esforço e a disciplina são fundamentais. A possibilidade do novo gera conflitos internos, sempre foi assim. Além dos muros do palácio, Sidarta não sabia o que encontrar. Gurdjieff venceu inúmeras batalhas interiores para que o Verdadeiro Conhecimento chegasse até nós. Anagarika Govinda deixou a tranquilidade do Tibete para abrir espaços na mente ocidental. E Jesus percorreu o tortuoso caminho do Getsêmani ao Gólgota para que a reflexão pudesse ser revestida de sua autoridade. Além daquele portão há um mundo de possibilidades reais… “nada tema, segue-o”.

SE O BOTÃO NÃO SE ABRIR EM FLOR, A ROSEIRA COM O TEMPO ESVAECE E MORRE.

Que assim seja!















001 – Lázaro, o Lobo e o Cordeiro

In Artigos on 17 de janeiro de 2011 at 17:17

A idéia de escrever O Tratado do Lobo e o Cordeiro nasceu a partir de uma máxima Sufi. Foram necessárias cinco décadas de intenso convívio, ora com o Lobo, ora com o Cordeiro, para que a ideia de redigir a experiência tomasse forma. Ambos, tanto o Lobo, quanto o Cordeiro tornaram-se  meus amigos fiéis, além de conselheiros de cabeceira. Com o passar dos anos ficou cada vez mais difícil me fazer ouvir por qualquer deles, sem que houvesse  a interferência, nem sempre pacífica, do outro. Havia também as animosidades da tradição, cultura e religião que, com certeza, não comungariam da ideia com bons olhos. Romper elos firmemente assentados ao longo de muitos séculos não é nada fácil. Basta dizer que tais elos têm sua solidez no inconsciente pessoal, muitas vezes em contraste com o coletivo de uma sabedoria maior e mais abrangente. Despertar para isso exige esforço, mas a mente do homem, além de preguiçosa está também fragmentada. Enfim, o Tratado nasceu de uma mente inquiridora, de certa forma rebelde em suas manifestações, mas ardente de sedução por uma cultura além da forma. Digamos que toda forma é um círculo cativo, mas na sua aparente segurança, seduz e conduz ao imaginário. Passamos então a ter a segurança do Cordeiro, e deixamos o Lobo ao relento. Esquecemos que ao deixá-lo à deriva perdemos o próprio rumo e direção. O Lobo é uma parte importante de nós mesmos, confinada a uma pequena ilha no mar do desconhecido.

“Agora, você está fisgado”, diria Dom Juan Matos. Por mais metódico que eu fosse, lá estavam eles: Lázaro, o Lobo e o Cordeiro.

Com o passar dos anos, ficava cada vez mais difícil continuar frequentando os mesmos lugares. Por uma questão de princípios, ou apenas por respeito às tradições, ou mesmo por mera submissão aos hábitos, alguns permitiam a entrada do Lobo, mas não havia permissão para o Cordeiro; outros aceitavam cordialmente o Cordeiro, mas vetavam o Lobo. Portanto, Lázaro, em ambos os casos, permanecia ausente. Ai de mim! Se, porventura, deixasse qualquer deles ao relento. Se assim fizesse esqueceria de mim mesmo. O Lobo é sagaz; o Cordeiro, manso, mas sutil. O Lobo é um príncipe solitário e me acompanha sempre que aventuro às caçadas. Meu Deus! Tenho que me fazer acompanhar do Cordeiro, pois de posse da caça há o uso social dela. Caso demonstre o menor constrangimento pela situação um tanto inusitada do Cordeiro, o Lobo já me olha com certa animosidade. Há de convir que é uma relação nova e nem sempre fácil. Estamos acostumados a navegar extremos e ocupar o centro é estar livre de dois indesejáveis hóspedes: a ansiedade e a depressão. Esses indesejáveis hóspedes não se submeterão a uma ação de despejo, sem antes usar de artifícios vários para malograr a decisão. O primeiro deles está amparado na lei da vaidade, enquanto o segundo irá se agarrar com unhas e dentes á lei do orgulho. Manter indenes o Lobo e o Cordeiro é uma batalha para toda a vida e exige atenção constante e observação severa de si mesmo.

Vamos comungar um segredo, que  ainda ontem guardava a sete chaves:

O LOBO E O CORDEIRO NÃO SOMAM DOIS, MAS SIM, TRÊS: LÁZARO, O LOBO E O CORDEIRO.

O que você acha de  acrescentarmos mais um detalhe? O Dualismo é uma ilusão, pois tudo manifestado no universo, tanto os  pensamentos, sentimentos, quanto uma rosa,  pedra ou ainda as emoções sempre responderá a uma orientação de Três Forças. O dualismo ou sistema de dicotomias tornou-se o fundamento de toda a cultura ocidental. É conveniente ao sistema contemplar extremos, digamos que é mais fácil manipular a mente humana através dos extremos conflitantes. O pensar ativo do homem é a Terceira Força, por isso toda forma de poder prefere  ignorá-lo, ou quem sabe o teme. Um homem que pensa pode mudar as coisas, mas um homem que pensa emocionalmente pode mover montanhas.

ESSE SER IMAGINÁRIO QUE SE CHAMA LÁZARO, MAIS O LOBO E O CORDEIRO, SOMAM APENAS UM.

LÁZARO, ISOLADAMENTE, SERIA NADA, UM ZERO À ESQUERDA.

Será que é indiferente em relação a você? Talvez não seja. É bastante provável que ambos sejamos ‘iguais‘. O Lobo e o Cordeiro foram confiados à minha guarda e, caso aceite de bom grado ou não, foram confiados à sua também. Somos uma relação de Três Forças. Quando qualquer delas é relegada ao esquecimento, nos tornamos incompletos, isentos de valores reais. Por isso a ESCOLA pede sempre para que se lembre de si mesmo, pois o Lobo e o Cordeiro sem a nossa presença integral no agora também não podem ir a lugar algum. o Tratado do Lobo e o Cordeiro contempla o homem integral, completo, o homem astuto na visão de Gurdjieff.

Que loucura, hein? Ambos sonhávamos ter uma individualidade, e como num passe de mágica acabamos de perdê-la. E ao perder a individualidade aparente, passamos a ter uma possibilidade real de nos tornarmos completos.  Essa é a visão do Terceiro Olho, ou seja, além dos extremos passamos a ter a visão do centro. Passamos a ver mais longe, nos tornamos mais objetivos. Contemplar horizontes além de si mesmo tem o significado de respeitar o território do outro como o seu próprio.

Iniciemos, então, a jornada aos picos elevados da consciência! Mas, antes um alerta: em algum ponto do percurso vamos sentir um rompimento em nossa continuidade não nos restando outra alternativa, senão mergulhar nas profundezas. É aí que a frieza do Lobo poderá se manifestar, alimentando-nos com a coragem necessária para prosseguir. Mas o Cordeiro sempre irá nos acenar, apontando para além do si mesmo o fértil terreno do outro. É naquele terreno que iremos encontrar o verdadeiro campo para investir com liquidez absoluta e segurança, além de um retorno garantido pelo cosmos.

O Tratado do Lobo e o Cordeiro é uma viagem ao interior de cada um de nós. Mas não há guias, nem mestres, ninguém para nos conduzir, além do nosso Pensar Ativo. Uma nova maneira de pensar, na visão do Tratado tem o significado de pensar por si mesmo. Nenhum arrependimento pode mudar o homem, se ele não refletir e compreender a necessidade da mudança. Podemos reformar completamente a casa, mas se continuarmos a alimentar os mesmos hábitos de antes, em pouco tempo tudo voltará ao que era. É preciso abrir mão de muitas coisas, se realmente queremos adicionar outras.

Vamos então à máxima que iluminou o caminho e nos convidou a redigir esta obra. Sua origem é Sufi e chegou até nós através de G. I. Gurdjieff.

“Só merecerá o nome de homem e somente poderá contar com algo que foi preparado para ele desde O ALTO, aquele que souber como adquirir os conhecimentos necessários para conservar INDENES tanto o LOBO como o CORDEIRO que foram confiados à sua guarda”.

Que assim seja!

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